domingo, junho 19

A Libéria

A Libéria deveria ser um fascínio mas é um fastio.

A Libéria é um país africano, situado na região do Golfo da Guiné, que, ao contrário dos seus vizinhos recentemente auto-determinados, é independente há mais de 150 anos. Fruto de uma negociação feliz, a Libéria tem na sua génese como nação autónoma escravos alforrados de elevado nível educacional, a maior parte dos quais oriundos da América do Norte e do Centro. A palavra 'colonialismo' não é reconhecida pela população.

A Libéria, para além disso, escapou à lógica beligerente das grandes potências, que tanto mal causou (ou agravou) no continente africano na segunda metade do século XX. Protegida pelos EUA e não cobiçada pela União Soviética, viveu a Guerra Fria no melhor dos mundos.

A Libéria é, em matéria económica, um dos primeiros casos de liberalismo empresarial e de captação de investimento estrangeiro agressivo da História, tendo-se constituido em off-shore de navegação e comércio há muitas décadas. Para além disso, a Libéria era, até há pouco tempo, um dos países da África Ocidental com melhores racios em termos de literacia e, desde sempre, com uma invejável riqueza natural exportável (borracha, ferro, diamantes, óleo de palma, etc,).

Porque é que, então, a Libéria é, desde há anos a esta parte, um dos piores sítios do Mundo para se viver, com taxas de desemprego rondando os 85%, guerra civil implantada, desgoverno total, estruturas económicas ameaçadas ou completamente perdidas, cérebros em fuga?

Não tenho a pretensão de dar uma resposta global. Mas a descida do catolicismo de 50% em meados no século XX para apenas 20% no princípio do presente século, aliado ao recrudescimento das culturas tribais, como panaceia demagógica para resolver problemas reais de fronteira e de competitividade internacional, certificam uma resposta possível. Ou seja, o abandono de uma cultura avançada, baseada em modelos ocidentais, e o redorno a ideias da Idade da Pedra, fundeados numa fraca originalidade africana, enterrou um dos mais promissores países do continente perdido.

A cleptocracia angolana, a indigência somali, a guerra sudanesa, o racismo zimbabuano, o terrorismo argelino ou o genocídio ugandês não não a melhor imagem de África. A melhor imagem de África é o declínio da Libéria.

2 Comments:

Excelente comentario, remando contra a mare do "politicamente correcto".E ainda lhes perdoam as dividas!Ate ao criminoso Armando Guebuza!!

Nao deixemos que a Europa tenha no futuro, nao muito longinquo, "liberias"...

Saudacoes identitarias

By Blogger miazuria, at junho 20, 2005  

Para muitos o declínio vem logo no início da independência, em 1847. Os "colonizadores", escravos libertados, consideravam-se americanos e olhavam com desprezo para os nativos, que consideravam selvagens e inferiores. Logo aqui houve uma clivagem étnico-social que nunca desapareceu.

By Blogger Flávio Santos, at junho 20, 2005  

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Comments:
Excelente comentario, remando contra a mare do "politicamente correcto".E ainda lhes perdoam as dividas!Ate ao criminoso Armando Guebuza!!

Nao deixemos que a Europa tenha no futuro, nao muito longinquo, "liberias"...

Saudacoes identitarias
 
Para muitos o declínio vem logo no início da independência, em 1847. Os "colonizadores", escravos libertados, consideravam-se americanos e olhavam com desprezo para os nativos, que consideravam selvagens e inferiores. Logo aqui houve uma clivagem étnico-social que nunca desapareceu.
 
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