quinta-feira, janeiro 6

Meti-me na política

Quer dizer, não é bem assim. Eu explico: meti-me numa lista de 'fiscalização' não sindical (apenas deontológica e programática) à Direcção do tasco onde trabalho.

Na feitura da tal lista, aprendi coisas; e lembrei outras que o longo afastamento das lides grupais já me tinha feito esquecer.

Eu apresento-me: em se tratando de política sempre tive mais jeito para consensos do que para ideias fracturantes. Sinto que, se não houver um punhado de gente a puxar para o mesmo lado, não se chega a lado nenhum. E por isso prefiro soluções menos avançadas, mas possíveis de realizar, a outras mais pr'á frente... mas tão à frente que ninguém as apanha.

A feitura da tal lista foi um 'must', que muitos dos meus confrades que andam há anos nestas coisas comprenderão. Tratando-se de um órgão nacional (ao menos isso, não temos o stress dos círculos) tinha, no entanto, algumas condicionantes, Tantas mulheres, tantos gajos do Norte, tantos elementos experientes, tantos jovens. E já agora, pessoas credíveis, capazes de arregimentar uma votação inequívoca da validade do mandato.

Ele há de tudo nestas coisas:
- As primas-donas que só aceitam se tiverem o lugar X.
- A rapaziada que só alinha se fulano e cicrano também participarem.
- Os voluntaristas que tanto podem entrar como não, desde que a lista seja boa.
- As pessoas realmente interessadas em fazer a diferença.
- Os bondosos que acabam por se ver enfiados num molho de bróculos, e que não raras vezes desistem por decência.

Ao contrário de alguns amigos meus das 'extremas', não conheço melhor mecanismo de Poder do que aquele género de democracia em que os responsáveis sejam facilmente identificáveis, tenham capacidade de comando, partilhem as tarefas com uma estrutura alargada de lugares-tenentes e deixem a sociedade civil respirar.

Fico, uma vez mais, com a ideia de que tudo isto é difícil e complicado. Mas talvez valha a pena.

Depois vos digo.

9 Comments:

Caro Clark! Como sabes, até porque já foste da casa, no meu tasco, que é um tasco proleta com gente proleta, temos - sempre tivemos - dessas organizações a funcionar. Tipo conselhos de redacção e comissões de trabalhadores. E funcionam e são úteis, como se tem visto. Até fora de casa, o Santana recentemente sentiu a acção do CR daquela Agência que ele pensava que era do Governo. Mas não era, é do Estado.
As "sumidades" desse 'soi disant' jornal de referência tão "sumas" se imaginam, que acham que não lhes fica bem prescindirem das suas altas individualidades para se organizarem em torno do interesse colectivo.
Tal qual os condes, marqueses e duques, pois onde é que se viu a nobreza a organizar-se colectivamente? Não, não se organizam, unicamente cuidam em promover-se junto dos poderes de forma a garantir que continuarão bem acima da plebe... E isso é um trabalho eminentemente individual, está claro!
Não é fácil trabalhar com gente assim. Mas estou certo que a influência clarkiana será forte ajuda para romper com o imobilismo, para forçar a mudança. Mas será suficiente? Ficamos a torcer para que seja...
Por isso, cá vai o grito de guerra, que adaptei do refrão de uma canção antiga: "Força, força companheiro Clarque, tens aqui a verdadeira claque!".
Isto podes usar para a ala esquerda da Redacção. Para sensibilizar o pessoal mais à direita, optei por me inspirar nos discursos do senhor presidente do PP. Aí vai a sugestão: "Em frente amigo Kent, tens aqui a tua gente!"

By Blogger PluribusUnum, at janeiro 06, 2005  

O segundo estribilho, caro Pluribus, não vai ser cantado. Em se tratando de redacções, não há "pessoal mais à direita". Um estudo recente de dois investigadores da Fundação Ciência e Tecnologia conclui que 80% dos jornalistas são de esquerda. Eu acho sinceramente que houve fraude no plebiscito, posto que sem envenenamento dos candidatos. Onde é que estão os 20% de direita?!...
Um dos problemas da imprensa lusa é que as redacções estão muito mais à esquerda que a população, o que me deixa a mim (e a vários leitores eventuais) sem vontade alguma de ler periódicos. Antes o «Acção Socialista», que ao menos não engana...
Não sei se a lista do Clark também vai 'fiscalizar' esta incongruência...

By Blogger Bruno Santos, at janeiro 06, 2005  

Ó meus amigos:

1 - Pluribus: cá no meu tasco o CR tem funcionado bastante bem, sendo um garante, ás vezes quase único, de que o despautério não seja ainda mais grave.

2 - BOS: a profissão é de acesso livre. Se esse estudo é científico só demonstra que há pouca vontade da malta de direita em ser jornalista. E até se percebe. Posso adiantar duas razões: quando perguntam a um candidato a jornalista qual é o factor principal que o leva a querer sê-lo ele responde quase invariavelmente que quer ser independente e fiscalizar os poderes públicos. Por outro lado normalmente é uma profissão mal paga. Conheces muita gente de direita que ponha a independência e a fiscalização dos poderes públicos em primeiro lugar nas suas opções de vida, e que não se importe de ganhar mal?
Deve ser essencialmente isto que os afasta, já que não vejo que o Pinto Balsemão, o Belmiro de Azevedo, o Miguel Horta e Costa, o Paulo Fernandes ou o Miguel Pais do Amaral sejam ferozes esquerdistas que dão ordens para não contratar nenhum dos milhares de candidatos a jornalisats que professam uma ideologioa de direita.

By Blogger clark59, at janeiro 06, 2005  

A minha profissão também é de acesso livre, mas aqui na minha empresa só entra quem eu quero admitir... (Não sei se me faço entender...) Perguntas se conheço "muita gente de direita que ponha a independência e a fiscalização dos poderes públicos em primeiro lugar nas suas opções de vida, e que não se importe de ganhar mal?" Conheço tanta gente assim na direita como na esquerda. Já não me lembrava era de ninguém que ainda insistisse na dicotomia direita-esquerda com base no estafado discurso dos ricos e dos pobres, dos capitalistas e dos trabalhadores, dos exploradores e dos explorados...! Explicações maniqueístas de outros tempos em que, para a esquerda, os direitistas seriam seres abjectos com os quatro chispes na terra só para ganharem dinheiro e esfolarem os trabalhadores — agentes, enfim, do 'grande capital' e da CIA; e para a direita, os esquerdistas seriam sicários de Moscovo, entre outros mimos quejandos. Para esse peditório já dei.
Isso de atirares com os nomes dos 'capitalistas' dos grupos de comunicação em jeito de argumento não colhe. Em primeiro lugar, não são esses senhores que admitem os jornalistas. Se se cruzarem com eles na rua, nem sequer os conhecem... Depois, é sabido que em Portugal e noutros países o capitalismo serôdio produziu um fenómeno assaz curioso: vários 'capitalistas' dirigindo jornais e televisões cujas redacções estão, de alto a baixo, infestadas de extremistas de esquerda. Falemos claro: pode um jornalista de direita ser admitido no «Público»? É o podes...
Registo com pesar a tua opinião face ao problema aludido: as redacções estão muito, mas muito à esquerda da população. O facto não parece incomodar-te grandemente. É pena. Se não fazem jornais para a população, os plumitivos devem de estar somente interessados em escrever uns para os outros ("Leste a 'cacha' que eu dei ontem?") Repito: é pena.

By Blogger Bruno Santos, at janeiro 06, 2005  

Estamos entregues à bicharada e o futuro não parece trazer nada de bom, mas esta corja sempre dá jeito para escrever uns posts... nunca falta inspiração... que os deuses lhes perdoem e que lhes entalem a pila no feicho eclair.

By Blogger Abade de Ravena, at janeiro 06, 2005  

Não faço ideia a que 'corja' pertence este 'Abade', mas 'feicho' escreve-se 'fecho'.
Apareça sempre

By Blogger clark59, at janeiro 07, 2005  

Não sei porquê, gostei dessa da pila e do fecho éclair.
Ai, isso não era importante?
:( Só para dizer que, nas notícias, também leio as 'magras'...

By Blogger mjm, at janeiro 08, 2005  

eu estou com a MJM, mas ok, isto não era pra dizer! lol

cá no meu tasco há tantas organizações sindicais diferentes que ninguém chega a perceber o que se passa ou que raio pretendem... mas acredito que no teu caso possa ser uma experiencia interessante.

bj.

By Blogger SaoAlvesC, at janeiro 08, 2005  

Nice dispatch and this enter helped me alot in my college assignement. Thanks you on your information.

By Anonymous Anónimo, at março 18, 2010  

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Comments:
Caro Clark! Como sabes, até porque já foste da casa, no meu tasco, que é um tasco proleta com gente proleta, temos - sempre tivemos - dessas organizações a funcionar. Tipo conselhos de redacção e comissões de trabalhadores. E funcionam e são úteis, como se tem visto. Até fora de casa, o Santana recentemente sentiu a acção do CR daquela Agência que ele pensava que era do Governo. Mas não era, é do Estado.
As "sumidades" desse 'soi disant' jornal de referência tão "sumas" se imaginam, que acham que não lhes fica bem prescindirem das suas altas individualidades para se organizarem em torno do interesse colectivo.
Tal qual os condes, marqueses e duques, pois onde é que se viu a nobreza a organizar-se colectivamente? Não, não se organizam, unicamente cuidam em promover-se junto dos poderes de forma a garantir que continuarão bem acima da plebe... E isso é um trabalho eminentemente individual, está claro!
Não é fácil trabalhar com gente assim. Mas estou certo que a influência clarkiana será forte ajuda para romper com o imobilismo, para forçar a mudança. Mas será suficiente? Ficamos a torcer para que seja...
Por isso, cá vai o grito de guerra, que adaptei do refrão de uma canção antiga: "Força, força companheiro Clarque, tens aqui a verdadeira claque!".
Isto podes usar para a ala esquerda da Redacção. Para sensibilizar o pessoal mais à direita, optei por me inspirar nos discursos do senhor presidente do PP. Aí vai a sugestão: "Em frente amigo Kent, tens aqui a tua gente!"
 
O segundo estribilho, caro Pluribus, não vai ser cantado. Em se tratando de redacções, não há "pessoal mais à direita". Um estudo recente de dois investigadores da Fundação Ciência e Tecnologia conclui que 80% dos jornalistas são de esquerda. Eu acho sinceramente que houve fraude no plebiscito, posto que sem envenenamento dos candidatos. Onde é que estão os 20% de direita?!...
Um dos problemas da imprensa lusa é que as redacções estão muito mais à esquerda que a população, o que me deixa a mim (e a vários leitores eventuais) sem vontade alguma de ler periódicos. Antes o «Acção Socialista», que ao menos não engana...
Não sei se a lista do Clark também vai 'fiscalizar' esta incongruência...
 
Ó meus amigos:

1 - Pluribus: cá no meu tasco o CR tem funcionado bastante bem, sendo um garante, ás vezes quase único, de que o despautério não seja ainda mais grave.

2 - BOS: a profissão é de acesso livre. Se esse estudo é científico só demonstra que há pouca vontade da malta de direita em ser jornalista. E até se percebe. Posso adiantar duas razões: quando perguntam a um candidato a jornalista qual é o factor principal que o leva a querer sê-lo ele responde quase invariavelmente que quer ser independente e fiscalizar os poderes públicos. Por outro lado normalmente é uma profissão mal paga. Conheces muita gente de direita que ponha a independência e a fiscalização dos poderes públicos em primeiro lugar nas suas opções de vida, e que não se importe de ganhar mal?
Deve ser essencialmente isto que os afasta, já que não vejo que o Pinto Balsemão, o Belmiro de Azevedo, o Miguel Horta e Costa, o Paulo Fernandes ou o Miguel Pais do Amaral sejam ferozes esquerdistas que dão ordens para não contratar nenhum dos milhares de candidatos a jornalisats que professam uma ideologioa de direita.
 
A minha profissão também é de acesso livre, mas aqui na minha empresa só entra quem eu quero admitir... (Não sei se me faço entender...) Perguntas se conheço "muita gente de direita que ponha a independência e a fiscalização dos poderes públicos em primeiro lugar nas suas opções de vida, e que não se importe de ganhar mal?" Conheço tanta gente assim na direita como na esquerda. Já não me lembrava era de ninguém que ainda insistisse na dicotomia direita-esquerda com base no estafado discurso dos ricos e dos pobres, dos capitalistas e dos trabalhadores, dos exploradores e dos explorados...! Explicações maniqueístas de outros tempos em que, para a esquerda, os direitistas seriam seres abjectos com os quatro chispes na terra só para ganharem dinheiro e esfolarem os trabalhadores — agentes, enfim, do 'grande capital' e da CIA; e para a direita, os esquerdistas seriam sicários de Moscovo, entre outros mimos quejandos. Para esse peditório já dei.
Isso de atirares com os nomes dos 'capitalistas' dos grupos de comunicação em jeito de argumento não colhe. Em primeiro lugar, não são esses senhores que admitem os jornalistas. Se se cruzarem com eles na rua, nem sequer os conhecem... Depois, é sabido que em Portugal e noutros países o capitalismo serôdio produziu um fenómeno assaz curioso: vários 'capitalistas' dirigindo jornais e televisões cujas redacções estão, de alto a baixo, infestadas de extremistas de esquerda. Falemos claro: pode um jornalista de direita ser admitido no «Público»? É o podes...
Registo com pesar a tua opinião face ao problema aludido: as redacções estão muito, mas muito à esquerda da população. O facto não parece incomodar-te grandemente. É pena. Se não fazem jornais para a população, os plumitivos devem de estar somente interessados em escrever uns para os outros ("Leste a 'cacha' que eu dei ontem?") Repito: é pena.
 
Estamos entregues à bicharada e o futuro não parece trazer nada de bom, mas esta corja sempre dá jeito para escrever uns posts... nunca falta inspiração... que os deuses lhes perdoem e que lhes entalem a pila no feicho eclair.
 
Não faço ideia a que 'corja' pertence este 'Abade', mas 'feicho' escreve-se 'fecho'.
Apareça sempre
 
Não sei porquê, gostei dessa da pila e do fecho éclair.
Ai, isso não era importante?
:( Só para dizer que, nas notícias, também leio as 'magras'...
 
eu estou com a MJM, mas ok, isto não era pra dizer! lol

cá no meu tasco há tantas organizações sindicais diferentes que ninguém chega a perceber o que se passa ou que raio pretendem... mas acredito que no teu caso possa ser uma experiencia interessante.

bj.
 
Nice dispatch and this enter helped me alot in my college assignement. Thanks you on your information.
 
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