quarta-feira, dezembro 29
Carta a meu Pai
Não sei se reparaste, mas há uma notícia, entre todas, que me deixou um bocado ‘murcho’. Então não é que a maior parte dos laboratórios farmacêuticos não faz investigação sobre antibióticos há quase trinta anos?
Claro que esta não é a notícia do ano. Lá onde eu trabalho discutiu-se se a ‘melhor’ seria a indigitação de Durão Barroso para a Comissão Europeia, ou a vitória esmagadora de Bush sobre a senhora do ketchup, ou a interrupção da circulação ferroviária em Madrid a 11 de Março, ou até a morte de turistas europeus numas praias da Ásia (se fossem só asiáticos não era noticia). Até houve quem aventasse que a notícia do ano era o chumbo de Bruxelas à reestruturação do sector energético português ou a vitória do teu Belenenses sobre o meu Benfica, num dia aziago e anti-patriótico. Está visto, há gente para tudo.
Mas lá que este ano foi esquisito, foi.
Não que outros, anteriormente, não o tenham sido. Lembras-te, certamente, de quando a tua Mãe (a avó Deolinda) te andou a pôr abafos para que não apanhasses a pneumónica. Lembras-te (tenho a certeza) de quando Mussolini tomou o poder em Itália, e de como muitos jovens do teu tempo acharam isso ‘baril’ (confesso que não conheço a palavra similar e diacrónica). Lembras-te quando Salazar abriu concurso para as Finanças e ficaste em primeiro lugar, a nível nacional. Lembras-te, sem dúvida, do dia em que Patton deu a volta à história e começaste a duvidar das tuas certezas ideológicas (tu contaste-me). Lembras-te quando te preparavas para votar Delgado, na Figueira da Foz onde então vivias, e subitamente percebeste que os ‘papéis’ do Tomás eram diferentes, pelo que facilmente o voto se tornaria não secreto? Lembras-te de quando fui à tropa, e choraste, mas logo depois percebeste que um filho nem sempre é a imagem do Pai?
E, apesar de tudo isto, este ano que agora acaba é esquisito. Por exemplo, escrevo-te na blogosfera, uma coisa nova de que não fazes ideia, mas que te juro ser muito mais avançada do que o fax que te expliquei há anos atrás. Tu, que foste dos primeiros portugueses a usar um computador, devias ser menos ingénuo e relapso sobre o andamento da tecnologia.
Neste ano começou a vulgarizar-se a fotografia a partir de um telemóvel, a ‘blind date’ a partir do Messenger, a baixa de um mês quando a doença só implica uma paragem de três semanas e as intervenções estéticas em mulheres de menos de trinta anos.
Eu sei que não dá para acreditar. Mas é verdade. Como também é verdade que a Grécia ganhou o Campeonato da Europa, o Zé Castelo Branco não é paneleiro, o Pina Moura é presidente da Iberdrola e o Mário Cláudio ganhou o Prémio Pessoa.
Que é que queres? Foi um ano esquisito…
Passa bem.
3 Comments:
Pois, foi um ano mesmo esquisito...A caderneta da Casa Pia começou a ser julgada e a Casa da Música no Porto ainda n abriu...
By Freddy, at dezembro 29, 2004
Não dá para acreditar...O Pedro Santana Lopes ainda é o Primeiro Ministro deste país e o Paulo Portas o Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, e vão quer continuar a ser.
Esperemos que o ano 2005 não seja um ano esquisito...
P.S. Bom Ano de 2005 para toda a família! : )
By objectiva3, at dezembro 29, 2004
Mais esquisito é que nós ainda nos espantamos com certas coisas. Que coisa...
By AS, at dezembro 29, 2004
Esperemos que o ano 2005 não seja um ano esquisito...
P.S. Bom Ano de 2005 para toda a família! : )
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