domingo, junho 5

No teu poema

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

5 Comments:

Isto é melhor lido do que o que se ouve na canção...
Só conhecia isto da canção, nas vozes do Carlos do Carmo e acho que também do Fernando Tordo. Já agora, de quem é o poema? O meu palpite é que é do Ary...

By Blogger PluribusUnum, at junho 06, 2005  

José Niza

By Blogger clark59, at junho 06, 2005  

O Poema é do Ary, a música do Fernando Tordo e foi cantada pela primeira vez no Festival da Canção da RTP de 1976 pelo Carlos do Carmo (todas as canções foram interpretadas pelo Carlos do Carmo nesse ano). Curiosamente, o título deste post é o nome duma outra canção também cantada nesse festival da autoria de José Luís Tinoco, e, para mim, a melhor de todas.

By Blogger metamórfico, at junho 06, 2005  

Obrigado ao Fernando pelo esclarecimento. É o que dá (deu) ter um Festival em que todas as canções eram cantadas pelo mesmo intérprete. Já quanto à 'confusão' entre o poema e o título foi de propósito.

By Blogger clark59, at junho 06, 2005  

burro!!! Este poema chama-se "Estrela da Tarde" otário do caralho!!!

By Anonymous Anónimo, at junho 20, 2005  

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Comments:
Isto é melhor lido do que o que se ouve na canção...
Só conhecia isto da canção, nas vozes do Carlos do Carmo e acho que também do Fernando Tordo. Já agora, de quem é o poema? O meu palpite é que é do Ary...
 
José Niza
 
O Poema é do Ary, a música do Fernando Tordo e foi cantada pela primeira vez no Festival da Canção da RTP de 1976 pelo Carlos do Carmo (todas as canções foram interpretadas pelo Carlos do Carmo nesse ano). Curiosamente, o título deste post é o nome duma outra canção também cantada nesse festival da autoria de José Luís Tinoco, e, para mim, a melhor de todas.
 
Obrigado ao Fernando pelo esclarecimento. É o que dá (deu) ter um Festival em que todas as canções eram cantadas pelo mesmo intérprete. Já quanto à 'confusão' entre o poema e o título foi de propósito.
 
burro!!! Este poema chama-se "Estrela da Tarde" otário do caralho!!!
 
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