domingo, fevereiro 27
Os protagonistas
Os protagonistas têm uma lata desmesurada. Num País de opereta, como é este que aqui jaz, nascem como cogumelos, sem razão aparente. Vêm com as chuvas ou com a falta delas. Inventam as frases perfeitas e inadiáveis que os mantêm na lista dos publicáveis. E repetem-se. E replicam-se. E municiam-se uns aos outros para que se tornem incontornáveis.
Os protagonistas nascem de aborto, antes do tempo. Ainda assim, multiplicam-se. Crescem na morte aparente do parceiro ou na parva derrocada do alheio. Reproduzem-se quando a espécie está ameaçada.
Os protagonistas apoiam-se e sucedem-se. Quando um muda de meio de expressão, logo um outro se eleva mais do mesmo. É preciso. É polido. É valente.
Os protagonistas excluem os que o não são. Impera a lógica: se já cá estamos, assim ficamos.
Os protagonistas revelam as notícias que aparentemente ninguém diz – quanto mais ninguém disser, mais protagonista, aliás. Os protagonistas calam a voz dos secundários que aspiram ao papel principal. É o norte bussolar que assim se impõe.
Mas mais vale defender quem é protagonista. Em número pequeno, reconhecível, eles lá estão. Não convém somar mais ‘istas’, num rebanho maneirinho. São eles, conhecêmo-los. São eles, não queremos mais.
A bem dizer, nem a eles queremos.
Os protagonistas nascem de aborto, antes do tempo. Ainda assim, multiplicam-se. Crescem na morte aparente do parceiro ou na parva derrocada do alheio. Reproduzem-se quando a espécie está ameaçada.
Os protagonistas apoiam-se e sucedem-se. Quando um muda de meio de expressão, logo um outro se eleva mais do mesmo. É preciso. É polido. É valente.
Os protagonistas excluem os que o não são. Impera a lógica: se já cá estamos, assim ficamos.
Os protagonistas revelam as notícias que aparentemente ninguém diz – quanto mais ninguém disser, mais protagonista, aliás. Os protagonistas calam a voz dos secundários que aspiram ao papel principal. É o norte bussolar que assim se impõe.
Mas mais vale defender quem é protagonista. Em número pequeno, reconhecível, eles lá estão. Não convém somar mais ‘istas’, num rebanho maneirinho. São eles, conhecêmo-los. São eles, não queremos mais.
A bem dizer, nem a eles queremos.
1 Comments:
Os gringos chamam-lhes "talking heads"*.
Por falar nisso, acho que vou ouvir o "Psycho Killer" (qu'est-ce que c'est?)
* O mais patético de todos é uma anémona que já dirigiu o teu jornal.
By PluribusUnum, at fevereiro 27, 2005
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Os gringos chamam-lhes "talking heads"*.
Por falar nisso, acho que vou ouvir o "Psycho Killer" (qu'est-ce que c'est?)
* O mais patético de todos é uma anémona que já dirigiu o teu jornal.
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Por falar nisso, acho que vou ouvir o "Psycho Killer" (qu'est-ce que c'est?)
* O mais patético de todos é uma anémona que já dirigiu o teu jornal.
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