sexta-feira, outubro 1

In nomine lei

Hoje abri as portas do tribunal geral e recebi em audiência. Pela ordem indicada ao oficial de diligências, apareceram perante mim:

1 – Um senhorio com mais de 65 anos, que apostou tudo o que poupou em França, para onde emigrou vai para 40 anos, numas casas que arrendou antes de 1990. Não recebe nada de jeito e ainda paga a autárquica. Agora, ainda vai ter de pagar obras para reabilitar os apartamentos.

2 – Um inquilino com 59 anos, com três filhos todos ainda a cargo, que ganha mais de três salários mínimos nacionais. O senhorio já disse que lhe vai subir a renda, mas como dois dos miúdos têm mais de 25 anos, não contam para efeitos fiscais mas pesam no orçamento. Conta ser despejado, mais dia menos dia.

Decidi:

1 – Multar o senhorio em todo o seu pequeno pecúlio, que reverterá para obras de reabilitação urbana. A infracção penal consiste em ter acreditado que era possível investir com segurança neste País, posteriormente a este o ter expulsado sem lhe ter dado hipóteses de sobrevivência condigna.

2 – Multar o inquilino por ter tido filhos burros, que aos 25 anos ainda andam na Universidade, ou então que escolheram cursos com numerus clausus altos, o que não se compreende em miúdos da classe média-baixa. Assegurar-lhe que, se for despejado, tem direito a uma casa reabilitada. Mas não aos filhos.


5 Comments:

Sábia sentença. Mas talvez fosse mais sensato ficar calado. Querido Clark, não me interprete mal, tento apenas evitar que este Governo tenha mais ideias "geniais" e que a si as deva.
Por outras palavras, se eu vier a ser multada por ser proprietária e/ou inquilina vou-me a ti. Capicci?

By Blogger Mata Hari, at outubro 01, 2004  

Mata Hari, parafraseando um livro 'pimba', vai onde te leva o coração

By Blogger clark59, at outubro 01, 2004  

Já vi que tem um jeitão para julgador!
Cá vai um processo para dar entrada no seu douto tribunal:

1- Uma senhoria (imobiliária) de um prédio situado em Lisboa, nas avenidas novas, aposta na máxima rentabilidade do imóvel ( a pensar no terreno, claro!).
O edifício tem 2 andares vagos e três inquilinos. A mesma senhoria não mexe uma "palha" para arrendar os ditos fogos nem para fazer obras. Espera pacientemente que os inquilinos sobreviventes "batam a bota", ou “alguém” os “leve” para algum lado...

2-Vive nesse prédio um casal já à beira da reforma. Auferem em conjunto rendimentos superiores 3xsalário mínimo. O rendimento do casal é mesmo à justa, pois as despesas com medicamentos "levam a maior fatia do bolo". Não tem filhos para os ajudar.
Contam com o disparar da renda nos próximos tempos. Como não vão conseguir suportar esse acréscimo da despesa, um dia destes vão parar a outro lado.E aonde?

Aguardo respeitosamente a sua sentença final.

By Blogger objectiva3, at outubro 01, 2004  

Objectiva: a sua lente é uma Zeiss da melhor colheita, com um 'zoom' de 500. A nova lei das rendas é um ataque à classe média, ponto parágrafo. Ou seja, não resolve o problema dos senhorios pouco abonados, nem dos inquilinos com fracos rendimentos. No fundo, limita-se a olhar para um mundo de 'ricos e pobres' que, manifestamente, não é o nosso.

By Blogger clark59, at outubro 02, 2004  

Pois não é o "nosso" não senhor, Clark...o nosso é só de "pobres" que antes eram "remediados"...
...por acaso, eu nunca percebi pq raio é que o sub-chefe da policia que, pagava 5€ de renda ao meu pai em 2001 e queria a casa reformada e decorada pela Dadinha Ribeiro da Cunha, ficou tão zangado connosco...

By Blogger CotadaEmBolsa, at outubro 03, 2004  

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Comments:
Sábia sentença. Mas talvez fosse mais sensato ficar calado. Querido Clark, não me interprete mal, tento apenas evitar que este Governo tenha mais ideias "geniais" e que a si as deva.
Por outras palavras, se eu vier a ser multada por ser proprietária e/ou inquilina vou-me a ti. Capicci?
 
Mata Hari, parafraseando um livro 'pimba', vai onde te leva o coração
 
Já vi que tem um jeitão para julgador!
Cá vai um processo para dar entrada no seu douto tribunal:

1- Uma senhoria (imobiliária) de um prédio situado em Lisboa, nas avenidas novas, aposta na máxima rentabilidade do imóvel ( a pensar no terreno, claro!).
O edifício tem 2 andares vagos e três inquilinos. A mesma senhoria não mexe uma "palha" para arrendar os ditos fogos nem para fazer obras. Espera pacientemente que os inquilinos sobreviventes "batam a bota", ou “alguém” os “leve” para algum lado...

2-Vive nesse prédio um casal já à beira da reforma. Auferem em conjunto rendimentos superiores 3xsalário mínimo. O rendimento do casal é mesmo à justa, pois as despesas com medicamentos "levam a maior fatia do bolo". Não tem filhos para os ajudar.
Contam com o disparar da renda nos próximos tempos. Como não vão conseguir suportar esse acréscimo da despesa, um dia destes vão parar a outro lado.E aonde?

Aguardo respeitosamente a sua sentença final.
 
Objectiva: a sua lente é uma Zeiss da melhor colheita, com um 'zoom' de 500. A nova lei das rendas é um ataque à classe média, ponto parágrafo. Ou seja, não resolve o problema dos senhorios pouco abonados, nem dos inquilinos com fracos rendimentos. No fundo, limita-se a olhar para um mundo de 'ricos e pobres' que, manifestamente, não é o nosso.
 
Pois não é o "nosso" não senhor, Clark...o nosso é só de "pobres" que antes eram "remediados"...
...por acaso, eu nunca percebi pq raio é que o sub-chefe da policia que, pagava 5€ de renda ao meu pai em 2001 e queria a casa reformada e decorada pela Dadinha Ribeiro da Cunha, ficou tão zangado connosco...
 
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