segunda-feira, janeiro 17
Tudo isto é triste
A questão das avaliações entre profissionais do mesmo ofício é complicada. Vamos por partes: todos nós, desde garotos, somos avaliados, quanto mais não seja na escola. Mas a avaliação profissional contém uma perversidade básica: é que se está a ser apreciado por colegas de trabalho, com postos de chefia as mais das vezes precários ou passageiros, aos quais cada um pode legitimamente aspirar. Não é como na escola secundária: aí, o professor detém um grau de distanciamento em relação ao aluno que lhe permite (só não o faz se não quiser) ser justo. O aluno não o confronta com o seu próprio posto, não é candidato em tempo útil a substituí-lo na função.
Isto é muito diferente do que se vive em ambiente profissional. Na verdade, se um superior hierárquico meu me dá uma nota que ele próprio não almeja atingir, o que é que impede o superior dele de me nomear para o cargo que, até aqui, pertencia ao meu superior?
Obviamente que, para além desta perversidade básica, existe a questão da boa-fé. Não sei quem inventou esta prática das avaliações, mas como tantas coisas na vida só funciona com gente honesta. Acresce que, se não forem bem-feitas, em vez de incentivarem o trabalhador ou de o alertarem para algum percalço de percurso só servem para engrandecer o exército de graxistas ou de desmotivados, conforme for a índole do avaliado.
Voltando ao princípio desta crónica, resolvi perguntar à minha amiga se este tinha sido o primeiro ano em que se tinha cruzado com filhos-da-puta que a tentaram diminuir. Ela disse que não. «- Então não achas estranho que só agora te dêem má nota?». O que eu desconfiava veio a seguir: «- Ah, mas é que antes os chefões não tinham medo de badamecos; com os meus anteriores patrões, este fulano nem tentava fazer o que fez, e se tentasse quem ficava mal era ele»».
Sofisma completo. A minha amiga, até ao ano que passou, tinha a comandá-la homens com H grande. Agora tem pequenotes e videirinhos. É nisso que reside a diferença, e não nos filhos-da-puta que nos vão aparecendo no caminho. Desses, há-de haver sempre.
2 Comments:
a estória dessa amiga é também a estória da minha vida (profissional, claro!) ... se houvesse gente honesta em tudo quanto era sítio provavelmente o país não estava no estado em que está!
acho que não há outro país do mundo que tenha um provérbio destes: "em terra de cegos quem tem olho é rei" e eu diria "é rei quem tira mais olhos"
By o eu do território, at janeiro 19, 2005
ps01: esqueci de deixar o endereço do meu blogue: http://eueoterritoriooterritorioeeu.blogspot.com/
ps02: não sei quem votou pnr ... eu votei ps! eh eh!
By o eu do território, at janeiro 24, 2005
acho que não há outro país do mundo que tenha um provérbio destes: "em terra de cegos quem tem olho é rei" e eu diria "é rei quem tira mais olhos"
ps02: não sei quem votou pnr ... eu votei ps! eh eh!
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