segunda-feira, março 21
O cerco à Europa
Vamos por partes.
A Europa. Afinal o que é isso? Os traços mais relevantes, do meu ponto de vista, são:
1 - A separação entre a Igreja e o Estado. A um laicismo predominante das instituições une-se o profundo respeito pelas práticas religiosas das populações. Não se trata de uma idiossincrasia ‘republicana’ de tolerância. Trata-se da própria essência da convivência de duas ideias primordiais.
2 – O primado do Direito. Todos são iguais perante a lei, e esta persegue, de acordo com um quadro de valores bem definido, os que se dedicam a práticas anti-sociais: matar, roubar, violentar. E apoia quem quer empreender, melhorar a sua vida e a do seu próximo.
3 – O orgulho na Cultura. A Europa deve defender de forma serena a sua superioridade cultural. Como? Afirmando-a nas suas matizes plurais. Wagner ou Stravinski, Picasso ou Dali, Céline ou Virgínia Wolf, Ungaretti ou Unamuño, Carlos Paredes ou António Ferro, catedrais góticas e pontes de ferro, cruzes de Pelágio e pedras de Stonehenge têm uma coisa em comum: são europeus; e não podiam ser outra coisa.
4 – A Identidade. Sem pôr em causa o que atrás foi dito, os europeus devem poder escolher, através da autoridade dos seus Estados soberanos, quem deve viver connosco e quem não está autorizado a tal.
5 – A Liberdade. O cidadão europeu, porque respeita os seus iguais, afirma com liberdade as suas opiniões sobre o presente, a consciência social, a organização da cidade. Mais: tem o dever de o fazer.
6 – A Solidariedade. Ao contrário de outras regiões do planeta onde, como aqui, a qualidade de vida está acima da média mundial, na Europa existem esquemas sociais avançados de entreajuda, nomeadamente na infância, na educação, na saúde e na velhice. Não abandonamos os nossos, promovemos o seu bem-estar.
É este, descrito de uma forma sucinta e talvez lacunar, o barro de que se faz a Europa. Onde não cabe a intolerância nem o laxismo. Onde a arrogância pura paga mal e a estupidez de não se defender acerrimamente aquilo que se é (e aquilo em que se acredita) paga ainda menos.
Dito isto, que funciona como intróito geral a questões mais particulares, aqueles que me conhecem não acharão novidade no que segue.
Vamos a factos: na madrugada de ontem, dois polícias foram mortos em pleno gueto social da Amadora. O assassinato foi levado a cabo de forma extremamente simples, sem que da parte dos agentes fosse sequer esboçada uma reacção. Quase de imediato, uma associação que defende os direitos dos imigrantes cancelou uma acção de sensibilização e protesto que tinha antecipadamente preparado, alegadamente por respeito às vítimas mortais. Ou seja, os elementos da referida associação encontraram uma conexão fracturante entre a morte de polícias e a defesa dos imigrantes. Vinda de quem vem, tal atitude não podia ser mais esclarecedora.
Este comportamento violento – o assassinato dos polícias -, e o quadro em que se desenvolve, põe em causa toda a ideia de Europa. Demonstra o laxismo com que ‘integramos’ as populações não autóctones, o despudor com que lançamos às feras agentes policiais mal preparados e mal enquadrados. Demonstra falta de autoridade e de defesa e promoção do Direito e dos valores que lhe estão associados. Demonstra, em suma, que não estamos preparados para formas de ataque isolado ou massivo daquilo em que assenta a liberdade, a segurança e o bem-estar de que nos orgulhamos. Ou seja, demonstra que evitamos olhar para o ‘caixote-do-lixo’.
Os agentes policiais devem andar bem armados e saber usar com destreza os utensílios do seu trabalho. A forma como andamos a formar polícias (que quase não têm instrução de tiro) faz-me lembrar um talhante que nunca mexeu em facas ou um taxista sem carta de condução. Não lembra ao diabo.
Deixar entrar no País (um dos subscritores dessa coisa modernaça e assassina chamada Schengen) pessoas não enquadradas no nosso modo de vida e não necessárias ao nosso tecido social é, a prazo, estar a criar bandidos.
Permitir os atrasos, a ineficiência e a permissividade que imperam no nosso aparelho judicial é um convite à delinquência. E atafulhar ladrões de galinhas com presos preventivos e criminosos de alta perigosidade em prisões sem moral é a morte de um sistema que se quer punitivo mas reabilitador.
A Europa confundiu bem-estar e civilização com abandono de padrões de eficiência e exigência. Tirou aos jovens a possibilidade de aprenderem a defender a sua Pátria e os valores que lhes estão associados. Tirou-lhes a possibilidade de se sentirem mais necessários à comunidade, o que trazia adstrita, ademais, a vantagem de, em caso de conflito de interesses, saberem estes de que lado está a virtude e de que lado está o mal.
A Europa tornou-se relativista e arrisca-se a morrer às mãos do fundamentalismo. Por culpa própria.
Combater a pobreza, a exclusão, a iliteracia não são apenas actos que se inserem numa qualquer política social. São ideias vigorosas que ajudam à criação de gente forte, com auto-estima, que não teme (e não ataca) um Mundo que compreende e para o qual contribui.
Não sei se ainda vamos a tempo. Sei que não vou estar, no final da minha vida, deitado à mesa da facilidade e do luxo à espera que os novos Hunos destruam uma civilização que tanto custou a pôr de pé.
5 Comments:
É o liberalismo, pá!...
Os polícias não têm instrução de tiro (isto é, têm uma delambidela mínima) porque as munições são caras; e também porque é suposto não darem tiros...
Também não têm noções efectivas de defesa pessoal, de táctica de combate, etc, etc, porque isso, como qualquer formação séria, sai dispendioso.
O país está entretido a combater o "défice". Já não tem tempo nem vértebra para combater mais nada.
By dragão, at março 21, 2005
Muito boa análise.
Os paridos liberais bem como os esquerdistas estão a detruir a Europa.
By José Viriato, at março 21, 2005
Este esquerdista filho da puta e nigger lover é mesmo cínico.
Por causa de gajos destes é que isto acontece.
By , at março 22, 2005
Optimo texto, pelo conteudo e pelo seu "profetismo".
Subscrevo-o na quase totalidade.
Para alguem que vem da "esquerda",como eu, e bom ver alguem iconoclasta expressar preocupacoes com a nossa sobrevivencia Identitaria
By miazuria, at março 23, 2005
Repete-se o pedido: dado o facto de os meus 'comments' serem uma coisa mal atada, solicita-se a quem passe cá de novo que deixe alguma pista, para os restantes confrades, sobre como é que pode ser visitado. Ouviu Miazuria? Obrigado.
Ah, é claro que isto só se refere a quem deixa nome. Os anónimos podem continuar assim, se o pretenderem.
By clark59, at março 24, 2005
Os polícias não têm instrução de tiro (isto é, têm uma delambidela mínima) porque as munições são caras; e também porque é suposto não darem tiros...
Também não têm noções efectivas de defesa pessoal, de táctica de combate, etc, etc, porque isso, como qualquer formação séria, sai dispendioso.
O país está entretido a combater o "défice". Já não tem tempo nem vértebra para combater mais nada.
Por causa de gajos destes é que isto acontece.
Subscrevo-o na quase totalidade.
Para alguem que vem da "esquerda",como eu, e bom ver alguem iconoclasta expressar preocupacoes com a nossa sobrevivencia Identitaria
Ah, é claro que isto só se refere a quem deixa nome. Os anónimos podem continuar assim, se o pretenderem.
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