sábado, julho 30

O Comércio do Porto (e A Capital)

O mais antigo jornal diário de Portugal Continental está hoje nas bancas pela última vez. Deve ser obra fechar uma coisa com 151 anos de existência.

Lembro-me, a espaços, de ler 'O Comércio do Porto'. Passou por diversas fases, umas de decadência óbvia, outras de enorme pujança. Alguém não soube aproveitar estas últimas para fazer vingar o produto. É pena.

Há só uma coisa que eu não percebo, de todo. Onde é que estão as forças vivas da cidade e da região, que não só assistiram impávidas e serenas à venda de um título histórico a um grupo estrangeiro, como o deixam morrer como se nada fosse? Será distracção minha, mas a única voz pública que vi levantar-se contra o encerramento d''O Comércio' foi a do presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes. Onde é que estão os homens do Norte para fazer valer os seus intentos? Ou será que o único intento pelo qual se batem é dizer mal de Lisboa e sentarem-se à mesa do Orçamento de Estado?

Os erros pagam-se caro. As omissões também.

A todos os que fizeram o último 'O Comércio do Porto' o meu abraço.

PS. Destaquei o encerramento d'O Comércio do Porto' porque a ele me ligam laços especiais. Mas é óbvio que a solidariedade é extensível aos que trabalharam até ao fim n'A Capital'. Um beijo, Paula!

terça-feira, julho 26

Ota

A gente que me visita sabe o que é que eu penso do País. É uma coisa merdosa, povoada em regra por seres boçais e gerida por trauliteiros. Quem não emigrou é parvo.

Portugal vai entrar numa decadente e acelerada pobreza, tornando-se, mais dia menos dia, num protectorado hispano-alemão que nos chupará o toutiço em troca de dez réis de mel coado. A única hipótese de escapar à má sorte é sanguinária e eu não estou para isso.

Vou então, porque sou parvo, falar do TGV e da Ota. Comecemos pela Ota, o mais cretino dos dois empreendimentos citados.

A Ota vai desqualificar Lisboa, tornando-a mais uma de entre as muitas capitais do Mundo cuja ligação entre o centro e a estrutura aeroportuária é cara e demorada. Perderemos, por isso, uma das raras vantagens competitivas que nos põem, neste momento, entre as cinco cidades europeias com maior atractividade para turismo de negócios. Tempo é dinheiro. Basta perguntar a quem nos visita.

A OTA vai ser feita (o diabo seja surdo) porque isso interessa à estrutura maçónica do lóbi da construção civil, a braços com um desemprego elevado e com custos de capacidade instalada. As más línguas dizem que há ainda uma outra razão, que tem a ver com certos cofres ali para os lados do Rato, mas eu não estou em posição de confirmar ou desmentir.

O aeroporto da Portela, ex-libris brilhante e quase único de entre os seus pares, ocupa uma área limítrofe da cidade de Lisboa fortemente apetecível em termos de construção civil. Se for desactivado, muito dinheiro rojará pelas mãos dos empreiteiros do costume. Ou talvez não. É que, quando foram feitas as expropriações tendentes à sua construção, ficou escrito preto-no-
-branco que tal esbulho só tinha razão de ser para a construção do aeroporto. Trabalho acrescido para advogados...

O que as pessoas de bom-senso (os parvos como eu) reclamam, desde há muito, é tão somente uma linha de Metro que chegue ao aeroporto. Ora era só o que faltava! Então e depois como é que os táxis faziam dinheiro à custa dos totós que lá se aviam de transporte? O metro (reles e ordinária empresa de capitais públicos) já chega à Porcalhota e a Odivelas. Mas ao aeroporto? Nem pensar! É este o país em que vivemos.

Perguntarão os meus confrades: e porque é que não se opta por uma solução mais barata, como pôr os charters e os low cost a operar a partir de um aeroporto mais próximo de Lisboa (Montijo, por exemplo, ou Tires devidamente alargado), já que isso daria à Portela espaço para mais trinta anos (ou mais) de capacidade. Ó meninos, mas onde é que estão o investimento e as 'luvas' decorrentes disso?


Morra a Ota! Morra, pim!

domingo, julho 24

Soneto + 1

O meu corpo impõe-me
esta aridez presente
E eu, por uma vez, obedeço

Esqueço o que sinto,
o que amo
e de mim sou escravo

Amanheço sem espaço
para mentir
A noite é cabo que ultrapasso

Mas não esqueço
o que ainda e sempre é evidente:
Por esta troca efémera de recursos
wu sou culpado e acusador

Por isso,
olho por dente

terça-feira, julho 19

Inquérito

A Código de Santiago, querida amiga de outros tempos (quando eu tinha um blog) mandou-me um inquérito que (entre outras propriedades) a boa da amiga Lolita lhe tinha enviado. Marcha assim:

Que música andas a ouvir?

A mesma de há vinte anos atrás. A música para mim parou em 1985.

Último disco que comprei

Qualquer coisa de Chopin

Canção que estou a ouvir agora

Os 'Humanos'. Estranhamente nunca gostei do Variações, mas na voz de Camané e da Manuela Azevedo aquilo faz sentido.


A música que mais me marcou este ano (até agora):

Aquela da Adriana Calcanhoto.


Montra

Quando eu começar
quando eu decidir que começo
a Terra vai-se abrir
ao meu sucesso

Primeiro o íntimo desejo
Logo depois a plenitude
que de agora vai surgir
num mais que duro arquejo
Urge nesta história
um e outro beijo

Se eu falso persistir
lava-me o Tejo
Mas se o que não em vão
solfejo
for o teu amor
desdigo em sol e em sal
o que nem em prol de mim
ainda revejo

És flor que morro, flor que mata
mata de Sintra em melhor cotejo
Sinto-te cá e lá
Porta de um fecho
Porta de um Sol

És de outra altura um Aljezur atlântico
camarada és de um possuir divino
Vejo e não sei se te pressinto
um amor claro em glorioso evento


Não falo a verdade, não minto

terça-feira, julho 12

Dai-li-dai-li-dai-li-dai-dai-li-d^

O Adelino Gomes existe e eu estou triste.

Alguém, de entre vocês, já imaginou o Adelino Gomes? Sebento, prolífero de verbo fácil e inconsequente? A arrotar postas de educação proletária e misérias quejandas da vidinha nacional? O gimbras é o espelho nacional da falta de empenho e de produtividade, a meias com os capitalistas que verbera. A MEIAS, digo bem, que não há hipótese de um Adelino sem que ao lado floresça um meio-Belmiro.

No 'Prós e Contras' desta noite estiveram quatro toinos a berimbar sobre a Nação. Todos foram formados no fascismo e todos são abrenúncios de carácter e tese. A democracia só lhes serviu para animalarem. Deviam ter vergonha. Deviam ficar em casa.

É por causa de merda como o Adelino Gomes (eu disse merda? Era merda que eu queria dizer) que isto está como está. Educação sem rumo e objectivo, gajas brancas sem parirem e a trabalhar que nem pretas, políticos vitorinos baixinhos anacoretas, ballets gulbenkian que já eram, jornalistas identificados pela judiciária, judiciária identificada pelos jornalistas, piças em transe por não conseguirem enrabar os próprios donos.

O Paíis está morto. MORTO. MORTO. MORTO. MORTO.

Ainda não perceberam?

Estou sem computador

sexta-feira, julho 8

Sobre tudo

A horda primitiva que me segue os passos, sejam mulheres sexualmente nobres ou rapazes ricos em esperança, optou diligentemente por ir abandonando pouco a pouco qualquer índice de militância vivífica que lhe sobrasse neste mundo tacanho e porco. No que me diz respeito, relapso de escrita, os últimos dias serviram-me mais para reenquadrar um - digamos assim - espírito do tempo. O que vi não me admira nem me encanta. Antes me dá o tom para um dó de peito.Para mim, doente mas não triste, só há um modo - cada vez estou mais seguro disto - de dar a volta aos défices, bombas, pretos, cartões de crédito, chefes, CO2 e a todos os outros 'invernos do nosso descontentamento'.

Falo da interacção que a cidade não deixa. Da discussão de que nasce a luz. Da compreensão do outro, principalmente do que nos toca por perto. Falo do amor desenfreado, complexo e no entanto evidente que nos une - compatriotas, meninos do mesmo templo, enxergas onde se enxergam orgasmos sem assunto prévio ou mesmo paixões de uso e abuso. Falo das fraldas do poeta em hasta pública. Da quezília sem contratempo, antes morta esteja a falha que a verdade vingativa.
Discuto a bondade da temperança perante o banquete de um berro em estádio cheio. Movo o corpo rumo ao corpo que me olha e à alma que olha por mim. Mato - se for caso disso - o provocador da intempérie, antes esperando que frutifique um Baco compositor de água-viva. Mergulho ao tempo que ficou depois disto, obra morta que não merece epitáfio.
E sinto. Um rumor longínquo. Uma farda fardo. Uma guerra que nunca é a última. Um mundano estupor. Um tecido de cetim. Látimos leves que as bombas não exterminam e as pernas de Eva em fraca combinação.

Eu sei da vida o momento que enobrece. Apropriado de uma Kalashnikov que se adapta ao corpo, sou de culatra atrás o mundo inexistente que me faz falta.

E o tiro que então terei coragem de ser soa na bruma – como no céu brilhante – imenso e fácil até à eternidade.

quarta-feira, julho 6

Apenas um pouco mais

Quando amanhã Paris ganhar os Jogos Olímpicos de 2012, o Mundo ficará um pouco mais recentrado. Um pouco mais saudável.

Um pouco, apenas um pouco...

Mas não durará muito tempo. Los Angeles, Singapura, Hong Kong, Joanesburgo, espreitam a oportunidade.

A oportunidade de matar o Homem, a troco de coisa nenhuma.

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