segunda-feira, janeiro 31

A doença lógica


Depois de muita pesquisa (não, Santiago, nem todos os dias tenho insónias), cheguei à conclusão que a minha doença é politicamente incorrecta. Uns dizem que é comportamental, outros que é vírica, outros ainda que é de trabalho.

Vamos por partes: o síndroma de paralisia do nervo radial chama-se também 'doença dos amantes' (certo) e 'doença de sábado à noite' (certo).

Pode também ser causado por um problema auditivo (certo) ou de esforço desportivo violento (certo).

Finalmente (esta é a parte que os seguros não gostam) pode ainda ser causado por trabalho repetitivo e intenso (certo)

Resumindo e concluindo: eu estava a 'pedi-las'.



domingo, janeiro 30

A questão fulcral

De cada vez que um político, daqueles chamados 'responsáveis', diz que o País tem que se modernizar, que a inovação é necessária e que a política de sub-contratação industrial e de promoção da competitividade através dos salários baixos está condenada, duas coisas acontecem: em primeiro lugar, a classe média-alta urbana aplaude a ideia; em segundo, o patego que detém o meio de produção emigra e leva consigo as máquinas ou o dinheiro que ganhou a vendê-las. Ele sabe muito bem que não vai poder competir nem com o exército de escravos chineses e indianos nem com a complexidade técnica alemã ou, não tarda nada, checa e polaca. E por isso pira-se antes que lhe levem o dinheirinho que tanto lhe custou a ganhar. Claro que os operários ficam no desemprego. 'Ora porra, o Estado que cuide deles'! Mas será que ele pagou impostos? Claro que não, os lucros mal davam para uma casa na Praia da Rocha (vá lá, em Benidorm) e um Ferrari dos mais baratos, quanto mais para pagar impostos.

E, além disso, fica muito mais barato pagar a um advogado ou mesmo a um fiscal das Finanças!

PS - A única alegria de um sindicalista industrial, hoje em dia, é que o patrão fuja com a massa. É só nesse momento que ele ganha importância e aparece na televisão.

Brincadeiras perigosas

1 - A brincadeira perigosa que os estado-unidenses prepararam hoje no Iraque vai mudar o rumo da história no Médio Oriente. Gente afastada do poder há décadas, historicamente bastante unfriendly para com o Ocidente, vai chegar ao poder. Antecipo uma pergunta: como é que os xiitas iraquianos, que hoje tomarão as rédeas do País, reagirão em relação aos seus irmãos iranianos? A pergunta faz sentido quer Bush ataque em breve o Irão, quer não.

2 – A gasolina que se consome nos Estados Unidos é das menos refinadas e mais poluidoras do Mundo. É, também, um dos baluartes de um Império em decadência. A aposta em energias alternativas, não dependentes dos combustíveis fósseis, é uma prioridade do Mundo inteligente. Ou seja, da Europa e dos seus aliados naturais – o Brasil, o Canadá e a África Austral, talvez a Nova Zelândia e o Mercosul.


PS - Uma arreliadora doença mantém-me, e vai-me manter por algum tempo, pouco colaborante com a blogosfera. Apanhei um vírus paralisante que, imaginem lá, se apanha a dormir - essa actividade libertadora mas não revolucionária que todos, mais ou menos, executamos dia a dia. Este texto, por exemplo, que me demoraria normalmente três minutos a escrever, demorou quase dez. Não há-de ser nada.

sexta-feira, janeiro 28

O Inferno na Terra

Com a insónia, estive a ver um programa de TV que demonstra com se tratam em certos estados dos EUA as 'infracções' sexuais de adolescentes. 25 anos de cadeia para jovens que têm relações sexuais antes dos 16 anos é comum. As penas são defendidas 'nas calmas' por pessoas responsáveis que aceitam dar a cara na investigação jornalística.

Nem sei o que dizer, faltam-me as palavras. Mas, depois disto, alguém fica com pena de ser europeu? E alguém me explica o que aconteceu com a Pátria da liberdade?

Porque eu não gosto que as palavras do sr. Presidente da República caiam em saco roto *

Neste Mundo sem forma nobre nem Direito que se aplique, aprendi há muito, de um modo empírico, que só me resta desconfiar dos poderes fácticos e, ainda assim, nunca por nunca perder a esperança. Hoje, mais velho, reconstruí essa sensação imanente, definindo para mim como seguro que homens há, de entre os mais prósperos e influentes, que têm por missão na Terra criar o caos e a infelicidade dos seus semelhantes. Muitos destes que descrevo escolheram na vida o trabalho milenar de ser juiz.

Para um ateu, a justiça divina foi ‘inventada’ por homens e mulheres que, observando o tratamento que era dado à ética e à decência, deixaram de acreditar no seu primórdio terráqueo, e que, contemplando a existência de conflitos, perderam a crença na bondade de quem os dirimia. Para um cristão, o que se deveria ter passado era, antes do mais, uma pequena revolução: existindo os princípios, mais não teriam os homens que fazer um esforço por os aplicar.

Ambos estão errados.

Os poderes fácticos, alguns dos quais têm raízes religiosas, trataram, desde há muito, de pulverizar a justiça num conceito abstracto e inaplicável. Quem entra num Tribunal sabe que existe uma probabilidade elevada de lá não ser aplicada a justiça mas apenas uma interpretação obstrusa de uma lei.

Há alguns anos fui testemunha de um processo judicial que punha em confronto um colega meu e a empresa onde ele trabalhava. Era de mediana inteligência perceber, mesmo para quem estava menos familiarizado do que eu com acções daquele tipo, que o meu colega ia ganhar. Assim foi, aliás, decidido na Primeira Instância. Surpreendentemente, a empresa recorreu para a Relação, gastando com isso o dinheiro que sonegara ao colega em causa. O juíz da Relação não só confirmou a sentença como agravou, em determinados aspectos, o valor do pedido. De caminho, censurava a empresa por tão canhestra atitude para com o seu assalariado. A empresa duplamente perdedora, não satisfeita, recorreu para o Supremo.

Quero aqui recordar muito sumariamente que o Supremo Tribunal de Justiça não se pronuncia, nestes casos, sobre questões de facto, ou seja, sobre a prova que foi dada no processo. Só fala sobre questões de direito, ou seja, se os juízes das instâncias inferiores avaliaram mal os autos ou o que deles fazia parte, segundo a lei vigente.

Para abreviar razões, direi que o Supremo – numa peça de Acórdão que qualquer aluno do segundo ano de Direito teria vergonha de ter produzido – deu razão à empresa. A formulação da peça judicial era de tal maneira enviesada (dando, e não dando, razão a ambas as partes, mas decidindo em favor do empregador) que ainda hoje, passados estes anos todos, não consegui esquecer-me do articulado. Basicamente, considerava que a razão do pedido – que se baseava na alteração indevida de uma relação de trabalho - era assistível. Posteriormente afirmava que, por essa causa, a relação de trabalho entre a empresa e o trabalhador tinha mudado. E, como mudara, o trabalhador já não tinha direito à remuneração que primeiro tinha tido, a qual era superior à que auferia ao tempo.

A coisa era tão asquerosa que pôs em causa, de uma vez por todas, a minha crença na Justiça. Senti-me à deriva num sistema sem norma nem vergonha. Mas percebi também porque é que a sentença tinha tido aquele sentido. É que ela não tinha sido dada em Tribunal. Tinha antes sido proferida numa rua esconsa do Bairro Alto, onde o presidente da empresa e o juiz de direito se encontravam amiúde, de avental posto, sem que de tal indumentária resultassem febras na brasa ou pescadinhas de rabo na boca.

Mas não perdi a esperança. Continuo, aliás, convencido, que esta gente, mais tarde ou mais cedo, vai ter um final infeliz. Muito antes do Juízo Final.

* Nota: Jorge Sampaio presidiu ontem à inauguração do ano judicial, ou uma merda qualquer assim.

quarta-feira, janeiro 26

'Não há trabalho como o trabalho de palco'*





Acabo de assistir, na televisão, ao filme ‘Proposta Indecente’. Confesso que nunca tinha visto, embora conhecesse a essência do argumento. O meu conservadorismo imanente leva-me a que não me sinta minimamente atraído por este género de histórias. E, em se tratando de block busters, tenho a tendência para adiar o mais que posso a visualização.

O filme é um típico produto hollywoodesco. O produtor mete a mão, o realizador contemporiza, negoceiam ambos até à exaustão… enfim, uma merda.

Mas não é de crítica cinematográfica que quero falar aqui. Terminado o filme, lembrei-me de uma outra coisa. Temos - sempre tivémos - em Portugal, criadores bastantes para todo o género de tramas. Senão, vejam este fado que a Amália cantava no princípio da sua carreira. Começa assim:

Lá porque és rico e elegante
Queres que eu seja tua amante
Por capricho ou presunção.

- Eu tenho um marido pobre
Que tem uma alma nobre
E é toda a minha paixão.

E continua:

Sabes bem que sou casada
Tenho a alma dedicada
A um amor que não conheces


Estão a ver?

Uma boa-noite para todos vocês.


* Tradução livre para a expressão 'There is no business like show business'

terça-feira, janeiro 25

O continuador da Obra



Paulo Teixeira Pinto, novo presidente do Millennium BCP, em substituição de Jorge Jardim Gonçalves.

PS- Se alguém souber de sítio onde se encontre uma fotografia do homem melhor que esta, agradecia.

segunda-feira, janeiro 24

A diferença ocidental



Todos os homens, de todas as religiões, matam. Uns fazem-no em nome de Deus. Outros pedindo perdão a Deus.

O boato

Eu podia começar, como o Octávio, por dizer assim: '- Vocês sabem do que é que eu estou a falar!...' Mas não me apetece. Do que eu quero mesmo falar é do boato recorrente de que José Sócrates é homossexual, ou bissexual.

Há várias questões envolvidas. Desde logo, o que está aí em cima em título (o boato).

Em toda a parte, mas especialmente nos países sub-desenvolvidos, o boato sempre exerceu um poder desmesurado. Lembro-me de Mário Soares 'ser paneleiro', de Sá Carneiro ter 'roubado 33 mil contos'. Não guardar o sexto e o sétimo mandamento da Lei de Deus é, aliás, a mais recorrente das misérias humanas, quando se quer dizer mal de alguém.

Como toda a gente hoje sabe (creio), nenhum dos exemplos supra-citados era verídico. Como não o era Marcelo Rebelo de Sousa ter tido um caso com Paulo Portas. Para já não falar em coisas que estão longe (muito longe) de serem provadas. Por exemplo: quem está, e quem não está, envolvido no escândalo criminoso da pedofilia.

Tentei, de forma sensata, apurar se era verdade o boato que envolve José Sócrates. Do que vi e escutei, 'pareceu-me' que era mentira. Mas não me chega. Posso estar enganado. Por isso, daqui lanço o repto: o mais provável próximo primeiro-ministro tem de explicar à Nação do que é que gosta. Ninguém lhe vai levar a mal se gostar mais do Diogo Infante do que da Elsa Raposo.

Mas basta de calúnia. Queremos saber a verdade. Portugal está em condições, assim Sócrates o queira, de dar mais uma lição ao Mundo.

Não tenho problemas com paneleiros. O que eu não suporto mesmo são boatos.

sexta-feira, janeiro 21

A tentativa

O BOS - intelectual, político, empresário e tudo - teve a maluquíssima ideia de juntar num jantar os eleitores putativos que me floreiam a sondagem aí em baixo prantada. Diz a nefasta figura (deve ter sonhado, que ele não é de copos) que era giro juntar os bloquistas e os socialistas mais os seus lá de casa, ou seja, os do PNR... em minha casa; isto porque se trata dos partidos que, genericamente, têm liderado a dita auscultação. Ainda bem que ele reconhece que isso seria um feito digno do Super-Homem...

Daqui lhe digo que Super-Homem não sou. Sou só o 'outro', alcunha que em bom tempo me foi aposta por 'guerreiros' chamados a servir obrigatoriamente (costume entretanto morto, e que nem sequer ele cumpriu) . Mas ainda que me identificasse com o 'Homem de Aço', a razão prática levar-me-ia a abandonar a liça: é que eu não faço a mais pequena ideia de quem sejam para aí dois terços dos 'meus' eleitores.

Mas para que me não julgue fugitivo (ele sabe que eu não sou, e que outras 'guerras' já ganhámos juntos), aqui fica a demanda 'bíblica': se até de hoje a uma semana me aparecerem cinco bloquistas, cinco socialistas e cinco 'fachos' (leia-se PNR, peço desculpa) dispostos a debater ideias, pois quem serei eu para vetar tão bizarra peleja !?

No entanto, quer-me parecer que, enquanto os meus leitores PNR são dirigentes nacionais do partido, os dos outros são apenas meros simpatizantes. Pelo que não tenho nenhuma fé no encontro. É só mais para calar a boca grande de um gajo à beira-mar plantado (em Espinho, viva!!).

Inscrições aqui, ou em claquequente@hotmail.com

quarta-feira, janeiro 19

Carta aberta ao meu amigo AFS

Caro companheiro:

O teu comentário aí em baixo (2ª volta) deu-me azo a não adiar mais uma coisa em que já andava a pensar há tempos, a qual é perguntar-me sobre mim mesmo, em termos políticos.

Não sei de onde sou. É verdade, 45 anos e estou nisto. Para todos olho e em todos encontro vantagens e parvoíces, méritos e aleivosias.

Perguntas-me pela macro-economia? Sou PSD, e às vezes PS. Pela segurança social? Algures na esquerda democrática, sem partido. Pela fiscalidade? Sou do MRPP, acho eu. Pelos direitos das minorias? Depende, ora PNR ora Bloco de Esquerda. Pela política de defesa? Já fui CDS, hoje não sei. Pela defesa dos trabalhadores? Os sindicatos são necessários, mas o PCP chateia. Pelo ambiente? Sou MPT e «Os Verdes», embora o PSD e o PS também tenham coisas boas. Pela educação? Marcelo Caetano dos quatro costados, mas sem reguadas. Nem sequer sobre o regime tenho certezas. Monárquico ou republicano? Bah…

‘Tás a ver o problema?

Mas também tenho certezas.

Tenho a certeza de que não sou miguelista nem adepto do reviralho. Não sou, nunca fui, nunca serei (e tenho genericamente raiva a quem seja) maçon, opus dei e outras coisas sinistras que só servem para atormentar o povo anónimo e sadio. Sou contra o fim do serviço militar obrigatório. Sou contra a emigração clandestina. Sou a favor de um programa mundial de erradicação da pobreza. Sou a favor de um sistema fiscal que ponha os ricos a pagar a crise (que é culpa deles, só deles e de mais ninguém). Sou a favor da extinção dos off-shores. Sou contra a possibilidade de os homossexuais adoptarem crianças. Sou a favor dos direitos sucessórios dos casais homossexuais. Sou a favor de um sistema em que a natalidade seja apoiada. Sou contra as quotas em favor das mulheres, dos homens, do raio que os parta. Sou a favor da co-incineração. Sou contra o Ministério da Educação no seu todo. Sou contra as autarquias, a regionalização e tudo o que tire responsabilidade ao poder central. Sou a favor de aumentar o orçamento para investigação e ciência. Sou a favor dos subsídios para a cultura. Sou contra a globalização que permite à China pôr escravos a competir com trabalhadores europeus. Sou contra o dogma religioso antigo. Sou a favor do ensino da religião nas escolas. Sou perfeitamente capaz de ‘comer’ uma preta. Sou fã da bandeira e do hino.

Como vês, não ando muito longe da acepção do Almada: ‘Sou as sete pragas do Egipto e a alma dos Bórgias a penar’.

E, agora, será que posso continuar a dizer que não sei de onde sou? Claro que sei. E sei – também - que não sou ‘daí’.


Um abraço do

Clark59

segunda-feira, janeiro 17

O frigorífico



Desatinou-se-me o frigorífico. Pela madrugada dentro de um dia de fim-de-semana, o electrodoméstico entregou a alma aos céus de Ariston. Ao contrário de qualquer outro ser que se preze, a morte tirou-o do gélido e tornou-o morno. Ou seja, o paralelepípedo deixou de cumprir as funções que lhe tinham sido confiadas.

Até à sua morte, e mesmo nesta, foi um fiel servidor. Morreu jovem, dentro da garantia, o que me permitirá, a breve trecho, ter em casa um seu alterne. Por outro lado, morreu no Inverno, que é quando menos estes empregados domésticos fazem falta. Morreu também, é preciso que se diga, quase vazio, minorando assim os estragos na bolsa de seus amos.

Deu tempo a quem servia para lhe aperceber a morte. Horas antes do finanço, começou a piscar um olho que ele lá tem (que ele lá tinha) no meio da testa, a avisar do mal que o corroía, qual aparelho cardio-vascular sempre ligado, a prevenir um AVF (acidente vascular frigorífico). Isso permitiu salvar os ovos, a margarina e o entrecosto, embora haja a contabilizar a morte de uma pescada (congelada).

Fiel à doutrina do Marquês, depressa a F. se encarregou de cuidar dos vivos. Ora acontece que, desde há tempos, mesmo em frente à casa onde me abrigo, abriu uma mercearia digna, coisa a dar para o mini-mercado, gerida polidamente por uns escudeiros das Beiras, recém desemigrados de França, onde aprenderam as virtudes de bem-servir.

Tem a F. com a D. Laurinda e com o Sr. José uma relação cambiocrática que lhe permitiu o golpe de asa. Ou seja, munidos de frigorífico bastante para épocas de plena capacidade instalada, os referidos estavam largos de espaço para as nossas poucas coisas. Lá têm estado, e lá vão estar, até que a maternidade dos frigoríficos nos volte a pôr um dos seus à guarda.

Nos últimos dias, a F., para além de se aprovisionar com o que falta lá na mercearia fronteira, vai também à arca buscar uns quantos pertences que nos servem, em cada dia, de pão nosso de jantar. A D. Laurinda agradece e é retribuída.

Nos últimos dias verifiquei que é mais fácil viver sem frigorífico do que sem solidariedade rural.

Tudo isto é triste

Uma amiga minha contava-me há dias ter ficado muito desapontada com a fraca avaliação anual que lhe fizeram lá no emprego. Habituada, há anos e anos, a ocupar os primeiros lugares das listas de funcionários - e a ser premiada por isso -, só não diz que não percebe o que aconteceu desta vez pela simples razão de que, diz ela… percebe perfeitamente! É que no ano que passou teve lá no tasco um desaguizado com um tipo poderoso e mesquinho, sem espinha dorsal, mas que tem os chefões na mão, vá-se lá saber porquê. Moral da história: o gajo ganhou, a minha amiga perdeu. O resultado está à vista.

A questão das avaliações entre profissionais do mesmo ofício é complicada. Vamos por partes: todos nós, desde garotos, somos avaliados, quanto mais não seja na escola. Mas a avaliação profissional contém uma perversidade básica: é que se está a ser apreciado por colegas de trabalho, com postos de chefia as mais das vezes precários ou passageiros, aos quais cada um pode legitimamente aspirar. Não é como na escola secundária: aí, o professor detém um grau de distanciamento em relação ao aluno que lhe permite (só não o faz se não quiser) ser justo. O aluno não o confronta com o seu próprio posto, não é candidato em tempo útil a substituí-lo na função.

Isto é muito diferente do que se vive em ambiente profissional. Na verdade, se um superior hierárquico meu me dá uma nota que ele próprio não almeja atingir, o que é que impede o superior dele de me nomear para o cargo que, até aqui, pertencia ao meu superior?

Obviamente que, para além desta perversidade básica, existe a questão da boa-fé. Não sei quem inventou esta prática das avaliações, mas como tantas coisas na vida só funciona com gente honesta. Acresce que, se não forem bem-feitas, em vez de incentivarem o trabalhador ou de o alertarem para algum percalço de percurso só servem para engrandecer o exército de graxistas ou de desmotivados, conforme for a índole do avaliado.

Voltando ao princípio desta crónica, resolvi perguntar à minha amiga se este tinha sido o primeiro ano em que se tinha cruzado com filhos-da-puta que a tentaram diminuir. Ela disse que não. «- Então não achas estranho que só agora te dêem má nota?». O que eu desconfiava veio a seguir: «- Ah, mas é que antes os chefões não tinham medo de badamecos; com os meus anteriores patrões, este fulano nem tentava fazer o que fez, e se tentasse quem ficava mal era ele»».

Sofisma completo. A minha amiga, até ao ano que passou, tinha a comandá-la homens com H grande. Agora tem pequenotes e videirinhos. É nisso que reside a diferença, e não nos filhos-da-puta que nos vão aparecendo no caminho. Desses, há-de haver sempre.

Ils nous regardent

Descoberta da F.: há uma lista, em francês, de blogs portugueses. Se é mantida, ou não, por mão gaulesa, é coisa que não descobri. Certo é que alguém resolveu criar um extenso rol daqueles que são considerados les blogs portugais jugés de qualité. Lá está cerca de uma vintena de confrades e confradessas 'linkados' aí ao lado, para além deste que vos escreve.

Não sabendo se chegarei a ser lido pelo autor (ou autores) da referida lista, cá vai o reparo: está desactualizada. Na minha modesta opinião, têm nascido, nos últimos tempos, blogs que merecem a mesma nota alcançada pelos que já lá figuram.

De qualquer modo, obrigadinho, hein!?

2ª volta

Não se esqueçam que já podem votar outra vez (aí em baixo à direita).
Obviamente, e por maioria de razões, quem ainda não o fez está à vontade para participar.

A punheta, a tentativa de branqueamento e outras coisas mais importantes

Vou falar de futebol. Mesmo quando a prosa o não aparente.

Em primeiro lugar a punheta.

Para quem não sabe, quando um jornalista faz uma notícia que é altamente – e indevidamente – favorável a alguém, chama-se a isso, na gíria da profissão, um broche.
O que eu vi hoje na SIC, no programa do ‘falecido’ Herman José, não pode ser apelidado de broche, pela simples razão de que o ex-grande humorista português não é jornalista. Chamar-lhe-ei então, por uma lógica imagética, punheta.

Em segundo lugar o branqueamento.

Jorge Pinto da Costa, arguido com termo de identidade e residência num processo de corrupção, tem-se ultimamente multiplicado em cerimónias públicas que possam amenizar a ideia geral que o povo tem sobre a sua pessoa – a qual não arriscarei muito se disser que passa por ser ele um mafioso da pior espécie, que usa a inteligência que tem, e a função que ocupa, para cumprir objectivos que só devem ser atingidos com lisura de processos. A participação no programa do ex-Herman insere-se neste objectivo. A anémona luso-alemã esqueceu, de um ápice, os vitupérios e desconsiderações a que foi sujeito pelo sujeitinho durante todos os anos em que este recusou sequer meter os pés no programa do personagem recentemente alourado.

Por último, vamos falar de coisas mais importantes.

O FC Porto empatou, sem apito, o Sporting perdeu, e não convenceu, e o Benfica ganhou. De caminho, o Nacional do meu amigo Pluribus começa a sair da fossa. Ao fim de muitos meses, finalmente um fim-de-semana normal e patriótico.
Agora imaginem só se o Benfica tivesse um treinador de futebol! Já íamos com dez pontos de avanço!
Hoje o Mundo está melhor. Apesar do cabrão do italiano!

Outras coisas importantes

O Mantorras marcou um golo.
Deus existe!

domingo, janeiro 16

Alguém pode ajudar?

Ver aqui

As femichistas

As femichistas só têm direitos. E direitos tortos. O direito ao bom nome, por exemplo, diz-lhes pouco. Preferem o direito à pensão de alimentos antes dos trinta.

As femichistas não lutam pelos seus direitos, porque acham que eles são inatos. Assumem, por exemplo, o direito ao Porche Boxter ou ao Audi TT. Ou às calças da Ana Salazar, ou ao vestido Lempicka.

As femichistas não gostam de levar porrada, mas femichista que se preze levou porrada pelo menos uma vez na vida. É condição sine qua non para aderir ao femichismo ter levado porrada. Para chegar a esse patamar, é óbvio, tem que se procurar bem cedo na vida um fulano capaz de cumprir a função.

As femichistas só detestam uma coisa mais do que sair nas revistas, a saber: não sair nas revistas.

As femichistas nunca chegam a altos cargos. Gostam mais de andar lá por perto. Assim podem queixar-se da ideologia reinante e flirtar à brava com os machos que os ocupam. E depois pedir-lhes pensão de alimentos.

As femichistas não suportam piropos ou galanterias. Suportam ainda menos serem ignoradas.

As femichistas exigem sempre falar primeiro, depois de algum homem já ter falado.

As femichistas, no que concerne à cozinha, sabem fazer três pratos: spaghetti à bolonhesa, bife com batatas fritas (de pacote, ou, em casos menos radicais, congeladas e previamente ‘empalitadas’) e banana ‘flambé’.

As femichistas usam cremes da BodyShop. Mas só aos dias de semana. Quando vão ao Lux, à sexta à noite, usam placenta e pele de foca.

As femichistas mais ‘in’ já co-habitaram com um bi-sexual.

As femichistas, no que diz respeito ao estado civil, preferem ser divorciadas. É que ser solteira, a partir de certa idade, dá a ideia de rejeitada; e ser casada dá a ideia de submissa.

As femichistas não bebem. Ou melhor, bebem mas não apreciam. Um vodka-laranja no ‘bairro’ ou um gin-tonic no ‘Lux’ são aceitáveis. Nunca, mas nunca, wisky. Um dos principais problemas ideológicos das femichistas, aliás, é decidirem se é mais ‘in’ o vinho branco ou o vinho tinto.

As femichistas nunca por nunca assumem que gostam da posição do missionário.

As femichistas às vezes – acontece – são mães. Se lhes calhar uma filha, são do mais retrógrado possível, não raras vezes enfiando-as num colégio de betas. Se em vez disso for macho, só ficam altamente piurças quando o basbaque adolescente perde os três com uma das suas amigas.

As femichistas, tal como as dondocas, não sabem mexer em máquinas, o que muito as penaliza. Essa é uma das razões principais porque (ambas) dizem mal das mulheres desenrascadas. Se estas últimas, além disso, mantiverem o mesmo homem há mais de cinco anos, então é porque são umas frustradas.

As femichistas nunca são feias. Podem, quando muito, ter um pouco de celulite nas pernas, ou um nariz mais comprido, ou (do melhor) um olho descaído por causa de um parto a ferros.

As femichistas, por volta dos trinta anos, têm que ter comido pelo menos três gajos e nunca mais de dez. Menos que o mínimo é tonta, mais que o máximo é porca.

As femichistas… se você conhece alguma, caro confrade macho (ou, já agora, cara confradessa fufa) fuja. Não é de bom tom andar com uma. Nem para si, nem para elas.

quarta-feira, janeiro 12

Futebolândia

Nesta cidade sísmica e basáltica, cada dia que passa conheço mais um adepto dos 'Inomináveis'.
Está mais que visto: Lisboa não representa Portugal. E é para lá - Portugal - que mais tarde ou mais cedo vou emigrar.

terça-feira, janeiro 11

Sobre a produtividade



Lá no meu tasco os chefes chegam invariavelmente cedo. Não sei para fazer o quê, porque quando eu apareço, já o Sol vai alto, ainda não fizeram porra nenhuma. Deve ser para se mostrarem uns aos outros e dizerem que trabalham muito. Neste país de funcionários madraços, patrões autistas e gestores palhaços quem está muitas horas no escritório é considerado um bom funcionário.

Não sei se já alguma vez vos cansei com isto, mas se for caso disso repito. Considero que tenho, enquanto trabalhador, dois defeitos principais. Sou preguiçoso e por isso trabalho depressa, que é para permanecer o minimo de tempo possível dentro daquelas paredes que não ensinam nada a ninguém. E sou vaidoso, preferindo por isso fazer bem a fazer mal.

Da minha preguiça e vaidade dou eu conta, desde que me deixem. Já no que diz respeito à produtividade outro galo canta. Vamos a factos.

Há tempos, quando estalou a 'Guerra do Golfo II', deram-me um dia a incumbência de perceber o que é que estava a ocorrer ( e era plausível que viesse a acontecer) com os contratos de reconstrução do Iraque. Depois de alguma pesquisa, telefonei para a agência estado-unidense que trata desses assuntos, identifiquei-me e alguém me disse: hold on, please. Passados não mais de dez segundos, outrém me atendeu, tratou-me pelo nome próprio, e em dois minutos (não mais) confirmou o que eu queria saber, explicou mais uns quantos factos, pôs-me de sobreaviso sobre outras coisas e ainda teve tempo de perguntar, educadamente, se eu precisava de algo mais. Disse que não, desliguei o telefone e atirei-me ao trabalho.

Afirmo solenemente, por minha honra, que não há nenhum organismo português, do mais enfático ao mais pindérico, que consiga esta performance. O mais provável é que 'o senhor doutor' não esteja, ou esteja 'numa reunião', ou não possa 'atender agora', ou 'se mandar um fax ou um e-amil [as coisas que eles sabem!] nós respondemos em breve'.

Para encurtar razões, ontem aconteceu-me o seguinte. De manhã, lá no meu tasco, foi decidido um assunto, que agora não vem ao caso, e que envolveria a minha participação. Transmitiram isso a um chefe intermédio que se esqueceu de me avisar. Quando eram seis da tarde, vieram pessoalmente fazer o encómio de me explicar que eu tinha sido escolhido para a função.

Tenho da profissão o tempo suficiente para saber que o trabalho era de difícil execução mas possível. O problema principal consistia na hora a que tinha sido encomendado.

Contactos feitos, dificuldade várias, a coisa lá se fez, a tarde e a más horas. Quem vir hoje pela manhã o trabalho não imagina as condições precárias em que foi executado... espero eu. O computador não funciona, a internet é lenta, só uma impressora dá conta do recado (a que está mais longe do meu local de trabalho), etc., etc. Revirei o Mundo para conseguir a informação de que necessitava, não sem antes ter encontrado fechadas várias portas que era suposto abirem-se de par em par.

Os gajos dos 'states', que não me conhecem de lado nenhum, resolveram-me o assunto num abrir e fechar de olhos. Cá é tudo mais difícil.

Resumindo. Estou muito mais qualificado do que qualquer profissional estado-unidense para realizar trabalhos difíceis. Sou um profissional muito mais qualificado do que qualquer deles para reagir ao caos e ao inesperado. Mas sou menos produtivo. Qualquer pessoa do meu ramo em Washington ou Nova Iorque tinha resolvido o assunto em três tempos... e a horas decentes.

Querem o quê? Produtividade? Vão bardamerda e emigrem!!

A violência doméstica

(O que me leva a escrever sobre este assunto foi lido aqui)

A violência doméstica, em 2004, foi tão mediatizada em Espanha como em Portugal o processo Casa Pia. Em certas alturas do ano, era impossível sintonizar o rádio numa auto-estrada do país vizinho sem que lá não viesse mais um caso de pancadaria intra-muros, quando não coisas mais graves. A gente sabe o que a mediatização faz aos factos. Mas, mesmo assim, vamos lá falar disto com frontalidade.

Um homem que bate numa mulher, sobretudo sendo a sua, é um cobarde e um doente. Se algum dia isso foi 'pacífico' na cultura ocidental (e eu nunca vi, nem ouvi dizer, que os meus Avôs batessem nas minhas Avós), hoje é de todo intolerável. A questão é muito simples: não se bate numa mulher, ponto final. Não é só porque, em média, elas são mais fracas. Nem sequer é só por uma questão de decência, inteligência e marialvismo positivo. É porque, também, um homem que se preze bate em touros, em bolas, em sacos de boxe. Mais nada. Ou seja, macho que é macho faz festas às mulheres, não lhes bate. Isso é coisa de bicha louca!

Dito isto, não se percebem essas 'cifras negras' da violência doméstica na sociedade moderna. O que é que as mulheres têm a perder denunciando esses factos? Nada, digo eu, a não ser companheiros sem norte, que as não merecem. Ou, se for o caso de elas serem intratáveis - também as há -, e se eles não as deixam antes de lhes arrear de braço ou de pau, então são elas que gostam. O que é igualmente deplorável, e igualmente caso de polícia.

Neste Mundo moderno, um homem que bate numa mulher é burro, é besta, é um zero à esquerda. E - em jeito de aligeirar o tema - é uma ameaça para os seus iguais, que das mulheres só querem o que de melhor elas dão: carinho, afeição, ternura... e isso em que vocês estão a pensar.

Vão por isso bardamerda esses homens com h pequeno. E as mulheres que os aturam também.

Sobre minzinho

Eu já estava mais ou menos habituado a que me elogiassem o lirismo, a verve truculenta ou as causas em que amiúde me meto. Seja.

Mas nos últimos dias resolvi (aconteceu-me, melhor dizendo) falar só de política, mulheres e futebol.

E sabem que mais? Desde que meti o sitemeter nunca tive tantas visitas nem tantas páginas vistas como nestes últimos dias.

Não tarda nada levam com um poema pelos cornos abaixo!

Muito obrigado pela atenção.

segunda-feira, janeiro 10

Continuem a votar, os que não votaram. Os outros esperem pela próxima semana.
Obrigado!

domingo, janeiro 9

Fim-de-semana na bola

- Constato um grande desânimo nas hostes do meu Benfica. Não creio que haja razão para tal. Penso mesmo que, com esta equipa, ainda podemos lutar por um lugar na UEFA.

- Ontem, no jogo contra os 'Inomináveis', o melhor em campo foi Duarte Gomes. Foi o único que conseguiu equilibrar o jogo. Já o pior foi Luís Filipe Vieira, pela equipa que pôs em campo.

- Queria agradecer aos 'Inomináveis' não terem provocado uma lesão ao Mantorras.

- Quando vi um 'Manuel Fernandes' a jogar pelo Benfica pensei: 'Isto vai dar bronca'. A Liga de Clubes devia ter atenção a estas coisas. Para a próxima exijo um 'Eusébio' a jogar pelos 'Inomináveis', que é para eles verem o que é que dói.

Blogues

A ABC News e a Time Magazine foram unânimes numa coisa: ambas elegeram os blogues como um dos factos do ano que passou. Tentei fazer o mesmo lá no tasco a que pertenço, mas os barrascos-mor não mo permitiram.
Benza-os Deus.

PS. - Não se esqueçam de votar, aí em baixo à direita (ou à esquerda, a escolha é vossa)

A falta de competitividade da Nação



Esta jovem do Cacém, de nome Patrícia, foi a candidata portuguesa ao concurso de Miss Mundo 2004, cuja final está a dar hoje na SIC. Não conheço 'desporto' em que os 'árbitros' sejam mais tendenciosos do que este em que se elegem mulheres boas e bonitas. Mas sejamos sinceros: se esta Patrícia tivesse ido mais além do que da primeira eliminatória é porque algo de muito grave estava a acontecer na espécie humana, 'facção' género feminino.

Todos os adultos sabem que o modo como olhamos para a beleza dos outros difere de sexo para sexo. Os paneleiros gostam de homens bonitos, as fufas gostam de mulheres feias, os heteroxessuais masculinos gostam (preferencialmente) de mulheres bonitas e as heterossexuais femininas estão-me mais ou menos cagando para esse assunto, desde que os homens sejam honestos, simpáticos, divertidos, inteligentes, aforradores... e, quando muito, que consigam manter um ângulo agudo entre a 'diferença' e o ventre, quando estimulados para tal. As mulheres heterossexuais são, de longe, as pessoas mais inteligentes. E ainda bem.

Estando (ainda bem) os homossexuais fora de rating, é óbvio que os concursos de beleza, neste ano da graça de 2005, ainda versam sobretudo sobre mulheres bonitas.

A questão é outra. Bonitas???? Estou a ver o tal concurso e concluo que, quando muito, são boas. Altas, de coxas firmes, mamas 'nem muito nem pouco', 'papo' dissimulado.

As mulheres realmente bonitas não têm paciência - eu ia a dizer, não têm necessidade - de concorrer a estas coisas. Facilmente arranjam o que lhes é suposto na vida alcançarem, ou seja, marido (sempre), dinheiro (desde sempre), posição (modernamente). A história do reconhecimento não é assim que se alcança: a mais 'loura' e a mais feminista que me desmintam.

Mas voltando à portuguesa Patrícia. Porque é que Portugal nunca ganhou um concurso destes? Dir-me-ão, e com razão, que o nosso lobby é escasso, como o é no Festival da Eurovisão e noutras trivialidades afins. Ou que, mesmo no futebol, nunca chegámos à frente.

Eu diria que é isso tudo e mais o 'não-querer' das nossas mais belas. Alguém tem dúvidas de que uma Bárbara Guimarães, quando tinha 20 anos, poderia ter sido Mis Mundo? Mas concorreu ela? Não. Andava, nessa altura, a concluir um curso superior que lhe não dava tempo para mais nada. Depois foi (por breve tempo) jornalista, depois apresentadora e, mais recentemente, mãe e esposa de um qualquer.

Neste 'faz-de-conta' da vida, os portugueses não conseguem perceber o que é uma vantagem competitiva. Eu, que passeio por aí todos os dias, vejo pitas em barda que podiam concorrer a estas estórias. Não tantas, é óbvio, como na cidade de Praga ou de Tallin, mas as suficientes para darmos luta.

O que eu acho mesmo é que os adolescentes homens continuam tão estúpidos como antigamente, sem conseguirem sacar o potencial das ratas que se lhes apresentam.




sábado, janeiro 8

Pesquisa eleitoral

O Claque Quente, por inspiração colhida aqui, inicia hoje uma pesquisa eleitoral (ver aí em baixo, do lado direito). Agradecia que, todas as semanas, a um dia certo de preferência, fossem actualizando a vossa votação. E isto vale quer para indecisos, que ainda poderão mudar o sentido de voto, quer para aqueles que já decidiram e vão manter a mesma ideia até 20 de Fevereiro.

quinta-feira, janeiro 6

Meti-me na política

Quer dizer, não é bem assim. Eu explico: meti-me numa lista de 'fiscalização' não sindical (apenas deontológica e programática) à Direcção do tasco onde trabalho.

Na feitura da tal lista, aprendi coisas; e lembrei outras que o longo afastamento das lides grupais já me tinha feito esquecer.

Eu apresento-me: em se tratando de política sempre tive mais jeito para consensos do que para ideias fracturantes. Sinto que, se não houver um punhado de gente a puxar para o mesmo lado, não se chega a lado nenhum. E por isso prefiro soluções menos avançadas, mas possíveis de realizar, a outras mais pr'á frente... mas tão à frente que ninguém as apanha.

A feitura da tal lista foi um 'must', que muitos dos meus confrades que andam há anos nestas coisas comprenderão. Tratando-se de um órgão nacional (ao menos isso, não temos o stress dos círculos) tinha, no entanto, algumas condicionantes, Tantas mulheres, tantos gajos do Norte, tantos elementos experientes, tantos jovens. E já agora, pessoas credíveis, capazes de arregimentar uma votação inequívoca da validade do mandato.

Ele há de tudo nestas coisas:
- As primas-donas que só aceitam se tiverem o lugar X.
- A rapaziada que só alinha se fulano e cicrano também participarem.
- Os voluntaristas que tanto podem entrar como não, desde que a lista seja boa.
- As pessoas realmente interessadas em fazer a diferença.
- Os bondosos que acabam por se ver enfiados num molho de bróculos, e que não raras vezes desistem por decência.

Ao contrário de alguns amigos meus das 'extremas', não conheço melhor mecanismo de Poder do que aquele género de democracia em que os responsáveis sejam facilmente identificáveis, tenham capacidade de comando, partilhem as tarefas com uma estrutura alargada de lugares-tenentes e deixem a sociedade civil respirar.

Fico, uma vez mais, com a ideia de que tudo isto é difícil e complicado. Mas talvez valha a pena.

Depois vos digo.

segunda-feira, janeiro 3

Arranjem-me um emprego!

No tasco onde eu trabalho é proibido fumar desde hoje.
Se alguém souber de um sítio onde se possa trabalhar com dignidade é favor contactar-me para o e-mail

claquequente@hotmail.com

Muito obrigado

domingo, janeiro 2

O melhor

Vocês já viram isto? Nada melhor para começar o ano

Notícias do desastre na Europa

O primeiro-ministro norueguês acaba de declarar
Que a catástrofe asiática
Terá sido a maior de sempre
Da sua Pátria

Na Suécia puseram a bandeira a meia-haste por 3557 pessoas

Os alemães rumaram de férias lá na distância
De Sol e de cor
Vieram em sacos, mortos
E outros vieram com dor

Os italianos choram
Como sempre que a Natureza os desafia
Porfia o florentino sem mágoa
E a Sicília dói, mói, destrói

Na Dinamarca amanhã é dia de luto nacional

Jaques Chirac assume um cativeiro novo
Nas terras da Indochina
Franceses morrem
Uma menina, um povo

Na Suíça os São Bernardos uivam de impotência

Na Holanda rebentam os diques
No meio dos moleques retintos
Sem tiques de colonos de Sumatra
Sem bravata

Em Portugal
Um embaixador anda em baixa
E uma parva juvenil
Parte no meio de uma laracha

O Daily Telegraph anuncia
Uns milhões de libras mais uns vinténs

A placa move-se, tonta
E a Europa treme
Porque estava a fazer de conta
Que era Fernão de Magalhães

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