terça-feira, maio 31

O despesismo anti-tabagístico



Uma das mais louváveis iniciativas do socrático Governo, nesta busca ainda agora iniciada do graal orçamentício, é a promessa de aumentar o preço do cigarrito em 80%. Com um dinamismo só acessível a pujantes mentes totalmente engajadas a um objectivo salvífico, o Governo promete que consegue atingir o desiderato em 4 anos. É obra!

Acreditemos que é capaz, até porque essa função - a de acreditar - é a única que nos é confiada pelo alto magistério de Constâncio, Sampaio, Sócrates & Ca. Essa e a de pagarmos a conta, bem entendido.

Mas acreditar para mim não chega. Rezinga, vaidoso, desconfiado e elitista, arrogo-me a afirmar que estes gestos grandiosos em louvor da causa pública têm consequências cancerígenas.

O aumento dos cigarros em 80% atirará os mesmos para preços perfeitamente proibitivos para a bolsa dos portugueses. Estamos a falar de um maço de Marlboro a 4,60 euros, um valor superior ao que, por exemplo, vigora hoje em dia na Suécia, na França ou na Áustria, para falar apenas de países que visitei recentemente e cujo poder de compra é bem superior ao nosso.

Perante tão alarve sentido de Estado, o que resta aos fumadores fazer?

Em primeiro lugar, podem sempre cumprir a promessa que muitos já fizeram asi próprios vezes sem conta: deixar de fumar. Uns encararão a hipótese como uma rendição, outros como um desafio.

No caso dos primeiros, é provável que substituam o vício por ansiolíticos e anti-depressivos, com todas as consequências para a saúde daí decorrentes. Irão, num futuro próximo, engrossar as filas do Serviço Nacional de Saúde, as mesmas que, muito mais tardiamente, fatalmente frequentariam se insistissem no hábito de fumar. Chama-se a isso, do ponto de vista das finanças públicas, antecipação da despesa. Boa malha!

No caso dos segundos, a situação é mais grave. Se a tendência for para afrontar a autoridade do Estado e, em vez de continuar a fumar, fazer-lhes um manguito e deitar os cigarros ao lixo, então quem sofre é o erário público. Na verdade, uma forte diminuição do hábito de fumar trará graves consequências para os cofres do fisco, pelo imposto que, por essa via, se deixará de cobrar. Boa malha!

Mas partamos do princípio que, mesmo a 920 paus (em notas antigas), o pessoal continua agarrado e não larga o cigarro de modo nenhum. Neste caso, antevejo uma consequência óbvia e outra mais macabra.

A parte óbvia: numa economia onde a retracção do consumo interno pode significar, no curto e no médio prazo (pelo menos) uma recessão económica grave, impor um preço proibitivo a um produto viciante pode ter consequências nefastas. Como os orçamentos domésticos não são elásticos, se o preço do tabaco aumentar muito é certo e sabido que se terá de cortar nalgum lado. Férias, lazer, cultura, despesas do lar, vestuário e calçado, poderão ser os sacrificados. Com uma retracção do consumo haverá mais desemprego, mais conflitos sociais, mais empresas a fechar portas, menos impostos arrecadados pelo Estado. Boa malha!
Se os cortes tiverem que chegar ao nível da alimentação, a debilidade dos fumadores tenderá a agravar-se, o que não é boa notícia para o tal Serviço Nacional de Saúde que se pretende financiar à custa dos fumadores. Boa malha outra vez!

A parte macabra: uma das consequências psicológicas que o vício acarreta é a total dependência do indivíduo no sentido da sua satisfação. No caso do tabaco, hoje em dia, as situações mais caricatas ocorrerão com o fumador que, a meio da noite, sem cigarros em casa, pega no carro e dirige-se à loja de conveniência mais próxima para se reabastecer do produto.
Mas se o preço for um óbice à sua obtenção, a coisa pode mudar de feitio. E poderá começar a acontecer às tabacarias o mesmo que já hoje ocorre em farmácias ou em hospitais. Ou seja, assaltos de gangs armados, que despovoam as prateleiras das lojas, para depois venderem o produto do seu roubo num mercado paralelo e a preços mais baixos. O aumento do mercado paralelo (e nem se fala aqui do contrabando, já hoje existente, e que tenderá a aumentar exponencialmente) acarretará custos fiscais. Boa malha!

A clandestinidade do processo causa ainda outras preocupações. Para além da criminalidade e violência associada (que atulhará ainda mais os tribunais com processos-crime, outra boa malha), é de crer que quem entrar por esta via tenha a tendência gananciosa de piorar o produto. Ou seja, não faltarão cigarros marados que o consumidor desatento, e em estado de necessidade, comprará, atentando assim ainda mais contra a sua saúde do que se fumasse os cigarros autenticados pelas marcas.

É só boas malhas!

segunda-feira, maio 30

Os franceses

Que gente é esta? Por onde anda? Que lhes aconteceu?

Nunca os percebi, o que deverá ter sido o primeiro passo para não lhes ligar muito. Hoje tenho pena de não os conhecer melhor.

Recordo as minhas memórias deles. Uma língua lindíssima, a rivalizar com o português e o catalão, entre as latinas. Uma história esquisita, contra os limites do razoável. Ora imperiais sem rumo ora libertários com demasiado topete. Ora escravos pouco convencidos ora igualitários por baixo.

Não os conheço e tenho pena. Sinto pelos franceses uma relação tipo estado-unidense em relação ao resto do Mundo. Nunca me foram absolutamente necessários. Já tinho ido à Austrália quando fui a França. Não preciso. Não se me impuseram.

O meu clube preferido da França é... não sei. O meu poeta francês idolatrado é... nenhum. O político francês que mais admiro... não sei o nome.

O que é que eu sei de França? Nada.

Sei que, mal ouvi as projecções do voto referendário, fui ouvir compulsivamente Edith Piaf, George Brassens e Charles Aznavour.

À votre!

domingo, maio 29

NON

Non ! Rien de rien...
Non ! Je ne regrette rien...
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !

sábado, maio 28

A Casa

Apercebi-me hoje de que sou o único 'esquerdista' linkado neste sítio. Deo gratias.

Como bola colorida

Às portas de uma morte certa, lembrei-me que talvez isto fizesse sentido

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos
Como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel
base, fuste, capitel
arco em ogiva, vitral
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança.

Ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim,

Passarola voadora, para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva
alto-forno, gerador
Cisão do átomo, radar, ultrassom, televisão
Desembarca em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança

Como bola colorida
entre a mãos de uma criança.

(António Gedeão)

sexta-feira, maio 27

O vício

Nestas coisas da adicção o melhor é nem começar. Um gajo vai por brincadeira, só para acompanhar os amigos, e acaba agarrado ao produto. Depois, com a habituação, é sempre a mesma cena. Por mais que a gente consuma nunca se dá por satisfeito. Para não ficar de ressaca, o vício pede sempre doses mais fortes. Até que um dia o corpo já não aguenta.

Há quem diga que todos temos um vício.

Há o vulgar cigarro. O cigarro é uma droga dura, pela simples razão de que é difícil de deixar. Vai passar a custar balúrdios e num ápice há-de tornar-se gémeo do crime. Basta que o preço suba a níveis incomensuráveis e que os primeiros cidadãos livres comecem a assaltar tabacarias. Um dia destes falo disso.

Há depois o álcool. O álcool está inseminado na cultura ocidental como uma farpa suave na mão de um masoquista. Em princípio, o álcool é bom. Mas leva ao excesso. O álcool é uma droga perigosa, porque é legal. Falarei disto um dia destes.

E há a cocaína e a heroína e os comprimidos da treta.Tudo perigos escondidos na nossa civilização. Todos à espera de nos apanhar a cabeça, de nos dar a volta, de nos pôr de rastos enquanto pensamos que estamos na maior. Mentiras.

No fim da linha estão os impostos. Não há droga mais adictiva. Não há memória de alguém se ter visto livre dela. Em começando a pagar nunca mais se escapa.

Dou-vos um exemplo. O meu amigo Cofre do Estado iniciou-se nos 15% de IVA. Julgava ele que mal não faria. Um dia, já stressado, aumentou a dose para 16%. Era por uma boa causa, apenas para tornar mais suave uma ressaca inesperada. Nunca voltou para trás. Subiu aos 17% e a sofreguidão não passou. Tentou desesperadamente os 19%, para ver se a dose resultava. Não foi capaz.

Está agora nos 21%, uma overdose que ameaça matá-lo e ao corpo que o apascenta. Parou? Não, não pode parar.

Tal é a idiossincrasia do vício. Sempre mais. Até à morte.

quinta-feira, maio 26

Desta



Não deixa de ser original... embora com algum atraso

Façam favor de entrar

Algures ao leme desta aurora ainda pouco clara, o meu 'blograting' avisa-me que passei a cancela das 20 mil visitas. São 158 dias de diálogo transatlântico.

É só fazer as contas.

Quando vocês aparecem por aqui, eu tento estar à porta para vos receber. Como bom anfitrião.

Vão bardamerda mais os Laureus!

Está a dar em diferido na RTP 1 a gala anual dos Laureus, uma espécie de óscares (?) do desporto que pela segunda vez consecutiva se realizou este ano em Portugal. Aquilo está-me a cheirar mal desde o princípio. Tendencioso que até dói. As escolhas são pateticamente discutíveis. À terceira comecei a entender a cabala e a partir daí adivinho sempre o vencedor. Não falho um único! Uma coisa nojenta!

Mas o pior nem é isso.

Na assistência está um rapaz por quem tenho admiração. Chama-se Juan Carlos de Borbon e é chefe de Estado do país vizinho. É uma pessoa que, por várias razões, devemos acolher bem no nosso País. Isso não passa, no entanto, pela obediência a um guião que manda que as estrelas em palco, mal entram, se dirijam a ele (em primeiro lugar) com o tratamento de Majestade. E só depois cumprimentem o resto dos convidados. Entretanto, na plateia encontra-se Maria José Ritta, que está lá em representação do NOSSO Chefe de Estado.

Mas que merda de protocolo é este? O fulano é um estrangeiro num país independente. Como tal não pode ter honras de primeira figura.
E já agora, como é que a senhora hospedeira se sentiu nesta subalternização asquerosa? Da próxima vez que a vir entrego-lhe a biografia autenticada de Luísa de Gusmão para ela decorar enquanto é tempo.

E tem mais: num programa transmitido para todo o mundo, nomeadamente para os brujeços dos estado-unidenses, penso que não é educativo estar a dar tanto 'palco' ao tal de Borbon. Eles já nos confundem que chegue com Espanha mesmo sem a nossa preciosa ajuda.

Deve ser isto a promoção da marca Portugal...

Às tantas entregaram o prémio ao 'Melhor atleta com deficiência'. Quem percebe um mínimo destas coisas do desporto sabe que os portugueses são dos melhores do Mundo neste capítulo. Pois nem um dos seis nomeados era português. O Casino do Estoril, onde se realizou a pantomina, funcionou como barriga de aluguer, entreposto franco de escravos, navio sem país de bandeira. É triste. Mas será que, além de mim, alguém ainda acha isto estranho?

... Talvez D. João II

quarta-feira, maio 25

Alguém arranje um título para isto


negócios.pt

Os impostos vão mesmo aumentar. Sócrates garantiu-o na Comissão Política do PS realizada esta noite. À hora a que escrevo ainda não é claro - pelo menos para mim - se se tratará de um acréscimo dos impostos sobre o rendimento, se do IVA, se dos impostos especiais sobre o consumo (tabaco, combustíveis, álcool, automóveis, etc)... se de um mix de tudo isto, ou de parte disto.

O Estado português está cada vez mais cleptocrático.

E pronto, não me apetece dizer mais nada...

PS. - A cara do fulano aí em cima só é publicada aqui para que conste do imenso memorial de governantes que prometeram uma coisa e fizeram outra. Não é melhor nem pior que os outros. É igual. E tem maioria absoluta.

terça-feira, maio 24

A minha modesta opinião para resolver o problema das finanças públicas e, por arrasto, muitos outros do País

Farto, fartíssimo, de que o País não encontre o seu rumo de vida e de ouvir sempre os mesmos especialistas falarem de coisas vãs, resolvi pôr no papel algumas das políticas que penso necessárias para sair da apagada e vil tristeza em que vivemos há anos - por vezes - ou há séculos - de outras vezes. Dar-lhes-ei uma importância não hierarquizada, embora não tenha dúvidas de que há assuntos mais prementes que outros. Nenhuma das medidas aqui enunciadas foi apresentada ontem pelo keynesiano Constâncio, um tipo que devia ter vergonha de sair à rua, quanto mais de mandar bitaites sobre realidades que, ou não conhece, ou pura e simplesmente aldraba.

É o seguinte o elenco das medidas necessárias:

1ª – O financiamento dos partidos. Não imagino lei mais premente que esta. O Estado deve assumir que os partidos são as forças colectivas que, mal ou bem, ocupam o poder. Devem, por isso, ser independentes das pressões da sociedade civil e agir segundo as suas convicções, sendo apenas julgados pelo povo em eleições ou pelos Tribunais se a sua conduta for disso passível. Pode parecer que esta é uma medida despesista mas é absolutamente o contrário. Muita da despesa pública faz-se em função dos favores que se devem, e não em concreto benefício da Nação e dos contribuintes. Se não se dever favores a ninguém é mais fácil ser honesto.

2 ª – O arrendamento urbano. Uma lei que regule e traga para o mercado a maior parte das habitações devolutas deste País impedirá os portugueses de se endividarem excessivamente com a compra de casa (somos um dos países do Mundo com mais proprietários de habitação própria). Isso libertará rendimento para outras aplicações, não só em poupança como em consumo, revitalizando a economia. Por outro lado, permitirá às famílias viver mais perto do centro das cidades, animando-as, reduzindo a criminalidade decorrente do isolamento e baixando a factura do défice das empresas de transportes públicos e a da importação de combustíveis. Permitirá, por outro lado, uma perda menor de tempo útil de vida em deslocações, melhorando por essa via o convívio nas famílias e o tempo livre para actividades lúdicas, associativas, etc.


3ª – A educação tecnológica. Os portugueses têm, como poucos, aversão ao estudo das ciências. Resolve-se isso em três tempos. Em primeiro lugar, se o professorado português não é competente para mudar este estado de coisas, contratam-se estrangeiros. Com a oferta actualmente existente no mercado mundial – por exemplo, pessoas oriundas de países do Leste europeu e cubanos – a inversão da tendência custa uma ninharia. Por outro lado, devemos (re)introduzir o ensino diferenciado, permitindo às empresas absorverem diversos graus de conhecimento e eficiência. O facto de muita gente encontrar, por esta via, mais rapidamente emprego, permite que se comece a descontar para a Segurança Social mais cedo, o que melhorará as contas desse sector público deficitário.

4ª – Os despedimentos na Função Pública. Não pode haver dois pesos e duas medidas na sociedade portuguesa. Se porventura a possibilidade de despedimento na iniciativa privada está já demasiado liberalizada, a sua quase proibição ao nível do Estado é uma afronta. Até porque as empresas privadas queixam-se de falta de recursos humanos em número e competência. Muitos dos excedentários do Estado encontrariam, sem dúvida, ocupação mais bem remunerada, mais criativa e socialmente mais repercutora na economia privada. E libertariam o Estado de um peso excessivo de força de trabalho que não serve para nada a não ser para sorver recursos, que são escassos.

5ª – A reforma da administração tributária. Como já aqui se disse, uma boa parte do défice público reside na incapacidade da Administração em cobrar os impostos que por lei lhe são devidos. Muito se fala na exagerada despesa pública – e bem – mas pouco na diminuta receita. O Estado tem de ser capaz de arrecadar aquilo que a lei lhe permite – a que o obriga – em nome das funções sociais e de soberania que constitucionalmente e consuetudinariamente exerce. O combate à fraude e à fuga não se compadecem com dilações e falta de investimento público. Uma Repartição de Finanças que não tem dotação para combustível para mandar um fiscal fazer uma inspecção de rotina é a imagem precisa de um País na bancarrota.

6ª – O apoio à natalidade, a lei da adopção e a política de imigração. Parecem coisas diferentes mas pertencem todas à mesma classe de políticas. O nascimento de nacionais permite, não só civilizacionalmente como em termos de solidariedade inter-geracional, a sobrevivência e a riqueza de um País. Se nasce mais gente, impede-se o envelhecimento percentual de uma população, permitindo às gerações mais velhas verem assegurado o seu fim de vida pelo trabalho dos mais novos. Há países que resolveram este problema há anos, incentivando a natalidade. Nós ainda estamos nos anos cinquenta do século passado, quando a prioridade era tirar as mulheres de casa e pô-las a trabalhar. Estamos atrasados.
No que diz respeito à adopção, trata-se apenas de um aspecto particular do mesmo assunto. A persistência de crianças abandonadas, ou pouco menos que isso, num contexto em que há casais que desejariam (mas não lhes é possível através de meios naturais) ter descendência, é um contrassenso filosófico.
Finalmente a imigração. Todos os países devem poder escolher os não naturais que abrigam. Devem poder, em termos políticos e económicos, conhecida a sua capacidade de atracção de estrangeiros, legislar sobre quem é bem-vindo e quem não é. Neste particular, não me parece boa ideia deixar entrar pessoas de baixa qualificação que, as mais das vezes, só servem para endinheirar empresários corruptos que assim deixam de empregar nacionais para escravizarem outros (ainda) menos bafejados pela sorte.

7ª – A marca Portugal. Em certos aspectos, Portugal é o melhor País do Mundo. Ainda há poucos dias um grande empresário de nível mundial dizia isso em entrevista a um amigo meu (a um grande amigo meu). Temos de cativar o investimento estrangeiro nessa base. Grande clima, segurança urbana acima da média, burocracia diminuindo rapidamente (é verdade), hospitalidade, baixo nível de poluição, comida do melhor. Temos, obviamente, que garantir a estabilidade fiscal e de incentivos ao investimento, coisa que não fizémos até agora. E temos que promover, à séria, a atractividade das marcas portuguesas. Uma das maneiras de o fazer é, também, punir os contrafactores. Temos, ainda, de aprender a vender a nossa qualidade e a nossa diferença. Alguns exemplos heterodoxos: os sapatos portugueses são melhores que os italianos; a tourada à portuguesa é única no Mundo; as praias portuguesas são melhores que as espanholas.

8ª – A interiorização dos valores. A classe dominante portuguesa conseguiu, em oito séculos de elitismo bacoco, uma coisa bizarra: pôs os portugueses a não acreditarem em nada. ‘Eles estão lá para se governar’, ’os pobres lixam-se sempre’, ‘quem vier atrás que feche a porta’ são expressões correntes denotadoras de uma depressão que urge combater. É preciso premiar o valor - por exemplo, o quadro-de-honra da escola. É preciso dizer que os mentirosos pagam - por exemplo, prendendo os infractores fiscais. É preciso incentivar a excelência – por exemplo, criando prémios para as melhores redacções, as mulheres mais bonitas, os melhores bombeiros, etc.

9ª – A rotatividade da propriedade. É preciso que os portugueses se perguntem: se não estamos bem, a quem é que isto se deve? A resposta é simples: a quem teve o poder de tomar decisões correctas e tomou as erradas. Em Portugal, apesar das revoluções, nunca houve uma rotatividade da propriedade que permitisse aos melhores, aos mais criativos, tomarem o poder nas empresas. O Estado, até por uma questão de segurança, deveria formar uma bolsa de propriedades que entregaria aos empreendedores que provassem ter melhores soluções de investimento, emprego, etc. E não apenas aos que conseguem, no areópago capitalista, as melhores condições bancárias.

10ª – A energia nuclear. Portugal tem poucas fontes energéticas. A maior delas –a hidroeléctrica – é sazonal e o futuro climático não lhe augura melhores dias. É portanto uma patetice não se socorrer de tecnologias baratas e que não dependem de recursos naturais.

11ª – A Lei das Finanças Locais. Portugal é, por natureza, um Estado precário onde o Poder Central conta pouco. Somos um País pequeno em que a escassez de recursos tem que ser bem gerida. Com tantos habitantes como Nova York ou menos que São Paulo, diferir poder é uma patetice, se não uma aleivosia perigosa. Portugal não precisa de regionalização para nada. Precisa é de um poder central forte, consciente das suas capacidades, disciplinado e monitorizado pela opinião pública.

PS - Vítor Constâncio deve ser sportinguista. Só assim se comprende, por um lado, a falta de senso nas medidas propostas para combater o défice e, por outro, o timing para as apresentar, ou seja, no dia em que os benfiquistas estavam a festejar o triunfo no campeonato.

domingo, maio 22

Declaração

Portugueses:

A nossa hora chegou. Ao fim de onze anos de ocupação, a Pátria está de novo em festa. Os bravos que repuseram a soberania nacional merecem todo o nosso apreço.
Não sei como se sentiram os conjurados de 1640, mas hoje é o meu 1º de Dezembro. Bem hajam todos os que nunca baixaram os braços contra o domínio indevido.

PS. – Uma palavra final de apreço para os portugueses que foram barbaramente atacados no enclave geográfico onde se pelejou a última batalha. Vocês são os melhores de entre nós. Que possam regressar sãos e salvos a casa é o meu maior desejo.

PS 2 - Cada coisa por sua vez. Agora é a altura de dar os parabéns à equipa que pôs outra vez o Mundo a sorrir. E é assim: Olé, olé,olé, óoooo, ninguém pára o Benfica, ninguém pára o Benfica,olé,óooooooo!!!


sábado, maio 21

O BOS e as suecas

Tive alguma dificuldade em perceber porque raio queria o BOS que eu explanasse um tema quase mítico como seja a minha relação, não com a Suécia (essa é de amor verdadeiro e conhecido), mas com as cidadãs nacionais daquele país quando apresentadas sem roupa e com as coxas em ângulo recto. Isto mais coisa menos coisa.

A tese bosniana (excessivamente exegética) pressupunha que eu, pobre coitado, fosse portador de algum conhecimento diferenciado e iniciático sobre as nórdicas conas, de molde a que as pudesse, desde logo, comparar com as meridionais que melhor conhecemos e, logo após, aferir do postulado de que não é preciso educação sexual para ganhar o ‘atestado do instituto de soldadura e qualidade’ quando se trabalha em ‘solo’ estrangeiro.

Fica o BOS desde já informado que, ao nível da racha, do que este que aqui se subscreve sabe, as gajas não têm Pátria. Tanto se pode curtir com uma etarra basca como dar por mal empregue o tempo que se gasta com um russa soviética. Uma beta da quinta avenida pode ser uma má foda, mas uma Opus Dei portuga convertida ao Cais do Sodré pode ser uma boa queca. As mulheres, meu caro amigo, cada vez dependem menos do nosso equipamento e da nossa lábia. Jogam à bola sem que o nosso apito arbitre. Mas como fogem tanto à verdade como um Olegário Benquerença, havemos de andar até ao fim dos nossos dias à procura do verdadeiro orgasmo feminino. Que, estou convencido disso, só a elas pertence. Se elas quiserem, depende de nós. Se não quiserem… batatas.

Dito isto, não se pense que fujo à questão. A educação sexual não adianta nada à boa onda fodilenga. Quando, com 11 anos, apalpei os biquinhos da Zezinha, não tinha nenhuma educação sexual por perto. Quando, com 16, fui à Suíça e vim, não tinha nenhuma experiência científica. E por aí adiante.

A educação sexual não serve para nada. Quando muito para ensinar as mulheres a não dizerem sempre que 'não' e os homens a não se tornarem violadores. Mais do que isso, duvido.

Mas há uma coisa em que a educação sexual pode ajudar. Se conseguir convencer as mulheres (principalmente as adolescentes - campeonato em que já não jogo) de que foder faz bem à asma e à musculatura das pernas, então venha ela.

A melhor queca da minha vida de solteiro (depois de casar não há nada para contar ou, se o há, eu não conto) foi uma garota fininha, de mamas 32-A, com farfalhuda barbicha, daquelas que a vox populi conta estarem sempre a pensar na pintura do tecto enquanto se cumpre a função. Cheguei à conclusão, nesse dia, que mesmo sem amor uma queca que se preze precisa tanto de orgasmo simultâneo como um enterro precisa de uma viola. Para que conste: do meu ponto de vista, a gaja tem que ser boa e apertada. Se não se vier que se foda! É triste mas é a pura verdade.

E agora as suecas.

A diferença das suecas – digo suecas, não nórdicas, porque as norueguesas são umas bimbas, as dinamarquesas são umas putas e as finlandesas são umas bêbadas (lato sensu) – não está no corpo ou na educação sexual. A diferença das suecas está em que são gente do melhor. Basicamente, quando gostam do que vêem e ouvem, não pensam se ‘aquilo’ lhes dá segurança ou se vai desatar a falar delas no café ou se lhes vai pôr os cornos no dia seguinte ou se será bom Pai para os seus filhos. Pensam, apenas, se será boa ideia comê-los. Sem lascívia em demasia. Apenas com naturalidade. Com a ideia posta no tratante, meia de gozo clitorístico, meia de 'acho-te o máximo como macho'.

Para que conste: não conheço gaja que melhor faça o mix disto tudo tudo que uma sueca que se preze.l

Sexo. Coisa boa. Ponto final.

Pensando bem, haverá coisa mais natural do que uma mulher e um homem acharem que devem tirar a roupa e penetrar-se mutuamente (eu disse, mutuamente)?

Não há.

Viva a Suécia. Sem educação sexual!

(Helena, Rebecca, Inge, Ulrike, Ann-Marie....)

sexta-feira, maio 20

Olha-me este...

Segundo um teste francês sobre tendências políticas, que saquei no Santos da Casa, sou de centro-direita. E esta, hein?!

Que título para isto?

Isto é imperdível. Raras vezes a verve lusitana chegou tão longe. A sério.

quarta-feira, maio 18

A minha farda

Outro dia, antes de ir de férias, li neste blog que amiúde frequento uma catilinária alugada de algum militar de antanho sobre a falta de respeito pelo uniforme que seria característica de certa tropa pós-abrilina.

Andei pelo serviço obrigatório na primeira metade de oitenta, quando ainda se usava farda colonial e a cultura era de guerra. Meio a medo, meio a desnorte, os rapazes da Academia ensinavam aos milicianos uma guerra que já não era a nossa, a meias com uns 'primeiros socorros' sobre uma Europa que ninguém sabia onde ficava. No curso de oficiais fiquei a saber que o meu lugar na 'batalha' era na planície de Brescia, como comandante do Pelotão de Reabastecimento e Alimentação de uma estrutura da NATO comandada por italianos.

(Ora aí está mais uma razão para o fim da Guerra Fria! Eu a alimentar italianos havia de ser bonito! Comiam bacalhau assado e cozido dia sim dia não, e pizzas só se lhes fossem dadas pelo cu acima, com os cumprimentos de um cozinheiro que eu lá tinha, transmontano do Alto do Marão, habituado a convivências prolongadas com ovelhas...)

Mas estou a afastar-me do tema, que esta coisa de italianos sempre me dá ao desnorte.

Dizia o militar citado que os oficiais abrilinos vestiam mal-de-farda. Seja. Sou portador de dois testemunhos diferentes. Um sai à casa, outro ao 'padrinho'. Do segundo, vi e ouvi dizer que era o maior dandy do enfardanço (leia-se, de uma forma livre, o vestir das fardas) do seu tempo. Queque de esquerda, basicamente, ninguém lhe levava a palma nas botas engraxadas e nos vincos das calças.

O outro sou eu. Durante 'catorze-semanas-catorze' comandei um grupo de mal-paridos que nem por uma vez perdeu o direito a saír à frente do regimento em que se encontrava. E porquê?Porque o comandante de então - Coronel Palminha Sacramento de seu nome - tinha instituido o hábito de que o pelotão de recrutas que melhor marchasse, e fardasse, seguindo as normas de pundonor tropício, era o primeiro a dar 'às de vila diogo' à sexta-feira à tarde. Calhou sempre ao 3º da 3ª Companhia de Instrução da gloriosa Escola Prática de Administração Militar. Cujo comandante era aqui o je.

É preciso que se diga que a tropa que frequentei estava cheia de oficiais ex-pupilos do Exército, meninos da Luz e quejandos, que andavam na 'guerra' desde o tempo em que ainda não tinham pêlos na pila (ou se calhar esse género de indivíduos já nasce com eles, sei lá). Reaças aleivosos do antigamente havia uns tantos, embora a maioria absoluta nem sequer soubesse do que falava quando falava de Salazar ou de 'Angola é nossa'. Mas como achavam que lhes ficava bem com a cor dos olhos, pariam umas ideias parvas sobre democracia. Faziam parte daquela direita que acha que se um gajo se peida em público e lava os sovacos com sabão macaco é mais homem que aqueles mariconços esquerdalhos que pedem desculpa quando arrotam ou metem Donna Karen atrás das orelhas. Adiante.

O que importa é que os meninos em causa levaram 'xito' cá do miliciano no que a fardas e brilho concerne (e noutras coisas também, mas isso agora não vem ao caso).

Por isso, meu caro Pena e Espada, com toda a cagança do miliciano honrado que julgo ter sido, aqui fica o testemunho de um militar pós-abrilino que não tinha vergonha da farda, antes a defendia e arrogantemente a expunha perante quem julgava ter mais direito a ela do que eu. E não tinha.

PS -Pluribus, ainda guardo os galões que me deste!

As finanças públicas

Um amigo meu (um grande amigo meu) , que se interessa há anos bastantes por estas coisas da economia, teve a bondade de tentar esclarecer-me sobre o actual estado das Finanças Públicas.

Faço aqui apenas um parêntesis para assinalar à eventual audiência menos atenta que, após anos a combater o défice orçamental (é disso, essencialmente, que se trata), o estado do dito é pior que antes de sucessivos ‘médicos’ se terem dedicado à sua cura.

Foi precisamente por aqui que a conversa que mantive com esse meu grande amigo começou. O meu ‘a priori’ era simples: que diabo, serão assim tão incompetentes os nossos governantes que, apesar de terem elegido o défice como a sua principal prioridade (‘obsessão’ lhe chamou alguém que ainda recentemente exerceu funções executivas), nada consigam fazer para o debelar?

Esse amigo (esse grande amigo) elucidou-me. A coisa divide-se, diz ele, entre problemas de receita e assuntos de despesa.

Vamos então à despesa. Em Portugal, quando um Governo é empossado – seja qual for o Governo – é confrontado com mais de 85% de despesa já totalmente atribuída. Chama-se a isso o efeito de rigidez. São direitos adquiridos, que transitam de uns anos para os outros, e nos quais nem vale a pena pensar mexer, pelo menos no curto espaço de um exercício orçamental, que dura apenas um ano. Portanto, mais dez tostões para o teatro, menos cinco paus para as contas poupança não modificam em nada a despesa pública. O meu amigo, neste particular, é adepto de uma coisa chamada orçamento por objectivos e de outra chamada orçamento plurianual.

Segundo ele, só resta, no que à despesa diz respeito, fazer o seguinte: pôr tudo em causa, desde o primeiro euro. E elenca: será que temos funcionários públicos a mais? Ou que gastamos demasiado em subvenções? Ou que o outsourcing é muito caro? Ou que não precavemos as relações contratuais que envolvem privados? Ou que os serviços da administração central não colaboram devidamente uns com os outros? Ou que há leis, só por si, despesistas? Que as transferências para os diversos sub-sectores (autarquias e autonomias incluídas) são bem gastas? Que o Estado gere bem o património que tem a cargo?
Mudar todas as ineficiências... chama-se a isso reforma da administração pública, uma coisa que o meu amigo (esse meu grande amigo) me disse ter ouvido falar desde que se sentava nos bancos da primária, estava no Governo um senhor de voz fininha que já morreu há muito tempo. E que nunca foi feita.

Há outro capítulo, mais avançado, que o meu amigo (grande amigo) também referiu. Será que a política de habitação ajuda à produtividade? Ou seja, será que pôr as pessoas a viver nos arredores e a trabalhar nos centros das cidades não lhes retira imenso tempo para o trabalho e para o descanso, condições essenciais e complementares a um bom desempenho profissional? Será que esse mesmo facto não agrava inutilmente a factura energética (leia-se, gastos com combustíveis), sabendo nós que essa é a maior dependência da nossa balança externa? Será que tudo isto não tem que ver – também – com a quebra da natalidade que, em termos puramente económicos, põe em causa o futuro da segurança social e a solidariedade entre gerações?

Isto dizia o meu amigo quando falava da questão da despesa. Do lado da receita foi mais sucinto (!)

Segundo ele, analisando os défices orçamentais dos últimos 25 anos (para só falar de uma realidade constitucional mais ou menos comparável), constata-se que os défices foram sempre menores em épocas de expansão económica e mais graves em tempos de recessão. ‘Olha a novidade’, exclamei eu, ‘então não se está mesmo a ver que assim é?’ Não, diz o tal amigo do peito. O que nós deveríamos ter, em épocas expansionistas, não era défices curtos mas sim superavites. Para que, com essa poupança entretanto efectuada, pudéssemos gastar mais em tempos de vacas magras, pondo o Orçamento de Estado ao serviço do relançamento da economia. Se gastamos demais quando estamos bem de finanças não poupamos para quando estamos mal. Há pois que poupar receitas –quando as há – para as injectar na economia real – quando esta não consegue produzi-las por si só.

Para terminar a já longa explicação, o meu amigo lembrou ainda mais uma questão. ‘Mais uma?’, disse eu. Não era mais uma. Era a questão.

O PIB português, a preços correntes, rondará hoje em dia os 144 mil milhões de euros. Um défice orçamental de 5% (números médios reais dos últimos vinte anos) corresponde a 7,2 mil milhões de euros. A economia paralela – aquela que não paga impostos – andará por uma facturação, grosso modo, de 15 mil milhões de euros. Ou seja, é devedora de impostos, a uma taxa média de 20%, de 3 mil milhões de euros. A isto acresce a economia legal, que se estima estar a cometer fraude fiscal no montante de outros 3 mil milhões de euros.

Ou seja, a acreditar nestes números que o meu amigo assegura só pecarem por defeito, o tal défice de 7,2 mil milhões de euros, só pelo lado de uma correcta arrecadação de receita, passaria para 1,2 mil milhões. Ou seja, um pouco menos de 0,9% do PIB. Ou seja, peanuts. E não estamos a falar de nenhum corte de despesa. Se pensarmos (diz ele) que as medidas acima enunciadas, quando se falava de despesa, representam, se bem aplicadas, cerca de 1% do PIB, estamos conversados sobre o estado de falência das contas públicas.

Mas é óbvio que isto é apenas a explicação teórica do meu amigo. Ele esqueceu-se de uma variável muito importante. É que tudo isto é para ser incrementado por portugueses. E, como tal, não funciona. Não funciona hoje, não funcionou ontem e não vai funcionar amanhã nem nunca.

Mas achei que talvez os que me lêem gostassem de saber que poderia ser diferente.

terça-feira, maio 17

O Libelinha é verde

(Aos anos que o conheço e só hoje me apercebi: o Libelinha é do Sporting).

- Sabes, deixei a Lena.
- Antes de mais nada boa-tarde, há quanto tempo…
- Ó pá, é a merda da empresa, ando metido naquilo até aos cabelos!
- E ao menos está a correr bem?
- Bem, bem, não diria, mais vai-se indo.

(O Libelinha despediu-se há pouco do emprego e começou, ele mais um sócio, a construir a sua própria empresa)

- Não tarda nada estás rico.
- …Um rico rapaz, queres tu dizer. Vai lá vai, tentares fazer algo de teu neste País é obra.
- Estavas a dizer da Lena…
- É, foi c‘os cães. Pensando bem acho que nunca gostei dela à séria.
- Tu gostas é de ti, está visto…
- Ó pá, não é verdade, eu tenho mesmo galo com as gajas!
- Já pensaste que, se escolhesses melhor, era mais provável que desse certo?
- Escolher o quê? As gajas caem-me na sopa e eu molho a colher, o que é que tem de mal?
- Nada, diverte-te…
- Sabes bem que não é isso…

(O Libelinha nem é mau rapaz. Como muitos homens, apenas ainda não aprendeu a soletrar a palavra ‘não’)

- Então e o campeonato?
- O quê?
- Ó menino, o campeonato de futebol!?
- Quero lá saber dessa merda!!
- Deves ser o único português que não liga ao assunto…
- Claro que não ligo. Eu quero é o ‘meu’ e que não me chateiem com coisas fúteis!
- Tu tem cuidado, mais dia menos dia dás em intelectual…
- Se estiveres tão livre disso como de uma carga de sarna podes ir cortando as unhas. Não ligo, prontos.
- Mas tu não tens clube?
- Tenho... acho que sou do Sporting.

(Bebi um gole da cerveja que estava ali ao lado)

- Achas? Porquê?
- Sei lá, a malta que anda comigo é quase toda do Sporting.
- Mas tu não sabes de que clube és? Não tens clube desde pequenino?
- Não, quer dizer... não. O meu Pai não ligava nada a essas merdas.
- Era elitista, queres ver?!
- Estás farto de saber que o meu Pai era do Barreiro. Mas sempre sonhou mais alto, por isso é que se empenhou todo para vir morar para Lisboa, era eu pequeno.
- E que é que isso tem a ver com o Sporting?
- Sei lá, ele quando cá chegou começou a dar-se com uma gente, 'tás a ver... Enfim, acho que foi isso.

(Não insisti. Percebi que aquilo era tabu até para o Libelinha. Todos nós temos os nossos pecados de família. E temos - digo eu - direito a eles)

- Olha lá, e já tens substituta para a Lena?
- Tu deves achar que eu ando a dormir, não?
- Claro que não. E boa sorte para a Taça UEFA…
- Ó pá, não dá para ver, nesse dia vou jantar com a Lurdes. Acho que a gaja é do Belenenses. É advogada. Vais gostar de a conhecer, já que vocês são parecidos e a gaja até andou na 'Clássica' como tu, parece-me boa gente e depois outro dia estava eu com ela e vai daí a gaja disse - nem vais acreditar...

(Não tenho dúvidas)

segunda-feira, maio 16

A Rititi morreu.

(A Rititi morreu.
Paz à sua alma)

Vai imediatamente sair dos links aí à direita.

Festival da Eurovisão



Um dos métodos mais eficazes para explicar Portugal aos estrangeiros é dizer-
-lhes que nunca, em 40 anos de participações, ganhámos o Festival da Eurovisão.

Faço aqui um parêntesis para explicar à diminuta audiência – penso que este ponto tem andado algo arredado das conversas que por aqui se têm – que, se eu não fosse o que sou, seria provavelmente músico, usando a voz como um mais que plausível instrumento, já que o saxofone (escolha também possível) nunca me foi ensinado. Dotado de ouvido absoluto, nunca na minha vida errei um tom. Canto do fado ao jazz, passando pela pop toda, lieds da clássica, lírica, etc. Conheço muito pouca gente assim.

No caso de já terem parado de bater palmas, gostaria de passar ao que interessa.

Algumas das canções que a RTP (representando Portugal) levou à Eurovisão nos últimos 40 anos são, não só das melhores melodias que o País criou no tempo entretanto, como também das mais fantásticas que a Europa viu serem-
-lhe apresentadas à época.

Qual a razão porque nunca ganhámos – e, mais do que isso, porque é que raras vezes andámos lá perto, sendo que em segundo e terceiro nunca ficámos?

O motivo para tal facto é de simples enunciação, e chama-se língua portuguesa. A razão porque o Carlos Mendes, a Tonicha, o Carlos do Carmo, a Dulce Pontes, a Nucha, a Sara Tavares, o José Cid, a Adelaide Ferreira, a Anabela, etc. nunca ganharam (nem estiveram lá perto) o Festival da Eurovisão é porque cantaram nessa língua horrível que se chama português. Uma língua fantástica para escrever poesia, para contar histórias, mas impossível de meter num ‘sol-e-dó’.

Só um exemplo: uma das canções usualmente votadas como a melhor da pop urbana de todos os tempos é : ‘Eih, mister tambourine man, play a song for me’. Em português soa assim: ‘Olá, senhor da pandeireta, cante uma canção para mim’.

Acho que está tudo dito.

Mais uma: ‘Yesterday, all my troublous seem so far away’. Que em português é mais ou menos o seguinte: ‘Ontem, todas as minhas perturbações pareciam ter-se afastado’.

Uma última palavra para os gregos, que também nunca ganharam o Festival da Eurovisão. Somos assim, somos diferentes. Bem hajam.

domingo, maio 15

O campeonato

Os atrasados mentais que, por lapso ou falta de senso, são adeptos do Sporting (uma coisa que eu ainda estou para perceber) devem estar hoje um bocado chateados com o resultado do jogo de ainda há pouco. Mas a verdade é que só por petulância isso acontece. O facto de os adeptos do Sporting existitirem é, já de si, de uma jactância intolerável. O Benfica ganhou, ou seja, o mundo está outra vez normal.

Vamos lá a ver: O Sporting serve para quê? Para que os betos e as escrescências socias tenham onde cair mortos? Para que os paneleiros e as fufas tenham clube? Ó meninos, sejam do Belenenses! É mais giro. Agora, do Sporting?! Tenham dó!

O que vale é que Deus não dorme e o Sporting já não pode ser campeão.


O mundo está mais respirável!

sábado, maio 14

A dúvida metódica



Ouvi há pouco na SIC Notícias. Questionado sobre quando é que vai decidir falar sobre eleições presidenciais - e apresentar a sua própria candidatura - Cavaco Silva respondeu: 'Tenho dúvidas; quem nestes tempos que correm não tem dúvidas?'

O robot que um dia disse 'nunca tenho dúvidas e raramente me engano' morreu. Em seu lugar surge um ser humanizado (e sorridente). E o povo, será que gosta do homem?

Tenho dúvidas.

A propósito de computadores


Neste blogue de eleição, falou-se outro dia de programas de computador e de computadores propriamente ditos. Tudo, aparentemente, da Idade Média. Tratando-se de maltinha de 30 e tal, eu benzo-me e recomendo-lhes o acto de contrição. São putos a ficar velhos, eu entendo, também já passei por isso.
Falavam os ditos putos (armados em cotas) da Play Station do século passado, do Sinclair 'não-sei-o-quê', do 'Amiga', do 286 mais coisa menos coisa, arcaico como o caralho. Para que não pensem que 'velho mais velho não há', aqui estou eu para reconhecimento perpétuo. E para contar a história.

A primeira vez que mexi num computadopr foi numa televisão 76 cm, ligada a um processador 286, corria o ano de 1983 (ainda vocês andavam a perceber o que era aquilo da punheta). Sim, não havia écrans de computador, a malta tinha que ligar a coisa a uma televisão.

Mas isso foi já a terceira geração informática, à qual pertenço. A primeira tinha um computador no Ministério das Finanças, em 1955 (não é gralha), que ocupava uma sala de 80 metros quadrados, e que fazia um barulho do caraças enquanto cagava papelinhos cifrados que era preciso meter numa máquina para passar à linguagem corrente.

Então vocês são cotas, hein? Vão gamá-lo!

Alqueva

E então, como bom português, dirijo-me em férias ao Alqueva. Ora aqui está um projecto que diz tudo do País em que vivo. Trata-se de uma ideia que demorou mais de trinta anos a pôr de pé, e que mesmo assim não serve para nenhuma das funções que lhe foi confiada.

(Conheci há muito tempo um sujeito dos seus 50 anos, bêbado que nem um cacho, a quem, por descargo de consciência, perguntei o que fazia. Respondeu-me que era técnico do projecto do Alqueva. Ah sim? E o que é que fez antes? Nada, disse-me ele, mal me formei fui logo para o Alqueva. E porque é que ainda lá está? É fixe, respondeu, a malta faz e refaz os projectos, ganha razoavelmente bem e pronto. E embebeda-se)

O Alqueva, para que conste, não existe. A gente sai de Évora, rumo ao lago maior artificial da Europa, ou ao maior lago artificial da Europa, ou da Europa o lago maior artificial, e não vê nada que o sustenha. Sim, ele está lá, confesso. Mas porquê? E serve para quê?

Para já, ninguém que não seja do arredor sabe onde fica. O melhor seguidor de raly paper vê-se à rasca para descobrir o Alqueva. Porquê? Porque as estradas contíguas não o anunciam. Razão? Só pode ser uma: o Alqueva é para esconder, não interessa nem ao Menino Jesus. Todas as falácias que nos venderam sobre a importância do projecto são treta. O Alqueva, se tivesse o interesse que as placas de trânsito determinam, era menos importante que o cabrito assado do Artur de Carviçais, as enguias de escabeche do João Padeiro ou a sopa de cação do Fialho. Saiba Portugal onde está a sua tradição.

É horrível ver a Aldeia da Luz (a nova) cheia de placas da TMN e das outras. É asqueroso ver os alentejanos, coitados, serem obrigados a empresariar a coisa, eles que nem umas garrafas de cerveja fresca sabem vender. Basicamente, os alentejanos dividem-se entre uns ‘senhores’ com pró-nome começado por esse (por exemplo, Salvador) que arrotam postas de toureiro enquanto cagam filetes de pescada, e uns escravos que votam no PCP e que estão sempre presentes em lado nenhum, apostando na diferença que não existe.

O máximo do hilariante é triste. Mas já estou habituado. Alqueva? Al-esqueçam!!

quarta-feira, maio 11

O touro de Jesulin

Na tarde festiva de Jerez de la Frontera, Jesulin d’Ubrique - toureiro de moda mas um bom toureiro - faz frente ao touro na sorte de morte. A faena foi limpa, contrastando com outra anterior, protagonizada por um companheiro de profissão do qual por sorte não decorei o nome.

Uma coisa feia, de deixar toda a gente mal disposta. Diestro sem garra (ou num dia mau), não matou o bravo animal. Liquidou-o a ronceiros golpes de espada. Um e mais outro, e ainda um terceiro. A quadrilha num desnorte lá acaba com a má arte num descabello que demorou uma eternidade. Um director benevolente não passou do primeiro aviso e o marrano matador saiu da praça depois de palmas de tango e assobio. Quem morreu foi ele.

Depois veio Jesulin. Capote perfeito, perante um touro de eleição. Capa de ambos os lados a dar sequência à faena. Interpretação correcta de um animal bravo como não se vêem muitos, que investe e dá graça à arte do matador gaditano.

Na tarde festiva de Jerez, em plena Feria del Caballo daquela cidade andaluza, Jesulin d’Ubrique, nascido ali perto vai para 31 anos, é o toureiro que um dia disse que entrou na arena não pelos touros mas pelas guapas. Ninguém sabe onde mais ‘mata’ - se na arena se nas bancadas.
Desta vez faz-se à sorte. Sai à primeira. Palmas e a orelha que já se adivinha. Eram para aí umas sete e meia da tarde.

O touro recebe a espada ali na fronteira entre o sol e a sombra, que esta já invade, por essa hora, um quarto crescente do redondel. Fixa-se na praça por uns segundos. Em seguida avança a passo de compasso, sai do cinzento que lhe confunde o torso e vem ao dourado do astro que lhe aquece a morte. Não pára. Cambaleia um pouco, pouco mesmo. A brevidade adivinha-se. Mas ele continua. Faz a arena toda a trote, e estanca, de cabeça erguida, no lado oposto ao da estocada. Depois, com um gesto lento, vira os cornos, olhando o centro da praça e o matador. O olho fica-lhe baço. Só então se deita, morrendo quase logo.
Como se ciente da sua sorte quisesse comandar os seus últimos momentos.

terça-feira, maio 10

Por Santiago

Um dos melhores blogues femininos que por aí anda (capaz mesmo, vejam lá, de ombrear com letra de macho) faz anos e festa de tal facto no próximo dia 21 de Maio. É no Teatro Taborda, ali para a Costa do Castelo. Eu vou. E como, segundo a 'micas' em causa, a 'culpa' da festa é em parte minha, proponho desde já à distinta audiência uma adesão forte, que a gaja em causa merece. A ideia é levarem arte e fígado quanto baste para animar a função. Fontes geralmente bem informadas dizem que a 'trintinha' - muito dada à Praça do Município - percebe umas merdas da noite 'capitalista'.

Eu sou suspeito: se a F. fosse, por exemplo, coreana, e o animal com pernas que ajeita a roupa da cama (ajeita, ou tenho que o ensinar a fazer?...) a esta senhora fosse assessor governamental na Nova Zelândia, a gente era capaz de ter mais conversa que esta com computador intermédio. Da voz e da boca que a menina em causa porta não falo, que já me avisaram que o tratante que lhe trata do trato é grande como o camano. Mas lá que quero ver a festa isso quero.

Eu, que de pequenino aprendi a ir por São Jorge, vou desta vez por Santiago, que é uma coisa que me custa. A quanto obriga o amor que lhe tenho...

Só não sei é se vou de camisa branca ou preta. O que é que a minha amiga acha que me fica melhor?

Salmo

Eu, frágil projecto avulso da insana humanidade - que entendo eu dela? No reduzido cosmos que me é diário nada é reconhecível a um talento como o meu. Chego, vejo e ouço. Mas não resolvo. Para que sirvo então?

Amanhã, sei-o de antemão, é dia de morrer. Olho de frente – não é medo o que me assalta – o jogo em que marcarei zero pontos. Porque me faltou qualquer coisa, esse rasgo de génio que não tive, o momento que falhei, a coragem que me passou à tangente. O herói que nunca fui.

Tenho os irmãos desavindos e não sei dar-lhes maná que os sustente e una. E rais parta, era isso que eles esperavam de mim!

Há quem diga que mais vale uma derrota breve que a tentativa de um empate ansioso, em prolongamento estéril de uma vida que já se acabou. Talvez assim seja. Mas eu queria era a vitória inserta no hino olímpico, a majestade das heráldicas sem tormento, o abraço tempestuoso entre as diferenças, a lealdade rude das ideias desavindas. Um mundo em que ao murro se seguisse o beijo. E depois mais um murro. E depois mais um beijo.

Ao largo da tempestade em que não me perco – porque a conheço – mas que não venço – porque não sei ou não posso – tenho ao menos o sextante que me leva ao monte mais alto onde quero bradar aos Céus e ao Mundo a minha impotência relativa. Sou tão filho de Moisés como de Thor e desaguo em Jesus Cristo. Por isso reconheço o Demo. E se o não venci também o não esqueço.

Sei que detesto a alma vã dos inimigos que não quis. Odeio a sordidez da sua relatividade moral. Desdenho a vitória desses tontos que derrotam a Humanidade.

Mas também por isso há-de chegar o tempo de construír alternativas de resgate. É que por entre as miragens que me assaltam pairam setas de raiva apontadas aos fígados iconoclastas. Por entre os pesadelos recheados de emplastros e gatos-pingados há luzes violeta de um Sol forte. Nas nalgas de um toca-e-foge vai vibrar a minha palmatória. Nos cornos de um proxeneta vai explodir o meu orgasmo. E na hora em que me vingarei, exaltando o perdão, sei que ganho a glória.

Por entre a multidão fantasma vai surgir o Super-Homem.
E eu viverei outra vez.

Eu hoje vou adormecer assim



André Luís: sem ritmo competitivo.

domingo, maio 8

Voltar para quê?

Cheguei. E o que vejo? O Penafiel ganha ao Benfica.
O Penafiel?
F., dá cá as chaves do carro, vamos embora outra vez!

PS. O Benfica arrisca-se a não ser campeão. E um País onde o Benfica já não é campeão há 11 anos é um País sem juízo nenhum.

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