segunda-feira, fevereiro 21
O País extinto
Portugal não votou pelas opções políticas do PS – que desconhece em absoluto – ou mesmo pela rejeição da governação PSD /CDS. Não: o povo português votou pela ambição de emprego fácil, pela expectativa de baixa médica sem fiscalização, pela promessa de que os ricos passem a pagar impostos. Nada disto é possível ou desejável.
O povo quer tudo e não quer dar nada em troca. A absurda viragem à esquerda do eleitorado só revela uma coisa: “- Ajudem-nos a expulsar a porcaria de patrões que temos, dêem-nos outros em substituição, mas sobretudo não nos obriguem a pensar”.
O País não tem qualquer hipótese. Cada vez vai haver mais desempregados, cada vez mais a classe média terá menor poder de compra, e há-de haver algum dia em que mesmo os funcionários públicos perderão direitos. É este o futuro desta gente burra liderada por gente burra. Não temos as competências necessárias para concorrer no Mundo em que vivemos. A deseducação reinante é a primeira culpada deste estado de coisas. Nada vai mudar.
Por isso, antes da morte anunciada de um País com nove séculos, tenho a dizer o seguinte, que é imediato: José Sócrates vai tentar governar ao centro. Faz mal. O povo quer um governo de extrema-esquerda, que não lhe faça pagar impostos, que lhe permita trabalhar num biscato qualquer enquanto está de baixa na Função Pública, e que o reforme aos 53 anos que é para ainda ter tempo para comprar um táxi e fazer ‘algum’. Os patrões querem continuar a comprar Jaguares enquanto fazem naprons ou atoalhados turcos.
Dito isto, destas eleiçõpes saem perdedores e vencedores.
Perdedores:
O Povo de Direita: os traidores do costume, desde Miguel de Vasconcelos a Marcelo Caetano, baldaram-se do CDS para o PSD. Aquela gentinha que tem medo do cheiro a bagaço do marido da empregada, tanto como da gravidez da filha bastarda da sopeira que o marido fodeu, abandonou Portas e foi a correr votar Santana Lopes, na esperança de minorar as perdas. Teve galo. Mas eu abomino essa escumalha desde o dia em que vi, corria o ano de 1987, as janelas da Avenida de Roma cobertas de bandeiras do PSD, à passagem do professor Cavaco. As rameiras da direita tanto se lhes faz abrir as pernas a Portas como a Santana. Afinal, fica mal a uma mulher de direita ter orgasmo que acorde os vizinhos. É também por isso que as meninas ‘teixeira da cunha’ aspiram a uma vivenda: sempre é mais isolado para o dia – que sempre é plausível – em que o clítoris lhes grite.
O Povo de Coimbra: o distrito mais abjecto deste País abjecto só deu deputados ao centro. Nem CDS, nem PCP, nem Bloco de Esquerda. Coimbra, terra execrável sem igual, balda-se para os programas dos partidos e vota no centrão. Merecem a co-incineração às portas da Faculdade de Direito e a Faculdade de Direito no Porto.
O método de Hondt: distritos onde só são eleitos dois ou três deputados desvirtuam quer a proporcionalidade quer a representatividade do voto. É necessário um círculo nacional que impeça, por exemplo, que o BE tenha 7,7% em Faro e não eleja nenhum deputado. O modelo alemão, no qual as sobras dos círculos onde não se obtêm deputados se juntam para um círculo novo, é uma hipótese credível.
Durão Barroso: Fugiu a meio da legislatura. Deixou o governo nos braços de quem não tinha legitimidade política. É um traidor.
Cavaco Silva: a sua obsessão em apresentar-se como um equidistante candidato à Presidência da República morreu ontem. Ninguém no PSD lhe vai perdoar o facto de não se ter empenhado na campanha do partido. Apesar da asma, Balsemão é, a partir de agora, melhor candidato.
Vencedores:
Jerónimo: o PCP é um partido de classe. Por isso Jerónimo ganha. Mas não só. O PCP é um partido de crentes. Por isso Jerónimo ganha. Mas não só. O PCP é um partido ávido de liderança. Por isso Jerónimo ganha. Mas não só.
PS: o partido que fundou o actual regime constitucional nunca tinha tido uma maioria absoluta. Durão Barroso & Ca. encarregaram-se de resolver o assunto.
Miguel Vale de Almeida: o chefe da paneleiragem nacional conseguiu convencer as boas almas urbanas de que levar no cú, sendo-se homem, ou achecolatar berbigões, sendo-se mulher, é uma opção de vida tão boa como qualquer outra. Teve sucesso. Mereceu o empurrão (salvo seja).
A frase do dia:
Um repórter da TSF, do qual infelizmente não guardo o nome, disse. “E agora, às portas da sede do PS, muitos jornalistas que não estão de serviço aparecem aqui para saudar os vencedores das eleições”.
O discurso do dia:
O de Jaime Gama, às portas da vitória. Consciente.
O homem do dia:
Luís Filipe Menezes, não deixando o líder por mãos alheias. Ainda há gente honesta.
4 Comments:
Educativo!
Não conhecia o termo "achecolatar"...
By PluribusUnum, at fevereiro 21, 2005
Brilhante análise!!!
Espero que os jornalistas "fora de serviço" que foram saudar o partido vitorioso, tenham a mesma isenção destes últimos 3 anos.
By , at fevereiro 21, 2005
Este post é dos mais deliciosos que li por aqui. Tive que ler 3 vezes para não perder berbigão... Acima de tudo, estou em completa concordancia com as culpas à« deseducação reinante» e cheia de pena das mulheres de direita por seus mudos clitóris...(deve ser horrivel... eheh)
Bravo, o menino de "Ambrósio" não tem mesmo nada".
By CotadaEmBolsa, at fevereiro 21, 2005
Se começas a dar notas ainda acabas como o Prof. Marcelo! Boa malha sim senhor.
By , at fevereiro 21, 2005
Espero que os jornalistas "fora de serviço" que foram saudar o partido vitorioso, tenham a mesma isenção destes últimos 3 anos.
Bravo, o menino de "Ambrósio" não tem mesmo nada".
<< Home

