terça-feira, outubro 5
Itália?
Em primeiro lugar, a demonstração de que ninguém é perfeito: a Cotada em Bolsa e a Objectiva 3 gostam de Itália e de italianos. A Objectiva 3 ainda que menos mal, que é jovenzita, mas a Cotada em Bolsa já tem idade para ter juízo.
Essa ideia feita de que a Itália é 'per l'amore e per amare', querida Cotada. Eu, por exemplo, não consigo amar em italiano. Porquê? Porque a língua me dói. E eu sou muito sensível de ouvido. Inglês da Irlanda do sul, sueco (de preferência com sotaque do mar, centro-norte) e catalão (da província de Gerona, se não for pedir demais), são as minhas preferidas. Quem já ouviu o canto dos anjos fica a detestar carroceiros (ou gondoleiros, tanto faz).
A Objectiva 3 arrisca mesmo que a comida é boa. Ó menina, já tentou comer aquela merda (perdão, eu queria dizer aquela valente merda) durante mais de três dias seguidos?
Nunca foram roubadas, nunca lhes pediram um dinheirão para visitar museus cujas principais obras estão na cave para restauro (mas não avisam à porta), nunca tiveram uma discussão com uma mamma napolitana, nem sabem o que é que quer dizer portoghese (é assim que se escreve?) em italiano? Nunca tentaram tratar de um simples papel numa repartição pública italiana? Garanto que ficam logo a adorar as nossas.
Para ser bem educado, puta que os pariu (a eles, aos italianos, nunca por nunca às minhas lindas).
O BOS é mais cínico mas não deixa de ter razão. Mas aposto que lá no fundo está tão vairado como eu por ver o nosso belo Benfica a jogar aquela porcaria do catenaccio (é assim que se escreve?).
A verdade é que há uma coisa que na Itália funciona de forma razoável. Falo da iniciativa privada. Nisso eles são melhores que nós. Mas também era difícil ter uma classe dominante pior que a portuguesa. No Paraguai, talvez...
4 Comments:
Clark, é exactamente assim que se escreve, tanto uma coisa como a outra. Mas dizer mal da outra, meu Deus...! O 'catenaccio' é uma arte (já o Mortimore defendia a teoria, não sabia era aplicá-la...), há pois que saber admirá-lo! O problema é que o Benfica não tem jogadores para colocar em prática (por muito mais tempo) o esquema que foi levando a 'azurra' a sucessivas finais internacionais sem que, para o comum dos mortais, jogasse alguma coisa.
Quanto ao mais, língua de carroceiro? Essa agora... aquilo é tão agradável que eu nem me atrevo, perante o BOS e a Cotada em Bolsa, a ensaiar aqui umas frases. E por fim, sempre lhe digo: come-se lindamente em Itália! Naturalmente não esparguete, aliás sabe que não faltam italianos que afirmam não comer tal coisa, nem serem as massas comida típica italiana. Eles limitaram-se a inventar aquilo, embrulhá-lo como "produto típico" e exportar o conceito para todo o mundo sob a forma de pizzaria. Originariamente, quem comia massa em grande quantidade eram os emigrantes italianos que, fora de portas e sem dinheiro, pouco mais podiam comer. E assim nasceu uma lenda que - aí sim concordo com o Clark - nos lixa o juízo nas áreas de serviço.
Dou-lhe o benefício da dúvida nas repartições públicas. Essas não conheço. Mas que diabo leva um português em Itália a frequentar esse tipo de local?
By pedro guedes, at outubro 05, 2004
Caro Clark,
Nós é que somos privilegiados, em beneficiar dos seus convictos posts!
E "Mulheres Perfeitas" só mesmo em filme!Diga-se, em abono da verdade, que nesse caso a nossa vida perdia metade da graça...
Quanto à sua preferência pelo sueco, deixa-me intrigada:Só pode ser poliglota... Posso dizer-lhe, que mesmo ao fim de 20 anos de convívio próximo, considero aquela língua um verdadeiro martírio.
Regressando a Itàlia, posso confessar que recordo com nostalgia alguns momentos: Um circuito de táxi em sentido contrário numa via principal de Nápoles(contra todas as regras, mas que soube a tanto), e um exímio guia de Capri que provou ser a sua lata uma arte (regressamos a pé até ao barco e supostamente tínhamos transporte).
Como vê não fiquei traumatizada,não será uma propensão dos Benfiquistas...
P.S.Quanto à comida italiana,o Pedro Guedes já teve a amabilidade de responder(Obrigada!).
By objectiva3, at outubro 05, 2004
Por acaso - e superiormente conduzido por um amigo de Milão - também já fiz uma rua inteira junto à Catedral respectiva em sentido contrário. Dizia o homem do leme que por ali, carabinieri, nem vê-los...
By pedro guedes, at outubro 05, 2004
Eu agora fiquei intrigado. E quero que a Objectiva 3 me explique essa dos 20 anos de convívio próximo com a língua sueca. Sortuda! Dá Deus as nozes....
By clark59, at outubro 06, 2004
Quanto ao mais, língua de carroceiro? Essa agora... aquilo é tão agradável que eu nem me atrevo, perante o BOS e a Cotada em Bolsa, a ensaiar aqui umas frases. E por fim, sempre lhe digo: come-se lindamente em Itália! Naturalmente não esparguete, aliás sabe que não faltam italianos que afirmam não comer tal coisa, nem serem as massas comida típica italiana. Eles limitaram-se a inventar aquilo, embrulhá-lo como "produto típico" e exportar o conceito para todo o mundo sob a forma de pizzaria. Originariamente, quem comia massa em grande quantidade eram os emigrantes italianos que, fora de portas e sem dinheiro, pouco mais podiam comer. E assim nasceu uma lenda que - aí sim concordo com o Clark - nos lixa o juízo nas áreas de serviço.
Dou-lhe o benefício da dúvida nas repartições públicas. Essas não conheço. Mas que diabo leva um português em Itália a frequentar esse tipo de local?
Nós é que somos privilegiados, em beneficiar dos seus convictos posts!
E "Mulheres Perfeitas" só mesmo em filme!Diga-se, em abono da verdade, que nesse caso a nossa vida perdia metade da graça...
Quanto à sua preferência pelo sueco, deixa-me intrigada:Só pode ser poliglota... Posso dizer-lhe, que mesmo ao fim de 20 anos de convívio próximo, considero aquela língua um verdadeiro martírio.
Regressando a Itàlia, posso confessar que recordo com nostalgia alguns momentos: Um circuito de táxi em sentido contrário numa via principal de Nápoles(contra todas as regras, mas que soube a tanto), e um exímio guia de Capri que provou ser a sua lata uma arte (regressamos a pé até ao barco e supostamente tínhamos transporte).
Como vê não fiquei traumatizada,não será uma propensão dos Benfiquistas...
P.S.Quanto à comida italiana,o Pedro Guedes já teve a amabilidade de responder(Obrigada!).
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