quarta-feira, novembro 24

A mulher doente

Para mim, tudo visto e revisto, o que permanece perene de todas as alterações e revoluções ocorridas no século XX, no que à sociedade ocidental diz respeito, é a desconexão da mulher com o trabalho doméstico. Para o bem e para o mal, a vida das nossas avós, ou mesmo das nossas mães, não tem nada que ver com a maior parte da das nossas irmãs, mulheres ou amigas, com todas as influências que isso tem de positivo ou negativo - em suma, de diferente - para a vida de todos nós. Não descortino nada de mais formativo e impossível de inflectir, na sociedade actual, de que as novas formas de intervenção cívica, política e - essencialmente - profissional que as mulheres tomaram para si. Mesmo que as circunstãncias às vezes tenham andado à frente das suas vontades legítimas, e tenham, por si só, adiantado um processo que, em termos optimizados, deveria ter demorado mais tempo.

Digo isto hoje, e não há mais tempo, porque comigo ocorre, neste momento, uma experiência doce. A minha mulher que, assumo, tem um pouco mais dos 50% exigíveis das responsabilidades domésticas, está doente. Isso exigiu-me, nos primeiros dias da sua incapacidade, um esforço redobrado mas também aliciante de substituição de funções. Nos últimos dias, no entando, o 'bicho' está com a força toda e declinou na cozinha a sua força (que é muita) não executada no trabalho exterior O qual ainda não está habilitada a exercer.

Pois ó meus amigos! Tenho comido que nem um Rei! Desde sempre com jeito para o tempero, a mulher nem todos os dias tem tempo para a arte associada à alimentação. Porque chega tarde, porque não tem paciência, porque está cansada. Mas, honra lhe seja feita, sempre vai fazendo o que pode. Só que agora - só aparentemente sem sentido - pode mais. E vai daí deita-se aos tachos como artista que sempre foi e quase nunca pudera ter exercido na sua plenitude. Encarcerada em casa, vai-se mexendo como Deus quer e a cozinha é que apanha por tabela da sua impossibilidade profissional. É assim como um complemento da imensa actividade que lhe foi vedada nestes dias de convalescença.

E agora, interesseiro, digo eu: que doençazita pacata lhe conseguirei arranjar depois desta? Uma coisa que não a magoe, mas que a ponha em casa em repouso e que me excite de paladares.

Ela que perdoe, e já agora as senhoras que tanto fizeram por nos fazer companhia nesta saga moderna de levar o mundo pr'a frente. Mas lá que o meu Pai teve sorte...

4 Comments:

Agora começo a perceber o sentido do provérbio:"Mulher doente mulher para sempre"...(Pura provocação!!!)
;))
P.S.Boas melhoras!

By Blogger objectiva3, at novembro 24, 2004  

pois... aqui há tempos o meu filhote tb comentou que gostava quando eu ficava doente ;)... são todos iguais, seus gulosos comilões!

bjs e boas melhoras (melhora mas sem volta aos afazeres profissionais! ai a tua linha Clark... lololll)

By Blogger SaoAlvesC, at novembro 24, 2004  

Ò Clark, olha a linha!!!!

Melhoras para a tua mais que tudo.

By Blogger Luís Bonifácio, at novembro 24, 2004  

Pois então querido Clark... "poipe-a"...E já agora excite os paladares ... Os seu e os dela... ;)

By Blogger AS, at novembro 24, 2004  

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Comments:
Agora começo a perceber o sentido do provérbio:"Mulher doente mulher para sempre"...(Pura provocação!!!)
;))
P.S.Boas melhoras!
 
pois... aqui há tempos o meu filhote tb comentou que gostava quando eu ficava doente ;)... são todos iguais, seus gulosos comilões!

bjs e boas melhoras (melhora mas sem volta aos afazeres profissionais! ai a tua linha Clark... lololll)
 
Ò Clark, olha a linha!!!!

Melhoras para a tua mais que tudo.
 
Pois então querido Clark... "poipe-a"...E já agora excite os paladares ... Os seu e os dela... ;)
 
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