sexta-feira, abril 22

Os cromos e a TV de 'referência'

Na ‘Edição da Noite’ da SIC-Notícias de ontem foi decidido entrevistar um abade boçal e uma bicha louca. Tudo a propósito dos direitos dos homossexuais. Só podia dar merda.

Eu percebo que as audiências sobem na proporção da asneira. Daí os convites feitos aos cromos justapostos. Numa apresentação singela, eu diria que se tratava de um frente-a-frente entre um rato de sacristia de primeira apanha e um gay com literacia bastante sobre práticas californianas. Como é que o duplo asco não me indicou a mudança de canal é coisa para resolver na próxima confissão. Ou talvez o dever profissional de estar a par dos tempos me desculpe.

Dizia o ícone do Diácono Remédios que direitos para os homossexuais nem pensar. Dizia a indisfarçável bicha a cujos colhões fazem peso que os direitos todos ainda eram poucos. Casamento para aqui, adopção para acolá, herança ao depois, direitos fiscais sem que mais, de tudo se falou um pouco.

A questão, para mim, é esta: falou-se de alguma coisa? Não. Os bonifrates em causa nada sabiam dizer de relevante, a não ser defender as causas (perdidas) em que ambos acreditam. A bicha acha que a Constituição da República defende que no cu é um descanso. O abade vocifera contra a diferença sexual. E dali não saem, salvo seja!

Esta catilinária perdida lembrou-me conversas antigas com um dos poucos humanos ‘homo’ que conheci e estimei. Ao fim de um par de conversas, estávamos de acordo em tudo. Ele achava pindérica essa coisa da adopção de crianças por paneleiros ou fufas. E eu também. Ele achava que uma união entre dois merecia opção fiscal igualitária, fossem eles quais fossem. E eu também. Ele preconizava direitos sucessórios iguais para casais de todo o tipo. E eu também. Ele dizia que o casamento era uma prerrogativa de heteros. E eu também.

Se a SIC-Notícias me tivesse convidado a mim e ao meu amigo havia de ter sido uma chatice de uma conversa. É sempre mais giro entrevistar uma bicha louca, que quer dar beijos ao namorado por entre flores de laranjeira, e um abade boçal que acha que homossexual não é gente.

Continuem que estão a agradar!

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