quinta-feira, março 30
Buscando sempre novas realidades
A maior parte do pessoal que lê jornais - pouca gente, já sei - ainda não se apercebeu do essencial. Quando falam da quebra de vendas generalizada dos quotidianos em causa esquecem o seguinte:
1 - Os jornais têm que fechar a horas, por causa das gráficas, da distribuição e etc. Que se lixe se a notícia não estiver perfeita à hora aprazada. Sai na mesma pois a única verdade que conta é que os jornais não 'printam' com páginas em branco.
2 - A realidade é uma chatice. As mais das vezes desrespeita a agenda cuidadosamente elaborada logo de manhã pelos diligentes jornalistas que a têm a cargo. Vai daí, a incomodidade instala-se. Jornalismo de craveira é ter na manga umas quantas páginas intemporais.
3 - Um jornal é um produto - a negação deste facto demonstra desconhecimento da indústria. Por isso não é avesso a tendências, maiorias, líderes de opinião e etc. O politicamente incorrecto deve ser punido.
4 - A isenção, como toda a gente sabe, é impossível de atingir. Se um determinado meio de comunicação puxa mais a 'brasa' a uma determinada 'sardinha', trata-se apenas de linha editorial, uma coisa que anda pegada à liberdade de imprensa.
5 - Os jornalistas não devem ter opinião. Como qualquer fazedor de pregos e parafusos, a sua produtividade mede-se pelo número de linhas capaz de elaborar numa determinada jornada de trabalho. De preferência longa.
6 - Uma das questões mais recorrentes no jornalismo é a questão das fontes. O bom jornalista é aquele que debita fielmente o que a fonte lhe sopra, sem confirmar ou questionar a informação auditada. Isto é verdade, não é publicidade: a maior parte dos jornalistas que assim actua aufere ordenado superior aos que fazem de modo diferente.
7 - A primeira página de um jornal não tem que reflectir o trabalho efectuado pelos jornalistas da casa. A primeira página deve atender em primeiro lugar às necessidades do accionista, em segundo às expectativas profissionais dos directores e em terceiro às jenuflexões às fontes exclusivas.
8 - Um jornalista sénior é aquele que já perdeu a esperança na isenção informativa e reconhece de forma rápida a maneira de dar a volta ao texto. A verdade pouco importa. O embrulho é o mais importante.
9 - Uma redacção de um jornal é um simulacro de vida. Como tal deve conter no seu seio injustiças, traições, compadrios, paixões, tragédias. 'Sol e sombra'. Deveria também incluir verdade. Mas se calhar, hoje em dia, é pedir demais.
Poderia continuar. Mas não me apetece.
1 - Os jornais têm que fechar a horas, por causa das gráficas, da distribuição e etc. Que se lixe se a notícia não estiver perfeita à hora aprazada. Sai na mesma pois a única verdade que conta é que os jornais não 'printam' com páginas em branco.
2 - A realidade é uma chatice. As mais das vezes desrespeita a agenda cuidadosamente elaborada logo de manhã pelos diligentes jornalistas que a têm a cargo. Vai daí, a incomodidade instala-se. Jornalismo de craveira é ter na manga umas quantas páginas intemporais.
3 - Um jornal é um produto - a negação deste facto demonstra desconhecimento da indústria. Por isso não é avesso a tendências, maiorias, líderes de opinião e etc. O politicamente incorrecto deve ser punido.
4 - A isenção, como toda a gente sabe, é impossível de atingir. Se um determinado meio de comunicação puxa mais a 'brasa' a uma determinada 'sardinha', trata-se apenas de linha editorial, uma coisa que anda pegada à liberdade de imprensa.
5 - Os jornalistas não devem ter opinião. Como qualquer fazedor de pregos e parafusos, a sua produtividade mede-se pelo número de linhas capaz de elaborar numa determinada jornada de trabalho. De preferência longa.
6 - Uma das questões mais recorrentes no jornalismo é a questão das fontes. O bom jornalista é aquele que debita fielmente o que a fonte lhe sopra, sem confirmar ou questionar a informação auditada. Isto é verdade, não é publicidade: a maior parte dos jornalistas que assim actua aufere ordenado superior aos que fazem de modo diferente.
7 - A primeira página de um jornal não tem que reflectir o trabalho efectuado pelos jornalistas da casa. A primeira página deve atender em primeiro lugar às necessidades do accionista, em segundo às expectativas profissionais dos directores e em terceiro às jenuflexões às fontes exclusivas.
8 - Um jornalista sénior é aquele que já perdeu a esperança na isenção informativa e reconhece de forma rápida a maneira de dar a volta ao texto. A verdade pouco importa. O embrulho é o mais importante.
9 - Uma redacção de um jornal é um simulacro de vida. Como tal deve conter no seu seio injustiças, traições, compadrios, paixões, tragédias. 'Sol e sombra'. Deveria também incluir verdade. Mas se calhar, hoje em dia, é pedir demais.
Poderia continuar. Mas não me apetece.
1 Comments:
belo post, tão realista... Por isso me deixei do jornalismo quando ainda era nova, é porque há aí uma ou duas linhas das quais discordo. Seria, mais cedo ou mais tarde, expulsa. Bj
By AS, at abril 04, 2006
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belo post, tão realista... Por isso me deixei do jornalismo quando ainda era nova, é porque há aí uma ou duas linhas das quais discordo. Seria, mais cedo ou mais tarde, expulsa. Bj
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