terça-feira, maio 10
Salmo
Eu, frágil projecto avulso da insana humanidade - que entendo eu dela? No reduzido cosmos que me é diário nada é reconhecível a um talento como o meu. Chego, vejo e ouço. Mas não resolvo. Para que sirvo então?
Amanhã, sei-o de antemão, é dia de morrer. Olho de frente – não é medo o que me assalta – o jogo em que marcarei zero pontos. Porque me faltou qualquer coisa, esse rasgo de génio que não tive, o momento que falhei, a coragem que me passou à tangente. O herói que nunca fui.
Tenho os irmãos desavindos e não sei dar-lhes maná que os sustente e una. E rais parta, era isso que eles esperavam de mim!
Há quem diga que mais vale uma derrota breve que a tentativa de um empate ansioso, em prolongamento estéril de uma vida que já se acabou. Talvez assim seja. Mas eu queria era a vitória inserta no hino olímpico, a majestade das heráldicas sem tormento, o abraço tempestuoso entre as diferenças, a lealdade rude das ideias desavindas. Um mundo em que ao murro se seguisse o beijo. E depois mais um murro. E depois mais um beijo.
Ao largo da tempestade em que não me perco – porque a conheço – mas que não venço – porque não sei ou não posso – tenho ao menos o sextante que me leva ao monte mais alto onde quero bradar aos Céus e ao Mundo a minha impotência relativa. Sou tão filho de Moisés como de Thor e desaguo em Jesus Cristo. Por isso reconheço o Demo. E se o não venci também o não esqueço.
Sei que detesto a alma vã dos inimigos que não quis. Odeio a sordidez da sua relatividade moral. Desdenho a vitória desses tontos que derrotam a Humanidade.
Mas também por isso há-de chegar o tempo de construír alternativas de resgate. É que por entre as miragens que me assaltam pairam setas de raiva apontadas aos fígados iconoclastas. Por entre os pesadelos recheados de emplastros e gatos-pingados há luzes violeta de um Sol forte. Nas nalgas de um toca-e-foge vai vibrar a minha palmatória. Nos cornos de um proxeneta vai explodir o meu orgasmo. E na hora em que me vingarei, exaltando o perdão, sei que ganho a glória.
Por entre a multidão fantasma vai surgir o Super-Homem.
E eu viverei outra vez.
Amanhã, sei-o de antemão, é dia de morrer. Olho de frente – não é medo o que me assalta – o jogo em que marcarei zero pontos. Porque me faltou qualquer coisa, esse rasgo de génio que não tive, o momento que falhei, a coragem que me passou à tangente. O herói que nunca fui.
Tenho os irmãos desavindos e não sei dar-lhes maná que os sustente e una. E rais parta, era isso que eles esperavam de mim!
Há quem diga que mais vale uma derrota breve que a tentativa de um empate ansioso, em prolongamento estéril de uma vida que já se acabou. Talvez assim seja. Mas eu queria era a vitória inserta no hino olímpico, a majestade das heráldicas sem tormento, o abraço tempestuoso entre as diferenças, a lealdade rude das ideias desavindas. Um mundo em que ao murro se seguisse o beijo. E depois mais um murro. E depois mais um beijo.
Ao largo da tempestade em que não me perco – porque a conheço – mas que não venço – porque não sei ou não posso – tenho ao menos o sextante que me leva ao monte mais alto onde quero bradar aos Céus e ao Mundo a minha impotência relativa. Sou tão filho de Moisés como de Thor e desaguo em Jesus Cristo. Por isso reconheço o Demo. E se o não venci também o não esqueço.
Sei que detesto a alma vã dos inimigos que não quis. Odeio a sordidez da sua relatividade moral. Desdenho a vitória desses tontos que derrotam a Humanidade.
Mas também por isso há-de chegar o tempo de construír alternativas de resgate. É que por entre as miragens que me assaltam pairam setas de raiva apontadas aos fígados iconoclastas. Por entre os pesadelos recheados de emplastros e gatos-pingados há luzes violeta de um Sol forte. Nas nalgas de um toca-e-foge vai vibrar a minha palmatória. Nos cornos de um proxeneta vai explodir o meu orgasmo. E na hora em que me vingarei, exaltando o perdão, sei que ganho a glória.
Por entre a multidão fantasma vai surgir o Super-Homem.
E eu viverei outra vez.
2 Comments:
Grande texto!!!
By , at maio 11, 2005
Que o texto é 'grande' já eu sabia. Agora o Anonymous importa-se de se identificar?
Antecipadamente agradecido
By clark59, at maio 12, 2005
Comments:
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Que o texto é 'grande' já eu sabia. Agora o Anonymous importa-se de se identificar?
Antecipadamente agradecido
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Antecipadamente agradecido
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