quinta-feira, outubro 14

You don't know me / but I know you

Quando ouvi o álbum 'Big Science' de Laurie Anderson, aí pelo ano de 1984, confesso que andava desiludido com a música. Há anos que não ouvia nada de novo ou de bom. Foi na ressaca do 'Tókio', anos depois da new wave, muito, muito depois do meu tempo, que como toda a gente sabe, em se tratando de música popular urbana, corresponde meridianamente aos 15 anos, mais coisa menos coisa. Onde já iam os Genesis, os Van der Graaf, os Pink Floyd, os King Crimson, os Gentle Giant, os Procol Harum e o Frank Zappa, ou mesmo os The Who, os Jefferson Airplane ou os The Doors, herdados da geração imediatamente anterior à minha! Sim, porque os Talking Heads, os Simple Minds, os U2, os Dire Straits, os Stranglers e os Pretenders, que lá ia ouvindo, não me afinavam a alma.
Um dia ouvi Nina Hagen e qualquer coisa despertou. Mas não foi suficiente. Num outro registo, ainda me arrastaram para um concerto da Carla Bley, mas a senhora desafina por quantas tem (eu também com os copos só escrevo merda, por isso compreendo perfeitamente).
O 'estalo' foi mesmo esta nova-iorquina. Laurie Anderson era diferente. Era a modernidade ali à mão de semear. Gostasse-se, ou não, do que ela (a modernidade) trazia.

Ontem lembrei-me deste poema *, a propósito da morte de Christopher Reeve (e percebe-se por quê).

O Superman. O Judge. O Mom and Dad. Mom and Dad.
Hi. I'm not home right now. But if you want to leave a message, just start talking at the sound of the tone.
Hello? This his your mother. Are you there? Are you coming home?
Hello? Is anybody home? Well, you don't know me, but I know you
And I've got a message to give to you
Here comes the planes
So you better get ready. Ready to go. You can come as you are, but pay as you go. Pay as you go.

(...)

Cause when love is gone, there's always justice
And when justice is gone, there's always force
And when force is gone, there's always Mom.

So hold me Mom, in your long arms
In your automatic arms. Your electronic arms
In your arms.
Yourt petrochemical arms. Your military arms

O Superman, o judge!


* Não dispensa a consulta do CD

4 Comments:

Também gosto da Laurie Anderson! Para mim os 80s foram os anos mais loucos :)

No entanto, gosto muito e conheço bem todos os grupos que mencionas e até outros muito mais antigos, pois jamais fui imune aos gostos dos que me rodearam e até de músicas dos tempos dos meus avós guardei referências. Isto acabou por fazer de mim música. Andei em Letras mas como também fiz o Conservatório, optei por trabalhar na música! Na ligeira, os Doors e os Velvet Underground são os meus favoritos - pois são intemporais.

Da new wave guardei a Blondie. E lembras-te da cold wave? Eu gostei dos OMD, temas como Souvenir, Electricity e Enola Gay entraram pelos 80s. Nada que se compare aos Doors ou à Laurie... mas não estavam mal!

Gostei imenso deste post! :)

By Blogger Fata Morgana, at outubro 14, 2004  

(...)
"And I said:OK.Who is this really?"(...)
;)

By Blogger objectiva3, at outubro 14, 2004  

Fata, só espero que a música, que não conheço, ande ao nível das letras, que amiúde leio :)
Objectiva, não tive pachorra para pôr a letra toda :)

By Blogger clark59, at outubro 14, 2004  

Caro Clark, embora hoje 90% da música que ouço seja clássica, também passei pelos grupos que menciona (penso que devemos ter a mesma idade), mas olhe que os King Crimson ainda existem, e experimentalistas como desde o início. Deve ser caso único de inconformismo criativo.

By Blogger Flávio Santos, at outubro 15, 2004  

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Comments:
Também gosto da Laurie Anderson! Para mim os 80s foram os anos mais loucos :)

No entanto, gosto muito e conheço bem todos os grupos que mencionas e até outros muito mais antigos, pois jamais fui imune aos gostos dos que me rodearam e até de músicas dos tempos dos meus avós guardei referências. Isto acabou por fazer de mim música. Andei em Letras mas como também fiz o Conservatório, optei por trabalhar na música! Na ligeira, os Doors e os Velvet Underground são os meus favoritos - pois são intemporais.

Da new wave guardei a Blondie. E lembras-te da cold wave? Eu gostei dos OMD, temas como Souvenir, Electricity e Enola Gay entraram pelos 80s. Nada que se compare aos Doors ou à Laurie... mas não estavam mal!

Gostei imenso deste post! :)
 
(...)
"And I said:OK.Who is this really?"(...)
;)
 
Fata, só espero que a música, que não conheço, ande ao nível das letras, que amiúde leio :)
Objectiva, não tive pachorra para pôr a letra toda :)
 
Caro Clark, embora hoje 90% da música que ouço seja clássica, também passei pelos grupos que menciona (penso que devemos ter a mesma idade), mas olhe que os King Crimson ainda existem, e experimentalistas como desde o início. Deve ser caso único de inconformismo criativo.
 
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