sexta-feira, março 11
A minha vida feminina
Não tenho nada contra, mas a verdade é que não me casei cedo. Das que considerei namoradas, diria que casei à sétima, número mágico que o meu amigo BOS já me tentou explicar, num dia em que eu não estava para aí virado.
A primeira, adolescente interessante que mais do que eu sabia da vida (era mais velha do que eu seis meses, o que nessas idades conta) de mim pouco teve que contar porque eu pouco tinha para oferecer. Casou-se anos mais tarde e a vida, tanto quanto sei, não lhe correu bem, mais por culpa dela do que do otário que lhe deu guarida. Ainda hoje lá está, dois filhos, anca larga, cabeleireiro semanal.
A segunda foi uma rapidinha. Olhos verde água, cabeça ainda mais verde que os olhos, ficou-me a ideia de um amor em cama extra, o primeiro com regra e sal quanto baste. Aprendi, se não a ser, pelo menos a fazer. Ficou diferente comigo, mas casou sem convicção com um puto mal esquerdizado.
A terceira idem aspas. Boa como não houve outra. Corpo de musa, cabeça de medusa. A única mulher que me deu vontade de lhe partir a cara. Burra, benza-a Deus. Ia ficando virgem, não fosse eu ter interposto uma boleia de tinto para lhe abrir as portas do destino.
A quarta foi diferente. Era inteligente. Era bonita. Tinha a vida por ela e eu entendia-a. Não ficou por um acaso. Um belo dia veio dizer-me que um amigo meu era suposto. Estive de acordo. Aliás deu-me jeito. Tem dois filhos e uma cátedra associada.
Veio depois a quinta. Sublime. A mulher da minha vida, se outra não houvesse depois. Cabeça como a minha. Poema como os meus. Um espaço de liberdade e tendência juvenil fora de época. Amor louco. Boa gente. É louca o suficiente para que seja difícil encará-la de perto. Casou-se. Divorciou-se. Nunca será parte de mim. É pena.
Depois entrei nas calmas. Veio a sexta. Soube agora (e isso me ilumina) que se casou há pouco tempo. Ainda bem, não quero ser alergia para nenhuma espécie de miúda. Ela casou-se, quer dizer que eu não afasto, antes proponho. Era a preferida da sogra.
(Há outra, no meio de tudo isto, que não tem número. Foi apenas paixão, queca do melhor que há, ideia repartida muitos anos depois. É a Cinderela. Ainda hoje me encontro com ela ao virar da esquina. E há a que nunca foi, essa, e a que nunca há-de vir).
Depois veio a sétima. Definitiva. Porquê? Sei lá! Lembro-me da sensação primeira, mas será que é importante? É a minha mulher, isso é que importa. Gosto dela como de nenhuma outra. E ela está aqui, tão presente…
3 Comments:
...na verdade, existem muitos "setes" nas vidas de todos nós... também tive os meus "setes"
...uma claque quente num abraço
By lobices, at março 11, 2005
Olá;
O Zecatelhado volta às visitas normais aos seus amigos após mudança de blogue.
Agora é www.tadechuva.weblog.com.pt.
Um bom fim de semana para esta casa e
Um Abração do
Zecatelhado
P.S.: Parece que nos voltaremos a encontrar no próximo dia 2, não?
Até lá amigão.
By antonio, at março 12, 2005
Ora aqui esta um post tranquilo... gosto particularmente do ultimo paragrafo...
(mas diga-me cá uma coisa, meu querido, dessas sete não havia nenhuma que não fosse patética??olhe que é azar!!... bom, é que eu estive a ler primeiro o «Elas e o Governo», sabe...)
Um abraço, e trate sempre bem da sétima.
«Patético», é um homem só.
sua,
Cotada
By CotadaEmBolsa, at março 13, 2005
...uma claque quente num abraço
O Zecatelhado volta às visitas normais aos seus amigos após mudança de blogue.
Agora é www.tadechuva.weblog.com.pt.
Um bom fim de semana para esta casa e
Um Abração do
Zecatelhado
P.S.: Parece que nos voltaremos a encontrar no próximo dia 2, não?
Até lá amigão.
(mas diga-me cá uma coisa, meu querido, dessas sete não havia nenhuma que não fosse patética??olhe que é azar!!... bom, é que eu estive a ler primeiro o «Elas e o Governo», sabe...)
Um abraço, e trate sempre bem da sétima.
«Patético», é um homem só.
sua,
Cotada
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