segunda-feira, fevereiro 7

Cores

Confesso que sempre achei piada à interactividade entre as cores e a política. Não sendo especialmente versado no estudo da semiologia (ou será semiótica?) adstrita, tenho um interesse empírico na relação dos diversos quadrantes com as cores que os identificam. Ainda que, às vezes, idiossincrasias diversas disputem a mesma cor… como se já não lhes bastasse disputarem o mesmo povo…

Modernamente, o símbolo de cor mais conhecido é o vermelho. Toda a gente sabe que, quando vê uma bandeira vermelha ao longe (a menos que esteja perto do Estádio da Luz ou, já agora, do Salgueiros), vem lá comunista pela certa. O vermelho exprime combate, sangue, revolução, e isso é bem identificativo desta ideologia ainda recente. Associada ao amarelo, não há então a menor dúvida: é a apologia dos sovietes. Mas, se lhe meterem preto e branco pelo meio, bem pode ser símbolo de uns milhares em Nuremberga, um pouco antes do meio do século passado. Triste sina de quem se odeia tanto: partilhar a mesma cor.

Também modernamente, o verde, na sociedade ocidental, passou a ser símbolo de ambientalismo, organização do território, luta por um desenvolvimento sustentado. Certamente por a natureza se apresentar maioritariamente nessa cor, no que às plantas se refere. Mas a questão só se põe para cá do Cáucaso, já que em terras de Maomé o verde é cor de Deus.

Estranhamente, ninguém quer o branco para nada. Há uns palonços, tipo hindu adaptado, que não desdenham a cor, que mais não é que a falta dela. Mas ficam-se por aí. E eu também, adiante.

Há depois o laranja. O laranja tem duas acepções. A fruta e a cor. A fruta é vida, é força, é vitamina. A cor é dúbia, é um meio entre dois termos. Se calhar é esse a ideia que quer transmitir alguma social-democracia pouco assumida. A frescura da laranja traz em si, aliás, o seu contrário: a laranja podre. É por isso algo salutar mas que convém estimar, se não estraga-se.

Temos ainda o azul. O azul é complexo, e entre nós está carregado de simbologia. Integrado na bandeira nacional durante séculos, é ainda lembrado com nostalgia pelos monárquicos. Curiosamente foi também adoptado por alguma direita institucional. O azul transmite paz e sonho, coisa muito pouco ‘miguelista’. Contradições.

O amarelo, como é óbvio, ninguém o quer. É conhecido nas teorias sindicais como espelhando aqueles que fazem o jogo do patrão.

E o preto? Anarquista, tem que ser. Porquê? Porque estes camaradas são conhecidos por lutarem por tudo e não acreditarem em nada. A ausência de cor fica-lhes bem. Entre nós, as bandeiras pretas ficaram mais conhecidas nas manifestações de fome dos anos 80. E com razão: há lá coisa que mais ‘anarquize’ um povo, no mau sentido, do que a fome?

O castanho está pouco na moda. Conotado com a ‘peste’ dos anos 30, ninguém lhe quer bem. Era a cor das camisitas do ‘lá vamos cantando e rindo’. Dava vontade de perguntar: rindo de quê?

O mesmo acontece ao roxo. Símbolo da fraternidade libertária em meados do século passado, são muito poucos, ou nenhuns, aqueles que ainda se lembram disso. Talvez algum republicano nonagenário sobrevivente da Guerra Civil espanhola ainda tenha um pano dessa cor em casa.

Já o rosa serviu aos ‘chuchas’ para se demarcarem da esquerda comunista. É uma forma soft de dizer ‘somos parecidos com isso, mas não somos isso’. A rosa dá uma noção de abrangência, é quente mas não queima, tem picos mas cheira bem. Curiosamente, os cravos, que nos últimos trinta anos foram um dos símbolos mais identificativos do País, andam meio esquecidos. Deve ser a nossa tradicional falta de afirmação de marca e a preguiçosa preferência pelo franchising.

Quanto ao violeta, serve uma ideologia gay. O que é isso? Peço desculpa mas a minha ‘sabedoria’ não chega a tanto. Mas lá que há imensos clubes restritos que se chamam Violet, isso há.


8 Comments:

Caríssimo amigo, reveja lá as suas noções elementares de Física porque branco não é ausência de cor, mas sim exactamente o contrário: branco é a soma de todas as cores. Preto é que é a ausência de cor.
Mais precisamente, como convém nestas coisas da Ciência, o branco obtém-se adicionando e misturando todas as cores puras do espectro em partes iguais.
Por isso, a ciência também designa o branco como como cor acromática.

By Blogger PluribusUnum, at fevereiro 07, 2005  

O meu distinto amigo não está nos seus dias, isto mesmo apesar de o Benfica ter ganho e os do outro lado da Segunda Circular terem perdido pela mesma medida. Nova rectificação: as camisinhas dos "Lá vamos cantando e rindo" (presumo que o meu amigo se refere à Mocidade Portuguesa, porque com esse verso começava o hino da dita) eram verdes e não castanhas.
Castanhas eram as dos uniformes do Partido Nacional Socialista Alemão e da Juventude Hitleriana.
Já agora, negras eram as dos fascistas italianos.
E as dos Integralistas Lusitanos, do Rolão Preto, o equivalente nacional dos fascistas e nazis, eram azuis.

By Blogger PluribusUnum, at fevereiro 07, 2005  

Verdes as camisas, castanhos os calções. Tens toda a razão

By Blogger clark59, at fevereiro 07, 2005  

E as camisas de que nós gostamos são vermelhas. As das papoilas saltitantes!!!

By Blogger PluribusUnum, at fevereiro 07, 2005  

Ai que saudades...
\o
A

By Anonymous Anónimo, at fevereiro 07, 2005  

Saudades de quê?!

ai

\o/
socoooorrrroooooo!
;-)

Nelson Buiça

By Blogger vs, at fevereiro 07, 2005  

Não vem muito ao caso mas fique o caro Clark sabendo que o Salgueiros já não tem estádio, foi penhorado, e agora arrasta-se (23 derrotas em 23 jogos!) pela IIB; quando actua "em casa" joga em Leça da Palmeira.

By Blogger Flávio Santos, at fevereiro 07, 2005  

Ó Clark, desde quando é que o azul é coisa Miguelista.
A bandeira Azul e branca é a Bandeira do Liberalismo. A Bandeira Absolutista consistia apenas no escudo coroado sobre fundo Branco.

By Blogger Luís Bonifácio, at fevereiro 09, 2005  

Post a Comment

Comments:
Caríssimo amigo, reveja lá as suas noções elementares de Física porque branco não é ausência de cor, mas sim exactamente o contrário: branco é a soma de todas as cores. Preto é que é a ausência de cor.
Mais precisamente, como convém nestas coisas da Ciência, o branco obtém-se adicionando e misturando todas as cores puras do espectro em partes iguais.
Por isso, a ciência também designa o branco como como cor acromática.
 
O meu distinto amigo não está nos seus dias, isto mesmo apesar de o Benfica ter ganho e os do outro lado da Segunda Circular terem perdido pela mesma medida. Nova rectificação: as camisinhas dos "Lá vamos cantando e rindo" (presumo que o meu amigo se refere à Mocidade Portuguesa, porque com esse verso começava o hino da dita) eram verdes e não castanhas.
Castanhas eram as dos uniformes do Partido Nacional Socialista Alemão e da Juventude Hitleriana.
Já agora, negras eram as dos fascistas italianos.
E as dos Integralistas Lusitanos, do Rolão Preto, o equivalente nacional dos fascistas e nazis, eram azuis.
 
Verdes as camisas, castanhos os calções. Tens toda a razão
 
E as camisas de que nós gostamos são vermelhas. As das papoilas saltitantes!!!
 
Ai que saudades...
\o
A
 
Saudades de quê?!

ai

\o/
socoooorrrroooooo!
;-)

Nelson Buiça
 
Não vem muito ao caso mas fique o caro Clark sabendo que o Salgueiros já não tem estádio, foi penhorado, e agora arrasta-se (23 derrotas em 23 jogos!) pela IIB; quando actua "em casa" joga em Leça da Palmeira.
 
Ó Clark, desde quando é que o azul é coisa Miguelista.
A bandeira Azul e branca é a Bandeira do Liberalismo. A Bandeira Absolutista consistia apenas no escudo coroado sobre fundo Branco.
 
Publicar um comentário

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

´ BlogRating