sexta-feira, agosto 5

O fogo

Vejo as velhas cheias de gota e reumatismo, com as pernas entumescidas a fugir do fogo, os chinelos velhos e o cholé, os peidos das couves galegas a pontear a fuga. As faces nauseabundas com pêlos a mais choram os pinhais perdidos, esquecidos, negligenciados. O cu tamanho 48 daquela puta virgem que foge com o filho num carrinho hediondo. A cara de parvo daquele bêbado que não sabe que é bêbado, atirando água à toa para enganar os parentes possidentes que vivem na Amadora e que são os verdadeiros donos do eucaliptal em Ponte de Sôr. O socorro que não chega, nem tem que chegar, fosse Salazar, Cavaco e a puta que os pariu mais avisados em manter o povo no interior ou em rodar a propriedade da terra. E tu Arlindo Cunha, ministro que negociaste a PAC, não me esqueço de ti, morra eu daqui a 50 anos. O fogo alastra, o fogo fede. Já queima a cidade do Porto, já cheira em Lisboa. Está quase.

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