sábado, março 5

O J. vírgula esse

Conheci o J. há muitos anos. No liceu andávamos sempre de candeias às avessas, eu à procura de uma verdade longínqua, ele a mitigar a raiva que trouxera de Angola. Pouco mais trouxera.

O J. era de encurtar razões. Havia ele, e os dele, e os comunas. Eu, que tinha a mania de meter pauzinhos na engrenagem, estraguei-lhe a engenharia simplista. À rasca com o discurso metódico, meteu-se de amigo comigo.

Percebi então que o J. queria apenas um raio de Sol na (sua) água fria. Não era facho nem deixava de ser. Em questões ideológicas, as suas preferências iam para a cerveja preta e para pernas à mostra.

O J. devia pouco à cultura. E sabia disso. Por isso mandou-se à política, na altura muito rarefeita de jovens com a estaleca do J. Com o fim da revolução escolheu partido.

Homem de virtude lassa, o J. escolheu o PS. Na altura já na Suíça, emigrante uma vez mais, lá lhe medrou liderança bastante para incendiar uns tantos incautos esportulados da Pátria por uma vida melhor.

O PS é, ou era, um partido de pouca militância. De modo que homens como o J. depressa dão nas vistas. Ele ia à luta, ao talho, ao restaurante. Ganhou presença.

Um dia, falho o partido de melhor opção, ficou o J. com o aparelho europeu às costas, um fardo bem leve para um ladino de estirpe. Não se fez rogado e pôs à prova o talento. Filho de comerciantes de África, habituado a enganar pretos, esqueceu-se da cor dos de agora e aplicou a mesma tese ancestral. Deu-se mal.

O J. tem agora em Genebra a única rede de rulotes dignas de loja de conveniência. Esqueceu a política. E, desenganado, diz a quem lhe compra os couratos que o PS é uma merda.

O PSD que se cuide.

2 Comments:

Não tenho grande confiança nessa malta que andou a "enganar pretos" em África!
Veio de lá muito pouco que se aproveite, diria mesmo, contam-se pelos dedos das mãos!
E porque digo isto?
Porque já trabalhei numa grande empresa onde 93% dos funcionários eram retornados!
Essa empresa só começou a ter melhor desempenho à medida que foram correndo com eles para reformas antecipadas e pré-reformas.
Hoje ainda existem por lá uns 40% que ainda é muito!
Aceite um abraço deste amigo que não nutre especial simpatia por retornados.

By Blogger Marta, at março 06, 2005  

O comentário do Canzoada é de um primarismo tão lamentável que nem comento

Nelson Buiça

By Blogger vs, at março 08, 2005  

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Comments:
Não tenho grande confiança nessa malta que andou a "enganar pretos" em África!
Veio de lá muito pouco que se aproveite, diria mesmo, contam-se pelos dedos das mãos!
E porque digo isto?
Porque já trabalhei numa grande empresa onde 93% dos funcionários eram retornados!
Essa empresa só começou a ter melhor desempenho à medida que foram correndo com eles para reformas antecipadas e pré-reformas.
Hoje ainda existem por lá uns 40% que ainda é muito!
Aceite um abraço deste amigo que não nutre especial simpatia por retornados.
 
O comentário do Canzoada é de um primarismo tão lamentável que nem comento

Nelson Buiça
 
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