domingo, abril 10

O PSD



Há uma coisa em que os alfaiates de Mangualde e os vidreiros da Marinha Grande coincidem de razões: o PSD é o partido mais português de Portugal.

Senão vejamos. Os dirigentes do ajuntamento parido por Sá Carneiro, quando se dirigem às massas - mentindo com quantos dentes têm - são sinceros. Mal eles arengam ao povo, logo depois o povo, jurando-lhes fidelidade, quer que eles se fodam de vez. Nada de mais português: a fidelidade dura o minuto que dura e logo depois enferma do tempo de uma perjura.

Mas se eu tivesse que escolher entre dirigentes e povo escolheria, (s)em dúvida, os primeiros. Pelo menos são preclaros na sua inoportunidade. Quanto ao povo social-democrata – patrões com o oitavo ano incompleto, sócios minoritários de panificadoras locais, donos de frotas de táxis, ex-emigrantes da construção civil, advogados sem lugar no ranking, donas de casa mal barbeadas e secretárias de direcção – nenhum me diz da sua vocação à Pátria.

Às vezes, por cuidado ou resistência, quero acreditar que os dirigentes desse partido são precisos à Nação. Mas não são. A vidinha que esses párias procuram – requisitando para eles uma boa parte dos interesses – é apenas a da sua vil necessidade básica. É a história mal contada do cliente: 'se és meu és bom, se te passas para o outro já não prestas'. E, no entanto, o fornecedor é o mesmo, ou quase.

Contudo, há que perceber que os dirigentes do PSD estão muito acima das bases que os sustentam. Os dirigentes têm ideias. As bases nunca. Essa é que é essa. O portuguesinho-coitado, que vota amiúde no PSD, quer que lhe safem a sogra com beatificada reforma. Quer que lhe inteirem o filho com legítima comandita. Quer que lhe apoiem a filha num lugar perto da Mãe. Quer que a Mãe nunca se afaste muito do Bacalhau à Brás. Quer que a Mulher tenha sustento bastante para as Dolce & Gabanna de saldo, que não lhe realce o cu antes dos 40.

O portuguesinho quer coisa pouca. E – sobretudo aquele que não emigrou para o Luxemburgo – quer dizer mal do Governo. E, para isso, há que ter um Governo bastante para dizer mal. O PSD, as mais das vezes, cumpre a preceito.

Faça-se, pois, a vontade de Portugal.

Isto digo eu, que até gosto da Paula Teixeira da Cruz!

1 Comments:

Bravo!!

Descrição, aliás muito boa, dos dirigentes, orgânica partidária, militantes e votantes do.....PS.

Aviso: o 'dono' do blog está com um problema no teclado. O 'D' aparece insistentemente a seguir a 'PS'.
Uma troca de teclado poderá ser necessária. :-)

Durante muito tempo, uma das minhas actividades preferidas foi, em alegre comitiva, deambular por tudo quanto é comício.
Corri-os a todos, durante muito tempo, que é estudo sociológico muito bom.
Cheguei à conclusão que o povo de esquerda se divide um dois sub-tipos:

- A 'elite' burguesa que parece dirigi-los: vestem do bom e do melhor. Conheço alguns deste 'género' e o maior drama existencial deles é saber, em Julho, se vão de férias para Cuba ou para o Hawai e, no Inverno, ficam em pranto perante a indecisão entre os Pirinéus, os Andes ou os Alpes.
Tudo preocupações bem proletárias, como se vê.

- O povo de esquerda própriamente dito: desconhece largamente, ainda hoje, a noção de sabonete ou de 'Gillete'.
É profundamente religioso, pois tem a inabalável crença de que os primeiros, a partir dos Alpes, de Cuba ou de um cocktail da Fátima Lopes, os vão 'libertar' de não sei bem o quê.
Ainda hoje não percebi bem do que se querem 'libertar'.
Tenho que continuar o estudo.

By Blogger vs, at abril 10, 2005  

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Comments:
Bravo!!

Descrição, aliás muito boa, dos dirigentes, orgânica partidária, militantes e votantes do.....PS.

Aviso: o 'dono' do blog está com um problema no teclado. O 'D' aparece insistentemente a seguir a 'PS'.
Uma troca de teclado poderá ser necessária. :-)

Durante muito tempo, uma das minhas actividades preferidas foi, em alegre comitiva, deambular por tudo quanto é comício.
Corri-os a todos, durante muito tempo, que é estudo sociológico muito bom.
Cheguei à conclusão que o povo de esquerda se divide um dois sub-tipos:

- A 'elite' burguesa que parece dirigi-los: vestem do bom e do melhor. Conheço alguns deste 'género' e o maior drama existencial deles é saber, em Julho, se vão de férias para Cuba ou para o Hawai e, no Inverno, ficam em pranto perante a indecisão entre os Pirinéus, os Andes ou os Alpes.
Tudo preocupações bem proletárias, como se vê.

- O povo de esquerda própriamente dito: desconhece largamente, ainda hoje, a noção de sabonete ou de 'Gillete'.
É profundamente religioso, pois tem a inabalável crença de que os primeiros, a partir dos Alpes, de Cuba ou de um cocktail da Fátima Lopes, os vão 'libertar' de não sei bem o quê.
Ainda hoje não percebi bem do que se querem 'libertar'.
Tenho que continuar o estudo.
 
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