sexta-feira, abril 22
O Papa
Não é novidade para ninguém minimamente familiarizado com este blog que aqui se pratica uma vivência católica heterodoxa, sendo que ao mesmo tempo se defendem os dogmas essenciais: não matarás, não faltarás à verdade, amarás o próximo como a ti mesmo. Ajuste-se o intemporal à cidade e ao mundo e obteremos também como canónica a tentativa de contribuir para a construção de uma vida melhor para todos – uma vida, digamos assim, mais de acordo com a vontade de Deus. Por isso devemos combater a doença e a exclusão social e devemos apiedar-nos dos pobres, dos presos, etc. Enfim, uma combinação dos Mandamentos da Lei com as Bem Aventuranças e as Obras de Misericórdia. Tudo o que é intemporal tem uma aplicação no tempo que passa e é dessa compreensão que resultará a obra de Deus por nós feita. Não vejo, aliás, que, para um católico, haja outra forma de estar no Mundo.
No que diz respeito aos ‘pecados’ da carne – tão pouco descritos no que se conhece das palavras de Cristo, embora muito enfatizados no judaísmo antecedente -, passo a palavra. O meu limite é o amor ao próximo e o mal que o desamor, disfarçado do seu contrário, pode provocar numa relação a dois. Tudo o resto é vida.
O sagrado desvinculado da função humana – Cristo é homem para nos salvar, porque a Santíssima Trindade só entende a salvação do Homem numa vivência similar à dele – não tem razão de ser. Virados para Deus mas centrados na Humanidade, eis como devem viver os católicos hoje (e talvez sempre). Por isso não faz sentido ‘apurar a raça’ de dogmas brilhantes mas serenos, que a todos dizem o mesmo, só sendo interpretados de maneira diversa mediante as ideossincrasias de cada um – essa imensa diversidade que Deus, em parte nenhuma, condena.
A univocidade da Igreja está, por isso, enformada em torno de coisa pouca, embora fundamental. Tudo o resto é obra do Homem.
Como europeu, tenho ainda que acrescentar à graça divina uma História. E essa muito me honra enquanto for vivo e, palavra de homem, no Juízo Final. É que eu descendo de celtas, suevos, germanos e povos nórdicos. Não renego uma boa parte do seu contributo para o enaltecimento da Alma.
Dito isto, que dizer de Bento XVI? Nada, absolutamente nada. Acreditando que o Espírito Santo, por uma vez, não ficou 'retido' na camada do ozono e desceu mesmo sobre o Vaticano, só me resta esperar pelo seu pontificado. Sou daqueles que mantém a esperança de que o cardeal Ratzinger morreu e deu lugar a um outro homem. Só assim se pode continuar a ser católico.
Se eu pensasse – que não penso – que Ratzinger venceu o conclave com técnicas que nem Dan Brown se atreveria a ‘explicar’, aqui o vosso amigo estaria mais próximo de se tornar anglicano do que nunca. Mas eu acho que a Igreja vai sobreviver. No fundo, ela só depende de Deus e dos homens. O papa é um mediador.
E eu, meus caros amigos, já dei para mediadores.
2 Comments:
Fiquei podre quando ouvi o chileno a dizer o nome do Papa: Josephus Santa Romana Ecclaesiae cardinalis (acho que era assim) Ratzinger - em vez de Policarpo (que era o que eu secretamente esperava).
Não reproduzo os palavrões que disse logo a seguir (tu sabes que não sou dessas coisas) porque eles certamente já me garantiram a descida certa ao mais profundo dos infernos, nem as esmolas todas do mundo que viesse a dar até ao fim dos meus dias me safam...
Mas agora, passados uns dias, já aceito a coisa pacificamente. É que a Santa Eclaesia Romana é como o PCP. Se abre, nem um bocadinho que seja, desaparece, como aconteceu com o PCF. Aquilo é assim mesmo e se deixa de o ser, pois deixa mesmo de o ser! Não é para mudar!
Por isso, Sua Eminência monsenhor Ratzinger, o Guardião da Fé, foi a escolha certa.
Não faltava mais nada que aparecesse agora aí um papa liberal a casar as bichas, a permitir bispos associados da ILGA e a deixar as mulheres dar missas!!! Imaginas? Eu não!
"Antes a morte que tal sorte!" como diz o Sérgio Godinho naquela canção...
O PCP e a Igreja Católica são como o slogan daquela campanha do FC Porto nos anos 70: "FC Porto, ame-o ou deixe-o!". Não é por acaso que os andrades têm o seu próprio papa, que é um autêntico Ratzinger da bola...
By PluribusUnum, at abril 23, 2005
não gosto deste papa... a bem dizer gosto mesmo é de papa cérélac! e gosto dela feita com determinado ritual... sem fumos de qualquer espécie.
de resto, certamente preferia alguma abertura por parte da igreja católica... mas como não sou sequer praticante, e cada vez mais "descrente"...
By SaoAlvesC, at abril 23, 2005
Não reproduzo os palavrões que disse logo a seguir (tu sabes que não sou dessas coisas) porque eles certamente já me garantiram a descida certa ao mais profundo dos infernos, nem as esmolas todas do mundo que viesse a dar até ao fim dos meus dias me safam...
Mas agora, passados uns dias, já aceito a coisa pacificamente. É que a Santa Eclaesia Romana é como o PCP. Se abre, nem um bocadinho que seja, desaparece, como aconteceu com o PCF. Aquilo é assim mesmo e se deixa de o ser, pois deixa mesmo de o ser! Não é para mudar!
Por isso, Sua Eminência monsenhor Ratzinger, o Guardião da Fé, foi a escolha certa.
Não faltava mais nada que aparecesse agora aí um papa liberal a casar as bichas, a permitir bispos associados da ILGA e a deixar as mulheres dar missas!!! Imaginas? Eu não!
"Antes a morte que tal sorte!" como diz o Sérgio Godinho naquela canção...
O PCP e a Igreja Católica são como o slogan daquela campanha do FC Porto nos anos 70: "FC Porto, ame-o ou deixe-o!". Não é por acaso que os andrades têm o seu próprio papa, que é um autêntico Ratzinger da bola...
de resto, certamente preferia alguma abertura por parte da igreja católica... mas como não sou sequer praticante, e cada vez mais "descrente"...
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