domingo, abril 9
Berardo
Pergunta: quando é que um novo rico deixa de parecer que o é? Resposta: mais coisa menos coisa quando o bisneto completar sessenta anos.
Venho aqui porquê? Por isto: José (Joe) Berardo pretende lançar uma marca de vinho, de qualidade "razoável", sem que a respectiva garrafa leve aposta uma rolha de cortiça. Fá-lo poucos dias depois de o Estado português, através do seu legítimo Governo, ter aquescido na permuta leonina que poderá transmudar em espólio da Nação a conhecida colecção de arte contemporânea que é propriedade do fulano. A transacção, obra que o Diabo demorou dez anos a tecer, estará completa após uma transfega de cinco milhões de euros oriundos do erário público, esportulados em suaves prestações decimais. Isto do que se conhece.
Joe Berardo, para que conste, é um conhecido especulador bolsista, hábil como poucos mais, que há cerca de 15 anos teve a sorte de conhecer um economista de mérito com jeito para as artes, de nome Francisco Capelo. O citado convenceu o então locatário de minas de ouro na África do Sul de que havia outras formas mais nobres e inteligentes de ganhar dinheiro. À beira de um 'apartheid' acabado, o tal de Joe era todo ouvidos.
Francisco Capelo, ele próprio coleccionador de arte (mais de design e mobiliário, entenda-se), viu no enorme potencial económico de Joe uma oportunidade estética. Convencê-lo a criar um espólio de raíz, essa foi a enorme obra de Capelo. Numa altura em que a arte contemporânea estava pela hora da morte, sobressaiu também o esquálido sorriso de Joe, que tem pelo baratucho que se pode tornar gorducho um faro fora do normal. Diz quem o conhece que Joe - criança grande - sempre teve uma genial capacidade para entender de que lado sopra o vento, ao mesmo tempo que desdenha completamente da mais minimal das estruturas éticas.
Por mais informação que se tenha, é-me difícil opinar se o Estado português fez bem ou não em lançar a toalha ao ringue no que à colecção de arte do dito sujeito releva. Tenho a minha experiência: não sendo um dos cidadãos mais viajados do meu País, pouco Warhol, Liechtenstein, Pollock ou Vieira da Silva me são desconhecidos. E, também eu, não desconhecedor da argentária razão de ser das coisas, só compro se valer a pena. Então em funções de Estado não pensaria duas vezes. Adiante.
Ensofismado numa colecção que não quis, mas que lhe caiu no regaço, Berardo é hoje em dia uma aliteração de referência no mundo da arte-moda. Há até quem lhe chame um novo Gulbenkian. Guardo a sentença sobre o pendente assunto para os meus bisnetos. Os quais, graças a Deus, nunca terei.
O que me interessa - como acima já disse - é que o madeirense está disposto a fazer frente à preponderãncia da rolha no que ao vinho remonta.
Se não fosse uma verdadeira tontice - que é - a proto-ideia seria no mínimo anti-patriótica. A rolha de cortiça está para a garrafa de vinho como os afagos clitorianos para a concretização do orgasmo feminino. A rolha de cortiça é o único utensílio em que Portugal dá cartas por esse mundo fora. Pouco me interessa se do lado de lá está um 'ti' Américo que a discutir com o Joe a entrada no Céu provoca em São Pedro um ataque cardíaco.
'Mister' Joe, por interposto vate, pode ter na cave uma das melhores arrobas de quadros da idade contemporânea. Pode até ter posto Sócrates a interiorizar cavaletes de pintores macroscópicos. Mas não pode - ou não deve - atacar a rolha. Porque Portugal não deixa, porque o vinho não quer.
De repente, estou a ver o Andy a descontextualizar cortiça. Pede ajuda a Magritte e mete-a - a rolha - na cabeça do comendador. O que é que tu dizes, ó Capelo?
A única vez que (convi)vi de perto com o comendador Berardo foi ali para os lados de Alcântara, num restaurante da moda. O gajo é o que parece. Bimbo (facção madeirense), génio, rústico, mooooooderno (olha-se e vê-se a Fátima Lopes dos primeiros tempos).
Na ocasião, estava a tentar de modo acintoso apalpar a peida de uma garota vintinha que entre a desdita do facto e a oportunidade criada se punha mais ou menos a jeito. A menina com mamas ainda tentou um gesto de puta fina, fazendo de conta que o romance contava. Mas não sabia com quem estava metida. O Joe, logo de seguida, meteu-lhe a mão na cona (literalmente) e começou a zorrar bem alto - espumando pelos cantos da boca - que queria puta de borla.
Eu corei.
Venho aqui porquê? Por isto: José (Joe) Berardo pretende lançar uma marca de vinho, de qualidade "razoável", sem que a respectiva garrafa leve aposta uma rolha de cortiça. Fá-lo poucos dias depois de o Estado português, através do seu legítimo Governo, ter aquescido na permuta leonina que poderá transmudar em espólio da Nação a conhecida colecção de arte contemporânea que é propriedade do fulano. A transacção, obra que o Diabo demorou dez anos a tecer, estará completa após uma transfega de cinco milhões de euros oriundos do erário público, esportulados em suaves prestações decimais. Isto do que se conhece.
Joe Berardo, para que conste, é um conhecido especulador bolsista, hábil como poucos mais, que há cerca de 15 anos teve a sorte de conhecer um economista de mérito com jeito para as artes, de nome Francisco Capelo. O citado convenceu o então locatário de minas de ouro na África do Sul de que havia outras formas mais nobres e inteligentes de ganhar dinheiro. À beira de um 'apartheid' acabado, o tal de Joe era todo ouvidos.
Francisco Capelo, ele próprio coleccionador de arte (mais de design e mobiliário, entenda-se), viu no enorme potencial económico de Joe uma oportunidade estética. Convencê-lo a criar um espólio de raíz, essa foi a enorme obra de Capelo. Numa altura em que a arte contemporânea estava pela hora da morte, sobressaiu também o esquálido sorriso de Joe, que tem pelo baratucho que se pode tornar gorducho um faro fora do normal. Diz quem o conhece que Joe - criança grande - sempre teve uma genial capacidade para entender de que lado sopra o vento, ao mesmo tempo que desdenha completamente da mais minimal das estruturas éticas.
Por mais informação que se tenha, é-me difícil opinar se o Estado português fez bem ou não em lançar a toalha ao ringue no que à colecção de arte do dito sujeito releva. Tenho a minha experiência: não sendo um dos cidadãos mais viajados do meu País, pouco Warhol, Liechtenstein, Pollock ou Vieira da Silva me são desconhecidos. E, também eu, não desconhecedor da argentária razão de ser das coisas, só compro se valer a pena. Então em funções de Estado não pensaria duas vezes. Adiante.
Ensofismado numa colecção que não quis, mas que lhe caiu no regaço, Berardo é hoje em dia uma aliteração de referência no mundo da arte-moda. Há até quem lhe chame um novo Gulbenkian. Guardo a sentença sobre o pendente assunto para os meus bisnetos. Os quais, graças a Deus, nunca terei.
O que me interessa - como acima já disse - é que o madeirense está disposto a fazer frente à preponderãncia da rolha no que ao vinho remonta.
Se não fosse uma verdadeira tontice - que é - a proto-ideia seria no mínimo anti-patriótica. A rolha de cortiça está para a garrafa de vinho como os afagos clitorianos para a concretização do orgasmo feminino. A rolha de cortiça é o único utensílio em que Portugal dá cartas por esse mundo fora. Pouco me interessa se do lado de lá está um 'ti' Américo que a discutir com o Joe a entrada no Céu provoca em São Pedro um ataque cardíaco.
'Mister' Joe, por interposto vate, pode ter na cave uma das melhores arrobas de quadros da idade contemporânea. Pode até ter posto Sócrates a interiorizar cavaletes de pintores macroscópicos. Mas não pode - ou não deve - atacar a rolha. Porque Portugal não deixa, porque o vinho não quer.
De repente, estou a ver o Andy a descontextualizar cortiça. Pede ajuda a Magritte e mete-a - a rolha - na cabeça do comendador. O que é que tu dizes, ó Capelo?
A única vez que (convi)vi de perto com o comendador Berardo foi ali para os lados de Alcântara, num restaurante da moda. O gajo é o que parece. Bimbo (facção madeirense), génio, rústico, mooooooderno (olha-se e vê-se a Fátima Lopes dos primeiros tempos).
Na ocasião, estava a tentar de modo acintoso apalpar a peida de uma garota vintinha que entre a desdita do facto e a oportunidade criada se punha mais ou menos a jeito. A menina com mamas ainda tentou um gesto de puta fina, fazendo de conta que o romance contava. Mas não sabia com quem estava metida. O Joe, logo de seguida, meteu-lhe a mão na cona (literalmente) e começou a zorrar bem alto - espumando pelos cantos da boca - que queria puta de borla.
Eu corei.
2 Comments:
Bravo!
By Mendo Ramires, at abril 10, 2006
Eu também corava.
Viva a lei da rolha. A de cortiça.
Genial.
By , at abril 12, 2006

