terça-feira, janeiro 11
A violência doméstica
A violência doméstica, em 2004, foi tão mediatizada em Espanha como em Portugal o processo Casa Pia. Em certas alturas do ano, era impossível sintonizar o rádio numa auto-estrada do país vizinho sem que lá não viesse mais um caso de pancadaria intra-muros, quando não coisas mais graves. A gente sabe o que a mediatização faz aos factos. Mas, mesmo assim, vamos lá falar disto com frontalidade.
Um homem que bate numa mulher, sobretudo sendo a sua, é um cobarde e um doente. Se algum dia isso foi 'pacífico' na cultura ocidental (e eu nunca vi, nem ouvi dizer, que os meus Avôs batessem nas minhas Avós), hoje é de todo intolerável. A questão é muito simples: não se bate numa mulher, ponto final. Não é só porque, em média, elas são mais fracas. Nem sequer é só por uma questão de decência, inteligência e marialvismo positivo. É porque, também, um homem que se preze bate em touros, em bolas, em sacos de boxe. Mais nada. Ou seja, macho que é macho faz festas às mulheres, não lhes bate. Isso é coisa de bicha louca!
Dito isto, não se percebem essas 'cifras negras' da violência doméstica na sociedade moderna. O que é que as mulheres têm a perder denunciando esses factos? Nada, digo eu, a não ser companheiros sem norte, que as não merecem. Ou, se for o caso de elas serem intratáveis - também as há -, e se eles não as deixam antes de lhes arrear de braço ou de pau, então são elas que gostam. O que é igualmente deplorável, e igualmente caso de polícia.
Neste Mundo moderno, um homem que bate numa mulher é burro, é besta, é um zero à esquerda. E - em jeito de aligeirar o tema - é uma ameaça para os seus iguais, que das mulheres só querem o que de melhor elas dão: carinho, afeição, ternura... e isso em que vocês estão a pensar.
Vão por isso bardamerda esses homens com h pequeno. E as mulheres que os aturam também.
3 Comments:
Sei de um caso de uma mulher-a-dias que levava do marido e fugiu para a província com a filha. Fê-lo com o coração nas mãos - mas fê-lo.
By Flávio Santos, at janeiro 11, 2005
Caro Clark,
Ainda há pouco tempo esteve em cartaz o filme “ Te Doy Mis Ojos”, da realizadora Icíar Bollaín, que evidenciou de forma séria e sem medo o problema da violência doméstica.
Parece-me demasiado simplista ( vai desculpar-me, certamente) a sua afirmação “as mulheres que os aturam também “.
A maioria dessas situações estão fortemente relacionadas com sentimentos de frustração pessoal, ausência de autoestima, incapacidade de se libertar por si só de um núcleo familiar constituído ( marido e filhos), o que exige efectivamente muito apoio e acompanhamento psicológico e logístico.
E onde estão as estruturas institucionais em número e meios suficientes em Portugal para dar uma sólida protecção a essas mulheres ?
Só o exemplo da esquadra do bairro já é suficiente para demonstrar que são muitos escassos os profissionais preparados para tratar deste grave e sério problema.
By objectiva3, at janeiro 11, 2005
Palmas, palmas e palmas, subscrevo a 100%. Podes pôr aí o meu nome em baixo - já te dei hoje dois 100% já vamos em 200, espera pela volta!
By PluribusUnum, at janeiro 11, 2005
Ainda há pouco tempo esteve em cartaz o filme “ Te Doy Mis Ojos”, da realizadora Icíar Bollaín, que evidenciou de forma séria e sem medo o problema da violência doméstica.
Parece-me demasiado simplista ( vai desculpar-me, certamente) a sua afirmação “as mulheres que os aturam também “.
A maioria dessas situações estão fortemente relacionadas com sentimentos de frustração pessoal, ausência de autoestima, incapacidade de se libertar por si só de um núcleo familiar constituído ( marido e filhos), o que exige efectivamente muito apoio e acompanhamento psicológico e logístico.
E onde estão as estruturas institucionais em número e meios suficientes em Portugal para dar uma sólida protecção a essas mulheres ?
Só o exemplo da esquadra do bairro já é suficiente para demonstrar que são muitos escassos os profissionais preparados para tratar deste grave e sério problema.
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