domingo, novembro 14
Às vezes
Surgiram-me, neste tempo, várias ideias para escrever. Já não importam. Sobre Juan Manuel Serrat, por exemplo, o primeiro humano que me deu a noção de que País pode não querer dizer Nação. E a sorte que nós, portugueses, temos nesse aspecto.
Apeteceu-me também, como a tantos de vós, escrever sobre Arafat. Nunca gostei do homem, paz à sua Alma. Mas fui mais além: perguntei-me como foi possível a uma gente (os muçulmanos) que dominou o Mundo durante séculos atrasar-se tanto (porque o atraso deles é sobretudo tecnológico) que viesse a pôr em causa não só a sua própria decência como povo, mas também a segurança do Mundo. Basta ir a Córdoba para perceber o que eu digo.
Talvez devesse ter escrito, também, sobre hospitais. Uma vez na vida passei lá dois ou três dias, por causa de uma apendicite duvidosa. Abriram-me um buraco que à época já não se usava, para prescrutar isso mesmo, uma apendicite ou talvez não. O estagiário que, sob a égide do catedrático, presidiu à função, cortou que se fartou. Soube mais tarde que fui alvo de uma inspecção geral de saúde abdominal, que vistoriou fígado, rins, estômago e intestino, pelo menos. À época, o que estava mal mesmo, e só, era o apêndice. Mas o que conta é a intenção.
A sócia teve mais sorte. Já acamou duas vezes, mas sempre em hotel de cinco estrelas. Desta vez foi a safena (veia da perna), porque geneticamente é mesmo assim, e porque da boca não tira nada. Correu bem.
Podia também falar sobre a visita de Sampaio ao sucessor de S.Pedro. Tenho sobre o assunto um pudor a sério. É preciso ter muita fé para acreditar que o polaco ainda representa Deus na Terra. Já quanto ao 'cenoura' é para estas coisas que o gajo tem jeito. Mesmo ateu tem graça.
No jornal da Avenida da Liberdade, as coisas vão andando com calma. Como dizia o MS, aí mais abaixo, a turbulência ainda não terminou. Mas vai lá com tempo.
Termino com uma citação de letra de uma canção de Pi de la Serra, catalão como Serrat: 'Si les fils de puta volassem non verriam plus el sol'.
Take care!
5 Comments:
Fazes bem em não escrever sobre Arafat, que a blogosfera está pejada de postais sobre o falecido. Os adeptos limitaram-se as mais das vezes a um requiem envergonhado; os adversários expeliram quanto ódio lhes empanturrava a alma, na hora mesma da morte mil vezes anunciada e desmentida, como se lhe quisessem antecipar o fim.
Fazes igualmente bem em não redigir nada sobre hospitais. Nem preciso de dizer porquê. E andarias igualmente bem se te remetesses ao silêncio sepulcral sobre a passagem pelo Vaticano do Cenoura e da Maria José Ritta, respeitosamente de mantilha para poupar Sua Santidade ao espectáculo indecoroso de lhe mirar as fuças. Mas, mesmo não querendo falar, acabaste por escrever em referência ao Papa: — «É preciso ter muita fé para acreditar que o polaco ainda representa Deus na Terra». Vivemos tempos de exício em que é proibido ser velho. Hoje em dia, só fica bem sermos idosos quando, do alto dos nossos 80 anos, aparentarmos 40 ou 45 — a televisão passando reportagens sobre o «jogging» matinal que ainda fazemos, e os amigos bacorejando que nas noites de lua cheia, apesar da artrite reumatóide, somamos no leito os nossos oitenta anos aos vinte e cinco de uma qualquer catraia ingénua. Não sendo assim, os velhos que se lixem...
Da recepção vaticana de sexta-feira, posso dizer-te que — dos dois gerontes — o único que não representa nada nem ninguém é o Sampaio...
Folgo em saber que no jornal da Avenida da Liberdade as coisas vão andando. Coitadinhos dos jornalistas, sempre tão isentos e irrepreensíveis, expiando agora sem culpa as intenções crapulosas do governo, num recolhimento de medo, estarrecidos e escarmentados pelo Poder...
Atira-te mas é com unhas e dentes ao Claque Quente, que isto da blogosfera é que é comunicação a sério.
By Bruno Santos, at novembro 14, 2004
Esta pequena peça de diário de bordo também me caiu no goto... São Arafat, Sampaio e São Pedro, um tríptico trôpego, dir-se-ia.
Folguei mais com as referências musicais. Já essa vistoria que te fizeram aos interiores, vá lá saber-se se, com tantas intimidades pesquisadas, não está aí o príncípio de uma bela amizade...
Um abraço.
By Jorge Castro (OrCa), at novembro 15, 2004
Ainda bem que tudo está a correr melhor!
Já fazia falta a sua análise dos acontecimentos...
:))
By objectiva3, at novembro 15, 2004
Coincidimos, uma vez mais.
Também foi com o Serrat que me dei conta que nação e país não são a mesma coisa. Teria uns 13 anos, pelo que foi um bocado antes de V. Exa., caro Clark (teria V.Exa. uns cinco então!). Ser mais velho também tem as suas vantagens.
Não gosto do Arafat, não gosto do "Cenoura", que é um grandessíssimo banana.
Para fazer a figura que faz, mais valeria termos lá um rei, ou uma rainha. Era mais decorativo...
Não bastaria já a doença que consome o sucessor de Pedro, ainda tem que levar com o Sampaio. Seguramente que irá a santo o senhor Woytila!!!
Quanto aos árabes, não sei se com mais seis séculos em cima lá irão... basta ver a delirante e inacreditável confusão que foi o funeral do Arafat. Seguramente que bem mais cedo acabarão por subjugar-nos, tomando conta da Europa. Ao ritmo a que se reproduzem, serão maioria em 120 anos e a Sharia passará a ser a lei para os nossos descendentes...
As calorosas melhoras à sócia, que é também uma séria candidata a santa!!!
By PluribusUnum, at novembro 15, 2004
As melhoras da Sócia e vou ver se não me esqueço da citação: "Se os filhos da puta voassem já não se via o sol..."Aquele asbraço Clarck
By Azenhas, at novembro 15, 2004
Fazes igualmente bem em não redigir nada sobre hospitais. Nem preciso de dizer porquê. E andarias igualmente bem se te remetesses ao silêncio sepulcral sobre a passagem pelo Vaticano do Cenoura e da Maria José Ritta, respeitosamente de mantilha para poupar Sua Santidade ao espectáculo indecoroso de lhe mirar as fuças. Mas, mesmo não querendo falar, acabaste por escrever em referência ao Papa: — «É preciso ter muita fé para acreditar que o polaco ainda representa Deus na Terra». Vivemos tempos de exício em que é proibido ser velho. Hoje em dia, só fica bem sermos idosos quando, do alto dos nossos 80 anos, aparentarmos 40 ou 45 — a televisão passando reportagens sobre o «jogging» matinal que ainda fazemos, e os amigos bacorejando que nas noites de lua cheia, apesar da artrite reumatóide, somamos no leito os nossos oitenta anos aos vinte e cinco de uma qualquer catraia ingénua. Não sendo assim, os velhos que se lixem...
Da recepção vaticana de sexta-feira, posso dizer-te que — dos dois gerontes — o único que não representa nada nem ninguém é o Sampaio...
Folgo em saber que no jornal da Avenida da Liberdade as coisas vão andando. Coitadinhos dos jornalistas, sempre tão isentos e irrepreensíveis, expiando agora sem culpa as intenções crapulosas do governo, num recolhimento de medo, estarrecidos e escarmentados pelo Poder...
Atira-te mas é com unhas e dentes ao Claque Quente, que isto da blogosfera é que é comunicação a sério.
Folguei mais com as referências musicais. Já essa vistoria que te fizeram aos interiores, vá lá saber-se se, com tantas intimidades pesquisadas, não está aí o príncípio de uma bela amizade...
Um abraço.
Também foi com o Serrat que me dei conta que nação e país não são a mesma coisa. Teria uns 13 anos, pelo que foi um bocado antes de V. Exa., caro Clark (teria V.Exa. uns cinco então!). Ser mais velho também tem as suas vantagens.
Não gosto do Arafat, não gosto do "Cenoura", que é um grandessíssimo banana.
Para fazer a figura que faz, mais valeria termos lá um rei, ou uma rainha. Era mais decorativo...
Não bastaria já a doença que consome o sucessor de Pedro, ainda tem que levar com o Sampaio. Seguramente que irá a santo o senhor Woytila!!!
Quanto aos árabes, não sei se com mais seis séculos em cima lá irão... basta ver a delirante e inacreditável confusão que foi o funeral do Arafat. Seguramente que bem mais cedo acabarão por subjugar-nos, tomando conta da Europa. Ao ritmo a que se reproduzem, serão maioria em 120 anos e a Sharia passará a ser a lei para os nossos descendentes...
As calorosas melhoras à sócia, que é também uma séria candidata a santa!!!
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