sábado, maio 14

Alqueva

E então, como bom português, dirijo-me em férias ao Alqueva. Ora aqui está um projecto que diz tudo do País em que vivo. Trata-se de uma ideia que demorou mais de trinta anos a pôr de pé, e que mesmo assim não serve para nenhuma das funções que lhe foi confiada.

(Conheci há muito tempo um sujeito dos seus 50 anos, bêbado que nem um cacho, a quem, por descargo de consciência, perguntei o que fazia. Respondeu-me que era técnico do projecto do Alqueva. Ah sim? E o que é que fez antes? Nada, disse-me ele, mal me formei fui logo para o Alqueva. E porque é que ainda lá está? É fixe, respondeu, a malta faz e refaz os projectos, ganha razoavelmente bem e pronto. E embebeda-se)

O Alqueva, para que conste, não existe. A gente sai de Évora, rumo ao lago maior artificial da Europa, ou ao maior lago artificial da Europa, ou da Europa o lago maior artificial, e não vê nada que o sustenha. Sim, ele está lá, confesso. Mas porquê? E serve para quê?

Para já, ninguém que não seja do arredor sabe onde fica. O melhor seguidor de raly paper vê-se à rasca para descobrir o Alqueva. Porquê? Porque as estradas contíguas não o anunciam. Razão? Só pode ser uma: o Alqueva é para esconder, não interessa nem ao Menino Jesus. Todas as falácias que nos venderam sobre a importância do projecto são treta. O Alqueva, se tivesse o interesse que as placas de trânsito determinam, era menos importante que o cabrito assado do Artur de Carviçais, as enguias de escabeche do João Padeiro ou a sopa de cação do Fialho. Saiba Portugal onde está a sua tradição.

É horrível ver a Aldeia da Luz (a nova) cheia de placas da TMN e das outras. É asqueroso ver os alentejanos, coitados, serem obrigados a empresariar a coisa, eles que nem umas garrafas de cerveja fresca sabem vender. Basicamente, os alentejanos dividem-se entre uns ‘senhores’ com pró-nome começado por esse (por exemplo, Salvador) que arrotam postas de toureiro enquanto cagam filetes de pescada, e uns escravos que votam no PCP e que estão sempre presentes em lado nenhum, apostando na diferença que não existe.

O máximo do hilariante é triste. Mas já estou habituado. Alqueva? Al-esqueçam!!

1 Comments:

Uma triste realidade neste país!


P.S. Boa sorte para o jogo e que ganhe....o Sporting!;)

By Blogger objectiva3, at maio 14, 2005  

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Uma triste realidade neste país!


P.S. Boa sorte para o jogo e que ganhe....o Sporting!;)
 
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