terça-feira, novembro 16

É dar-lhes!!!

Não sei se este distintíssimo bloguista, tão pouco cá de casa, tem tido tempo para ler o jornal que lhe paga as contas, tão aterefado andou, nos últimos tempos, a encontrar piolhos no cu dos outros. Não querendo entrar em erudições excessivas, nem com tempo para primores de estilo, cá vai a cru: quem cospe para o ar cai-lhe na testa.

A verdade de um jornal realmente independente é esta: a terceira notícia mais importante do dia, com respectiva chamada à primeira página, é hoje titulada 'Sonaecom lança telefone fixo sem assinatura mensal'. Isto mesmo, logo abaixo de um desagrado qualquer entre os parceiros da coligação que nos governa e - hélas - a demissão de José Rodrigues dos Santos. Mais importante, pois, porque com mais espaço de chamada, do que 'Colin Powell anuncia demissão do Governo Bush', ou 'Funcionária da PGR acusada de seis crimes', ou ainda 'Ministério vai criar nova instituição para a divulgação científica'. Isto para só citar outras chamadas de primeira página, não pondo em causa os critérios que levaram à decisão.

Mas mesmo com memória curta, e folheando apenas a colecção de Novembro (ainda o mês vai a meio), pode encontar-se, no jornal do dia 2, uma primeira página que alerta para o facto de que os 'Lucros da Sonae Indústria aumentaram 58 por cento'. Para além de ser inexacto (o que aumentou 58% foi o cash-flow operacional), é preciso dizer que a Sonae Indústria nem sequer integra o núcleo das 30 empresas mais importantes da bolsa nacional.

Passando ao jornal de 12 de Novembro, e logo abaixo de uma garrafal e óbvia manchete sobre o funeral de Arafat, lá está a chamada: 'Combustíveis: Limitações a postos nos hiper custa 200 milhões de euros aos consumidores'. Se calhar é verdade, mas há outras verdades por contar. Por exemplo, como é que é aferida a qualidade dos combustíveis nos postos dos tais hiper. Um dia destes falamos disso.

E já nem falo de quando a concorrência se põe a jeito. Aí é dar-lhes (que é o que eu estou a fazer aqui, seguindo uma velha máxima de uma cultura pouco cristã, mas ainda assim muito enraízada na contemporaneidade, que metia olhos e dentes). Falo da chamada de primeira página do passsado dia 5 - um vigoroso trabalho de investigação assinado por um sub-director e um editor do jornal -, que deu para explicar que a 'PT tem acordo para comprar jornal de Luís Delgado'. É dar-lhes!!

2 Comments:

Não consigo entender porque te irritas tanto com o JPP, do Abrupto.
Eu gosto sempre de ler o JPP, mesmo quando não concordo com as suas opiniões, o que, como calculas, acontece amiudadas vezes.
O homem escreve bem e pensa muito bem. É um finíssimo e sagaz analista. Pensa pela sua cabeça, é descomprometido, apesar de ser do partido. Conheço poucos comentaristas independentes são mais independentes, passe o aparente pleonasmo.
Só não concordo sempre com o JPP porque ele parte de premissas que eu não aceito, por iso não podemos chegar às mesmas conclusões.
Mas gosto muito de o ler... realmente gosto!

By Blogger PluribusUnum, at novembro 18, 2004  

Também não entendo a tua progressiva e algo obsessiva aversão ao Público. Estaremos certamente de acordo quanto às limitações e vícios do Público.
A pior delas será certamente a escravidão que evidencia relativamente ao politicamente correcto, uma subserviência acrítica ao espírito "soixante huitard" que permanece, embora já tenham passado quase 40 anos...
Mas é certamente o melhor jornal português.
É bonito que vistas a camisola do DN, mas não te deixes contaminar pela dor de cotovelo que afecta o corpo redactorial do DN desde que o Público apareceu.
De facto, em minha opinião, o DN enferma de uma doença congénita, o "oficiosismo".
Era um diário oficioso no tempo de Salazar e Marcelo. Não tens idade para te lembrares, mas eu lembro-me bem.
Passou logo a seguir a oficioso do abrilismo, no consulado "saramágico", com saneamentos e tudo. Só não houve fusilamentos porque não tiveram tempo.
Depois foi oficioso do cavaquismo e do guterrismo.
E a última crise aconteceu graças à desastrada mão pesada dos santanetes, que metem a pata cada vez que tentam fazer qualquer coisa.
Fossem eles mais sofisticados e o DN seria oficioso do santanismo. Tão brutos foram que a Redacção finalmente reagiu.
Esta crise abre de facto uma janela de oportunidade ao DN, que há muito não existia.
Assim a saibam aproveitar.
Mas o oficiosismo está na massa do sangue desse jornal, é o principal obstáculo à sua afirmação.
Claro que isto nada disto tem que ver com a qualidade da Redacção do DN, que não se questiona. Tem sim a ver com a cúpula da Redacção. Mas isto já vai largo...

By Blogger PluribusUnum, at novembro 18, 2004  

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Não consigo entender porque te irritas tanto com o JPP, do Abrupto.
Eu gosto sempre de ler o JPP, mesmo quando não concordo com as suas opiniões, o que, como calculas, acontece amiudadas vezes.
O homem escreve bem e pensa muito bem. É um finíssimo e sagaz analista. Pensa pela sua cabeça, é descomprometido, apesar de ser do partido. Conheço poucos comentaristas independentes são mais independentes, passe o aparente pleonasmo.
Só não concordo sempre com o JPP porque ele parte de premissas que eu não aceito, por iso não podemos chegar às mesmas conclusões.
Mas gosto muito de o ler... realmente gosto!
 
Também não entendo a tua progressiva e algo obsessiva aversão ao Público. Estaremos certamente de acordo quanto às limitações e vícios do Público.
A pior delas será certamente a escravidão que evidencia relativamente ao politicamente correcto, uma subserviência acrítica ao espírito "soixante huitard" que permanece, embora já tenham passado quase 40 anos...
Mas é certamente o melhor jornal português.
É bonito que vistas a camisola do DN, mas não te deixes contaminar pela dor de cotovelo que afecta o corpo redactorial do DN desde que o Público apareceu.
De facto, em minha opinião, o DN enferma de uma doença congénita, o "oficiosismo".
Era um diário oficioso no tempo de Salazar e Marcelo. Não tens idade para te lembrares, mas eu lembro-me bem.
Passou logo a seguir a oficioso do abrilismo, no consulado "saramágico", com saneamentos e tudo. Só não houve fusilamentos porque não tiveram tempo.
Depois foi oficioso do cavaquismo e do guterrismo.
E a última crise aconteceu graças à desastrada mão pesada dos santanetes, que metem a pata cada vez que tentam fazer qualquer coisa.
Fossem eles mais sofisticados e o DN seria oficioso do santanismo. Tão brutos foram que a Redacção finalmente reagiu.
Esta crise abre de facto uma janela de oportunidade ao DN, que há muito não existia.
Assim a saibam aproveitar.
Mas o oficiosismo está na massa do sangue desse jornal, é o principal obstáculo à sua afirmação.
Claro que isto nada disto tem que ver com a qualidade da Redacção do DN, que não se questiona. Tem sim a ver com a cúpula da Redacção. Mas isto já vai largo...
 
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