terça-feira, junho 28

Henrique Medina Carreira

Não deu boas notícias. Falou verdade. Foi aplaudido de pé pela assistência.

Henrique Medina Carreira é, desde há mais de uma década, o espírito mais livre e mais sincero da comunidade que se dedica a analisar as finanças públicas e o bem-estar económico da população.

Hoje, nos 'Prós e Contras' (programa da RTP), pôs em sentido e vulgarizou gente do valor de um Artur Santos Silva, José Silva Lopes ou João Ferreira do Amaral. Foi de todos o mais pessimista. Mas foi o único que arrancou palmas. Porquê? Porque disse a verdade. E não há nada de que o povo ande mais faminto do que da verdade.

Medina Carreira, advogado e fiscalista, é uma voz descomprometida com a política nacional. Vezes sem conta (eu sei o que digo) lhe têm atirado ao colo prebendas múltiplas para se calar. Não quer. Com capacidade para ganhar milhares de contos por mês, recebe uma reforma que qualquer professor do secundário desdenharia e o mais que tem vai buscá-lo a uma - eu diria insane - busca do conhecimento.

Medina Carreira, sexagenário, é a prova de que o País não está morto. Ele diz o pior que é possível das contas públicas, da segurança social, da despesa do Estado... e o pessoal anónimo bate palmas. Porquê?

É fácil: porque o Povo não tem medo dos sacrifícios - ora bolas, sempre os fizémos, vai para nove séculos. Mas temos a tendência para não gostar dos senhoritos que nos comem as papas na cabeça. Preferimos líderes que nos falem ao coração e à razão. Que nos digam, preto no branco, onde estamos e para onde vamos. Não queremos fugitivos nem mentirosos (já nem as gajas se apaixonam por bem falantes!)

Medina Carreira é o anti-herói de que o país precisa. Não de um Durão Barroso que sabia a dimensão do desastre e fugiu. Não de um António Guterres que ajudou a construí-lo e fugiu. Não de um Santana Lopres que conhecia o problema e o escondeu. Não de um Cavaco Silva que foi o primeiro a dar de comer ao monstro que mais tarde enunciou.

Hoje, na RTP, eu não estava lá para bater palmas. Mas este português que aqui escreve sente-se bem como compatriota de Henrique Medina Carreira.

O pessimismo esperançoso deste homem enche-me a alma. Bem haja!

domingo, junho 26

Colegas

Tem razão

sábado, junho 25

A impressora

Eu olho para Portugal e não vejo. Olho e sinto que preciso de óculos. Tal é o tamanho da nebulosa.

Portugal tem uma vantagem. Há tanta coisa errada que qualquer coisa que se endireite é um benefício nacional. Nem vou começar pelo mais difícil e necessário, que é a educação, a justiça e a saúde. Vamos apenas falar de impressoras.

Lá no meu tasco as impressoras falham dia sim dia sim. Eu explico. O raio dos pechibeques copiadores têm por missão instituída darem-nos em papel arquivável o que o génio e arte de cada um encontrou para reter uma determinada informação relevante.

Podem não crer mas faz parte. Muito do trabalho de pesquisa é encontrar o que importa e retê-lo para melhores dias. Nisso, entretanto, a impressora é amiga. Ou seja, dá-nos à estampa o que precisaremos de consultar no futuro. Adiante.

Ora se o papel não se caga por aquele buraco esconjuro de onde sai a bendita cópia, e se a operação não converte em letra de forma o que se achou na Internet, lá tem de se voltar a fazer tudo de novo. Leva tempo, leva esperança em conseguir. Leva a alma.

Dizem-me que em Cabo Verde, na televisão lá do sítio, usam borracha para limpar escritos a lápis, devido à escassez de papel. E eu aqui a queixar-me de impressoras.

Mas, europeu competitivo, é aqui que eu pergunto: como é que uma empresa que pretende alcançar altos graus de eficiência admite nos seus quadros uma impressora que não trabalha?

A resposta é simples: Portugal, Portugal, Portugal!!

Vão levar na bilha!

sexta-feira, junho 24

A Europa (outra vez)

A minha referência pessimista, aí mesmo em baixo, tinha, como quase sempre, aquele remate de esperança que caracteriza não só os optimistas inveterados (entre os quais não me incluo) mas também os Homens que sabem que, sem uma promessa de luz ao fundo do túnel, as energias das comunidades e de cada um de nós são muito mais difíceis de carrear.

Prometi então uma 'solução'. Em vez do tratado de política e economia que se adivinharia depois de tão retórica afirmação - que muito mal calharia num blog e que, por certo, ao presente autor adviria como um passo maior que a perna - escolhi tão só relembrar estruturas lógicas e milenares de afirmação comunitária.

1 - Em primeiro lugar, o rearmamento. Para que a Europa possa escapar ao acervo tutelar e impositório da NATO, bem como às ameaças das culturas limítrofes (de modos, ambos, a poder manter a sua agenda político-social, bem como a estratégia económico-comercial), é necessário que voltemos a ser autónomos em termos de defesa. Isso implica uma retro-acção de mais de um século, mas que é absolutamente necessária. Por fortuna, isso é, aliás, mais possível hoje do que há duas décadas atrás. Basta pensar que a Europa, depois da queda do Muro de Berlim, encara como possível uma reunificação até então completamente impossível. Agora, com mais recursos disponíveis, menos se pede a cada um que invista ou que sacrifique. A reactivação do serviço militar obrigatório masculino, sendo difícil depois das asneiras que se fizeram em anos recentes, é uma decorrência do que se disse atrás.

2 - Em segundo lugar a reafirmação de valores. A Europa - melhor sítio do Mundo para viver - não deve permitir, de nenhum modo, que lhe digam que a competição é mais importante do que a solidariedade, que a família não é mais importante do que o indivíduo, que a Nação não deve afirmar as suas especificidades culturais, étnicas ou religiosas. Isto por um lado. Por outro, devemos aprender a coabitar pacificamente, compreendendo as ideossincrasias que nos unem. Por exemplo, eu sinto-me muito mais finlandês que marroquino, embora Marrocos esteja muito mais próximo de mim. Essa habituação ao 'ser' europeu, que é definida pela raça, pelo passado comum, pela religião, pela cultura e pelos hábitos democráticos (políticos ou outros) é um bem intangível que urge desburocratizar para tornar consumível.

3 - Em terceiro lugar a educação. Os europeus estão anquilosados por séculos de escolástica, por um lado, e de livre-arbítrio, por outro. Nenhuma das práticas nos salva, antes nos encanita. Se é preciso mais experimentação, maior liberdade na aquisição de conhecimento, uma aposta redimensionada na inovação, também é verdade que a licenciosidade com que tratamos a formação dos nossos jovens nos está a atrasar irremediavelmente em relação aos recantos mais competitivos do planeta. Exemplos? Há vários: o ensino da História, por exemplo. Os europeus têm vergonha da sua História, nomeadamente na parte que os levou à expansão além-fronteiras. Não pode ser. Temos que relativizar os excessos evidentes de prepotência e enfatizar as vantagens imensas de ter tornado o Mundo viajável e conhecível. Foi a Europa que fez isso. Outro exemplo: é absolutamente necessário equiparar as mulheres aos homens em termos de capacidade de trabalho sem perder as especifidades femininas e masculinas. Não é preciso ser visionário para perceber que estamos a fazer exactamente o contrário. Ou seja, estamos a desfeminilizar as mulheres (na Suécia só já há 10% que sabem cozinhar) sem, ao mesmo tempo, lhes darmos oportunidades igualitárias em termos profissionais.

4 - Em quarto lugar a investigação científica autónoma. As estatísticas da OCDE dizem que a Suíça - país que está para além do meu escasso entendimento - é o recanto da Europa (?) que mais aposta na investigação. Uma análise mais fina demonstra que, se retirarmos as patentes sobre antibióticos e outros medicamentos, lá vai a Suíça com os cães. O que se passa é que a Europa, pobreta e não alegreta, confia no seu parceiro de sempre (leia-se, últimos 80 anos,leia-se EUA) para lhe cuidar das luzes científicas. Não pode ser. A Europa, de S. Petersburgo a Lisboa, tem que apostar em investigação científica autónoma, sob pena de ficar refém (como hoje está) de estratégias que nada têm a ver com os nossos problemas reais e comuns.

5 - Deixei para o fim deste longo post o verdadeiro cerne da cultura europeia que defendo num futuro próximo. Chama-se protecionismo.
No post em referência atacava-se o proteccionismo como sendo uma medida necessária...mas impossível.
Impossível? Sim, se não se incrementarem as medidas supra-referidas. É óbvio que a Europa está fragilizada nas suas defesas e que, portanto, seria aventureirista se pusesse em prática medidas que, sendo necessárias, muito a podiam penalizar no futuro. Mas - e aqui é que tudo faz sentido - se houver uma política autónoma de rearmamento, se ocorrer uma reafirmação dos valores-base, se a educação passar a ser regulada em termos correctos, se tivermos investigação científica autónoma e apontada para os nossos problemas fulcrais... Então a Europa tem futuro.

Ergo a taça!

quinta-feira, junho 23

A Europa

A Europa está ferida de morte. Os primeiros a ir embora talvez tenham uma hipótese.

O modelo social europeu (o melhor do Mundo) não tem hipóteses.

A estrutura industrial europeia não tem hipóteses.

A organização de defesa da Europa é minúscula.

Se optarmos pelo proteccionismo (que tem lógica) os EUA fomentarão guerras inexoráveis nas nossas fronteiras - Turquia, Balcãs, ETA, Irlanda do Norte, etc. Os novos parceiros são a China, a Índia e o Paquistão, que têm uma estrutura organizada e obediente que não faz greves e que ganha pouco.

Se abrirmos as portas à concorrência asiática perdemos o nosso modelo social e, mesmo assim, não conseguimos vender nada

Não há qualquer possibilidade?

Há. Perguntem-me como.

domingo, junho 19

A minha amiga B.

A minha amiga B. é quadro superior da Fundação Gulbenkian. Para além disso, gere a meias com uma amiga uma cadeia de lojas de alto valor acrescentado em termos de produto (jóias de colecção, móveis de estilo, decoração geral do lar, etc.).

A minha amiga B. é preta. É dfifícil ser mais preta do que a minha amiga B.

A minha amiga B. é tão europeia quanto o seu aspecto exterior o permite. Nasceu em Portugal, vai para 35 anos, e tem um filho de 12 anos num colégio da 'linha', que gosta de jogar futebol e é bom a Matemática. A minha amiga B. sofre de problemas nas costas, como qualquer europeia bem-formada, e fala devagar como qualquer senhora do género.

A minha amiga B., recém-divorciada, tem no 'curriculo' um namorado branco e um marido preto (pelo menos). Nunca viveu na Cova da Moura, antes preferindo o Bairro Azul, ali para os lados da Praça de Espanha.

A minha amiga B., europeia e portuguesa dos quatro costados, não renega a cor que tem. E eu pergunto-lhe: 'Achas que é mais importante a cor ou a base cultural?' E ela diz: 'Sei lá, eu sou portuguesa preta, tenho dificuldades em entender os africanos pretos e os portugueses brancos'.

A Libéria

A Libéria deveria ser um fascínio mas é um fastio.

A Libéria é um país africano, situado na região do Golfo da Guiné, que, ao contrário dos seus vizinhos recentemente auto-determinados, é independente há mais de 150 anos. Fruto de uma negociação feliz, a Libéria tem na sua génese como nação autónoma escravos alforrados de elevado nível educacional, a maior parte dos quais oriundos da América do Norte e do Centro. A palavra 'colonialismo' não é reconhecida pela população.

A Libéria, para além disso, escapou à lógica beligerente das grandes potências, que tanto mal causou (ou agravou) no continente africano na segunda metade do século XX. Protegida pelos EUA e não cobiçada pela União Soviética, viveu a Guerra Fria no melhor dos mundos.

A Libéria é, em matéria económica, um dos primeiros casos de liberalismo empresarial e de captação de investimento estrangeiro agressivo da História, tendo-se constituido em off-shore de navegação e comércio há muitas décadas. Para além disso, a Libéria era, até há pouco tempo, um dos países da África Ocidental com melhores racios em termos de literacia e, desde sempre, com uma invejável riqueza natural exportável (borracha, ferro, diamantes, óleo de palma, etc,).

Porque é que, então, a Libéria é, desde há anos a esta parte, um dos piores sítios do Mundo para se viver, com taxas de desemprego rondando os 85%, guerra civil implantada, desgoverno total, estruturas económicas ameaçadas ou completamente perdidas, cérebros em fuga?

Não tenho a pretensão de dar uma resposta global. Mas a descida do catolicismo de 50% em meados no século XX para apenas 20% no princípio do presente século, aliado ao recrudescimento das culturas tribais, como panaceia demagógica para resolver problemas reais de fronteira e de competitividade internacional, certificam uma resposta possível. Ou seja, o abandono de uma cultura avançada, baseada em modelos ocidentais, e o redorno a ideias da Idade da Pedra, fundeados numa fraca originalidade africana, enterrou um dos mais promissores países do continente perdido.

A cleptocracia angolana, a indigência somali, a guerra sudanesa, o racismo zimbabuano, o terrorismo argelino ou o genocídio ugandês não não a melhor imagem de África. A melhor imagem de África é o declínio da Libéria.

quinta-feira, junho 16

Novas gajas

A blogosfera nacional mostrou à praça o sentido capacitário das mulheres portuguesas. Eu digo, e repito, que não há nada que tenha evoluído tanto nos últimos trinta anos como a intelectualidade, verbalidade e mocidade da identidade feminina nacional. Se há revolução que, para o mal e para o bem, este País encetou, é a da mulher diferente.

Os mais atentos sabem que mais de um terço dos blogues aqui linkados pertencem a mulheres, o que vai muito para além das exóticas quotas que num feio dia alguém resolveu postular. Nunca facilitando, só escolho gente inteligente. É esse o único argumento. Se cona tem, tem cona, se é de piça, piça tem.

Acontece, bem o sei, que é difícil encontrar damas de maior vulto neste país de peidos e de arrotos. Cotada em Bolsa, Pandora Box, Jackie, Baby Lónia, Ferohormonas, Passo a Passo, Fata Morgana, Elsinore, Código de Santiago, Lolita, Objectiva, Laurindinha, Loira, Sei lá, Semiramis e Xanel, são exemplos escassos de gente com mamas que sobressai da esconsa realidade.

É também por isso que hoje estou em festa. Neste blog do padrinho apareceram há poucos dias duas damas (ao que parece) do melhor. Honra lhes seja feita.

E valham o que valhem as sentenças deste Clark, fiquem as meninas já com têmpera: nunca um homem que lhes calhe será mau se interpretar a inteligência feminina. Um homem que é homem considera a inteligência feminina, não como seca, mas como um importante adereço sexual.

Por isso 'Marymaryquitecontrary' e 'Menina2000', welcome to the club. Nós fazemos parte daquele grupo que não tem medo de mulheres inteligentes. Bem pelo contrário. A mim, pessoalmente, a inteligência das 'micas' dá-me tesão! A sério!

quarta-feira, junho 15

Tradução

Diz o Abrupto - e eu acredito – que Eugénio de Andrade, olhando este poema de António Machado, o considerava intraduzível.

Como a ideia me é cara – a intraduzibilidade – mas o exemplo não colhe, vou tentar dar-lhe a volta.

O poema é assim:

La plaza tiene una torre
La torre tiene un balcón,
el balcón tiene una dama,
la dama una blanca flor.

Ha pasado un caballero.
¿Quién sabe por quién pasó?
Y se ha llevado la plaza,
con su torre y su balcón,
con su balcón y su dama,
su dama y su blanca flor.

Então aqui vai:

A praça tem uma torre
A torre varanda tem
Nela está uma donzela
Que ostenta uma branca flor

Nisto passa um gentil homem
Quem sabe por quem passou?
E porque levou ele a praça,
Com a torre e com varanda
Com varanda e com donzela
E com ela branca flor


É uma hipótese, mais nada. Intraduzível? Nem pó!!

Podre

‘Podre’ não é palavra adequada
para início de poema
‘Podre’ não se diz da Pátria
nem tão pouco de um verso realista

A palavra ‘podre’ tem um fito:
dizer do que está torto que está morto ou prestes.
Não são ‘podres’ as ideias,
apenas a falta delas

Pode uma coisa ‘podre’ medrar
mas ninguém a quer na colheita
A longa vida do ‘podre’ é só
sobretudo um pedido de morte breve

Mas pode ‘podre’ ser uma dimensão futura
ou o alerta de um prado adulterado
Contudo, para um verso realista ganhar tempo
nada é podre – é reciclável

terça-feira, junho 14

Um pedido aos meus amigos que são gente

Cada vez mais confrades se acham no direito de fechar os comentários adstritos aos respectivos blogs, para não terem que levar com energúmenos que por lá vomitam postas de pescada (eu diria, de faneca) incomestíveis. Tenho imensa pena mas não têm razão.

Comentários vis, num sistema aberto como é este da blogosfera, sempre há-de haver. E o que se perde afastando os amigos e críticos respeitáveis é mais importante do que o que se ganha por bloquear os gonorreicos e abstrusos militantes da infâmia.

Merda, meus caros, há-de sempre haver. Mas isso não pode - nunca - impedir as flores.

PS. Já agora, e dirigindo-me aos militantes da merda: andem cá brincar comigo que eu não me importo!
Se te armas em facho e não te revês em gente boa que por cá passa, mete a G-3 no cu, com cravos e tudo, enquanto balbucias o 'Avante Camarada'. Se te armas em comuna execrável que não suporto, sopra no escape de um Volvo S-80 e faz de conta que estás em Auschwitz. Se paneleiro és, mete no cu um rabo de raia; é fatal. Se o problema é mesmo inveja ante a incomensurável inteligência que por aqui perpassa, faz-te ao self-broche, menino, que ainda calhas no Livro do Guiness.

E disse.

E a notícia do dia é...

... Um cirurgião dentário português que inventou uma nova maneira de fazer transplantes de dentes. Saiu na BBC, em todo o Mundo.

Pergunta ao próprio: Como é que você conseguiu afastar os filhos-da-puta para poder trabalhar em paz e ter sucesso?

segunda-feira, junho 13

Vasco e Cunhal (e também Eugénio)

Não deve ser fácil ser comunista neste demasiado prolongado fim-de-semana. Os dois homens que nas últimas décadas mais preencheram o imaginário dos portugueses que perfilham a ideologia comunista 'combinaram' deixar este mundo quase em simultâneo.

Eram homens diferentes. Vasco Gonçalves foi intérprete da História, Álvaro Cunhal foi dela maestro. Vasco era um voluntarista, Cunhal era um estratega. Vasco vai a enterrar debaixo da bandeira nacional. Cunhal tapado com a do Partido Comunista.

Morreram ambos entre um Dia de Portugal e uma noite de Santo António.
Paz às suas almas.

PS. Pela mesma hora sou informado de que morreu Eugénio de Andrade, poeta a que na minha adolescência devo algum do primeiro impulso para as letras. Paz à sua alma.

PS2. Que raio de fim-de-semana...

De ti

Eu ando à procura do clitoris que ostentas. Aquele que, erecto e consumível, pronto para o frémito que é o seu, se estica em frente e muge a boca que o dilata.

Eu procuro o orgasmo feminino. Aquele que estica as pernas até doer os tornozelos e os dedos dos pés ficarem hirtos. Aquele que começa com língua nos quadris e faz tremer joelhos de mãos dadas.

Eu quero bicos de mamas chamando por um momento e as mãos excêntricas activas pelo corpo.

Eu quero continuar quando já só amor me calha e transformá-lo no fácil frémito da verdade.

Eu tendo em festas pelos ombros e cabelos e logo então penetro sem piedade. E pelas minhas mãos passam saudades, antros, monstros e ansiedades. E no entanto...

É o teu corpo, então, arqueado e ágil, que mostra a quem passa que é fácil namorar. Mais me lembra o teu laço. Mais me cuida o teu cuidar.

De ti. Nua.

sábado, junho 11

Carcavelos

Vamos lá então falar de Carcavelos.

A malta que pode (há quem não possa) vai para a praia num dia de folga ou feriado espraiar os cornos e o corpo que bem merece. Vai daí, a miríade de pretos e brasileiros que por lá caminha lembra-se de ultrajar a praia mais perto da capital do Império, roubando telemóveis e outras utilidades brancas.

A malta estarrece. Porquê?

Só pode ser porque é burra. Carcavelos, que Deus tenha e guarde, sempre foi praia de pretos. Nunca percebi, das poucas vezes que lá fui,o que andavam a fazer por lá esses nossos irmãos de cor, rádio alto e possidónia roupa.

Agora percebi. Portugal é um País seguro. Ora que sítio melhor que um país seguro para fazer assaltos?

A brincadeira assume contornos hilariantes: como na Amadora está tudo fodido, os polícias de Cascais (zona calmíssima onde fica Carcavelos) foram deslocados. Os meliantes leram bem a mensagem.Se os polícias foram deslocados de Cascais para Amadora, 'bora' aí roubar para Cascais.

Schengen, Schengen, Schengen!!!! Três vezes Schengen!!

Perguntas

Já passou pela cabeça de alguém que, se calhar, os europeus estão a votar somente contra AQUELE Tratado Constitucional? E que se ele fosse diferente poderia ter obtido outro resultado nos referendos até agora realizados? Que porventura nem todos os que votaram NÃO são adversários da ideia de Europa, mas apenas contra a PECULIAR FORMULAÇÃO daquele Tratado em particular?

Já lhes passou pela cabeça que, na base da democracia, está o sentimento do Povo, que depois os parlamentares se encarregam de passar a Lei? Já pensaram que, as mais das vezes, as tentativas vanguardistas encalham no conservadorismo e bom-senso popular? É assim tão difícil digerir o NÃO frrancês e holandês? Era assim tão imprevisível?

Êxodo

A esta hora da noite (oo.15) tenho tantas visitas quantas as que costumo contabilizar por volta das três da tarde. Está visto, foi tudo embora.

Pategos, Lisboa está óptima!

sexta-feira, junho 10

Eles que partem

Há pouco, uma hora ou duas, vindo ao invés do movimento da 'Pátria Porca', deparei-me com o êxodo dos tristes e dos crentes para o Sul. A fila dos pategos em fuga do País real já chegava a meio da auto-estrada de Cascais, eram apenas nove horas da noite primeira de um fim-de-semana como há séculos não havia.

Era vê-los. Barcos, roulotes, simples atrelados p'i'quenos ou caixas de periquitos, miudos atados nos bancos de trás, lá iam eles para o sul do desnorte lisboeta. Rumo ao sul, rumo ao sul, fulgor, fugir por uns dias deste país salafrário, inconsequente, doentio, socrático e menditício que nos atrofia o peito, o pito e as almas concomitantes.

Fugir.

Mas como é triste ver os numerários da crise, os votantes da maioria, os insurgentes da melhor hipótese, todos juntos num HL-22-33 em segunda mão, de mão no travão e na mudança de facto, a ir para o sul em que raramente acreditam.

São feios. São porcos. São maus. Mas são estes portugueses que, se não vão pagar a crise, sempre personalarizaram a Patuleia necessária da revolta.

Vão em vã fila indiana longuíssima, ordenados, em peidos de relógio São Jesus Cristo atempados. Vão condenados do Cacém para a Caparica, sabe-se lá bem porquê. Vão com Portugal com eles, oh yeah!

Vão. E quando voltam não sabem se são fãs do Tunel do Marquês

quinta-feira, junho 9

Comunicado da responsabilidade do dono deste blog

Passeando, como tantas vezes, por uma nobre propriedade , dei de caras com um postal dirigido a um relapso confrade que anda com a folha murcha e por aí aos tombos, a avisar alarvemente a confraria de que a vida é ai que mal soa.

Tenho uma forma humilde e outra bem mais irada (fica o pecado para a troca com quem denunciou inveja) de 'justificar' o desabafo de um dia mau. Ambas irão num registo sartiano (de 'A Casa de Sarto', nosso peculiar e militante confrade, que não do francês baixinho, a quem nunca achei piada nenhuma *).

A humildade leva-me a confessar, apóstata que não sou, que o mal que sinto é minúsculo comparado com o de tantos filhos de Deus por esse Mundo fora.

A ira vai directa à fonte: dá às vezes a impressão que Deus, para incentivar em nós a crença no Além e na felicidade eterna, trata de zurzir na nossa existência terrena o mais que pode.

Por isso vou arrogar-me (outro pecado, enorme) dar um conselho ao Padre Eterno: vossemecê não deve testar demais a força de certas ovelhas. E se elas partem? Prova-se o quê? Que são mortais e, portanto, incompletas?
Ora bolas, vossemecê já mandou escrever isso há milénios!!

PS. Reparei que vários confrades se deram ao trabalho de me incentivar o regresso. Como vêem, uma das vantagens da minha proverbial incongruência é que num dia juro a morte por tal sorte e no outro estou vivinho da silva. Mas como sempre gostei de mimos, obrigado a quem me afagou.

* já sei que se fosse do 'outro' tinha que ter mais um r , por isso agradecia que se abstivessem de comentários sobre o assunto

quarta-feira, junho 8

Mrs. Robinson (aliás Anne Bancroft)



Mrs. Robinson has died. E nós também.

We'd like to know a little bit about you for our files
We'd like to help you learn to help yourself
Look around you, all you see are sympathetic eyes
Stroll around the grounds until you feel at home

And here's to you, Mrs. Robinson
Jesus loves you more than you will know, wo wo wo
God bless you please, Mrs. Robinson
Heaven holds a place for those who pray
Hey hey hey, hey hey hey

domingo, junho 5

Amanhá é hoje

Contrariando previsões menos optimistas, confirma-se o ditado que diz que 'amanhã é outro dia'. Mas não encontrei nada sobre depois de amanhã. Vai se preciso viver para saber.

No teu poema

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

Herança (porque eu não diria melhor)

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade manchei!...
Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

sexta-feira, junho 3

Ideias

Não sei ser sereno.
No entanto rio, ou faço de conta.
A alvorada está do lado errado do horizonte.
Tanto que temo como desminto a dor.
Lambo-te a parte interna das coxas.
A bala, a bala na câmara para te injectar de morte merecida.
O Deus que me impele à vida.

Freitas para canto

Todos os adeptos do futebol - e em especial os adeptos do Belenenses - se lembram de um defesa central, de seu nome Freitas, que era conhecido pela enorme capacidade de cortar as jogadas de ataque do adversário com chutos aleatórios, que normalmente terminavam em canto. E daí a expressão que ficou famosa.

Freitas, sempre ele, voltou hoje (ontem) ao nosso convívio, numa entrevista a Judite de Sousa na RTP 1. Chutou, como sempre, para canto.

Ele pensava qualquer coisa sobre oIraque mas hoje já tem uma outra opinião. Ele opinava 'não-sei-o-quê' sobre a Presidência mas agora pensou melhor. Ele achava que as embaixadas 'tárari'.... mas hoje acha que já não acha. Ele quer a União Europeia, mas pensando bem já não quer. Ele é do centro-direita, mas pende para o centro-esquerda. Ele jura que não quer revelar os momentosos 'diz-que-disse' dos corredores das 'Necessidades-a-Belém', mas necessita absolutamente de corrimentar (perjuro) o que na alma de jumento por lá vai.

Se eu tivesse uma gaja assim era cornudo pela certa.

Corta Freitas!! Assim é que é!!

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