segunda-feira, novembro 22
PRODUÇÕES CLAQUE QUENTE
APRESENTAM
A Rosa do Arno
(teatro de inspiração popular)
ACTO I
Cena 1
(Rosa está sentada num banco de jardim, folheando um jornal. De repente, num gesto brusco, atira o periódico ao chão e levanta-se)
- Nesta terra que me calhou em sorte habitar, não há emprego que jeito tenha para uma mulher como eu. Pedem currículos, pedem concursos, referências, experiência anterior. O raio que os parta! Renego-te, Florença, a grande terra do saber e das artes. Merda! Num país onde toda a gente dá um jeito e o compadrio é quase regra, eu tinha que vir calhar na mais civilizada das cidades, onde todos se consideram superiores. Regras e mais regras… Mais me valia ter nascido alemã!
(volta a sentar-se, pensativa e irritada)
- Para que é que tenho um corpo destes? Para um dia destes casar com um pobre diabo qualquer, com mais sorte que os outros e que me apanhe o coração desprevenido… (levanta-se outra vez) Era só o que faltava! Nessa não caio eu. Isto aqui (e meneia-se) há-de servir para mais do que isso.
(vai para a parte de trás da cena e debruça-se sobre aquilo que parece ser uma cerca a dar para um leito de água)
- Rio Arno, rio Arno, para onde corres tu? Para onde me levas, desde que seja daqui para fora?! És pequeno e estreito como a cabeça desta gente que me rodeia.
(virando-se para a boca de cena)
- Eu nasci para espaços maiores! Onde a água seja a perder de vista! Aqui sufoco no meio das pedras centenárias, todas alinhadas e limpas. Eu quero da luz a escuridão. À perseverança prefiro a audácia, ao certo o desacerto, à inteligência a esperteza. É aí que eu me dou bem.
(ri-se e dança sozinha)
- Ainda me lembro daquele professor na Faculdade que me queria dar negativa, lá a uma porra de uma disciplina que eu até já esqueci o nome. Epistemologia, ou o caraças. Saí de lá com um 4 e ele também não se saiu mal, o estupor. (gestos sensuais).
(mais séria, virando-se para a plateia)
- Eu gosto de comunicar. Cada um comunica como pode e gosta. Acho uma parvoíce esta moda agora de que toda a gente tem que ter cérebro de Einstein para subir na vida. (meneia-se de forma ordinária). Eu cá tenho cu de Marilyn e mamas de Madona. Qual é o mal?
(volta-se outra vez para o rio)
- Te juro Arno, não vou morrer a olhar-te. Se aqui não há lugar para mim, outros me hão-de admirar.
(corre para a boca de cena)
- O Tejo… É isso! Aquele rio enorme que banha Lisboa. As férias que eu lá passei! (mais pensativa) Gente engraçada aquela. Já li algures que ainda são mais desorganizados que os meus patrícios do mezzogiorno.
(mais alegre)
- Lá é que eu ia longe. As tipas, em geral são feias e pouco atrevidas. E ouvi dizer que lá tudo o que é estrangeiro pega…
(cada vez mais animada)
- É isso, vou-me ao Tejo, grande, grande rio! Próprio para corpos a rebentar por dentro e cabeças ágeis como a minha. Adeus Arno, aqui a Rosa vai mas é para Lisboa!
APRESENTAM
A Rosa do Arno
(teatro de inspiração popular)
ACTO I
Cena 1
(Rosa está sentada num banco de jardim, folheando um jornal. De repente, num gesto brusco, atira o periódico ao chão e levanta-se)
- Nesta terra que me calhou em sorte habitar, não há emprego que jeito tenha para uma mulher como eu. Pedem currículos, pedem concursos, referências, experiência anterior. O raio que os parta! Renego-te, Florença, a grande terra do saber e das artes. Merda! Num país onde toda a gente dá um jeito e o compadrio é quase regra, eu tinha que vir calhar na mais civilizada das cidades, onde todos se consideram superiores. Regras e mais regras… Mais me valia ter nascido alemã!
(volta a sentar-se, pensativa e irritada)
- Para que é que tenho um corpo destes? Para um dia destes casar com um pobre diabo qualquer, com mais sorte que os outros e que me apanhe o coração desprevenido… (levanta-se outra vez) Era só o que faltava! Nessa não caio eu. Isto aqui (e meneia-se) há-de servir para mais do que isso.
(vai para a parte de trás da cena e debruça-se sobre aquilo que parece ser uma cerca a dar para um leito de água)
- Rio Arno, rio Arno, para onde corres tu? Para onde me levas, desde que seja daqui para fora?! És pequeno e estreito como a cabeça desta gente que me rodeia.
(virando-se para a boca de cena)
- Eu nasci para espaços maiores! Onde a água seja a perder de vista! Aqui sufoco no meio das pedras centenárias, todas alinhadas e limpas. Eu quero da luz a escuridão. À perseverança prefiro a audácia, ao certo o desacerto, à inteligência a esperteza. É aí que eu me dou bem.
(ri-se e dança sozinha)
- Ainda me lembro daquele professor na Faculdade que me queria dar negativa, lá a uma porra de uma disciplina que eu até já esqueci o nome. Epistemologia, ou o caraças. Saí de lá com um 4 e ele também não se saiu mal, o estupor. (gestos sensuais).
(mais séria, virando-se para a plateia)
- Eu gosto de comunicar. Cada um comunica como pode e gosta. Acho uma parvoíce esta moda agora de que toda a gente tem que ter cérebro de Einstein para subir na vida. (meneia-se de forma ordinária). Eu cá tenho cu de Marilyn e mamas de Madona. Qual é o mal?
(volta-se outra vez para o rio)
- Te juro Arno, não vou morrer a olhar-te. Se aqui não há lugar para mim, outros me hão-de admirar.
(corre para a boca de cena)
- O Tejo… É isso! Aquele rio enorme que banha Lisboa. As férias que eu lá passei! (mais pensativa) Gente engraçada aquela. Já li algures que ainda são mais desorganizados que os meus patrícios do mezzogiorno.
(mais alegre)
- Lá é que eu ia longe. As tipas, em geral são feias e pouco atrevidas. E ouvi dizer que lá tudo o que é estrangeiro pega…
(cada vez mais animada)
- É isso, vou-me ao Tejo, grande, grande rio! Próprio para corpos a rebentar por dentro e cabeças ágeis como a minha. Adeus Arno, aqui a Rosa vai mas é para Lisboa!
1 Comments:
Bis, bis, bis!!!
Italiana??!! ;))
By objectiva3, at novembro 22, 2004
