sexta-feira, outubro 8
Farda, fardão, camisola de dormir
Tenho sobre a questão da roupa uma opinião diversa (ia para dizer avessa, mas em se tratando de roupa parece-me de mau tom).
Se me derem licença, vou apenas falar de mulheres. Não que tenha a veleidade machista de não perceber nada de homens, mas porque não convém misturar alhos com bugalhos. Os homens, aliás, ficarão para uma outra ocasião. Quem me conhece sabe bem que não sou avesso (lá estou eu) a falar sobre a indumentária do meu próprio sexo.
Quando se fala da escola de Colares está-se a falar, como é óbvio, de adolescentes. As adolescentes têm formas diferentes de lidar com o corpo. Sendo a idade mais ingrata da vida (excepto talvez a velhice, mas por essa ainda não passei), a adolescência, nas 'piquenas', tanto pode dar para o exibicionismo como para a 'concha'. Num tempo da vida em que a aprendizagem é essencial, cabe aos educadores provocar a dúvida sobre as formas mais ou menos excêntricas de demonstrar ambas as atitudes. E, eventualmente, levar as jovens a interrogar-se sobre se o comportamento visual que ostentam é o que mais se adequa à personalidade que querem evidenciar.
É isto, na minha opinião, que está certo. Se, depois disto, as jovens de 15 anos quiserem continuar a usar decotes iguais aos das suas irmãs universitárias, ou se pelo contrário preferem vestir calças dois números acima do que a sua anca exige, é lá com elas.
Já bastam os formatos que, em sendo adultas, as meninas têm que acatar. Deixem-nas, enquanto adolescentes, experimentar, experimentar, experimentar.
PS - Para que os meus mais íntimos não pensem que 'virei' politicamente correcto, continuo a defender que não há maior prazer do que chegar ao emprego e ver uma assaz interessante colega, que habitualmente usa calças, com uma mini-saia vestida. Se ademais ela se esquecer amiúde que mudou de indumentária nesse preciso dia, ou seja, comportando-se cineticamente como se fosse de calças, tanto melhor. É absolutamente estimulante para um voyeur (e em certos casos devia ser obrigatório) observar as coxas de uma colega enquanto se escreve sobre a EDP ou a taxa de desemprego. Mas o post era sobre adolescentes e eu nessas coisas não transijo.
9 Comments:
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By PluribusUnum, at outubro 08, 2004
Um dos choques mais interessantes da minha vida foi a minha primeira semana de tropa, em Mafra, nos anos 70. Estava habituado a cultivar a individualidade no vestir, a reparar no cabelo comprido ou curto, na roupa de moda e em todos os sinais que com os trapos pretendemos transmitir para o exterior.. Conviver com seiscentos homens todos vestidos de igual e de cabelo cortado à escovinha durante aquela semana em que não podíamos sair do quartel foi um autêntico choque.
Não tinha pistas para perceber se eram "in" ou "out", se eram fixes, caretas, bimbos ou betinhos, etc...
Nunca me havia dado conta antes da função de máscara que as indumentárias representam.
A partir desse momento, passei a prestar mais atenção às expressões das pessoas e às suas atitudes do que às roupas que usam, embora - confesso - continue a ter em conta estas últimas nos meus julgamentos, num plano muito relativo, está claro.
Passando à matéria de facto propriamente dita, não duvido que certas indumentárias que as mocinhas levam agora para para as aulas tornarão a disponibilidade dos rapazes para concentrar-se no estudo dramaticamente menor.
Ou seja, algum tipo de regra é necessária.
Já nem falo nos uniformes, uma ideia que certamente ofenderá os espíritos "politicamente correctos". Não tenho nada contra os uniformes. Pelo contrário.
Pelo menos evitaria a angústia que muitos adolescentes enfrentam quotidianamente logo ao acordar: "Que vestir?"
E certamente que os ajudaria a olhar com maior profundidade para os outros. E a crescer um pouco...
Ó Clark, vê-se bem que não tens filhos... Sobretudo filhas, como eu...!
By PluribusUnum, at outubro 08, 2004
Ó Clark, nem sabes como eu já estava preparado para escrever das boas. O PS (livra!) do texto, é que te safou! Mas não abuses muito da sorte.
By Alfredo F., at outubro 08, 2004
Caro Clark,
Depois da leitura atenta do seu post, arrisco-me a comentar a sua teoria "causa -efeito" entre as coxas da colega e uma avaliação dos mercados.
Se observar as coxas da colega proporciona destreza na visão conveniente à avaliação dos mercados, os interessados só devem ficar gratos...
Agora, se as ditas coxas não forem passíveis de observação e isso provocar uma diminuição da qualidade da análise, os lesados devem protestar...
Uma vez que os homens usam sempre calças no local de trabalho, não poderá esta teoria acarretar uma violação do princípio da igualdade?:))
By objectiva3, at outubro 08, 2004
Gostei da entrada das miudas na escola todas com mini-saia em tom de protesto...e parece que resultou ! Bom fim de semana !
Finurias
www.cagalhoum.blogspot.com
By Toze, at outubro 08, 2004
Objectivamente falando, direi que uma vez já fui de calções e sandálias (do melhor, do melhor) para o emprego, num dia de Verão particularmente quente. A claque foi de tal modo que desisti. As mulheres, muito menos habituadas ao voyeurismo que os homens, ficaram literalmente vidradas nessa parte do meu corpo um pouco melhor que o resto, que são as minhas pernas.
Onde é que está a desigualdade disto? Apenas nos olhos de quem vê, e nas indicações que manda para o córtex a partir daí.
By clark59, at outubro 09, 2004
Entendi agora a razão do meu caro Clark não ler atentamente os textos que vai tendo no ecrã em frente aos olhos. Ou são as visões ou as recordações que o distraem.
M.
ou
M. (de Manuela)
..antes e depois, mas sempre a mesma.
By Manuela Vaz, at outubro 09, 2004
:))) claro que a carta que escreves enquanto olhas para a colega de mini-saia é para a EDP... Ficas eléctrico, por isso te lembraste da EDP! Ai a factura!!!
By Fata Morgana, at outubro 09, 2004
Na semana pós 25 deAbril em que mais se bradou contra os censores da liberdade, este tema é "giríssimo".
E mais não digo.
Um abração do
Zecatelhado
By antonio, at outubro 09, 2004
Não tinha pistas para perceber se eram "in" ou "out", se eram fixes, caretas, bimbos ou betinhos, etc...
Nunca me havia dado conta antes da função de máscara que as indumentárias representam.
A partir desse momento, passei a prestar mais atenção às expressões das pessoas e às suas atitudes do que às roupas que usam, embora - confesso - continue a ter em conta estas últimas nos meus julgamentos, num plano muito relativo, está claro.
Passando à matéria de facto propriamente dita, não duvido que certas indumentárias que as mocinhas levam agora para para as aulas tornarão a disponibilidade dos rapazes para concentrar-se no estudo dramaticamente menor.
Ou seja, algum tipo de regra é necessária.
Já nem falo nos uniformes, uma ideia que certamente ofenderá os espíritos "politicamente correctos". Não tenho nada contra os uniformes. Pelo contrário.
Pelo menos evitaria a angústia que muitos adolescentes enfrentam quotidianamente logo ao acordar: "Que vestir?"
E certamente que os ajudaria a olhar com maior profundidade para os outros. E a crescer um pouco...
Ó Clark, vê-se bem que não tens filhos... Sobretudo filhas, como eu...!
Depois da leitura atenta do seu post, arrisco-me a comentar a sua teoria "causa -efeito" entre as coxas da colega e uma avaliação dos mercados.
Se observar as coxas da colega proporciona destreza na visão conveniente à avaliação dos mercados, os interessados só devem ficar gratos...
Agora, se as ditas coxas não forem passíveis de observação e isso provocar uma diminuição da qualidade da análise, os lesados devem protestar...
Uma vez que os homens usam sempre calças no local de trabalho, não poderá esta teoria acarretar uma violação do princípio da igualdade?:))
Finurias
www.cagalhoum.blogspot.com
Onde é que está a desigualdade disto? Apenas nos olhos de quem vê, e nas indicações que manda para o córtex a partir daí.
M.
ou
M. (de Manuela)
..antes e depois, mas sempre a mesma.
E mais não digo.
Um abração do
Zecatelhado
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