segunda-feira, abril 18

O ano em que Paulo Branco tomou banho num País de mão em mão



Este ano os Globos de Ouro estavam diferentes. Pela positiva, constato que finalmente assumimos que temos vergonha do glamour. A pinderiquice deste pequeno País que se espraia da Graça a Campo de Ourique estava bem representada. Até o Paulo Branco tomou um banho aparente. Infelizmente ninguém se lembrou de homenagear António Gedeão, mas a verdade é que 'o Mundo pula e avança'. Estamos mais pobres, mais saloios, mais invejosos, mais prepotentes, mais medrosos do talento do vizinho, mais batoteiros, mais em casa à frente da televisão.

Positivo foi, também, ver que - enfim - o público tinha sido proibido de votar. Não sei ao certo o que subjaz à decisão, mas lá que torna as coisas mais simples... Por exemplo, alguém imagina que os Da Weasel ganhavam dois prémios se a gente pudesse opinar? Ou a Cucha Carvalheiro como melhor actriz de teatro? As más línguas dizem que o novo auditor (depois da Arthur Andersen ter sido dispensada) exigiu que assim fosse. Não sei porquê, de repente lembrei-me daquele adolescente acusado de violação que não foi condenado em tribunal porque afinal se concluiu (com a ajuda da Mãe da ofendida) que a violação não o era... por ter sido consentida.

Esta noite aprendi ainda que há limites para o talento. José António Tenente, um dos mais virtuosos e aplaudidos estilistas da nossa praça, não entende o corpo de Sílvia Alberto (a qual lhe coube vestir). Deo gratias! Era só o que mais faltava que um tão envernizado como jumentício sujeito ajuizasse com verdade do melhor corpo e da melhor alma que a santa televisão nos deu desde que Bárbara Guimarães se entregou à filosofia. Sílvia Alberto não consegue estar horrorosa, mas o Tenente bem tentou. Sou eu, capitão, que vos digo!

Salda-se de positivo o regresso de um dos melhores espíritos da minha geração à actividade de guionista. É verdade, os textos de ocasião ditos pelos apresentadores eram da responsabilidade de Miguel Esteves Cardoso. O sujeito, depois de anos em casa a fazer sabe Deus o quê, regressa à TV para deslustrar um pouco menos que os seus antecessores. Já escreve no DN há uns tempos (já agora).

E por fim, mas não menos importante, aqui fica a revelação mediúnica. É assim: se bem repararam, a SIC não entregou este ano Globos de Ouro de televisão. Estes, ao que se diz, vão ser atribuidos por uma entidade independente, integrada pelas três estações generalistas.
Ora então leiam lá isto!


PS. - Num País em que a Bárbara Guimarães já não mostra as mamas a maiores de 15 meses e em que a Clara Pinto Correia nos apresenta a psicóloga que a engravidou de adoptiva, salve-se a mão sozinha que nos ilumina em cada intervalo da vida. P'ró ano há mais.

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