domingo, dezembro 12
Vou lá
Estive a contá-las criteriosamente - amanhã cumpro a minha 14ª (*) visita a Madrid (passagens em trânsito pelo aeroporto não valem). Reconheço que sou um traidor: gosto de Madrid, muito mais do que de Barcelona, por exemplo, embora seja um grande admirador do espírito catalão. Num jogo Real Madrid-Barcelona o meu coração anda sempre aos tombos, ora para lá, ora para cá. 'Sou' do Real Madrid mas compreendo a razão dos outros.
Entre a Castellana e a Cañizares (não, não é o jogador de futebol, é uma 'calle' onde fica um grande restaurante de Espanha) lá andarei nos tempos livres, que a viagem é de trabalho.
Se algum dos meus confrades precisa de alguma coisa de lá, é favor encomendar agora ou calar-se para sempre.
(*) Sempre fui fã do 14, por ser o número de versos de um soneto. Para os meus leitores mais articulados com a poesia espanhola, qual o melhor sonetista, na vossa opinião, do país vizinho?
9 Comments:
Um emprego e uma casa (pode ser de alquiller). Olé!
By AS, at dezembro 12, 2004
Ainda bem que a AS se ficou pela razão prática. Se tivesse 'encomendado' um Banderas ou um Cortez nunca mais falava consigo. Palavra de honra que acho os espanhóis uns tansos (e as espanholas umas 'toca e foge').
By clark59, at dezembro 12, 2004
Que o clark beba uma caña por mim! Tanto faz o sítio: no Honky Tonk, no Independenzia, na Serrano, no Joy... onde lhe souber melhor!
By pedro guedes, at dezembro 13, 2004
Ó Pedro, salvo melhor opinião o Joy já era (estive lá em 1985, morda-se) e a Serrano já viu melhores dias. Vou às transversais da Alcalá beber uma caa por si, pode ser?
By clark59, at dezembro 13, 2004
Caro Clark: o Joy nunca era, depende da hora e do dia. mas parece-me lindamente Alcalá. Em todo o caso, dê lá um saltinho ao Honky Tonk (salvo erro que vai de cabeça, Covarrubias, 88).
E a propósito: conhece o Spandau?
By pedro guedes, at dezembro 13, 2004
Em sua memória (você 'morreu' quando?) vou tentar ir ao Honky Tonk
By clark59, at dezembro 13, 2004
Isto é só por causa do PS, que tu agora disfarças com elegantes asteriscos: assim como entre nós foi muito provavelmente Camões o melhor sonetista, assim também acontece que em Espanha é preciso recuar uns séculos para encontrar 'lo mejor' — em minha opinião, Lope de Vega. Quevedo e López de Zárate (nasceram ambos no ano em que Camões morreu) são também bons exemplos da arte de sonetar. Moderna e contemporaneamente, há bons poetas a cultivar o soneto, como Antonio Machado e Francisco Villaespesa, mas nenhum atinge o nível de Vega. Deixo-te aqui um soneto dele, composto no final do século XVI, mas profundamente 'moderno', em que o poeta vai viajando pelas quadras e tercetos adentro, explicando divertidamente como se faz um soneto:
Un soneto me manda hacer Violante;
en mi vida me he visto en tal aprieto,
catorce versos dicen que es soneto,
burla burlando van los tres delante.
Yo pensé que no hallara consonante
y estoy a la mitad de otro cuarteto;
mas si me veo en el primer terceto,
no hay cosa en los cuartetos que me espante.
Por el primer terceto voy entrando,
y aún parece que entré con pie derecho,
pues fin con este verso le voy dando.
Ya estoy en el segundo, y aún sospecho
que estoy los trece versos acabando:
contad si son catorce, y está hecho.
By Bruno Santos, at dezembro 13, 2004
Venho aos blogs dos meus amigos para me safar da espanholada e apanho com isto?? Raios vos partam!
By Alfredo F., at dezembro 13, 2004
Ó Clark, parece mal elogiar o BOS aqui? Ou tenho que ir lá ao sítio dele medalhá-lo, pelos vistos, já só nas costas?
Esto es de puta madre!
By mjm, at dezembro 15, 2004
E a propósito: conhece o Spandau?
Un soneto me manda hacer Violante;
en mi vida me he visto en tal aprieto,
catorce versos dicen que es soneto,
burla burlando van los tres delante.
Yo pensé que no hallara consonante
y estoy a la mitad de otro cuarteto;
mas si me veo en el primer terceto,
no hay cosa en los cuartetos que me espante.
Por el primer terceto voy entrando,
y aún parece que entré con pie derecho,
pues fin con este verso le voy dando.
Ya estoy en el segundo, y aún sospecho
que estoy los trece versos acabando:
contad si son catorce, y está hecho.
Esto es de puta madre!
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