quarta-feira, junho 28

Um gentleman no país dos hooligans



No meio da algazarra mediática que os bretões engatilharam contra a selecção lusa, este senhor veio dizer o que importa: 'Claro que Portugal é uma equipa com fair play. Estive cinco anos em Portugal, conheço muitos jogadores, muita gente, é um país que adora futebol'.

É sueco e adepto do Benfica

Utopia ou benfeitoria

Nasci filho de funcionário público, belenense não registado, ele próprio entrançado à nascença de Pai maçon e Mãe legionária. A criação fê-lo distante das contendas e o mais longe possível das militâncias. A ele lhe devo, em grande parte, nunca ter conseguido ser deste ou daquele, e mesmo benfiquista apercebido por dote não me apraz a incondicionalidade. Sou de ninguém e quem é por mim sabe disso. Leio, registo, observo e às vezes acompanho. Mas nunca vou por aí.

Tenho da história da Pátria o meu próprio entendimento. De lhe ter fugido quis. Não fui. Problema meu.

Agora, no alter-ego dos anos que já vivi, sinto-a no bolso e no assentimento como se de uma companheira feiosa mas compincha se tratasse. Já não vale a pena o divórcio, já é tarde. Tenho que a aturar para o resto da vida. Mesmo se a vizinhança é a mesma de sempre, foleira, e o mal-estar combina com uma enorme necessidade de passar a fronteira.

O meu Pai escarneava dos emigrantes, exaltando aqueles que nos anos 30 quiseram ficar por aqui. Servidor do Estado que era então nascente, o homem em causa acreditou na hipótese lusitana. Acabou no dia em que o Delgado era amarelo e o Tomás era branco. Depois fez-me, e pensou, erradamente, que os filhos podem redimir os pais.

E esta é a vontade que eu tenho de fazer, fazer, fazer.

Bem feito.

terça-feira, junho 27

As duas Espanhas... ou o 'dois em um'

Do lado de lá da fronteira acho que a esta hora está toda a gente de acordo. Uns dirão 'Arriba España', outros 'No pasarán'. Mas a verdade é que desejam a mesma coisa

E a verdade é que eu estou com eles. Com quais? Ora, com eles.

segunda-feira, junho 26

Ucrânia

Parabéns Ucrânia! Em Portugal, hoje à noite, os melhores imigrantes de que há memória por estes lados vão estar felizes.

Os 'nestlés-relojoeiros' foram para casa. O futebol, meus toinos, não é como na vida: a previsibilidade vale menos que a fantasia. Pena é não terem levado os 'spaghetis' convosco.

Não se pode ter tudo.

À italiana

Um penalti inventado, já em tempo de descontos, foi o suficiente para pôr a Itália nos quartos-de-final do 'Mundial FIFA 2006'

Estes gajos são um perigo: da última vez que me recordo de um escândalo da dimensão do actual ter assolado o futebol italiano eles a seguir foram campeões do mundo. Isto em 1982. No Campeonato da Europa de 1968 apuraram-se para a final (em casa)por moeda ao ar, uma coisa inaudita mas em voga na época. No Campeonato do Mundo de 1938 ganharam 4-2 à Hungria na final porque o guarda-redes magiar levou à letra o telegrama que Mussolini mandou aos seus jogadores aconselhando-os a 'vincere o morire'. O tal de Szabo era uma boa alma e tinha dificuldades de interpretação de slogans fascistas pelo que deixou entrar um bom par de frangos. No campeonato do Mundo de 1934 conseguiram a proeza de nomear o mesmo árbitro para o jogo da meia-final e da final, nas quais participaram.

Safa!!

Analiticamente

1 - O senhor Ivanov, com a prestimosa colaboração dos jogadores da terceira e da sétima melhores selecções do Planeta - ver ranking da FIF(i)A - estabeleceu ontem um novo recorde global: nunca, num jogo de Campeonato do Mundo, tinham sido mostrados tantos cartões amarelos e vermelhos. No final do jogo, numa inaudita declaração, o chefe da matilha (um tal de Blatter) cascou no homem. Eu, francamente, poucos erros lhe vi. Talvez a expulsão do Deco seja exagerada, mas fora isso o gajo viu tudo. Aos holandeses sarrafeiros e aos portugueses espertalhões só lhes podia acontecer o que aconteceu.

2 - A F. é testemunha. Mal o Costinha levou o primeiro amarelo fartei-me de berrar com o Scolari para que tirase o rapaz e metesse o Petit, mas apesar de ter voz grossa os meus gritos ainda não chegam de Algés a Nuremberga. Passados minutos foi o que se viu. A visão do Scolari, como treinador de campo, continua a bom nível... Nossa Senhora do Caravaggio lhe valha e a nós também.

3 - Sem Deco, vai ser o bom e o bonito para derrotar os ingleses. Mas é possível.

sexta-feira, junho 23

Fiquei na mesma

Um camarada de profissão, que nunca janta sozinho às quartas e que é pouco entendido em bola, desabafou ainda há pouco: 'Eu hoje sou a favor dos pretos'. Pronunciava-se o 'sapiens cinefilus' sobre o jogo de futebol entre a França e o Togo........

quarta-feira, junho 21

Serviços mínimos

Ganhámos. Não jogámos um cu. Tivémos sorte. O México esteve meia-hora a jogar com dez. A continuar assim domingo é fim-de-festa. É pena.

Scolari esteve igual a si próprio. Não faz a mínima ideia do que é liderar uma equipa em campo. Dizem que é o rei do balneário. Pois então não devia sair de lá.

Argentina ou Holanda? Prefiro a Argentina.

segunda-feira, junho 19

A final que eu não posso ganhar

Duas das cidaddes mais corruptas, bimbas e desinteressantes dos Estados Unidos têm neste momento as respectivas equipas profissionais a disputar a final do campeonato norte-americano de basquetebol, o mais importante do mundo. Se eu tivesse que escolher 50 cidades estado-unidenses para visitar, de certeza que Miami e Dallas não estariam entre as minhas preferidas. Ninguém com um mínimo de decência, sentido da virtude e entendimento estético pensaria alguma vez pôr o pé em semelhantes espeluncas.

Pergunto-me: que é feito de Boston, Nova York, Filadélfia, Chicago, Detroit, Seattle, Sacramento, Phoenix, Utah e todas as outras equipas de terras onde há gente (quase) normal? Porque raio de merda tem que ser Dallas e Miami a disputar a final do meu jogo favorito, o único que alguma vez, enquanto desportista, pratiquei com algum brilho?

Deve ser culpa do Bush, que é texano e que recolheu votos em barda dos merdosos floridinos. Só pode.

domingo, junho 18

Admirável Mundo novo

Eu não tenho nenhum problema com os erros dos árbitros. Acontece, é humano. Já me chateia mais quando os gajos roubam descaradamente. Não tenho, aliás, nenhuma dúvida de que metade dos que escolhem profissão de juíz, seja num tribunal ou num campo de futebol, sente sede de justiça, enquanto a outra metade quer é sentir uma estranha e perversa volúpia de discricionaridade. Juízes que não prestam e que deviam estar atrás das grades há, aliás, mais no foro cível e criminal do que à beira da relva. Adiante.

Mas o que é absolutamente inadmissível - e aqui me trás - é a censura que a FIFA está a fazer dos lances polémicos. Não é novidade, mas a coisa está a piorar neste Mundial. Repetições televisivas são praticamente proibidas, a não ser que a decisão do árbitro se demonstre correcta a posteriori. O despudor máximo ocorreu ainda há pouco, quando a França marcou um golo limpo à Coreia que o árbitro não viu, acreditando que a defesa 'a la Baía' - ou seja, já dentro da baliza - era válida. A censura atingiu foros de crime.

O que é pior é que quem está por dentro disto sabe a 'razão' aduzida pelo bando de malfeitores que comanda a FIFA para não dar as imagens a que temos direito: é para não acirrar os ânimos dos adeptos. Ó meus, o que vocês ainda vão conseguir é que os adeptos como eu deixem de ver futebol e se passem de armas e bagagens para o râguebi, por exemplo, onde o árbitro explica 'urbi et orbi' a decisão que tomou.

Quando se começa a esconder a verdade com medo do povo o fim está próximo.

sábado, junho 17

Lusofonia

Andava doido para encontrar quem usasse manta destas. Hoje encontrei. Sara Tavares deixou-me de boca aberta. O crioulo mais sentido, mais consequencial que a suave saga lusitana temperou foi hoje à praça na RTP2. A miuda cabo-verdiana, que ganhou o 'Chuva de Estrelas', sabe do Império tudo o que é preciso. E diz que o fado é óptimo, e que o Brasil vem secundário, e que a morna pode ser mudada e que Moçambique também conta. Hoje aprendi de Santiago até Alfama tudo o que a Alma sabe e a pele consente.

A mulata pôs-se no meio da bandeira e eu tenho honra em falar a língua em que ela canta. É desta gente que se faz a Lusitânea.

sexta-feira, junho 16

O Mundial dos fora-de-jogo e das barreiras

Eu já andava desconfiado, mas o Campeonato Mundial de Futebol (e não o 'Mundial FIFA 2006', que coisa tão bera) que decorre actualmente tirou-me as dúvidas. Já não se usa roubar ou inventar penaltis. Agora, trio de arbitragem que se preze rouba ou inventa foras-de-jogo, para além de mandar às malvas a regra dos 9,15 metros de colocação das barreiras na marcação de livres.

Toda a gente sabe que árbitro que chega à FIFA detesta futebol. Como tal, quanto menos golos houver melhor. Na dúvida - e ao contrário do que mandam as regras - marca-se fora-de-jogo nem que o atacante esteja um mílimetro à frente do último defesa. E como os erros de paralaxe dos juízes-e-linha são mais que muitos (e estão mesmo cientificamente provados), lá vai bandeirinha ao alto, por tudo e por nada. Como é que se pode marcar um fora-de-jogo quando eu, às vezes, depois de duas ou três repetições, ainda não tenho a certeza?

A história das barreiras é outra que tal. Os senhores do apito politicamente correcto, sempre que o livre é frontal não conseguem alinhar os defensores a mais de 8 metros. Ou seja, os marcadores de livres, que andaram a treinar para atirar segundo as regras, vêem os seus intentos gorados, porque o ângulo é insuficiente.

De resto, até gostei do Equador.

E por hoje é tudo.

quinta-feira, junho 15

Pensamento do dia

Quando a mediocridade impera um tipo acima da média precisa de cunhas para atingir o topo

terça-feira, junho 13

Selecção Nacional



Você é o chamado 'show de bola'. Para si ganhar não é suficiente. É indispensável fazê-lo com arte. Gosta de ser o centro das atenções e de impressionar tudo e todos com as suas habilidades. Vive a vida descontraidamente e nunca faz drama, mesmo que surja uma situação mais delicada. É optimista por natureza, mas quando não consegue o que quer cai o carmo e a trindade e é um drama de novela!

Este passatempo é um bocado lorpa. Eu, o Brasil? Era bom, era...

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