quarta-feira, março 16

Os judeus

O Presidente da República Portuguesa decidiu esta semana que o representante de Portugal na inauguração do monumento ao ‘holocausto’ (ou lá o que é) seria o embaixador António Monteiro, diplomata de carreira, que até há poucos dias sobraçou a pasta dos Negócios Estrangeiros. É digno, é sóbrio.

Mas logo os poderes fácticos do costume vieram à praça pública para dizer que era indecente que Jorge Sampaio não se tivesse deslocado ele próprio.

Chegou a hora deste homem de esquerda – eu próprio -, não violento por natureza e opção política, dizer o que pensa da ideia de raça e dos judeus em particular.

Para que fique claro, não reconheço raças. Reconheço culturas, tempos e ambientes. Preto ou branco, por exemplo, não me diz nada, enquanto a cor da pele for o tema.

Mas tenho, sobre os judeus, uma ideia. São um povo, como tantos outros – arménios, georgianos, manchus, tutus, índios amazónicos, mauberes, aborígenes, etc. – a quem a vida não correu bem. Têm, na mediática urbe que herdámos e construímos, mais ‘letra’ do que é suposto.

Os judeus têm a mania de que, por terem sido perseguidos amiúde, podem usar o epíteto de ‘Holocausto’ como se propriedade deles fosse. Não é verdade.

Eu aguento a frase ‘perseguição dos judeus’. Não aguento hipóteses farisaicas e religiosas como’holocausto’. ‘Holocausto’, por definição, é outra coisa. Matar judeus é matar judeus. Não tem nenhuma lógica religiosa, mítica, sionista ou metafórica.

Gostaria que um dia, durante a minha vida, judeus e palestinianos soubessem viver em conjunto. Tenho dúvidas de que isso algum dia aconteça. Porquê? Porque alguns permitem – apoiam – essa ideia parva de que os judeus têm na Terras um serviço mítico que mais ninguém cumpre. Não têm. Têm apenas de se dedicar a fazer do seu povo, do seu país, aquilo que outros também pretendem: uma gente melhor.

Não são, por tudo isto, mais nem menos do que qualquer gente outra.
Vejam se aprendem isto.

6 Comments:

Não reconheces raças, "pero que las hay, las hay"!

By Blogger Bruno Santos, at março 16, 2005  

Não te preocupes que o Freitas resolve isso tudo...

By Blogger O asdrúbal, at março 16, 2005  

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By Blogger O asdrúbal, at março 16, 2005  

Não concordo na totalidade com este post. O holocausto, ou a perseguição aos judeus, whatever..., é tema que me comove, não me deixando espaço para reflexões a frio. Agora, o que eu aprecio em qualquer pessoa é a capacidade de tomar posições sobre um assunto e de exprimir se sim ou sopas. A parcialidade em detrimento do empate cobarde merece sempre o meu respeito. :)

By Blogger AS, at março 16, 2005  

«Não são, por tudo isto, mais nem menos do que qualquer gente outra.»...
...se outra gente houver que tenha que fugir, esconder as origens na parede da casa, trocar o nome "Isaac Cohen" por "José Guerra", sem que possa dar aos filhos e netos, os seu valores, as suas regras, a sua religião e os seus antepassados...então sim, não são nem mais nem menos do que qualquer outra gente.

By Blogger CotadaEmBolsa, at março 16, 2005  

Pondo-me em bicos de pés, direi: as meninas (bem intencionadas) não sabem da história a metade

By Blogger clark59, at março 16, 2005  

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Comments:
Não reconheces raças, "pero que las hay, las hay"!
 
Não te preocupes que o Freitas resolve isso tudo...
 
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Não concordo na totalidade com este post. O holocausto, ou a perseguição aos judeus, whatever..., é tema que me comove, não me deixando espaço para reflexões a frio. Agora, o que eu aprecio em qualquer pessoa é a capacidade de tomar posições sobre um assunto e de exprimir se sim ou sopas. A parcialidade em detrimento do empate cobarde merece sempre o meu respeito. :)
 
«Não são, por tudo isto, mais nem menos do que qualquer gente outra.»...
...se outra gente houver que tenha que fugir, esconder as origens na parede da casa, trocar o nome "Isaac Cohen" por "José Guerra", sem que possa dar aos filhos e netos, os seu valores, as suas regras, a sua religião e os seus antepassados...então sim, não são nem mais nem menos do que qualquer outra gente.
 
Pondo-me em bicos de pés, direi: as meninas (bem intencionadas) não sabem da história a metade
 
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