quarta-feira, março 30

O (des)investimento e a socialização do desastre

Muitas empresas, nos últimos anos, entraram num downsizing tão necessário quanto perigoso. Confrontadas com uma retracção do mercado para a qual não estavam preparadas, desataram a cortar custos de forma furiosa. De caminho, muitas vezes deitaram fora o menino com a água do banho.

A forma mais fácil de cortar nos gastos é despedir pessoal. Os encargos salariais são custos fixos que, em muitas empresas, representam uma parte substancial da folha de despesa. Vários governos, entre os quais os portugueses dos últimos anos, legislaram de molde a permitir às empresas livrarem-se dos seus empregados com custos mínimos. E, assim, pessoas com 55, 50 ou até menos anos, foram transferidas da folha de pagamentos da empresa onde trabalhavam para a da Segurança Social - seja por pré-reforma ou subsídio de desemprego. As contas societárias ficaram artificialmente mais airosas. E o Estado ficou mais frágil, porque mais endividado. Chama-se a isto a socialização do desastre.

Não falo aqui dos casos mais óbvios de indignidade, ou seja, patrões que fecham as empresas e fogem com a folha de salários, ou que não pagam impostos mas acumulam sinais exteriores de riqueza.

Falo de uma concepção de empresa que muitos analistas já consideram errada.

Num número significativo de casos, quando o mercado se retrai, o único activo seguro de que as empresas dispõem é da sua força de trabalho. Isto é verdade a vários títulos. Porque são as pessoas que melhor conhecem o negócio, porque estabeleceram laços vários com a empresa, porque - conhecendo as dificuldades do momento - se disponibilizam a dar algo mais de si pelo trabalho comum. Os patrões (ou gestores) que percebem isto, não só por norma ultrapassam melhor os tempos de vacas magras como se apresentam mais fortes quando o mercado recupera.

Há depois aqueles que gerem com base na bottom line, no curto prazo. No ano passado, por exemplo, com a economia a crescer 1%, as vinte maiores empresas cotadas em bolsa, em Portugal, conseguiram a façanha de aumentar os lucros em 45,8%. Isto com o produto de vendas a crescer 5-6%. O corte de custos que a comparação destes números sugere é fabuloso. Demonstra também uma (i)rrealidade assustadora.

O desinvestimento em recursos humanos, em muitas empresas em que a mão-de-obra é a base do valor acrescentado, é a prazo um suícidio. Desencentivar os trabalhadores, colhocando-lhes a Espada de Dâmocles do despedimento permanentemente em cima da cabeça, não funciona. Ou funciona, apenas, em certas culturas pobres e de guerra (como a Índia ou alguns sectores dos Estados Unidos) , onde a vida das pessoas é infra-humana.

Comandar, como alguém dizia, não é mandar. E isso há pouco quem saiba.

terça-feira, março 29

Com cuidado

‘E então, senhor secretário de Estado, perante limites máximos e mínimos tão discrepantes, quem é que decide qual a multa a aplicar?
- É claro que é o agente da autoridade que…’

A gargalhada geral que se seguiu na assistência tornou inaudível e improcedente a explicação do governante. Foi esta noite, no ‘Prós e Contras’, programa da RTP1 que hoje versava sobre o novo Código da Estrada.

O momento aqui descrito não foi o único de interesse. Mas é denotante. Confrontados com a razão da autoridade, os portugueses preferem antes a morte que tal sorte. Não confiam nela, sabem que sobrevivem para além dela - e apesar dela. Mas como também lhe reconhecem prepotência quanto baste, tentam manter-se à margem da vida cívica, não vá um dia destes um trauliteiro de farda implicar com a gente e estragar-nos o resto dos poucos dias que Deus nos deu.

Portugal é assim. Nada se faz. Porquê? Muitos pensam que é por inércia, ou costume, ou até por má-fé. Nada disso. A máquina administrativa do Estado luso é das mais eficientes do Mundo. Reproduz-se na sua ineficácia para que nunca o seu trabalho se acabe. E para que, assim, não possa ser despedida ou posta de parte.

Seja como for, não é possível manter por mais tempo a impunidade nas estradas. Certo... E por isso o legislador acha que deve aumentar as multas. Como, se a malta não tem dinheiro nem para almoçar direito, quanto mais para a multa de estacionamento ou de excesso de velocidade?

Depois, acharam as cabeças pensantes por bem fazer com que as coimas sejam pagas na ocasião da suposta infracção. É claro que isto é inconstitucional. Mas adiante, que eu de Constituição prezo-me pouco. O pior é quando o guarda for venal e meter o dinheiro ao bolso. O pior é quando a infracção não se provar, e entretanto o dinheiro já nos tiver sido esportulado. O pior é quando a culpa não é nossa e a nós nos tenha sido atribuída arbitrariamente.

O pior, mesmo, é a razão profunda deste vil momento da legislação nacional. Sabendo os responsáveis que a máquina administrativa não consegue aplicar ao prevaricador a multa respectiva – o talão perdeu-se, o guarda embebedou-se, os tribunais não têm meios de fazer cumprir a lei, o fiscal não tem dinheiro para meter gasóleo no carro, ninguém sabe onde mora o eventual criminoso, etc,. etc, - nada mais simples do que sacar ao incauto, ali mesmo, algum que seja. Sempre anima o erário público e impede parte daquelas notícias (que fazem corar um polícia da Régua) que de vez em quando informam que ‘metade das multas fica por pagar’.

Proponho até que sejam feitos saldos. Quem pagar a multa no acto tem direito a um desconto. Ou pode prevaricar três vezes e só pagar duas. A imaginação tem de chegar, um dia, à Administração Pública. Já que não pode tratar os cidadãos como iguais ou dar-lhes algo em retribuição pelos impostos pagos (e são bem altos, os dos automobilistas deste País, obrigados a andar de carro porque os transportes públicos são uma merda) ao menos que lhes seja dado um prémio, na hora da sua morte ou afim acidental.

Proponho mesmo que, se for o caso, seja o Estado a pagar o enterro das vítimas mortais das estradas, se se concluir, após inquérito instruído por um cabo da guarda, que afinal o que estava mal era o pavimento, a sinalização ou a barriga do agente, que ocupava, peidando-se, metade da via pública.

Ora atão vão pr’o caralho!


PS. - Noutro registo, não tenho dúvidas de que os meus concidadãos (muitos deles) merecem forca e tratos de polé (por esta ordem) pela maneira como conduzem. Mas estou convencido que a esses nada acontece. Um chouricito ou um porco inteiro (conforme a patente do insurgente) resolvem portuguesmente a questão.
Entretanto, tentem guiar com cuidado.

segunda-feira, março 28

Referências II

E mais esta

Nem de propósito - na Páscoa

O estado de saúde de Rainier Grimaldi, chefe de Estado do Mónaco, é grave. Cabe aqui lembrar que Rainier foi, nos últimos 50 anos, o homem que pôs o promontório no mapa, modernizando-o e diabolizando-o à imagem do Mundo que corria entretanto. Os 32 mil habitantes do pequeno território só têm que lhe agradecer. Rainier construiu um paraíso na Terra para os ricos, numa época da História em que a vida (para os ricos) nem sempre foi fácil.

Na mesma altura, alguém que, por inerência, está uns furos acima de um príncipe monegasco, viu a pouca saúde que lhe resta estabilizada por mais alguns dias - talvez alguns meses. Falo de Karol Woytila, o Papa.

Na iminência de um desenlace triste, o Vaticano resolveu emitir uma nota piedosa, ajustando orações à saúde de Rainier. O comunicado (porque de comunicado se trata) fala, entre outras coisas, de uma especial ‘benção apostólica’ em favor da reabilitação do príncipe. O Vaticano invoca mesmo a Virgem Maria para que interceda pela saúde do monarca. O comunicado foi divulgado em nome do ‘Santo Padre’.

Sejamos claros: se por acaso João Paulo II ainda reinasse na Igreja de Cristo (coisa que já não acontece de facto), o texto da apostilha ao monegasco não seria muito diferente. Mas a verdade é que não foi o Papa que mandou redigir isto. A prece (digamos assim) é da autoria do gabinete do cardeal-chefe para a doutrina e a congregação da Fé, o inefável Josef Ratzinger. O mesmo que, nesta santa Páscoa, tomou a seu cargo a escreventura do texto papal sobre as catorze meditações da Paixão de Cristo. Numa interinidade galopante (eu diria, alucinada) Ratzinger quer fazer doutrina, no pequeno espaço de tempo que a História lhe deixou para ser ele o primeiro, sem aquele polaco indeciso por interposto.

Que a Igreja de Cristo tenha rumo e paz!

Referências

Este confrade lembrou uma coisa que pode contribuir para aclarar os historiadores (!) sobre a génese do Claque Quente.

Este outro escreveu um postal... bem, não tenho palavras.

Voltem sempre!

domingo, março 27

Resultados do júri

A acreditar no júri escolhido para nomear os dez melhores posts do primeiro ano de vida do Claque Quente, os dez melhores são... mais de 150!! Ouviram bem, 150, porque raro foi o jurado que não me enviou uma lista extensa! E como a maior parte da rapaziada ainda mandou dizer que tinha tido enorme dificuldade em seleccionar, imaginem o que seria se tivessem enviado a eito.

É isso, a diversidade de opiniões dos bravos rapazes e raparigas que nomeei para me vasculharem aqui o tasco é muito superior à que eu próprio imaginava quando os escolhi. E se há três ou quatro textos que se destacam (nenhum recolheu a unanimidade, já agora), daí para trás é o inferno. E ainda houve um jurado que, numa das escolhas, escreveu pura e simplesmente... poemas; só esses seriam mais de dez.

Como não estou para atrasar mais a coisa, quem desempata sou eu. Mesmo assim - e porque não posso, nem devo, desvirtuar a votação - o desempate tem limites. E tudo visto, os melhores posts... são vinte e dois.

Aqui vai a lista e a respectiva data de saída (dia/mês/ano):

Classe Média (28/05/04)
Pai (17/11/04)
Recordações de agora mesmo (25/05/04)
Estatuto Editorial (26/03/04)
A Teoria da Educação (11/05/04)
BOS entrevista Clark (29/05/04)
Amar final (03/11/04)
Ajuda à mulher que manda (15/06/04)
O Cerco à Europa (21/03/05)
Afagando (25/11/04)
Z. (02/12/04)
L'Air du Temps (30/11/04)
A vida da mulher de hoje (30/12/04)
Uma questão de justiça (11/06/04)
As femichistas (16/01/05)
Romance da Estrada da Luz (13/06/04)
O País extinto (21/02/05)
As minhas viagens com os Silva (16/09/04)
O Saraiva (13/03/05)
Sobre a Produtividade (11/01/05)
Uma emoção verde-tinto (22/06/04)

Este é meu (16/05/04)


Coisas importantes

Nada como começar a Primavera com ideias boas, afastando ao mesmo tempo a mágoa e a temperança.

Dito isto, vamos falar de conas.

Não se trata aqui de lascívia. Trata-se de enumerar, o mais cientificamente possível, as variedades das 'ditas'. Penso que este trabalho está por fazer.

Antes de mais, gostaria que ficasse claro que sinónimos são sinónimos. Ratas, pachachas, conas, buracas, pipis ou vaginas são a mesma coisa. Posta de parte a hermenêutica, vamos a isto.

1 - A ‘dita’ adiantada: É a mais vulgar. Muitas mulheres têm um hiato alargado entre a entrada de Vénus e o cu propriamente dito. O resultado é, por vezes, a dificuldade em se virem com uma queca normal. A vantagem é que aturam bastante bem investidas traseiras. Quando grávidas, têm prazer duplicado em serem penetradas de lado. Há vantagem em pô-las por cima e dedilhar-lhes o espaço em branco.

2 - A ‘dita’ atrasada: É do melhor que há, embora seja raro ver-se. Com a 'dita' perto do cu, as mulheres assim eleitas têm tendência para vir-se em qualquer situação. São as que mais contabilizam orgasmos, mesmo na situação de missionário. São também óptimas para impalações duplas. Quem apanhar uma destas deve tornar-se fiel. A versão 'traz um amigo também' não está fora de causa.

3 - A 'dita' longa: Na juventude não há problema. O trajecto que relevam é fácil e orgasmático. O pior é depois de certa idade. A 'dita' longa tende a lassar com o tempo e não há caralho que as foda. Requer instrumento bastante ou muito go arround and arround.

4 - A 'dita' curta: Ao contrário do que dizem, não é sinónimo de orgasmo. Muitas vezes a 'dita' curta tem que ver com falta de apetência da gaja. Mas normalmente proporciona uma boa queca, se o cliente não for daqueles que só se sente com boa gente. E é bonita à vista.

5 - A 'dita' com as bordas de fora proeminentes: Pouco vulgar. Interessante à vista, é do melhor para macho que gosta de preliminares. Indica fêmea sadia e não arredia, que fode com quem quer que seja. É ideal para puta.

6 - A 'dita' com as bordas de dentro proeminentes: Vulgaríssimo. É esposa por certo, tanto se lhe dá que se venha como se não venha. Má queca. Mas é mulher para toda a vida. Os jovens muito jovens não notarão a diferença.

7 - A 'dita' com o clítoris a apontar para baixo: Boa ideia. Mesmo que as bordas não sejam fáceis, este género vem-se sempre. É aconselhável um minete antes.

8 - A 'dita' com o clítoris a apontar para cima: Só acessível a grandes 'instrumentos'. Mas é a melhor queca de todas. Obviamente, nunca ninguém se casou com uma senhora destas. Nem elas precisam.

9 - O ponto G da 'dita': Ele existe. Não é em todas, mas existe. Fica, as mais das vezes, num meridiano atrás do clítoris, sendo fácil de encontrar se se meter o dedo exactamente onde a língua não atinge.

10 - A falta de óleo da 'dita': É do pior. A gaja quer mas não pode. É o equivalente à impotência masculina. Só não se deve rejeitar se for amor verdadeiro. Tem, normalmente, resolução positiva após várias tentativas.

11 - A depilação deficiente da 'dita': Muitas mulheres acham que, com a idade, os pêlos vêm. Asneira. Pêlos é coisa de homem, mulher deve estar sempre razoavelmente rasurada. Um erro abissal, mesmo nas mais experimentadas, é rasurarem a 'dita' nos contornos labiais e esquecerem que pêlo não toca na parte setentrional da geografia. Viva o clitoris livre!

E com isto me vou. Espero ter dado uma contribuição útil para a compreensão de uma tão pouco estudada parte do corpo humano.

O 'melhor blog'

Está quase concluída a votação para os dez melhores posts do Claque Quente (primeiro ano de vida). Se não fora a ida à terra de um dos jurados (acho que lá no Minho ainda não há computadores...) e a maravilhosa dúvida de uma outra, já seria hoje que vos dava o resultado.
Assim sendo, há que esperar. Amanhã, antes das cinco da tarde, estará tudo aí escarrapachado.

PS. Os não-júris que fizeram tenção de votar estão, por isso, ainda a tempo.

PS2 - Há vários empates, hurry up, ajudem-me!

sábado, março 26

O meu primeiro ano


Há pouco mais de um ano, duas pessoas gemelares que me guardam de perto conspiravam pelas noites dentro sobre o método mais eficaz de me infectarem com um vírus novo. Sabendo-me renitente e contumaz a tudo o que seja novidade, as boas almas em causa conhecem-me o suficiente para aferir que, se ‘lá’ não chego em primeiro, vou sempre com a segunda leva. E fico.

O intróito a modos que literário mais não serve que para bufar à distinta audiência que a culpa do meu blogosferar vai inteirinha para o confrade BOS e para sua relevante amiga F. Certo da minha indiferença inicial sobre a nova tecnologia de comunicação, o BOS passava as noites, por esses dias, a encher a cabeça da distinta senhora com as potencialidades da invenção. Mas não servia a ela, a mim servia. E a mim, só por prémio, porfiava.

Bem referenciada pelo agit-prop do camarada, andou-me a F. uns tempos a cuidar da injecção atrás da orelha. Até que eu lá caí na esparrela. Outros saberão como é: que a gente tem ideias, que escreve umas merdas fixes, que gosta de desopilar, ‘porque é que não tentas’? Tentei.

Pouco tempo depois, traficante e puxadora já podiam abrir a garrafa de champanhe. Cá o ‘meu’ estava agarrado. A 26 de Março de 2004 (faz agora um ano) atirei-me à escrita num ‘papel’ de silicone, visível a olho nu no buraco da China ou na Pedreira dos Húngaros. Visível no mundo inteiro.

O vírus que vira droga dá prazer, traz responsabilidade. Afinal, há uns cabrestos (e outros nem tanto) que nos lêem. Às vezes sombrio, outras tonitruante, por certo apaixonado ou melancólico, incisivo ou a armar ao tonto, escrevi.

Ora ponham lá os meus confrades olhos nisto E até p’ró ano.

sexta-feira, março 25

Quase

Dou a cara pela ideia,
Pla vida inteira.
E morro apenas
Se a pleiade de incontentes
Me virar a cara

Antagonista sim
Rocinante nim
Refractário não
Contrafacto nunca

Mil vozes aqui me encandeiam a loucura. Sinto?

Dou a menção honrosa
Mas nunca a medalha primeira
E perco apenas
O direito a uma
saída airosa,
uma benção
verdadeira e ciosa

Sou de nós, canto de outro Mundo
Eterno barato mole
mas com profundo sentido de Estado
- confesso que quero o lugar ao Sol
Não nato, criado - antes conseguido
Em suma: posse do rol assumido
Sejam ou não neo-nados

Vou ser - quem sabe - um monstro ou uma ideia nova

Quase que fico à espera de Foz Côa, Pompeia, Troia
Ou outra mentira qualquer

quinta-feira, março 24

Conselho

Vou fazer uma coisa assim a modos que 'fora de mim'. Vou falar de um blog que me é próximo (por causa da identidade dos seus autores) mas que, de tão elitista, me é longínquo.

Faço-o apenas por lealdade. Este que aqui assina nunca esquece quem um dia lhe fez bem. Falo de ASL, uma senhora da qual discordo para aí 90% das vezes que a leio. E no entanto... é gente da boa.

Diz ASL, nesse tal blogue intangível para gente como eu, que os homens de esquerda são mais machistas que os de direita. Sabe ela o quanto. Sei eu que não. Depende, cara ASL, daqueles que se cruzam na nossa vida. Depende, se calhar, do appeal que primeiro nos provoca, seja de cabeça feita ou de barriga para cima num divã psicanalítico. É verdade, essas coisas acontecem aos melhores.

Conheço poucos homens que gostem mais de mulheres que eu. De esquerda ou de direita? Nunca o meu sextante me encaminhou por aí. Sou de outro rumo - o do amor, do sexo, da sensibilidade, do companheirismo, da lealdade, do sorriso, do estar por perto.

Dou-te um conselho, minha querida ASL: deita-te a olhar o céu, conta as estrelas e olha para o lado (esquerdo ou direito) quando o sorriso te ficar tão intenso que decorra irresistível. Vai lá estar alguém que componha a tua galáxia. Vais ver.

Um beijo

Clark59

(e desculpa a jactância)

Petição

Eu começo a ficar um bocado farto de que você não admita comentários! Qual é o problema, ó 'agente' 001?

Não morrer estúpido

1 - Diz-me um amigo meu, oficial de uma força de segurança, que no meu tempo e no dele a malta treinava mais tiro num dia de recruta na tropa do que um PSP ou um GNR modernos em todo o curso. Dizem os 'cérebros' que dar tiros fica caro. Fica obviamente mais barato perder vidas humanas de agentes de segurança, mal preparados para a função. Adiante.

2 - Segundo a lei portuguesa, um cidadão com cadastro limpo, que prove necessitar de arma de fogo para a sua defesa, da sua família ou dos seus bens, está habilitado a comprar pistola ou revólver de calibre 6,35 ou .32. É uma estupidez e vou explicar porquê.

3 - Como tenho a impressão que a maior parte do meu 'vasto' público nunca pegou numa arma na vida (até porque, presumido como sou, imagino que metade do povo que me visita vista saias de quando em vez) vou-vos explicar do que se trata. Uma arma 6,35 ou .32 é uma arma de baixo calibre. Ou seja, a destruição que provoca é mínima. Nas boas almas de quem legislou a este propósito, deve ter estado presente o facto de que, em mãos desnaturadas, um 'canhão' de maior calibre seria um perigo. Nada mais falso.

4 - Para que uma arma de baixo calibre seja eficaz (ou seja, quando usada, ponha termo a uma agressão iminente) tem que ser apontada a órgãos vitais. Ou seja, trata-se de uma arma mortal. Atirar com uma 6,35 a uma perna de um agressor 'batido' e robusto pode ser fatal... para quem dispara. Existem casos relatados de gente que consegue correr vários quilómetros com uma bala dessas implantada num membro inferior. A munição de uma 6,35 só impede a agressão se disparada sobre a cabeça, o coração... e pouco mais.

5 - O mesmo não ocorre, por exemplo, com uma 7,62 ou uma .38. Nestes casos, é absolutamente raro que um tiro sobre uma perna não imobilize o agressor. Com um telefonema rápido para os bombeiros ou o INEM, salva-se a vida do valdevinos e põe-se a nossa a cobro. Assim não o entendem as boas almas legislativas, que no entanto deixam a população armar-se de caçadeiras, cujo poder destrutivo, a distâncias curtas, é devastador. Tudo isto é demonstrativo daquele ditado: 'De boas intenções está o inferno cheio'.

6 - Durante mais de 40 anos, um funcionário do Estado que eu conheci bem transportou no coldre uma Beretta 6,35. Vi-o disparar duas vezes, uma para afugentar um lobo numa estrada nordestina, ia o Inverno a meio, e outra para ver se aquela coisa ainda funcionava, já que não servia há mais de 10 anos. A arma está lá em casa. Julgam que lhe toco? Nem pó, tenho um medo daquilo que me pelo. Mas se tivesse uma .38 ou uma 7,62 já não diria o mesmo. É que, não sei se sabem, não gosto de matar pessoas.

O combate do século




Nas próximas semanas Portugal vai assistir ao embate desportivo mais importante da sua história. Frente a frente, na final do Campeonato Nacional de Voleibol, vão estar os dois maiores clubes do País.

E sabem o que é que tem mais piada no meio disto tudo? É QUE EU JÁ GANHEI!!!

terça-feira, março 22

Repto

É rara a semana em que não nos pegamos. Política, as mais das vezes, questões sociais outro tanto. E quando não acontece, confesso que sinto falta. Por exemplo: há tempos que não descortinamos tempo para uma das nossas catilinárias preferidas, que é dar porrada na função autárquica da nossa cidade comum. Isso ocorre, as mais das vezes, um pouco antes de nos encomendarmos ao céu (eu) ou ao walhalla (ele) do que faríamos se estivéssemos no lugar do abrenúncio com merda nas unhas, cotão nos dentes e joanetes nos pés que manda lá pela terra. E o que não faríamos, senhores!

Mas a verdade é que, amigos de sempre, somos diferentes à brava.

A última que me deu, ao lhe escrutinar o blog, foi contar-lhe o número de mulheres que tem nos links. Salvo erro ou omissão, nem uma. Não o conhecesse eu de gingeira e diria que o homem é esquisito.

A que se deve, então, este aparto? Vejo-o entre mulheres e acho-o cavalheiro, conversador, atento. Não fala mais com a doutora do que com a empregada de mesa, não prefere aparências 'louras' a um bom naco de prosa. De machista, eu diria que tem muito pouco. Qual é então o problema?

Será que a ideologia lhe proíbe a conversa com o mulherio em público? Não vejo outra hipótese.

Mas concerteza que ele saberá explicar.

segunda-feira, março 21

Não alinho nestas merdas

Para que conste: estou-me cagando para todos os lobies, núcleos de pressão, corporativismos excessivos, coisas que tal. Não tenho nenhuma procuração de nenhum deles. Mas será que estou doente ao achar que medicamentos é coisa que só se deve vender nas farmácias?

Já agora: se eu comprar medicamentos em hipermercados quem é que passa o recibo para descontar no IRS ou mandar a conta para a segurança social? O "caixa"?

Tenham dó! E discutam, se faz favor, coisas importantes.

Há só uma coisa que me faz tomar partido. Tirar essa fatia de negócio (os medicamentos que não necessitam de receita médica) às farmácias é apenas uma forma de esmagar financeiramente profissionais livres que têm de gerir uma pequena empresa.
No fundo, talvez José Sócrates queira acabar com mais uma (das poucas) classes de profissionais liberais ainda existentes neste mundo de assalariados. É uma lógica perversa.

Mas, como sou um optimista, acho apenas que o novo primeiro-ministro nos quis pôr a discutir uma coisa sem interesse nenhum, enquanto ganha tempo para estudar os dossiers com que, inevitavelmente, nos vai fazer a vida negra.

E eu ainda caio nestas, chiça!

O cerco à Europa

Não vai ser para já. Ao ritmo a que as coisas vão, penso que o cerco final à Europa, tal como a conhecemos e herdámos dos nossos antepassados, poderá demorar ainda duas ou três décadas. Mas isso não é o que mais releva. O problema é saber se ainda vamos a tempo de evitar a catástrofe. Se houvesse vontade política, não tenho dúvidas de que a resposta seria positiva. Mas como não há, provavelmente já será tarde demais.

Vamos por partes.

A Europa. Afinal o que é isso? Os traços mais relevantes, do meu ponto de vista, são:

1 - A separação entre a Igreja e o Estado. A um laicismo predominante das instituições une-se o profundo respeito pelas práticas religiosas das populações. Não se trata de uma idiossincrasia ‘republicana’ de tolerância. Trata-se da própria essência da convivência de duas ideias primordiais.

2 – O primado do Direito. Todos são iguais perante a lei, e esta persegue, de acordo com um quadro de valores bem definido, os que se dedicam a práticas anti-sociais: matar, roubar, violentar. E apoia quem quer empreender, melhorar a sua vida e a do seu próximo.

3 – O orgulho na Cultura. A Europa deve defender de forma serena a sua superioridade cultural. Como? Afirmando-a nas suas matizes plurais. Wagner ou Stravinski, Picasso ou Dali, Céline ou Virgínia Wolf, Ungaretti ou Unamuño, Carlos Paredes ou António Ferro, catedrais góticas e pontes de ferro, cruzes de Pelágio e pedras de Stonehenge têm uma coisa em comum: são europeus; e não podiam ser outra coisa.

4 – A Identidade. Sem pôr em causa o que atrás foi dito, os europeus devem poder escolher, através da autoridade dos seus Estados soberanos, quem deve viver connosco e quem não está autorizado a tal.

5 – A Liberdade. O cidadão europeu, porque respeita os seus iguais, afirma com liberdade as suas opiniões sobre o presente, a consciência social, a organização da cidade. Mais: tem o dever de o fazer.

6 – A Solidariedade. Ao contrário de outras regiões do planeta onde, como aqui, a qualidade de vida está acima da média mundial, na Europa existem esquemas sociais avançados de entreajuda, nomeadamente na infância, na educação, na saúde e na velhice. Não abandonamos os nossos, promovemos o seu bem-estar.

É este, descrito de uma forma sucinta e talvez lacunar, o barro de que se faz a Europa. Onde não cabe a intolerância nem o laxismo. Onde a arrogância pura paga mal e a estupidez de não se defender acerrimamente aquilo que se é (e aquilo em que se acredita) paga ainda menos.

Dito isto, que funciona como intróito geral a questões mais particulares, aqueles que me conhecem não acharão novidade no que segue.

Vamos a factos: na madrugada de ontem, dois polícias foram mortos em pleno gueto social da Amadora. O assassinato foi levado a cabo de forma extremamente simples, sem que da parte dos agentes fosse sequer esboçada uma reacção. Quase de imediato, uma associação que defende os direitos dos imigrantes cancelou uma acção de sensibilização e protesto que tinha antecipadamente preparado, alegadamente por respeito às vítimas mortais. Ou seja, os elementos da referida associação encontraram uma conexão fracturante entre a morte de polícias e a defesa dos imigrantes. Vinda de quem vem, tal atitude não podia ser mais esclarecedora.

Este comportamento violento – o assassinato dos polícias -, e o quadro em que se desenvolve, põe em causa toda a ideia de Europa. Demonstra o laxismo com que ‘integramos’ as populações não autóctones, o despudor com que lançamos às feras agentes policiais mal preparados e mal enquadrados. Demonstra falta de autoridade e de defesa e promoção do Direito e dos valores que lhe estão associados. Demonstra, em suma, que não estamos preparados para formas de ataque isolado ou massivo daquilo em que assenta a liberdade, a segurança e o bem-estar de que nos orgulhamos. Ou seja, demonstra que evitamos olhar para o ‘caixote-do-lixo’.

Os agentes policiais devem andar bem armados e saber usar com destreza os utensílios do seu trabalho. A forma como andamos a formar polícias (que quase não têm instrução de tiro) faz-me lembrar um talhante que nunca mexeu em facas ou um taxista sem carta de condução. Não lembra ao diabo.

Deixar entrar no País (um dos subscritores dessa coisa modernaça e assassina chamada Schengen) pessoas não enquadradas no nosso modo de vida e não necessárias ao nosso tecido social é, a prazo, estar a criar bandidos.

Permitir os atrasos, a ineficiência e a permissividade que imperam no nosso aparelho judicial é um convite à delinquência. E atafulhar ladrões de galinhas com presos preventivos e criminosos de alta perigosidade em prisões sem moral é a morte de um sistema que se quer punitivo mas reabilitador.

A Europa confundiu bem-estar e civilização com abandono de padrões de eficiência e exigência. Tirou aos jovens a possibilidade de aprenderem a defender a sua Pátria e os valores que lhes estão associados. Tirou-lhes a possibilidade de se sentirem mais necessários à comunidade, o que trazia adstrita, ademais, a vantagem de, em caso de conflito de interesses, saberem estes de que lado está a virtude e de que lado está o mal.

A Europa tornou-se relativista e arrisca-se a morrer às mãos do fundamentalismo. Por culpa própria.

Combater a pobreza, a exclusão, a iliteracia não são apenas actos que se inserem numa qualquer política social. São ideias vigorosas que ajudam à criação de gente forte, com auto-estima, que não teme (e não ataca) um Mundo que compreende e para o qual contribui.

Não sei se ainda vamos a tempo. Sei que não vou estar, no final da minha vida, deitado à mesa da facilidade e do luxo à espera que os novos Hunos destruam uma civilização que tanto custou a pôr de pé.

domingo, março 20

Parece que é desta!




'Vai chover amor
Na madrugada vai chover
Vai chover amor
Na madrugada vai chover'

sábado, março 19

Politicamente (muito, mas mesmo muito) incorrecto

Então estava eu entretido no zapping enquanto a F. dava os últimos retoques na mesa de jantar. Com pouca fé na programação televisiva, mais por vício ou por cautela (não fosse dar alguma coisa de jeito), lá ia eu enterrando o polegar no botão do ‘muda agora’. Eis senão quando aterrei na gala dos Grammys.

Nunca percebi muito bem como é que aquilo funciona, mas no caso vertente estavam a apresentar a categoria de vencedor masculino no estilo Rhythm & Blues. Havia uma série de fulanos nomeados, tipo Ungro, Brush, Tolp e outras palavras que não consegui decorar. As músicas chamavam-se Zag, Lop, Ningo ou outra coisa do género. Como a transmissão televisiva não era acompanhada de guião ou livro de instruções, e sabendo eu que a F. percebe desta coisa dos espectáculos, perguntei inocente:

- Ó F., os nomes de cima são os da música e os de baixo são os do grupo? Ou é ao contrário?

A F., percebendo que se tratava de pretos e abominando as minhas piadas ao género, respondeu com cara de galinha chateada com as diabruras dos pintos.
- Claro que os de cima… são… é óbvio… espera aí… eu este acho que conheço…. olha, não sei!! Que é que isso interessa?

Foi o que me pareceu.

quinta-feira, março 17

Parece anedota mas não é

O Dr. Mário Soares e o Prof. Adriano Moreira querem que Cabo Verde integre a União Europeia.

Eu proponho que a Suécia, o país menos racista da Europa, seja aceite na OUA.

A água

Portugal nunca teve uma política da água. A base do abastecimento era pouco menos que irracional, do tipo 'cai do céu e a gente apanha'. É tempo de mudar de vida. Até porque, no actual Governo, está um dos homerns que mais percebe do assunto (concorde-se ou não com ele) em Portugal. Trata-se de Mário Lino.

Façam-se os transvases e as albufeiras de arrecado. Utilize-se o mar. Simplifique-se a miríade de sistemas públicos de abastecimento. Faça-se, em suma, o necessário.

Ou um dia destes ainda morremos à sede.

Os meninos que não prestam

A maior parte dos meninos que por aí vêm sucintos descrevem tudo aquilo que não prestam. Não prestam. São pequeninos de avental com nódoas, são anõezinhos sem Branca de Neve ao lado.

Têm modos nas coleiras, não têm razão nas ideias. Precisam de mão na nuca para pensarem depressa. Precisam de quem lhes diga a dica para soltura mediática. Precisam de força para soltarem a bufa.

São meninos. Mas são espertos. Agarram-se a uma ideia comum. São dela a face. Os meninos nunca perdem a mestria. Vencem no telefonema padrinho. São uma merda.

Entendam



Tenho a voz embargada pelo cheiro do Mundo.

Sou livre. Mas não se me combinam as ‘Variações de Goldberg’ com o sorteio da sorte. Dão-me a minha mão autêntica, mas não a coragem dos outros que preciso. Estou demasiado sozinho. E mesmo que não estivesse. Que me vale o fado de uma cantora decente sem as palmas da plateia?

Eu quero uma mão estendida, forte, definida. Não me basta uma pequena conquista. Não me basto.

Tenho a voz embargada pela decisão da companhia. Eles é que contam. Eu vou, mas vou com eles. Somos, não sou.

E, no entanto, quem me queira pode-me ter consigo. Sou positivo quanto baste. Sou do grupo. Sou como vocês já sabem que eu sou. Gostava que isto fosse de letra. Gostava.

Tenho a voz embargada há demasiado tempo. Mas quem comigo vem?

Sobretudo ninguém.

Ainda assim, eu penso que vou convosco

quarta-feira, março 16

Dor

A mão foi ficando lassa.
A dada altura, não me via já contigo
De mão dada.

Pensei com o favor do tempo
Que tudo apaga e que a tempo
Traz de novo.

Só sofro o que sinto meu.
E acredita - quase nada me dói
Tu és quase nada.

Se já não precisas de mim
Vou andando para casa

Os judeus

O Presidente da República Portuguesa decidiu esta semana que o representante de Portugal na inauguração do monumento ao ‘holocausto’ (ou lá o que é) seria o embaixador António Monteiro, diplomata de carreira, que até há poucos dias sobraçou a pasta dos Negócios Estrangeiros. É digno, é sóbrio.

Mas logo os poderes fácticos do costume vieram à praça pública para dizer que era indecente que Jorge Sampaio não se tivesse deslocado ele próprio.

Chegou a hora deste homem de esquerda – eu próprio -, não violento por natureza e opção política, dizer o que pensa da ideia de raça e dos judeus em particular.

Para que fique claro, não reconheço raças. Reconheço culturas, tempos e ambientes. Preto ou branco, por exemplo, não me diz nada, enquanto a cor da pele for o tema.

Mas tenho, sobre os judeus, uma ideia. São um povo, como tantos outros – arménios, georgianos, manchus, tutus, índios amazónicos, mauberes, aborígenes, etc. – a quem a vida não correu bem. Têm, na mediática urbe que herdámos e construímos, mais ‘letra’ do que é suposto.

Os judeus têm a mania de que, por terem sido perseguidos amiúde, podem usar o epíteto de ‘Holocausto’ como se propriedade deles fosse. Não é verdade.

Eu aguento a frase ‘perseguição dos judeus’. Não aguento hipóteses farisaicas e religiosas como’holocausto’. ‘Holocausto’, por definição, é outra coisa. Matar judeus é matar judeus. Não tem nenhuma lógica religiosa, mítica, sionista ou metafórica.

Gostaria que um dia, durante a minha vida, judeus e palestinianos soubessem viver em conjunto. Tenho dúvidas de que isso algum dia aconteça. Porquê? Porque alguns permitem – apoiam – essa ideia parva de que os judeus têm na Terras um serviço mítico que mais ninguém cumpre. Não têm. Têm apenas de se dedicar a fazer do seu povo, do seu país, aquilo que outros também pretendem: uma gente melhor.

Não são, por tudo isto, mais nem menos do que qualquer gente outra.
Vejam se aprendem isto.

terça-feira, março 15

Ó júri!!

Faltam apenas dez dias para o meu querido júri reconhecer o génio e o não-génio daquilo que por aqui se publica. Não se esqueçam. E não se esqueçam os restantes de que são bem-vindos na mesma.

Um abraço

Claque Quente

Os suecos

Eu sou parcial, reconheço. Parece-me - eu digo, parece-me - que os suecos vivem melhor do que nós. Ainda há pouco, no 'Prós e Contras', o putativo delegado da RTP em Estocolmo definia como funcionam os serviços públicos naquele País. Algo que não possamos atingir? Nem por perto. Apenas algo que não queremos atingir.

Todas as sociedads têm problemas. Só que umas optam por resolvê-los. Outras por adiá-los.

domingo, março 13

Zezinha ao poder

Maria José Avillez Nogueira Pinto, líder do centro-direita nacional. Alguém tem dúvidas? Eu aplaudo.

Ele não sabe que nada sabe

Sócrates entrou bem. É preciso que alguém acabe com essa pouca vergonha que é a malta não poder aviar-se de Benuron ou de Sheriproct no Continente ou no Pingo Doce.

Já agora, não vejo qual seja o inconveniente de as boticas passarem a vender Skip ou Sonasol. Mais arriscado, parece-me (mas não impossível), é as bombas da Galp incluírem lança-chamas na sua oferta non-oil .

Sócrates entrou bem. Sim senhor! É preciso coragem para mudar estas coisas essenciais à Nação e que o povo há tanto tempo vem reclamando!

Se fizer com que chova, então, tem todo o meu apoio.

O Saraiva

O Saraiva, quando pensa, fedem quilómetros nesta Lisboa que habita
O Saraiva, quando escreve, borra páginas de jornal.
O Saraiva tem caspa.
O Saraiva tem gonorreia e caspa.
O Saraiva tem bulimia, gonorreia e caspa.
O Saraiva tem problemas nos dentes, e cheira mal da boca.
O Saraiva não sabe que mente quando conta. Mas mente.

O Saraiva coça-se em público.
O Saraiva coça-se em Expresso.

O Saraiva precisa urgentemente que lhe revejam o texto.
O Saraiva necessita que lhe orientem o gesto.

O Saraiva é uma garganta funda que não dá prazer
O Saraiva é uma mão ausente
O Saraiva, quando se deita, ronca.

O Saraiva tem raiva da verdade.
O Saraiva inventa mal.
O Saraiva choca as chocas

O Saraiva é uma porca
E falta-lhe um parafuso

Elas e o Governo

Anda meio mundo a resfolegar com o facto de o novo Governo só ter duas mulheres no cargo de ministras. Também eu acho mal: olhando para a cara e para o currículo das duas senhoras em causa, penso que o referido Executivo não devia ter nenhuma.

As “preteridas” protestam. Chamam-se elas Ana Gomes, Ana Benavente, Edite Estrela, Helena Roseta, Maria de Belém. São, no mínimo, tão más como os piores paneleiros que o Sócrates chamou para vergastar o povo em funções de Estado.

Vamos por partes: as gajas que emprestam o gineceu a uma coisa já de si arcaica como é um Governo central, chamam-se Maria (a da Educação) e Isabel (a da Cultura). Percebem tanto do assunto como a minha empregada doméstica. São mulheres, são uma merda. E não havia necessidade.

Mas as outras meninas que estavam na calha são melhores? Não são. Acontece que este País de machos enconados não conseguiu, até hoje, criar meia dúzia de fêmeas de jeito que possam alcandorar-se à régia função. As mulheres portuguesas, sendo em regra abaixo de cão na função que lhes foi confiada (disponibilizar a racha), são ainda bem piores quando se lhes deixa berrar mais alto a sua opinião. A qual, a mais das vezes, não têm, ou têm apenas para dizer mal de qualquer coisa que desconhecem profundamente.

Uma coisa tenho eu por certo: se este país tem uns homens merdosos, tem, seguramente, as mulheres mais patéticas do universo.

sexta-feira, março 11

A minha vida feminina



Não tenho nada contra, mas a verdade é que não me casei cedo. Das que considerei namoradas, diria que casei à sétima, número mágico que o meu amigo BOS já me tentou explicar, num dia em que eu não estava para aí virado.

A primeira, adolescente interessante que mais do que eu sabia da vida (era mais velha do que eu seis meses, o que nessas idades conta) de mim pouco teve que contar porque eu pouco tinha para oferecer. Casou-se anos mais tarde e a vida, tanto quanto sei, não lhe correu bem, mais por culpa dela do que do otário que lhe deu guarida. Ainda hoje lá está, dois filhos, anca larga, cabeleireiro semanal.

A segunda foi uma rapidinha. Olhos verde água, cabeça ainda mais verde que os olhos, ficou-me a ideia de um amor em cama extra, o primeiro com regra e sal quanto baste. Aprendi, se não a ser, pelo menos a fazer. Ficou diferente comigo, mas casou sem convicção com um puto mal esquerdizado.

A terceira idem aspas. Boa como não houve outra. Corpo de musa, cabeça de medusa. A única mulher que me deu vontade de lhe partir a cara. Burra, benza-a Deus. Ia ficando virgem, não fosse eu ter interposto uma boleia de tinto para lhe abrir as portas do destino.

A quarta foi diferente. Era inteligente. Era bonita. Tinha a vida por ela e eu entendia-a. Não ficou por um acaso. Um belo dia veio dizer-me que um amigo meu era suposto. Estive de acordo. Aliás deu-me jeito. Tem dois filhos e uma cátedra associada.

Veio depois a quinta. Sublime. A mulher da minha vida, se outra não houvesse depois. Cabeça como a minha. Poema como os meus. Um espaço de liberdade e tendência juvenil fora de época. Amor louco. Boa gente. É louca o suficiente para que seja difícil encará-la de perto. Casou-se. Divorciou-se. Nunca será parte de mim. É pena.

Depois entrei nas calmas. Veio a sexta. Soube agora (e isso me ilumina) que se casou há pouco tempo. Ainda bem, não quero ser alergia para nenhuma espécie de miúda. Ela casou-se, quer dizer que eu não afasto, antes proponho. Era a preferida da sogra.

(Há outra, no meio de tudo isto, que não tem número. Foi apenas paixão, queca do melhor que há, ideia repartida muitos anos depois. É a Cinderela. Ainda hoje me encontro com ela ao virar da esquina. E há a que nunca foi, essa, e a que nunca há-de vir).


Depois veio a sétima. Definitiva. Porquê? Sei lá! Lembro-me da sensação primeira, mas será que é importante? É a minha mulher, isso é que importa. Gosto dela como de nenhuma outra. E ela está aqui, tão presente…

quarta-feira, março 9

Um assunto entre vários (conversas com o Libelinha)

- Ó amigo, tu tens andado pela blogosfera?
- Sabes que é um dos meus vícios diários, porque é que perguntas?
- É pá, não sei, mas quando se anda pelos blogues das gajas encontra-se uma aversão lixada ao Dia da Mulher.
- É normal, a imensa maioria das mulheres que tu lês já não precisa disso para nada, e sente-se ultrajada com o destaque.
- Ouve lá, mas as gajas andam em que Mundo? Não sabem que há mulheres que continuam a levar porrada todos os dias, a ser preteridas no emprego, a ganhar menos que os homens?
- Elas saber sabem, mas querem tanto ultrapassar isso que preferem esquecer.
- Eu continuo a não perceber as gajas. Se lhes dão é porque dão, se lhes tiram é porque lhes não dão…
- As pessoas têm graus diferentes de evolução…


- Ouve lá, agora mudando de assunto.
- Diz.
- Tu achas que a maior parte das gajas tem orgasmo ou é como dizem nas revistas?
- Nas revistas dizem que para aí metade não tem, certo?
- É isso. O que é que tu achas?
- Acho que tenho o privilégio de ter conhecido mais ‘certas’ do que ‘erradas’.
- Mas imagina que elas fingem…
- Não imagino nada, ao que leio é a pura verdade.
- Então como é que sabes que não te calhou a ti?
- Não sei.
- Ah!, estás a ver?
- Estou a ver o quê?
- Se te calharam fingidas nunca vais saber se gostaram ou não de estar contigo!!
- …

terça-feira, março 8

Delas

Até há pouco tempo, eu nunca tinha ido às putas.

Lembro-me de uma ocasião, andava eu na tropa, em que vizinhos meus de classe ou de patente me invectivaram a reconhecer o facto de que putas e homens novos era coisa que rimava. Mesmo assim fiquei à porta.

Lembro-me ainda, nos meus catorze anos, de me ser apresentada uma senhora que ‘fazia’ adolescentes em barda, por uma quantia qualquer que estava ao nosso alcance. Alguns foram. Eu não.

Sempre me aviei de amigas e namoradas, amante de ‘ideias com mamas’ que sempre fui. Gosto de mulheres vestidas, nuas, de perna aberta ou fechada, falantes ou caladas da silva, altas, baixas, curtas ou profundas. Gosto de mulheres, ponto. Gosto de falar com elas, de trabalhar com elas, de lhes afagar o ego, o queixo, os ombros e tudo o que demais venha com isso. Gosto de lhes micar o fio dental ou a cueca ‘sloggi’, de lhes cheirar o cabelo, de lhes mexer no cabelo. De lhes massajar as costas, de lhes passajar as ancas. De as pôr a rir por dá cá aquela palha, de lhes evidenciar as mamas que não têm. Gosto que elas digam: ‘Este cabrão é menos cabrão que os que conheci antes’. Gosto de as pôr em silêncio quando pensam que algo têm para dizer e de as pôr aos berros quando ‘dizer’ não faz nenhum sentido.

Gosto de mulheres. Não gosto de putas.

Eu não preciso de ti

Meus amigos, esta é a mensagem que o Zé Povinho (o equivalente pátrio do Tio Sam americano) vai lançar nos próximos dias a nível nacional. Desvendada aqui, em primeira mão, pelo Claque Quente, a ideia subjacente é que todos os jovens com potencial emigrem o mais rapidamente possível. Esta é, aliás, a única esperança de sobrevivência do País: a diáspora alargada à classe média-alta.

Saídos de Portugal, e obrigando assim a morrer mais depressa um país moribundo, os nossos jovens farão o favor de acelerar a ressurreição. Tal como aconteceu a irlandeeses ou a hebraicos, saír tornou-se a única hipótese de voltar. Depois de morto, Portugal necessitará de quem fale a língua para, uma outra vez, saciar a Europa com as suas virtudes, que agora tão mal parecem.

Ide, pois, embora. Voltai quandos os bisnetos tiverem bigode. No entretanto, ninguém vai sentir a vossa falta.

segunda-feira, março 7

Luís sem Cunha nem Campos

Ora leiam lá isto

Um libelo sobre a jornalista italiana

Ó Pedro, você desculpe, mas vai ter que ser:

O fulano JAPMG, que neste distinto blog escarrou uns bitaites, esquece quase tudo o que o faz a ele, e a mim, andar acima das quatro patas (coisa que no meu caso tenho a certeza, e que no dele presumo).

Diz sua excelência o Invicta (tenha vergonha) Legião (tenha dó) que é uma pena que um agente secreto transalpino tenha perdido a vida por causa de uma ‘comuna’. Referia-se o bípede (mais uma vez, presumo) à libertação de uma jornalista italiana - sequestrada por um grupo radical iraquiano ­- pelos seus compatriotas dos Serviços Secretos. Para quem não saiba, o sucesso da operação foi manchado por um ataque posterior dos militares estado-unidenses à coluna libertadora, do qual resultou a morte de um dos agentes secretos e ferimentos na própria jornalista libertada. Era isto, aliás, que o Pedro estava a comentar.

Até aqui tudo bem. Mas chega o JAPMG e estraga tudo. Em comentário reles e nauseabundo, lembra que a jornalista em causa era ‘comuna’, e daí a morte desnecessária do agente. É preciso que se diga: o JAPMG é uma merda.

Em primeiro lugar, desdenha do esforço e heroísmo do agente em causa, que morreu no cumprimento do dever, ao resgatar uma sua concidadã. Em segundo lugar, passa a pano a irresponsabilidade dos militares imperiais, que de tanto estarem fartos da missão que os ocupa já mais não sabem que disparar sobre tudo o que mexe, matando amiúde heróis e inocentes. Em terceiro lugar, faz o obséquio podre de arrotar a hipótese de um militar dos serviços secretos poder escolher entre libertar, ou não, uma compatriota sua dependendo da militância política dela.

O JAPMG devia ser expulso da casa onde habita sozinho, porque os ácaros o desprezam. Deveria divorciar-se de si próprio, por respeito à alma com que (apesar de tudo) foi dotado. Deveria reincarnar cão e catar-se (com a pata esquerda) das pulgas que tem na mente.

O teclado

Talvez eu não saiba usar este teclado como se fosse um piano. Ou talvez não lhe bata melodiosas as palavras que escrevo necessárias. Mas quantas vezes o sinto. Compor. Lento, vivace, allegro ma non troppo. Encarar a escrita como se fosse canto, o único que me assiste, já que o outro não domino. E percorrer as teclas, agora o C e depois o A, voltar ao V e fechar com P, mesmo que seja impossível ou idiota. Pôr vogais no meio e soletrar frases com carácter, com sentido. É esta a ânsia única que volta sempre, não me escapa. Queira Deus que não se afaste de mim.

Percorro as teclas com cuidado, porque é delas a melodia que me excede. Às vezes imprimo-lhes uma forma selvagem, deixando-as à toa da improvisação. Trato-as mal. Trato-as bem. Deixam-me explicar o que me dói e o que me dá coragem. O que sinto apenas quando penso ou às vezes mesmo antes disso. Outras vezes falam comigo e eu cedo à tentação de lhes dar voz.

As teclas lá estão à espera de um bater de corações, corações na mão. Servem-me a mágoa, a crítica e a aversão. Mas também a glória, principalmente a futura, que a outra não existe ou foi-se embora antes do prémio. À minha frente, um teclado firme, decente e fiel, espera por mim para pintar o retoque na batalha do dia um. Esperando a razão que não volta, a ideia que esmorece, o pedido eterno e conhecido. Um teclado que vale mais do que eu. E que no entanto, lá no fundo, espera por mim, tocando a requinta e o batuque.

Um teclado honrado pelo instinto, pela quimera, pela revolta. E pelo génio de que um dia brotará a grande sinfonia.

domingo, março 6

Naide Gomes


EPA

Naide Gomes, campeã da Europa de salto em comprimento em pista coberta.

Foi hoje em Madrid, após uma recambolesca asneira dos juízes-árbitros, que atrasaram horas a consagração da atleta, por via de uma má medição de um ensaio de outra concorrente. Mas já passou.

sábado, março 5

O J. vírgula esse

Conheci o J. há muitos anos. No liceu andávamos sempre de candeias às avessas, eu à procura de uma verdade longínqua, ele a mitigar a raiva que trouxera de Angola. Pouco mais trouxera.

O J. era de encurtar razões. Havia ele, e os dele, e os comunas. Eu, que tinha a mania de meter pauzinhos na engrenagem, estraguei-lhe a engenharia simplista. À rasca com o discurso metódico, meteu-se de amigo comigo.

Percebi então que o J. queria apenas um raio de Sol na (sua) água fria. Não era facho nem deixava de ser. Em questões ideológicas, as suas preferências iam para a cerveja preta e para pernas à mostra.

O J. devia pouco à cultura. E sabia disso. Por isso mandou-se à política, na altura muito rarefeita de jovens com a estaleca do J. Com o fim da revolução escolheu partido.

Homem de virtude lassa, o J. escolheu o PS. Na altura já na Suíça, emigrante uma vez mais, lá lhe medrou liderança bastante para incendiar uns tantos incautos esportulados da Pátria por uma vida melhor.

O PS é, ou era, um partido de pouca militância. De modo que homens como o J. depressa dão nas vistas. Ele ia à luta, ao talho, ao restaurante. Ganhou presença.

Um dia, falho o partido de melhor opção, ficou o J. com o aparelho europeu às costas, um fardo bem leve para um ladino de estirpe. Não se fez rogado e pôs à prova o talento. Filho de comerciantes de África, habituado a enganar pretos, esqueceu-se da cor dos de agora e aplicou a mesma tese ancestral. Deu-se mal.

O J. tem agora em Genebra a única rede de rulotes dignas de loja de conveniência. Esqueceu a política. E, desenganado, diz a quem lhe compra os couratos que o PS é uma merda.

O PSD que se cuide.

sexta-feira, março 4

O novo Governo

Já é conhecida a lista de ministros do novo Governo. José Sócrates 'acertou' em cinco dos nomes que eu sugeri, embora vários deles em pastas diferentes. Vendo a composição final do Executivo, penso que a notícia de amanhã já não será a sua tomada de posse mas sim a data da remodelação.

Uma militante do Partido Socialista dizia-me há minutos atrás que ia pedir asilo político a Espanha.

Em concerto

Num ambiente em que ‘o que está a dar’ é adquirir uns bilhetes para os U2 nas bombas da BP, considero-me feliz por ter na minha mão uns ingressos para a ‘Ópera do Malandro’ de Chico Buarque.

A referida obra é um dos expoentes máximos da cultura crioula que Portugal criou, cheia de Brasil e África com cadinho de Europa do Sul à mistura. Tem cheiro, tem norte, tem fortuna vária e tem inteligência.

Chamem-me cota (ó AS, estou à espera) mas é por causa disto que vale a pena viver em Lisboa: ter acesso a algumas, poucas, grandes obras que só passam na capital do 'distrito' Portugal.

Os U2? Tá bem, tá.
Mas na BP? Tá mal.

PS- Assisti, ó cambada, ao melhor concerto de estádio que jamais houve em Portugal. Estou a falar do dia 20 de Agosto de 1982 - namorava eu com a C. - no Estádio do Restelo (que, como o Pedro sabe, não proporciona assim tão bons espectáculos assiduamente…) Para além de um pôr-do-sol belenense, a função incluía ‘Heróis do Mar’ em oito faixas, seguida de King Crimson, e fechava com Roxy Music. Alguém lhe chamou o concerto do século. Não estou cá para desmentir.

PS2- Vocês ainda vão aos bolos a Alcântara? É só para saber…

Leiam lá isto

Se bem o topo, o gajo vai ficar fodido. Mas não posso evitar: é um dos maiores da blogosfera!!

O meu homem favorito

De vez em quando vale a pena falar com gente que não vive acantonada no horizonte pátrio. Na função que exerço tenho o privilégio (algo esporádico) de conhecer pessoas que escapam à pequenez insensata da mediocridade lusa.

Ontem estive à conversa com um português que cedo na vida compreendeu que, para se chegar a algum lado, há que, em primeiro lugar, fugir desta armadilha a que chamamos Portugal. Gostando de aqui viver (não sou eu que o desminto - em termos climáticos, e outros, Portugal é dos melhores países do Mundo), inventou para si próprio um modo de, digamos assim, ‘ir para fora cá dentro’.

Depois de uma carreira mundial, onde andou por ‘Ceca e Meca’ (mas nunca por Vales de Santarém), o homem aterrou em Lisboa ainda novo, como ele sempre quis. Na era em que os seres de silicone fazem muito do trabalho idealizado pelos seres de carbono, a identidade é tudo e a localização é nada; isto quando de trabalho se fala. Dito de outra forma, adequado com os apetrechos necessários à comunicação, este português deslocalizou-se… para Portugal.

É preciso que aqui se revele um segredo. O homem em causa trabalhou toda a vida numa área em que os seus patrícios não riscam nada. Só assim pôde conviver com gente de outras paragens, sem correr o risco de ter por patrões ou interlocutores salazares, caetanos, soares ou cavacos. O homem em causa trabalhou nos petróleos, um sector que – como é sabido - desde que Raul Solnado fracassou no Beato, ficou definitivamente fora das nossas cogitações mais esperançosas.

Por essa via, o nosso homem explorou o Mundo sem que lhe aparecessempela frente portugueses mandantes. Já agora, à laia de parêntesis, diga-se que ele conheceu muitos trabalhadores qualificados lusitanos como ele. Mas trabalhavam para a Texaco, a Exxon, a Chevron, a Total, a Fina, etc. E os funcionários em causa… funcionavam.

Um belo dia, a oportunidade de voltar a viver na Baía de Cascais, trabalhar na Graça e ir comer às Docas, de frente para o Tejo e para o Cristo-Rei, apareceu-lhe na vida. Patrão de si próprio, com contactos no Mundo inteiro, realizou o sonho do regresso. Passa o dia a falar inglês, mas vive no melhor mix solo/céu/mar do Mundo.

O facto de passar três meses de férias por ano (não, não é tanga) e de nunca acordar antes das dez da manhã não faz dele um dandy nem um preguiçoso. Tem a vida organizada em moldes de qualidade e o descanso faz parte dela. Só estupores como nós acham que trabalhar mais dá sentido à vida e viabilidade ao empréstimo bancário. O homem tem, além disso, preocupações sociais, a par com as hedonistas. Tem um Jaguar mas a sua paixão é a bicicleta de montanha.

E tem, por tudo isto, a minha invejosa solidariedade.

quinta-feira, março 3

O próximo Governo

O Claque Quente apresenta, em primeira mão, a composição do próximo Governo... PS:

Primeiro-ministro: José Sócrates
Ministro de Estado e da Defesa: António Vitorino
Ministro de Estado e das Finanças: Vítor Constâncio
Ministro dos Negócios Estrangeiros: Diogo Freitas do Amaral
Ministro da Economia: Luís Braga da Cruz
Ministro Adjunto e da Presidência: Pedro Silva Pereira
Ministro da Justiça: António Costa
Ministro da Administração Interna: Nuno Severiano Teixeira
Ministro das Obras Públicas: João Soares
Ministro da Saúde: Correia de Campos
Ministro do Trabalho e Segurança Social: Luís Campos e Cunha
Ministro da Educação: Eu
Ministro da Agricultura e Pescas: Capoulas Santos

Aceitam-se sugestões da distinta audiência para todos os cargos, incluindo para ministro da Educação (embora nesse caso ‘Eu’ ache que não será necessário)

O vinho, os vírus e os consumidores parolos que já rareiam


Vamos lá a ver se esta merda funciona, com tanta merda de virus que por aqui anda.

O que eu queria dizer, se não fossem os pamonhas que me andam a endrominar o esquema (e a quem, católico que sou, não hesitaria em dar um tiro nos cornos, tantas são as chatices que já me provocaram; e - aliás - desafi-os a aparecer a hora marcada para irem para o inferno) era o seguinte:

1 - Em primeiro lugar aos Trojans e abjectos seres quejandos: VÃO PARA O CARALHO!! SE NÃO TÊM MÃOS PEÇAM A ALGUÉM QUE VOS PUNHETEM! DESAPAREÇAM DO UNIVERSO PORQUE EU NUNCA VOS VOU MOSTRAR O MEU CARTÃO DE CRÉDITO (QUE, A PROPÓSITO, TEM 26 MIL EUROS, POSSO COMPRAR UM CARRO SÓ DE O MOSTRAR).

2 - Agora sobre o que eu queria falar mesmo (meninos seráficos de pilas pequenas e desajustadas de cona) era sobre o seguinte: o vinho. Sabem o que é? Gostam? Tanto melhor.

Ando chateado com o vinho. De dois em dois anos, mais coisa menos coisa, tenho de mudar de marca. Não que eu não tenha um lote alargado de marcas que possam passar cá pela goela. Mas sempre há preferências, as quais têm que ver com o gosto, que no meu caso não anda longe de um mix entre o preço e a qualidade.

Adiante. Já é a terceira vez que aquele que eu propagandeava como sendo o melhor vinho português de preço aceitável (o 'Monte Velho') se apresenta com rolha descuidada, e, logo, com sabor ácido e envelhecido a destempo.Gente que mete rolha que não presta em vinho que presta, tem um caminho a seguir: mudar de ramo.

O mesmo aconteceu, aliás, aos produtores de 'Esteva', 'Dão Meia Encosta' ou 'Periquita'. E, anteriormente (nos anos 70) à maior parte dos produtores de Cartaxo e Estremadura.

O problema hoje, infelizmente, é que já não há tantos consumidores burros como dantes. A malta sabe o que bebe, o que come, e fica fodida se não for do bom (até porque dá trabalho a escolher)

Por isso, senhores da gaipa, tenham tino. Não matem a galinha dos ovos de ouro. Não vá um destes dias, mesmo com a chatice do transporte, ficar mais à mão de semear comprar vinho chileno ou neo-zelandês.

Se não percebem isto, comecem a fazer toalhas em Taiwan.

É - como diria um enófilo meu amigo - 'uma boa escolha'.

terça-feira, março 1

À defesa

De uma chamada de atenção de um miúdo, que das naturais limitações da idade pouco mostra, ficou-me a certeza de que anda tudo a dar em vesgo, mesmo os que mais preclaros deveriam ser.

Acha Loureiro dos Santos estranho que a Espanha ainda não se tenha filipado e, por esse acto, conquistado esta parte da Península que lhe falta. Ó Loureiro! Você acha mesmo que os castelhanos, por mais quixotestos que se mexam, querem mais um problema de nacionalidade a juntar aos que já lá têm? E depois qual é o mal de armar uma frente ibérica nos desígnios que nos são comuns contra o resto da Europa? Ainda para mais, tendo nós por certa a obtenção de um aval e uma memória daqueles povos que, mais que nós, têm treino anti-castelhano que baste?
Ó Loureiro! A única pezada da Defesa, na última década, consistiu em acabar com o Serviço Militar Obrigatório, que impediu um País pequeno e de escassos recursos defensivos de ter uma população activa à distância de se armar em vinte minutos!! Portugal, que mal ou bem, durante décadas, teve a população alerta para um caso de guerra de guerrilha, tem agora uns anacoretas juvenis (ou já nem tanto) que não sabem armar uma fisga. Para quem, partindo de inferior posição, a prontidão é um trunfo, foi sem dúvida um tiro no pé, esse que os senhores generais mai’los políticos deram.

Se a partir daqui a queixa é de submarinos ou de G-3, pouco me importa. Eu diria que a anormalidade é total e submergente.

Se eu fosse mãe de filhos (coisa que me está naturalmente vedada) fugia para bem longe. A lógica é esta: a minha ‘toca’ não está protegida pelo meu macho, que é uma das coisas a que o energúmeno está obrigado quando acasala. Há milhões de anos!

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