quarta-feira, abril 26

Agora

Eu tenho da tua mão
ao menos um dedo
Mais não preciso
para amar tão cedo

Eu tenho do teu braço
a opinião
Mais não preciso
do que um cordão

Eu tenho de ti um regresso
uma confusão
Mais não preciso
do que uma mão

Eu vou achar de ti um abraço
pode ser hoje, porque não?
Estou mesmo aqui
na revolução

Hoje não cedo
A opinião
Leve me traga, quando sem medo
vou mesmo ao Céu

Sem extrema-unção

sábado, abril 22

Férias e ferias



Desta vez vou para aqui. Norte-nordeste, um dos poucos sítios da Ibéria que me falta. Aceitam-se sugestões até segunda-feira.

quarta-feira, abril 19

Há trinta anos

Corre célere a notícia de que, ainda antes dos idos de Maio, uma pre-arruinada centúria de velhos companheiros de escola se prepara para comemorar - salvo seja - o incomemorável. Faz por estes meses 30 anos que aquela rapaziada adquiriu completo o elevado grau de 'Curso Complementar dos Liceus'. Foi há tanto tempo que já nem sequer existe essa coisa de 'Curso Complementar' nem ao menos 'Liceus' que seja. Talvez voltem um dia. Adiante.

Isto de ainda não ser velho e comemorar datas tremendas é assaz esquisito. A gente lembra-se de episódios brilhantes ou ridículos como se de ontem se tratasse; mas no entanto tudo já se passou há imenso tempo. Nessa altura, por exemplo, aconteceram coisas como o 25 de A., a I. e o J. tiveram uma filha adolescentes, o Algarve ficava à distãncia de um polegar estendido, o 'cavalo' começou-me a matar amigos e o preservativo era uma coisa que os velhos porcos usavam para ir às putas. Íamos, imaginem, ao teatro, e o basquetebol era um desporto de brancos.

Passados os anos, ele há coisas engraçadas. Esta semana recebi um telefonema de uma amiga de sempre, lá da escolinha básica comum, a dizer que vinha a Lisboa. Almoçar? Almoça-se, é claro, 'já não te vejo p'rá aí há uns oito anos'. Ressalvo aqui o desconhecimento que a maior parte dos autóctones têm da capital do País, quando de nortenhos se trata. A camarada é médica de proporções superiores mas não sabe que o Galleto fica na Avenida da República. Eu, que nunca vivi no Porto, sei perfeitamente onde fica o Aleixo e a Regaleira, o que só demonstra o ascendente moral dos nortenhos que colonizaram a cidade moura. Mas o que é facto é que a companheira ainda gastava meias solas, se fosse caso disso, e tem um humor e presença que só os anos entretecem.

Voltando ao tal encontro fixo-me nos meus meninos e penso-os. Com a idade, as ideossincrasias que já se adivinhavam nos 17 anos de existência ficam mais fortes. Os que não gostam de grandes grupos já eram então anarquistas. Os que querem convidar toda a gente eram, por essa altura, solidários. Os que porfiam em liderar a organização estão perto da comenda pública e os que apenas têm por missão escolher o restaurante já não andam longe do milhão na conta. E há ainda os que refinaram a diferença, seja na barba ou seja na música, e os que meteram a quarta mulher ao barulho com a segunda, porque o aspecto de Apolo não veio seguro com a eficácia ou a temperança. A colheita, meus irmãos, tem que ver com a sementeira.

Dito isto, havia no meu tempo coisas esquisitas que não convém deixar em branco. As meninas, se orgasmos experimentavam, faziam-no às escondidas. Quando não delas, pelo menos do parceiro. E se topete havia para nem dele o disfarçarem, tinham pelo menos a decência de que se não soubesse em público. As meninas do meu tempo amavam de preferência um fulano que a urbe aprovasse. As poucas que trocavam o passo tinham pouca sorte.

Se bem conheço a malta, o areópago de Maio nem vai versar sobre filhos, nem da casa grande ou mesmo do trabalho. Vai tudo acabar em Heidegger misturado com a essência da vida, os mitos da felicidade e da transformação social. Alguns terão a veleidade de falar de política e de cultura, tal como ela existe, mas antecipo que serão cilindrados pela 'vox populi' circundante. Na minha geração, a realidade convive mal connosco. E o que está errado é, obviamente, a realidade.

Entre os muitos que serão chamados e os poucos que serão escolhidos arriba a Espinho, por essa data, um escriba de duvidosa craveira muito lá de casa. O qual, maledicente por ética apercebida, não trocava por nada a gente que o viu crescer.

segunda-feira, abril 17

Cinema

O cinema, com relevo para o estado-unidense, está de vento em popa. Ou seja, pela hora da morte.

O entretenimento associado às boas fitas acabou há muito. Hoje quem manda é o produtor argentário, que em vendo a coisa passar dos 90 minutos dá mais quatro ou cinco de desconto e depois acaba como está. Isto nos casos bons. Porque vezes há em que o enredo acaba a meio da contenda, por causa de uma comissão de liberdades e garantias qualquer daquelas em que os 'states' são férteis para papalvos politicamente correctos.

Nos últimos dias recordo de cor um filme com o Nicolas Cage, que até estava a correr bem - realização correcta, argumento a preceito - quando de repente o dito me atirou com violência para o computador, os romances de Hemingway e as virtudes domésticas. Largou o 'make believe'.

Hoje foi quase pior. Uma coisa com o Russel Crowe (desculpem lá, mas nomes já era) também ia a preceito quando alguém resolveu acabar sem glória com aquela saga. Que é que se passa? Passa-se que aquilo é a imagem dos iunaitid steites, um império de merda que ultimamente se especializou a estragar uma arte sua.

Sem cinema europeu, ou outro de referência (o Kusturica e outros quejandos só de arroto) vejo-me órfão de cinema, essa arte sublime que o século XX inventou e soube trazer aos píncaros da excelência.

Numa idade de saudades, pergunto-me se Ingmar Bergman (nem sempre) Luís Buñuel (às vezes), Ettore Scola (pela menos duas vezes), Jean Renoir (quase sempre), Wolker Shlondorf (pelo menos uma vez), Claude Lelouch (até ele), Luchino Visconti (quem mais) ou até Dusan Makajeiev (de vez em quando) não terão feito escola suficiente para que eu me arraste outra vez às salas de cinema.

Pelos vistos não.

sábado, abril 15

Faz sentido

Não sei se as minhas amigas, feministas ou outras, estão de acordo. Mas eu acho que a cona só faz sentido quando tem uma mulher à volta

Tangas, mongas e opções de classe

Andei por aí a visitar uns blogs de referência (peço desculpa, mas estou teso e não fui para o Algarve) e estava aqui a ver se conseguia alinhavar um post cool, assim a modos que a dizer bem do Sporting, ou do Sócrates, ou da economia de mercado, sei lá.

Ainda tentei, mas devo ser demasiado burro. Também não consegui saber qual é o grupo islandês que ascendeu aos tops noruegueses, assunto que muito tem ocupado parte da blogosfera portuguesa que se passa com discussões em torno dos males da existência.

Percebi então a inveja que eu tenho dos meninos que acham que 'o-que-está-está-bem'. Que acham uma perda de tempo contestar seja o que for e que estão sempre um passo à frente nas play station desta vida.

Mas, como sou bom rapaz, decidi mudar de rumo e acompanhar a desditosa cáfila nos seus excrementos de reflexão. E há tantos assuntos candentes: barba de dois ou três dias? calças acima ou abaixo das cuecas? nokia ou sony-ericsson? sapatos de vela ou sapatilhas? um pouco de barriga intelectual ou fitness a dar com um pau? cabelo desalinhado ou corte à major dos comandos? margarida rebelo pinto ou harry potter? lux ou bairro alto? shots ou cervejola?

No limite, essa gentinha linda absentista interessa-se por Prodi ou Berlusconi sem saber porquê, vê filmes 'amaricanos' (ou amaricados), fala deles se deles se falar e os outros falarem deles.

Na República Dominicana há internet nos hotéis. E o 25 de Abril aqui tão perto, para passar umas feriazitas.

terça-feira, abril 11

A A.

Hoje ao telefone, a hora para mim desusada, apareceu-me a A.. Conheço este corpo de criança em alma desmesurada vai para 32 anos, mas há tempos que não lhe punha a vista em cima. O convite era para jantar.

É preciso que se diga que a A. marca em mim um tempo único - e única. A A., por exemplo, detém o recorde das meninas que eu mais tempo vi nuas sem nunca ter tido nada com elas. E porquê? Porque se trata da minha amiga que inaugurou connosco - estou a falar da rapaziada de Espinho - as praias de nudismo do Algarve dos 70.

É preciso que se diga que a A. é uma emigrante ao contrário. Nasceu em Lisboa, lá se criou, e foi viver para Espinho já menstruada. Faz toda a diferença. As menininhas do Norte, porcas-falsas-e-deslibinadas, não estavam nem aí para escrutinar um caralho do que eram as necessidades físicas de um adolescente macho do seu tempo. A A. percebia a léguas o que as menininhas parvas não enxergavam a decímetros. Nas praias do meu Algarve ela foi a primeira. Na minha geração alguma gaja tinha que ir adiante. Afinal, nós fomos os primeiros em tudo. É uma questão revolucionária.

A A. tornou-se gente a esforço. Não nasceu com o rabo para a Lua mas hoje em dia nada lhe falta. Tricoteia a poesia do trabalho que faz bem e mexe-se linda na mesura do que ainda quer ser.

Hoje a A. apareceu-me diante,com saudades de mim. Pediu-me ajuda numa coisa que eu posso dar-lhe. Só uma gaja da minha geração faria tal. Pena que hajam tão poucas.

Eu, que sempre me abasteci de mulheres mais novas, fico a pensar na grandeza da A. E digo: gracias a la vida que me a dado tanto! A A., por exemplo.

É única.

segunda-feira, abril 10

Elezioni

Se alguém pensa que vou aqui explicar o que se passa em Itália está muito bem enganado. Por duas razões: não percebo e não quero perceber. Mas um país europeu onde as eleições demoram dois dias e às quais concorrem a 'Margarida', a 'Oliveira' e outras que tais dispensa comentários. Nem sequer era preciso o elevado nível de intercomunicação entre os dois principais candidatos.
A culpa é tua, Garibaldi!

domingo, abril 9

A borracheira política

Alguém é capaz de me dizer quantos acidentes, dos quais tenham resultado mortos ou feridos, foram provocados por condutores que acusaram 0,3 ou 0,4 gramas de álcool? É que, ou muito me engano, ou os casos graves de sinistralidade rodoviária envolvendo álcool têm associados automobilistas com 1,2 - ou mais - de taxa de alcoolemia. Então esta polémica em torno da eventual baixa da taxa (actualmente nos 0,5) é sobre o quê?

A falta de juízo nas decisões políticas é um assunto bem mais grave que o álcool na estrada. Já agora, fica aqui a lembrança sobre a quantidade de acidentes graves provocados por pessoas alcoolizadas (dados de 2004): 23%! Ou seja, os restantes 77% foram causados pelo Sumol, a Água das Pedras e o Ice Tea.

Tenham juízo!

Berardo

Pergunta: quando é que um novo rico deixa de parecer que o é? Resposta: mais coisa menos coisa quando o bisneto completar sessenta anos.

Venho aqui porquê? Por isto: José (Joe) Berardo pretende lançar uma marca de vinho, de qualidade "razoável", sem que a respectiva garrafa leve aposta uma rolha de cortiça. Fá-lo poucos dias depois de o Estado português, através do seu legítimo Governo, ter aquescido na permuta leonina que poderá transmudar em espólio da Nação a conhecida colecção de arte contemporânea que é propriedade do fulano. A transacção, obra que o Diabo demorou dez anos a tecer, estará completa após uma transfega de cinco milhões de euros oriundos do erário público, esportulados em suaves prestações decimais. Isto do que se conhece.

Joe Berardo, para que conste, é um conhecido especulador bolsista, hábil como poucos mais, que há cerca de 15 anos teve a sorte de conhecer um economista de mérito com jeito para as artes, de nome Francisco Capelo. O citado convenceu o então locatário de minas de ouro na África do Sul de que havia outras formas mais nobres e inteligentes de ganhar dinheiro. À beira de um 'apartheid' acabado, o tal de Joe era todo ouvidos.

Francisco Capelo, ele próprio coleccionador de arte (mais de design e mobiliário, entenda-se), viu no enorme potencial económico de Joe uma oportunidade estética. Convencê-lo a criar um espólio de raíz, essa foi a enorme obra de Capelo. Numa altura em que a arte contemporânea estava pela hora da morte, sobressaiu também o esquálido sorriso de Joe, que tem pelo baratucho que se pode tornar gorducho um faro fora do normal. Diz quem o conhece que Joe - criança grande - sempre teve uma genial capacidade para entender de que lado sopra o vento, ao mesmo tempo que desdenha completamente da mais minimal das estruturas éticas.

Por mais informação que se tenha, é-me difícil opinar se o Estado português fez bem ou não em lançar a toalha ao ringue no que à colecção de arte do dito sujeito releva. Tenho a minha experiência: não sendo um dos cidadãos mais viajados do meu País, pouco Warhol, Liechtenstein, Pollock ou Vieira da Silva me são desconhecidos. E, também eu, não desconhecedor da argentária razão de ser das coisas, só compro se valer a pena. Então em funções de Estado não pensaria duas vezes. Adiante.

Ensofismado numa colecção que não quis, mas que lhe caiu no regaço, Berardo é hoje em dia uma aliteração de referência no mundo da arte-moda. Há até quem lhe chame um novo Gulbenkian. Guardo a sentença sobre o pendente assunto para os meus bisnetos. Os quais, graças a Deus, nunca terei.

O que me interessa - como acima já disse - é que o madeirense está disposto a fazer frente à preponderãncia da rolha no que ao vinho remonta.

Se não fosse uma verdadeira tontice - que é - a proto-ideia seria no mínimo anti-patriótica. A rolha de cortiça está para a garrafa de vinho como os afagos clitorianos para a concretização do orgasmo feminino. A rolha de cortiça é o único utensílio em que Portugal dá cartas por esse mundo fora. Pouco me interessa se do lado de lá está um 'ti' Américo que a discutir com o Joe a entrada no Céu provoca em São Pedro um ataque cardíaco.

'Mister' Joe, por interposto vate, pode ter na cave uma das melhores arrobas de quadros da idade contemporânea. Pode até ter posto Sócrates a interiorizar cavaletes de pintores macroscópicos. Mas não pode - ou não deve - atacar a rolha. Porque Portugal não deixa, porque o vinho não quer.

De repente, estou a ver o Andy a descontextualizar cortiça. Pede ajuda a Magritte e mete-a - a rolha - na cabeça do comendador. O que é que tu dizes, ó Capelo?

A única vez que (convi)vi de perto com o comendador Berardo foi ali para os lados de Alcântara, num restaurante da moda. O gajo é o que parece. Bimbo (facção madeirense), génio, rústico, mooooooderno (olha-se e vê-se a Fátima Lopes dos primeiros tempos).

Na ocasião, estava a tentar de modo acintoso apalpar a peida de uma garota vintinha que entre a desdita do facto e a oportunidade criada se punha mais ou menos a jeito. A menina com mamas ainda tentou um gesto de puta fina, fazendo de conta que o romance contava. Mas não sabia com quem estava metida. O Joe, logo de seguida, meteu-lhe a mão na cona (literalmente) e começou a zorrar bem alto - espumando pelos cantos da boca - que queria puta de borla.

Eu corei.

segunda-feira, abril 3

A morte

Temo ao mesmo tempo não entender a bruma que do passaporte me aparta e afastar-me do aeroporto que me leva para além do Kansas.

Nada do que é útil está hoje aqui comigo. Nada do que é força me apoia nesta luta de benquerença. Perdida, estéril.

Amanhã, sempre amanhã, tenho o Inferno à minha espera. Por isso foco os olhos no que não é essencial. Por exemplo putas.

Eu sou, já agora, as sete pragas do Egipto. Tenho o sonho vão de um mar de sangue à minha volta. Mas ele não volta. E eu tenho medo.

domingo, abril 2

A merda

A merda é uma coisa que se pega. E há tanta, meu Deus, há tanta

sábado, abril 1

Bolo

Esta coisa fez dois anos e eu nem sequer assinalei a data. Há coisas mais importantes.

Olha, vou fazer o seguinte: reeditar o estatuto editorial; não sei se mereço.

Estatuto editorial
1 – A coerência não passa de um vício a que não pretendo ceder
2 – A vaidade é um pecado menor quando comparada com a inveja
3 – Ser honesto e fraco é tão mau como ser ladrão e roubar pouco
4 – O surrealismo fantástico e a alucinação pura têm aqui sempre lugar, contando que de literatura de trate

Estatuto infra-editorial
a) Sou homem e gosto de mulheres. Bisexualismo é deitar-me com duas ao mesmo tempo
b) Sou do Benfica e isso me envaidece
c) Hobbies: deitar abaixo toda a teoria da educação, autoritária ou liberal ou outra
d) Sei pouco de política, mas gostava de ensinar a que sei

Crenças
Se não me atirares uma bomba, estou disposto a aceitar que o meu Deus não deve aniquilar o teu, embora o meu seja melhor.

A liberdade é talvez o único valor pelo qual vale a pena matar.

Portugal é um sítio onde vale a pena viver, enquanto tiver aeroportos com ligações internacionais.

No que diz respeito à xenofobia, prefiro arménios, sérvios, ucranianos, trasmontanos, norte-irlandeses católicos, nova-iorquinos, madrilenos, quase todos os suecos, espanholas, e o Kingcross em Sidney, à sexta-feira à noite.

Retrato
Aprendi a aproveitar-me das mulheres que me acham sexy e a concordar inteiramente com aquelas que nem por isso. Apesar disso, o amor releva, sempre que pode.

Vícios e maus hábitos
Cigarros. Às vezes, noite dentro, bebo mais que a conta. Já fui poeta e ainda hoje tenho recaídas.


Releio. Está certo. Já não tenho a certeza de que aquele lugar em Sidney se chame assim. Mas eu sempre fui fraco a escrever línguas.

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