sexta-feira, julho 8

Sobre tudo

A horda primitiva que me segue os passos, sejam mulheres sexualmente nobres ou rapazes ricos em esperança, optou diligentemente por ir abandonando pouco a pouco qualquer índice de militância vivífica que lhe sobrasse neste mundo tacanho e porco. No que me diz respeito, relapso de escrita, os últimos dias serviram-me mais para reenquadrar um - digamos assim - espírito do tempo. O que vi não me admira nem me encanta. Antes me dá o tom para um dó de peito.Para mim, doente mas não triste, só há um modo - cada vez estou mais seguro disto - de dar a volta aos défices, bombas, pretos, cartões de crédito, chefes, CO2 e a todos os outros 'invernos do nosso descontentamento'.

Falo da interacção que a cidade não deixa. Da discussão de que nasce a luz. Da compreensão do outro, principalmente do que nos toca por perto. Falo do amor desenfreado, complexo e no entanto evidente que nos une - compatriotas, meninos do mesmo templo, enxergas onde se enxergam orgasmos sem assunto prévio ou mesmo paixões de uso e abuso. Falo das fraldas do poeta em hasta pública. Da quezília sem contratempo, antes morta esteja a falha que a verdade vingativa.
Discuto a bondade da temperança perante o banquete de um berro em estádio cheio. Movo o corpo rumo ao corpo que me olha e à alma que olha por mim. Mato - se for caso disso - o provocador da intempérie, antes esperando que frutifique um Baco compositor de água-viva. Mergulho ao tempo que ficou depois disto, obra morta que não merece epitáfio.
E sinto. Um rumor longínquo. Uma farda fardo. Uma guerra que nunca é a última. Um mundano estupor. Um tecido de cetim. Látimos leves que as bombas não exterminam e as pernas de Eva em fraca combinação.

Eu sei da vida o momento que enobrece. Apropriado de uma Kalashnikov que se adapta ao corpo, sou de culatra atrás o mundo inexistente que me faz falta.

E o tiro que então terei coragem de ser soa na bruma – como no céu brilhante – imenso e fácil até à eternidade.

7 Comments:

É normal escrever-se ... "lindo!" .... dizer-se "nem sei o que dizer!" acrescentando um "ai, quem me dera saber escrever assim !"

Amiguinho... não posso repetir nenhuma destas "frases feitas"... seria demasiado fácil... mas, nada posso dizer. Foi-se-me a língua. Talvez um dia, quando aprender a escrever... :) Bj. Penelope

By Blogger Ana Russo, at julho 08, 2005  

Excelente post mas excelente mesmo...Gostei de ler...

Abraço da Zona Franca

By Blogger Freddy, at julho 08, 2005  

Isto por aqui está mesmo "quente" Clark!

Um bom duche frio JÁ!

Bom fim de semana e
aquele abração do
Zecatelhado

By Blogger Zecatelhado, at julho 08, 2005  

- ‘Hordas primitivas?’
Quantos são, quantas são???... ou eram!
No que me respeita sou um ‘rapaz rico em esperança’!?...
E essa sua economia da “militância vivífica” , embora me passe naturalmente ao lado,
não me é indiferente.
E agora?...
Descanse amigo Clark59, fora o preambulo, a sua bela prosa enquadrou-me perfeitamente numa realidade que também teimo em transformar em bruma.
E essa sonoridade que sempre me tem acompanhado, só aqui, e de vez em quando, se transforma em melodia. Antes fosse ‘mulher sexualmente nobre’!?...
E a propósito de ‘Kalashes’, temo termos que voltar a brincar com elas?...
Quando?

“- Quando ... tu me vires no futebol? – Estarei no campo...
Eu vou atirar para ganhar vou rematar e o golo que marcar...
Às vezes não me seduz...”

Mas a esperança faz falta!
Um abraço.

By Anonymous Anónimo, at julho 10, 2005  

- ‘Hordas primitivas?’
Quantos são, quantas são???... ou eram!
No que me respeita sou um ‘rapaz rico em esperança’!?...
E essa sua economia da “militância vivífica” , embora me passe naturalmente ao lado,
não me é indiferente.
E agora?...
Descanse amigo Clark59, fora o preambulo, a sua bela prosa enquadrou-me perfeitamente numa realidade que também teimo em transformar em bruma.
E essa sonoridade que sempre me tem acompanhado, só aqui, e de vez em quando, se transforma em melodia. Antes fosse ‘mulher sexualmente nobre’!?...
E a propósito de ‘Kalashes’, temo termos que voltar a brincar com elas?...
Quando?

“- Quando ... tu me vires no futebol? – Estarei no campo...
Eu vou atirar para ganhar vou rematar e o golo que marcar...
Às vezes não me seduz...”

Mas a esperança faz falta!
Um abraço.

By Anonymous Anónimo, at julho 10, 2005  

A não perder a reportagem fotográfica do Grande Prémio Histórico da Boavista feita pelo Agente Pingú na Zona Franca

By Blogger Freddy, at julho 11, 2005  

I skim a lot of blogs, and so far yours is in the Top 3 of my list of favorites. I'm going to dive in and try my hand at it, so wish me luck.

It'll be in a totally different area than yours (mine is about penis enlargement reviews) I know, it sounds strange, but it's like anything, once you learn more about it, it's pretty cool. It's mostly about penis enlargement reviews related articles and subjects.

By Blogger 122272, at outubro 07, 2005  

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Comments:
É normal escrever-se ... "lindo!" .... dizer-se "nem sei o que dizer!" acrescentando um "ai, quem me dera saber escrever assim !"

Amiguinho... não posso repetir nenhuma destas "frases feitas"... seria demasiado fácil... mas, nada posso dizer. Foi-se-me a língua. Talvez um dia, quando aprender a escrever... :) Bj. Penelope
 
Excelente post mas excelente mesmo...Gostei de ler...

Abraço da Zona Franca
 
Isto por aqui está mesmo "quente" Clark!

Um bom duche frio JÁ!

Bom fim de semana e
aquele abração do
Zecatelhado
 
- ‘Hordas primitivas?’
Quantos são, quantas são???... ou eram!
No que me respeita sou um ‘rapaz rico em esperança’!?...
E essa sua economia da “militância vivífica” , embora me passe naturalmente ao lado,
não me é indiferente.
E agora?...
Descanse amigo Clark59, fora o preambulo, a sua bela prosa enquadrou-me perfeitamente numa realidade que também teimo em transformar em bruma.
E essa sonoridade que sempre me tem acompanhado, só aqui, e de vez em quando, se transforma em melodia. Antes fosse ‘mulher sexualmente nobre’!?...
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Quando?

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Mas a esperança faz falta!
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E essa sua economia da “militância vivífica” , embora me passe naturalmente ao lado,
não me é indiferente.
E agora?...
Descanse amigo Clark59, fora o preambulo, a sua bela prosa enquadrou-me perfeitamente numa realidade que também teimo em transformar em bruma.
E essa sonoridade que sempre me tem acompanhado, só aqui, e de vez em quando, se transforma em melodia. Antes fosse ‘mulher sexualmente nobre’!?...
E a propósito de ‘Kalashes’, temo termos que voltar a brincar com elas?...
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Mas a esperança faz falta!
Um abraço.
 
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