sexta-feira, outubro 29

Das mulheres

Quando elas pensam olhar observam
Quando elas pensam ser porfiam
Quando elas pensam querer desejam
Quando elas pensam fazer morejam
Quando elas pensam pensar refilam
Quando elas pensam flirtar desfilam
Quando elas pensam amar cortejam
Quando elas pensam foder cavalam
Quando elas pensam fugir voltejam
Quando elas pensam perdoar arquejam
Quando elas pensam voltar duvidam
Quando elas pensam eternizar cozinham
Quando elas pensam perfilhar ajuízam
Quando elas pensam divorciar exigem
Quando elas pensam mudar escolhem
Quando elas pensam parar melhoram
Quando elas pensam ficar sossegam

quinta-feira, outubro 28

Sierra Madre


Estavam a beber Moet & Chandon. Boa…
A ocasião eram uns ganhos chorudos nuns warrants comprados no Dax, que nesse dia tinham tido um pico decente nos futuros. Razão mais que suficiente para reunir à mesa o corretor-chefe, o investidor, o papalvo que acompanha o engodo e os gurus mais ou menos adolescentes que ainda têm coração para jogos destes.
A cena rapidamente descamba para as babes conhecidas em Moscovo, da última vez que lá se foi procurar negócio – que negócio é coisa que lá não falta, haviam de ver como era há 16 anos atrás, quando ainda havia o muro.
Para facilitar as coisas, já se deram ordens para amanhã, não vá o hedge fund distorcer a tendência. Mas nem é isso que interessa. Se chegares de avião a Granada na próxima quarta-feira, vou-te buscar de carro para ir à Sierra Nevada, ou vais lá ter?
E as babes de Moscovo, nem me quero lembrar. São doutra escolha. Mas tá bem, a Sierra Nevada também serve, quem é que vai lá estar?
Ó Pedro, você tenha calma, a Disney está segura, está coberta, não há desatino! Mesmo que desça três pontos, estamos seguros!
Você já provou os lagostins?
Então está decidido, vocês vão-me buscar ao aeroporto e depois vamos para as pistas.
Certo, das babes trato eu!
Com amigos destes!

segunda-feira, outubro 25

Interlúdio

Por motivos alheios à minha vontade, fiquei sem acesso à Internet durante o fim-de-semana. Estou a escrever em computador esmprestado. Os distintos serviços da NetCabo ficaram de passar lá por casa na quarta-feira à tarde. Acreditando nisso, prometo que voltarei ao vosso convívio nesse dia.

sexta-feira, outubro 22

Lé desse lado

É meu costume conhecer
a voz e o canto
Dar-me direito ao que embala
a ideia firme, ou mesmo a trémula
catadupa dos defeitos, feitos de fogo e água
É-me indiferente a fonte dos perplexos
Sejam de mim dados ou achados
Mas tenho irmãos onde se quebram rarefeitos
sorrisos bons, doces momentos
Lá desse lado
são abraços
e eu tenho a plenitude dos sucessos

quarta-feira, outubro 20

Parece mas não é



Há aqui qualquer coisa de estranho. É raro o dia em que o Governo não se contradiz, mete os pés, roça a imbecilidade. Não acredito que seja só imcompetência. Pelo contrário, é capaz bem de ser uma outra coisa.

Como cereja em cima do bolo, Santana Lopes resolveu ontem ter a ideia peregrina de pôr professores sem horário a ajudar juízes a despachar processos. Lindo. Como bem disse Saldanha Sanches, imaginemos a seguinte cena caricata: um juíz vira-se para um professor de línguas e pede 'Ó professor arranje-me aí, se faz favor, os últimos acórdãos sobre dolo eventual'. 'Tá-se mesmo a ver a cara do professor. Isto para não falar na humilhação que é ser posto a apaniguado de uma profissão que manifestamente não se escolheu. Isto foi pouco depois de Morais Sarmento dar o dito por não dito no caso da interferência do Governo nos meios públicos de comunicação social, depois de Bagão Félix ter engolido um sapo na questão dos impostos, depois de Rui Gomes da Silva ter pressionado a TVI, depois de Álvaro Barreto e Luís Nobre Guedes não se entenderem sobre a refinaria de Leça, depois de...

Mas será que eles são assim tão boçais? Não creio.

Penso que no Executivo alguém decidiu que não há espaço de manobra para governar mais dois anos. Santana Lopes, por outro lado, está mortinho por ir a eleições, que é uma actividade muito mais interessante do que governar. Mas tem um problema. Por motivos constitucionais, que se prendem com o final do seu próprio mandato, o PR só tem um tempo limitado para dissolver a Assembleia da República e, consequentemente, demitir o Governo. Há, portanto, que lhe dar uma mãozinha.

Por outro lado, a liderança do PS ainda não teve tempo para se afirmar (e será que algum dia lá chega? Há quem tenha dúvidas). Ora aí está o momento, portanto, de fazer asneira atrás de asneira, até que Sampaio se canse e mande um murro na mesa.

A ver vamos.

segunda-feira, outubro 18

Inquietações

Ontem, a minha confradessa In-quietude lembrou-se de partilhar connosco alguns estados de alma negativos que lhe ocorrem amiúde ou que, pelo menos nesse momento, a atormentavam.
Para amigos estou sempre presente, e por isso daqui lhe mando algumas hipóteses de ultrapassar os problemas.

(Em primeiro lugar as inquietações da In-quitude, logo a seguir as minhas mezinhas)

NÃO GOSTO:

de ter frio, de heavy metal, de cigarros, de alergias, da morte, de me despedir de pessoas no aeroporto, do cheiro a nabos, de cheiros intensos desagradáveis como esgotos ou suor, de estar com o período, de ter enxaquecas, de muita confusão, de estar esgotada, de dormir mal, de me enervar, de perder o controle, de errar, de filmes de terror, de ver o telejornal da TVI, da mentira, da infidelidade, de inimizade, de discussões estéreis, de estar deprimida ou ver os outros deprimidos, de snobismo, de futilidades, de falar mal dos outros, de gente mal-educada, de estar em filas, de burocracias, de perder tempo, de ver crianças a sofrer, gente a morrer de fome ou na maior das misérias, do abandono, de pedófilos, de violência, de ter que conversar quando me levanto, de me levantar muito cedo principalmente no Inverno quando está frio e ainda é de noite, de tomar banho de água fria numa casa de banho gelada, de moscas, pulgas e mosquitos (que em contrapartida me adoram), da poluição, de olhares tristes e/ou apagados...

SOLUÇÃO;

acenda o aquecedor, meta o CD da Amália, snife coca, vá viver para a sala de pesquisa da Ericsson Microelectronics, faça um pacto com o Diabo, ande sempre de comboio, coma só os grelos, traga sempre um WC-Pato e um vaporizador 'Chanell nº5' na carteira, engravide, entupa-se em aspirina, feche-se em casa sozinha, beba Red-Bull, tome xanax, tome xanax, tome xanax, não dê palpites, não veja o telejornal da TVI, não veja o telejormal da TVI, finja que acredita, não se comprometa, não tenha amigos, discuta com grávidas, tome xanax e aconselhe os outros a tomar xanax, ponha uns socos e vista de chita e nunca tire os óculos, invista tudo em ouro de lei, confesse-se três vezes por semana, faça-se amiga da Paula Bobone, passe à frente, emigre para as Ilhas Caimão, deite o relógio fora, não olhe, não ligue, junte-se a eles, feche o jardim infantil, dê a outra face, deixe-se ficar na cama, deixe-se ficar na cama, arranje uma canalização de jeito, ponha repelente (para pulgas e mosquitos, por falar nisso, você mora aonde??), vá viver para o Gerês, torne-se voluntária da associação Braille...

Um beijo do

Clark59

sábado, outubro 16

Ó p'rá minha forma mitológica!

ang
You are Form 2, Angel: The Pure.

"And The Angel rose as holy protector for
all that was created. She fought with honor
and valor to serve the good of the world. But
the coming of the mankind was her downfall; and
end to purity."


Some examples of the Angel Form are Michael
(Christian) and Hercules (Greek).
The Angel is associated with the concept of virtue,
the number 2, and the element of wind.
Her sign is the zenith sun.

As a member of Form 2, you are a person of your
word. You generally keep your promises and
give everything you do your best. Although
some people see you as overbearing sometimes,
you know that you have to stay true to yourself
and do what's right. Angels are the best
friends to have because they are brutally
honest.


Which Mythological Form Are You?
brought to you by Quizilla

'Tá bem, 'tá!...

The Graduate



Como prometido, o senhor ministro da Agricultura lá foi à Quinta das Celebridades fazer o teste da horta. Acertou em quase tudo, mesmo nos chou-chous. O destaque negativo vai para a não identificação deste peculiar legume, da família das cucurbitáceas. Chou-chous ainda é lá com ele, agora disto... nunca viu!

Num rápido inquérito de rua, os repóteres da TVI deram-nos também a saber que mulheres portuguesas, antes e depois da meia idade, também têm dificuldade em identificar este generoso e funcional fruto da terra.

Como eu não tenho dúvidas de que só me dou com garotas (e menos garotas) de alto pendor intelectual, fica aqui a pergunta para 'queijo': como se chama esta coisa verde?

PS. E já agora, se não for pedir muito, digam-nos se gostam delas às rodelas, assadas e estaladiças, ou esmagadas na sopa? E deixem a receita.

PS 2. Os rapazes deixem só, por favor, a receita.

sexta-feira, outubro 15

Três horas no Centro de Saúde

- A cara de sapo nã me avisô que o mê menino podia passar à frenti. Estou pr'aqui há horas, mã!
- Ah, mas é claro que as crianças pequenas podem ser atendidas primeiro.
- O mê menino tem três anes, é muito grande mas só tem três anes.
- Ninguém duvida.
- Ê tenho pr'aqui um papeli que tem a data de nascimento dêli, nosse senhor me mate se ê estô a mintire.
- Claro, a senhora deve passar à frente.
- Quando saír daqui vou-me lá ver cum êla. A cara de sapo, t'arrenego!
- Não vale a pena aborrecer-se, a gente deixa passar à frente.
- A figura que uma pessoa tem de fazeri só para cuidar de sês filhos.

- Ó pá, já são seis horas!... O senhor está à minha frente não está? É que tenho que ir buscar as miúdas à creche...
- Esteja à vontade.
- Não é que eu goste de abusar, mas...
- ... Como disse, não tem problema.
- É só para passar uma receita, mas se fico aqui à espera elas depois ficam à porta da creche, 'tá a ver a chatice?
- Tudo bem, já lhe disse.
- Se calhar também tem coisas para fazer...
- Não se incomode.
- Bom, até parece que nem está muito demorado, vou esperar mais um pouco.
- Como queira.

- O teu Sérgio está aonde?
- Ficou com o Pai.
- E vai lá jantar?
- Não, depois vou buscá-lo.
- Eu logo vi... Ao menos podia vir cá trazê-lo de carro.
- Ele ainda tem de fazer umas coisas antes, se calhar quando se despachar já a gente saiu daqui.
- Pelo andar da carruagem... Liga-lhe lá!
- Ele sabe o que tem de fazer!
- É, e depois vamos para casa a pé, tenho a minha perna que nem posso.
- Mas então o problema é o menino ou a sua perna?
- Cala-te, não fales assim com a tua Mãe!

- O que é que foi isso na perna?
- Foi de piquena, poliomielite.
- Ah sim... a senhora que idade tem?
- Faço 50 pr'ó mês que vem.
- E nessa altura ainda não havia vacinas?
- Não sei, sei que no meu ano só aqui no bairro ficámos três assim.

- Tu és filha do 'brasileiro', não és?
- Sou, sou a Sandra.
- Ah, tu é que ficaste com a tua avó!?
- Não, isso foi a minha irmã Erica. Eu e o meu irmão João fomos viver com a minha tia.
- Ah, com a Deolinda, é verdade. Ela está boa?
- Está velha, anda para lá a arastar-se.
- E esse miúdo é teu?
- É, meu e do meu homem. Já saí de casa ao tempo, ajuntei-me quando tinha quinze anos.
- Estás com quantos agora?
- Fiz 17 em Junho.
- E estás a trabalhar?
- Fosga-se!, dá-me bem trabalho o puto! O Pai que trabalhe que tem bom corpo!

- Já vivo sozinha vai para 22 anos.
- Esta médica é muito ruim, trata mal os doentes.
- E ainda não me habituei, é muito triste
- Uma pessoa sai de lá sem gosto nenhum de cá voltar
- Não me apetece ir para o pé da minha trmã, qie vive em Castelo Branco
- Acho que vou trocar, a outra doutora é bem mais simpática
- Depois que ele morreu nunca mais tive outro
- E bem que precisava que ela olhasse mais para mim, estou cheia de dores
- É uma coisa cá no peito, não sei explicar.

- O senhor costuma vir aqui?
- Já cá vim.
- A sua cara não me é estranha.
- Morei aqui perto vários anos.
- Ah, então é isso... Qual é o seu médico?
- Não é daqui, mas está de férias, e a consulta era urgente.
- O raio que os parta, estão sempre de férias! E eu a julgar que era só aqui os do Posto. O seu de onde é?
- Também dá consultas num Centro de Saúde e tem uma clínica.
- Este Posto aqui, metade dos médicos ou estão de férias, ou vão passear pr'ós congressos. E a gente aqui à espera.

A doença do século

Estou a viver uma experiência muito enriquecedora. Acabo de completar as minhas primeiras 9 horas como hipertenso oficial. Um amigo meu está-me sempre a avisar que estas coisas acontecem quando se vai ao médico: um tipo chega ao consultório com uma indisposição ligeira e sai de lá com uma doença mortífera.

Por causa das 'tosses', estou proibido de beber bojecas & correlativos. Aconselharam-me também a reduzir no tabaco. E, pelo que a leitura meio atenta dos folhetos adstritos aos medicamentos revelou, acho que se isto dura muito ainda vou deixar de estar apto para outras funções. Coisa que, aliás, não se coaduna muito bem com o facto de me terem aconselhado a fazer mais exercício.

A melhor parte da doença é ter de reduzir no sal, especiaria que dispenso. Neste particular, já obtive uma unanimidade estável por parte de quem mais vezes se amesenda comigo.

Um dos chamados efeitos colaterais desta coisa são as insónias. Ó meu amigo! Se já me deitava tarde agora vou ver o raiar do dia! Habituadinho ao southern comfort, agora proibido, não sei se a conciliação do sono lá vai com um produto acabado em 'ax', ou 'ix', que está ali para o que der e vier. Acho que vou inaugurar uma rubrica com o nome de late night blogs.

Fiquei também a saber que a bitola por que se rege a lei de comparticipação do Estado nos medicamentos é de alto coturno. Assim, o medicamento para a hipertensão propriamente dito é caro como fogo, bem como umas inofensivas (mas obrigatórias) vitaminas anti-stress. Já o ansiolítico - que só ali está para ajudar à festa - é quase de borla. Está visto porque é que os portugueses tomam tanto 'ax' ou 'ix' mas morrem de ataque cardíaco como perdizes em meados de Outubro.

Um bom dia também para vocês.

Eu vi, eu vi!!

Lá no sítio onde ganho o pão, já tinha comentado que achava o novo ministro da Agricultura um bocado apagado, deslocado da pompa e fanfarra que são a marca de água deste Governo. Enganei-me. O homem não terá muita apetência para falar aos meios de comunicação social normais (!), mas lá comunicador é ele. Acabo de o ver na Quinta das Celebridades (leram bem, e ainda não bebi nada hoje...). O ministro, de que não recordo o nome, dizia que o programa é muito bom porque ajuda as pessoas (nomeadamente as crianças) a conhecer os animais de forma diferente. Não entendi se se estava a referir à falta de chá do Castelo-Branco ou às galinhas com penas (não, esta última não era sarcasmo). E até aventou que o fulano com mais jeito para as vacas era o enorme Alexandre Frota, 'que fala um português doce' (sic, embora aquilo seja na TVI).
Antes de a paciência se me ter esgotado, ainda pude ouvir a apresentadora do programa anunciar (em teasing de grande efeito mediático) que amanhã o sr. ministro, à mesma hora, vai ser chamado a realizar um teste hortícola. Não vou perder. É que se o Frota é o preferido para as vacas, sempre quero ver quem é que tem jeito para os tomates!

Ora porra!

quinta-feira, outubro 14

You don't know me / but I know you

Quando ouvi o álbum 'Big Science' de Laurie Anderson, aí pelo ano de 1984, confesso que andava desiludido com a música. Há anos que não ouvia nada de novo ou de bom. Foi na ressaca do 'Tókio', anos depois da new wave, muito, muito depois do meu tempo, que como toda a gente sabe, em se tratando de música popular urbana, corresponde meridianamente aos 15 anos, mais coisa menos coisa. Onde já iam os Genesis, os Van der Graaf, os Pink Floyd, os King Crimson, os Gentle Giant, os Procol Harum e o Frank Zappa, ou mesmo os The Who, os Jefferson Airplane ou os The Doors, herdados da geração imediatamente anterior à minha! Sim, porque os Talking Heads, os Simple Minds, os U2, os Dire Straits, os Stranglers e os Pretenders, que lá ia ouvindo, não me afinavam a alma.
Um dia ouvi Nina Hagen e qualquer coisa despertou. Mas não foi suficiente. Num outro registo, ainda me arrastaram para um concerto da Carla Bley, mas a senhora desafina por quantas tem (eu também com os copos só escrevo merda, por isso compreendo perfeitamente).
O 'estalo' foi mesmo esta nova-iorquina. Laurie Anderson era diferente. Era a modernidade ali à mão de semear. Gostasse-se, ou não, do que ela (a modernidade) trazia.

Ontem lembrei-me deste poema *, a propósito da morte de Christopher Reeve (e percebe-se por quê).

O Superman. O Judge. O Mom and Dad. Mom and Dad.
Hi. I'm not home right now. But if you want to leave a message, just start talking at the sound of the tone.
Hello? This his your mother. Are you there? Are you coming home?
Hello? Is anybody home? Well, you don't know me, but I know you
And I've got a message to give to you
Here comes the planes
So you better get ready. Ready to go. You can come as you are, but pay as you go. Pay as you go.

(...)

Cause when love is gone, there's always justice
And when justice is gone, there's always force
And when force is gone, there's always Mom.

So hold me Mom, in your long arms
In your automatic arms. Your electronic arms
In your arms.
Yourt petrochemical arms. Your military arms

O Superman, o judge!


* Não dispensa a consulta do CD

Portugal 7 - Rússia 1



Portugal acaba de presentear a Rússia com a nossa maior goleada de sempre, frente a selecções com tradição no futebol mundial. Algumas ilações:

1 - Com empenho e responsabilidade, o futebol português está ao nível dos melhores do Mundo. Apesar da insensatez de Scolari, ao colocar Paulo Ferreira a defesa esquerdo (a pior exibição de entre os 14 jogadores portugueses, a par de Maniche), a selecção, sem deslumbrar, teve bons momentos e alguns rasgos de génio, com destaque para Deco e Cristiano Ronaldo, embora este último ainda tenha muito que aprender em termos de jogo colectivo.

2 - A Rússia escreveu um manual de como não se deve jogar contra Portugal: marcações à distância, falta de velocidade nas pontas. Uma vergonha! Sinais dos tempos de um país sem rei nem roque? Até o treinador saiu antes do fim do jogo. Nem no Koweit!! É triste ver a grande Rússia capitular assim e é, acima de tudo, perigoso. E venham-me cá dizer que isto é só futebol...

3 - O Petit marcou dois golos. Ele há coisas que não lembram ao diabo. Força, rapaz!

quarta-feira, outubro 13

É a vida

Coisa estranha. O Libelinha apareceu cá por casa, depois de ausência prolongada. Está mudado, o rapaz. Será da idade (vai pelos 34, feitos em Agosto), ou da porrada que apanhou aqui na blogosfera. Seja como for, a conversa (cito de cor, que eu não sou de gravar cassetes quando não estou autorizado) decorreu mais ou menos assim:

'-Sabes, isto já não é o que era...
O Libelinha estava com a cabeça baixa, braços apoiados nas pernas, mãos cruzadas no meio dos joelhos. Pouco usual nele.
- Saber sei, mas estás a falar de quê, especificamente?
- Lembras-te da Teresa?
- Então não lembro!... Andou a rondar-te o piso uma série de tempo, mas tu deste-lhe com os pés.
- Tanga!
- Não deste? Mas então...
- ...Isso foi tudo combinado.
Este gajo engana.
- Ok, estou baralhado.
- Já te conto. Eu não sabia se estava interessado na miúda. Então convenci-a de que era melhor assim, fazer de conta que não havia nada entre nós. Ela, como estava apaixonada, alinhou.
- Há mulheres muito parvas!
- Pois, olha a novidade!... Bom, mas então encontrei a Luísa, lembras-te?
- Ó menino, a tua vida para mim não tem segredos! (Aproveitei o momento, em que me sentia um pouco traído, para lhe dar o toque...) Claro que me lembro!
- Bom, a Luísa foi um problema. Assim de repente fiquei... como é que te hei-de dizer?... Sem espaço para mais ninguém, estás a ver?
- Eu estou! Chama-se a isso paixão, tu é que não estás habituado.
- Pois, 'tá bem. Mas era chato para a Teresa, ao fim e ao cabo tinha-me andado a aproveitar dela e não queria magoá-la.
- Tu és um santo!
Lembrava-me bem da cara de parva da Teresa a olhar o Libelinha. E nós todos a pensarmos que o gajo não lhe ligava pêveas. Melhor fora que não ligasse.
- E então? (perguntei eu)
- Ao princípio foi uma enrascada. Andava de um lado para o outro, babado pela Luísa mas sem querer magoar a Teresa. Mas confesso que, às tantas, larguei a Teresa. Quer dizer, largar não larguei, deixei de aparecer, de lhe atender o telefone, 'tás a ver?
- Ó se estou! O teu género não é único, desculpa lá dizer-te.
- Bom, para abreviar - isto já lá vai quase um ano, não sei se tens noção - às tantas a Luísa também já não rendia.
Esta agora era nova...
- Não rendia?
- Sim... na cama, 'tás a ver?
- Eu a ver não estou, mas faço uma ideia. Ou antes, para ser sincero, não fazia a mínima.
- Lá estás tu com essas merdas dos trocadilhos. Bom, mas chegou a uma altura que eu olhei para dentro...
- ...Tu olhaste para dentro??
- Sim, sim, e percebi que afinal eu dava-me bem era com a Teresa.
Ah, isto começava a fazer sentido. Deixa cá ver se o Libelinha tem coragem de chegar ao fim da história.
- E...?
- Ó pá, então telefonei-lhe.
- Coisa que já não fazias há...?
- ... Meses, não sei quantos.
Aqui o Libelinha parou. Empinou-se para trás, olhos no vazio.
- Vou buscar uma cerveja. Queres?
- Não tens whisky?
- Acho que ainda há aí um resto.
Deixei-me do whisky há meses. Tentei dar-me bem com ele várias vezes ao longo da vida, mas a verdade é que o sacana não 'gosta' de mim. Achei, finalmente, que não valia a pena insistir.
Retomei a conversa.
- Telefonaste-lhe e...?
- Pareceu-me contente. E eu, então, nem estás a ver. Depois de um falhanço como a Luísa, reencontrar a Teresa, com quem tinha sido bruto, mas que era do melhor...
- ... Na cama...
- Na cama e em tudo, porra! Pus-me a pensar e concluí que daquelas já há poucas. E que eu tinha ali uma oportunidade de ouro de fazer alguma coisa decente com mulheres.
- Só não deixo caír o copo porque está bem agarrado...
- 'Tá bem , ri-te que faz bem à saúde! Anyway, fomos jantar e tudo do melhor. A gaja - a Teresa, quero dizer - disse-me que eu era o homem da vida dela, que nunca tinha gostado de ninguém como de mim, que tinha sofrido imenso com a minha ausência...
- ... E tu nos píncaros da Lua, se bem te conheço!...
- Nem por isso, pá, comecei a meter a mão na consciência.
- Queres mais whisky ou esse já te chega?
- Vai-te foder, ouve o que eu estou a dizer!
- Estou a ouvir.
Mas lá que era complicado, era. Isto soava a novo.
- Bom, a Teresa estava a ir onde eu queria. Apesar de me sentir culpado de a ter deixado - e de nem sequer nunca ter assumido nada com ela - esta confissão dava-me jeito, era mesmo isto que eu queria.
- Todos os sacanas têm sorte.
- Isso é o que tu julgas!...
- Como assim?
Vinha aí revelação. De um trago, quase que fiquei sem cerveja.
- A Teresa aceitou jantar comigo só para me dizer que tinha arranjado um namorado, que é dinamarquês, vai viver com ele para o mês que vem. Diz que não tem nada a perder, não foi colocada, está farta de perseguir sonhos. Olha, é desta que se vai.
A Teresa é professora eventual há já para aí cinco anos. Tem arranjado emprego naquilo que dantes se chamavam mini-concursos, agora já nem sei o que é.
- Queres dizer: perdeste o rei e o roque!?
- Pois, mais ou menos. Acho que desta fiz merda mesmo.
- E agora?
- Olha, fiz de tudo, até chorei no ombro dela. Mas nada, a gaja está mesmo decidida a ir beber Carlsberg.
O Libelinha na mó de baixo. Esta é nova.
- Repito, e agora?
- Ó pá, em paneleiro não hei-de dar, mas lá que estou a ficar farto de mulheres...
- É da fartura! Agora a sério, no meio de tudo isto tiveste pouca sorte. É assim do tipo 'agora que tu já queres, também não te quero eu'...
- Não, é pior do que isso. As mulheres que me disseram algo na vida estão todas a desaparecer.
- Ou seja, está-se a esgotar o stock...
- Deve ser isso.
Eu, que sou uns anos mais velho, bem que percebo o Libelinha'.


terça-feira, outubro 12

Por ti

Vá lá, diz lá que não sentes nada,
nem a batalha da mudança nem o sentido do querer
Diz que não sentes o peito e a pujança de um sentir agora novo
És capaz?
Diz que não sentes que era melhor ficar que partir
Diz-me que tens um bem maior que o que te aparta
Diz-me que te vais embora...

Não consegues

Eu tenho por ti a sorte incerta de querer-te
Eu meço o amor por ti sem ter que ver-te
Eu acho que te seco o choro o teu consolo

Não vás embora. Quem ficaria aqui por ti?

Eu, por ti, tenho a crisálida de querer-te



segunda-feira, outubro 11



I

Clark Kent,
do Daily Planet
A vida num teclado
a mil batidas por minuto
Nervos de aço sem mostrar
cansaço,
sempre ao serviço da verdade
Visão laser
para melhor te ver,
pecado, crime e opressão,
notícias da cidade grande
Coração por Lois e coração
por todos repartido
Metropolis em destroços
e ele é um jacto que descola
Muda o fato
tira os óculos
capa ao vento
põe Lex Luthor em sentido
Se kriptonite deixar
ele regressa
O tempo que passou entretanto
não conta
Clark Kent está de volta
põe os óculos
cumprimenta
segue rápido para outra
Verifica: Lois Lane ainda lá está
desconfiada como sempre
Suspira, Clark Kent
super-herói
disfarçado de homem invisível

II

Saía já de noite Clark Kent do Daily Planet.
Metropolis serena como ele gostava.
Ao virar da esquina da cidade em pleno Verão
Uma velha grasnava qualquer coisa
E uma miúda nova dava a mão
A um rapaz quase da mesma idade.
O imigrante vendia hot-dogs na esquina do costume
E quatro polícias não estavam a fazer nada, a não ser
Falar das tricas da Central e da nova advogada
Um tipo media o Céu com telescópio de brincar
E outro oferecia rosas a quem passava.
Cindy estava apenas a ler a mão da amiga
Que precisava de saber se ia sozinha nessa noite para casa
Um cão levava o dono pela certa ao poste da Rua 42
E logo depois, a dez metros de distância, um freak
ganhava trocos a tocar guitarra
Era a hora em que Mr.Smith fechava a tabacaria

Um senão: nesta cidade há sempre um parvo
Que passa à frente da mãe de família atrasada
Para apanhar um táxi para casa, do outro lado do rio
‘Desculpe, amigo, penso que a senhora estava primeiro’
O desafio não fica bem ao cobarde, que cheet e se vai embora
Ainda bem
Às vezes basta ser Clark Kent
Para resolver uma situação delicada.

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Por estes lados, Christopher Reeve era mais conhecido por este papel secundário que interpretou no cinema. Acho que é compreensível. Aqui fica um adeus.



Diário de um salafrário intermédio

'Está cada vez mais difícil lutar pela vida. Já não me bastava a associação dizer agora que tenho de ter contabilidade organizada, senão não recebo subsídios da CEE, quanto mais andarem para aí alguns patrões a assegurar que toda a gente tem de pagar impostos. Que os paguem eles, que se sentam à mesa com os ministros e que sacam os negócios grandes, ora porra! Eu, se pagar impostos, não tenho dinheiro nem para ir para Varadero com a patroa. E o cabrão do puto anda-me a pedir um Ferrari, é o único cá da terra que não tem. Que se foda, ande de Honda CRX que eu também já andei!

Acho uma graça do caraças aos patrões das grandes empresas. Vêm para a TV dizer que as PME fogem aos impostos, que pagam salários de miséria... o que eles querem é ficar-nos com as chafarricas! Têm uma pena do caraças que eu e a malta lá da terra dê trabalho à miudagem... Só me fazem rir! Então como é que eles começaram? Claro que eu emprego clandestinos, ficam mais baratos e não bufam. Farto de comunistas ando eu, mas vê lá se eles também ficaram com eles? É só conversa.

Mas a culpa é minha, que não pago impostos!... Era só o que faltava!

E depois há estes merdas que têm o rei na barriga e se põem de cócoras à primeira hipótese. Grandes empresários da treta! O Governo levanta a mão para lhes bater e eles mostram logo as nalgas. Paneleiros do caralho! E querem dar o exemplo, dizem eles, grandes empresários. Tá bem abelha, nem com jornalistas pagos lá vão. Eu não preciso disso, as mulheres entregam-me o serviço à semana, eu pago-lhes, ninguém estrebucha, assim é que é. Venham-me agora cá dar lições de como é que se gere uma empresa...

Também me disseram para pagar a segurança social. Isso é que era bom! Olha, a minha avó teve 13 filhos em casa, 4 morreram e ninguém se queixou. Os pobres são mesmo assim. Eles, lá em Lisboa, andam muito preocupados com a saúde do povo. Himpócritas! Põem mas é as mulheres deles a desmancharem em Espanha e depois o povo que se foda!

O mais engraçado é quando os políticos se metem ao barulho uns com os outros. Isso é que eu curto, é melhor do que quando o Moreirense ganha ao Guimarães. Os totós acham que levam o povo com eles, e os jornalistas de Lisboa entretêm-se a dar porrada a torto e a direito. Olha, porreiro! Enquanto andam com essas merdas não me fodem por eu ter papado a jeitosa da máquina de cozer, que é bem boa por sinal, com a promessa de que para o mês que vem a aumento. Eles lá têm os fedópilos, ou o caraças, paneleiros é o que eles são. Nem sabem comer uma gaja.

Totós.

Enfim, esta merda já lá não vai nem com o Salazar'.

sábado, outubro 9

Para além do mais

No fundo, o amor é o que mais importa.

Leio o Vasco Pulido Valente, no DN, a dizer de sua justiça sobre o caso Marcelo. Ouço o Presidente da República invectivando toda a sua recorrência anterior e dando agora, no final do mandato, um ar da sua graça. Vejo o José Eduardo Moniz a fazer de virgem ofendida na TVI. Espanto-me com o ar cristão de Marcelo himself sobre a tormenta de que é o epicentro. Assisto ao 'Expresso da Meia-Noite', onde jornalistas com responsabilidades peroram sobre o que adivinham.

E só me consigo lembrar de ti.

sexta-feira, outubro 8

Farda, fardão, camisola de dormir

Na blogosfera vai um desatino pegado sobre uma escola de Colares que, alegadamente, quis pôr 'tino' nas indumentárias das garotas. Só para falar em blogs cá de casa, podem-se ler aqui e aqui opiniões diversas sobre o tema.

Tenho sobre a questão da roupa uma opinião diversa (ia para dizer avessa, mas em se tratando de roupa parece-me de mau tom).

Se me derem licença, vou apenas falar de mulheres. Não que tenha a veleidade machista de não perceber nada de homens, mas porque não convém misturar alhos com bugalhos. Os homens, aliás, ficarão para uma outra ocasião. Quem me conhece sabe bem que não sou avesso (lá estou eu) a falar sobre a indumentária do meu próprio sexo.

Quando se fala da escola de Colares está-se a falar, como é óbvio, de adolescentes. As adolescentes têm formas diferentes de lidar com o corpo. Sendo a idade mais ingrata da vida (excepto talvez a velhice, mas por essa ainda não passei), a adolescência, nas 'piquenas', tanto pode dar para o exibicionismo como para a 'concha'. Num tempo da vida em que a aprendizagem é essencial, cabe aos educadores provocar a dúvida sobre as formas mais ou menos excêntricas de demonstrar ambas as atitudes. E, eventualmente, levar as jovens a interrogar-se sobre se o comportamento visual que ostentam é o que mais se adequa à personalidade que querem evidenciar.

É isto, na minha opinião, que está certo. Se, depois disto, as jovens de 15 anos quiserem continuar a usar decotes iguais aos das suas irmãs universitárias, ou se pelo contrário preferem vestir calças dois números acima do que a sua anca exige, é lá com elas.

Já bastam os formatos que, em sendo adultas, as meninas têm que acatar. Deixem-nas, enquanto adolescentes, experimentar, experimentar, experimentar.

PS - Para que os meus mais íntimos não pensem que 'virei' politicamente correcto, continuo a defender que não há maior prazer do que chegar ao emprego e ver uma assaz interessante colega, que habitualmente usa calças, com uma mini-saia vestida. Se ademais ela se esquecer amiúde que mudou de indumentária nesse preciso dia, ou seja, comportando-se cineticamente como se fosse de calças, tanto melhor. É absolutamente estimulante para um voyeur (e em certos casos devia ser obrigatório) observar as coxas de uma colega enquanto se escreve sobre a EDP ou a taxa de desemprego. Mas o post era sobre adolescentes e eu nessas coisas não transijo.

Contra


Não sei se algum confrade já chamou a atenção para isto, até porque longe de mim vá a ambição de ser um big brother - o outro, o outro... - da blogosfera. Mas já alguém reparou no horário a que, ultimamente, vai para o ar o Contra Informação? Nunca antes das 23h00. Ou seja, atirado para fora do prime-time onde teve lugar anos a fio. Não sei se o Professor Martelo ou o Jorge Compaio têm alguma opinião sobre isto.

quinta-feira, outubro 7

Este é meu

FELICIDADE

Andei em mais que um barco rumo ao Cais
que não havia
Encontrei no mar uma balança

Transgredi apenas
ao soltar a vida em pAsso incerto
Sonhei que sempre sopra a melodia
em qualquer Tempo
e mesmo errei (ou não) suaves sendas,
fantasia em Sol e em redes doces

Reterei
a alegria clemente dos teus olhos

quarta-feira, outubro 6

Sai Marcelo entra José

Então lá foi o Marcelo, hein?
Isto está giro.
Claro que o facto do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, ter dito o que disse, no dia anterior ao saneamento do professor, não tem nada a ver com isto. Claro que o facto de a Media-Capital (proprietária da TVI) precisar de uma 'cunhazita' do Governo para lançar três novos canais por Cabo não incentivou Miguel Pais do Amaral a fazer fretes.
Por outro lado, é também claro que a audiência da TVI aos domingos está garantida nos próximos tempos. Sai o Marcelo Rebelo de Sousa mas entra o José Castelo Branco! Ficamos todos a ganhar com a troca!
Só falta saber se algum ministro, que não se sente bem tratado pelos jornais diários de referência, consegue (ou não) pôr alguém do seu arco de influência a dirigir um deles.
Estejam atentos aos próximos episódios.

PS - Deve ser sina do José Eduardo Moniz. Até, hoje, o mais célebre saneamento efectuado numa estação de televisão era o de Herman José na RTP, quando o Moniz era chefe lá da casa.

terça-feira, outubro 5

Nas bordas (nas bordas?) do génio

Vocês já leram isto?

A minha República



A data não me diz por aí além. Mas se calhar tenho uma história para contar.

Sou neto de legionária e de maçon (calculem!), casados no princípio do século XX, e que viveram anos a fio sob o mesmo tecto. Talvez me tivessem deixado em legado isso mesmo - a convivência possível entre ideossincrasias diferentes.

A minha avó Deolinda rezava todos os dias pela alma do meu avô Manuel António. Este, lá na loja de retalho, na Rua Constantino Rei dos Floristas nº 5, reunia o farmacêutico, o encarregado das minas e outros mais de que não reza a memória. Conspiravam, a seis horas de Lisboa e a cem anos da Europa. Até que o bisavô do Buíça tentou mudar a história.

O meu avô morreu 25 dias antes da cavalgada de Braga. Do que sei, ficou sempre na retranca, a pensar que o Partido Republicano poderia ter feito mais pela Nação do que o que fez. Como bom transmontano, nunca entendeu porque é que aquela gente de Lisboa pensava mais no umbigo do que na ilustração do povo.

A minha avó, quando adoeceu muitos anos mais tarde, pediu ao meu Pai que lhe fosse pagar as quotas em atraso na Legião. O meu pai foi. Só se faz isto a uma Mãe.

Fica aí a bandeira.

Itália?

Privilégios de dono de blog: a três comentários inscritos aí em baixo, por gente que prezo, vou responder com um post.

Em primeiro lugar, a demonstração de que ninguém é perfeito: a Cotada em Bolsa e a Objectiva 3 gostam de Itália e de italianos. A Objectiva 3 ainda que menos mal, que é jovenzita, mas a Cotada em Bolsa já tem idade para ter juízo.

Essa ideia feita de que a Itália é 'per l'amore e per amare', querida Cotada. Eu, por exemplo, não consigo amar em italiano. Porquê? Porque a língua me dói. E eu sou muito sensível de ouvido. Inglês da Irlanda do sul, sueco (de preferência com sotaque do mar, centro-norte) e catalão (da província de Gerona, se não for pedir demais), são as minhas preferidas. Quem já ouviu o canto dos anjos fica a detestar carroceiros (ou gondoleiros, tanto faz).

A Objectiva 3 arrisca mesmo que a comida é boa. Ó menina, já tentou comer aquela merda (perdão, eu queria dizer aquela valente merda) durante mais de três dias seguidos?

Nunca foram roubadas, nunca lhes pediram um dinheirão para visitar museus cujas principais obras estão na cave para restauro (mas não avisam à porta), nunca tiveram uma discussão com uma mamma napolitana, nem sabem o que é que quer dizer portoghese (é assim que se escreve?) em italiano? Nunca tentaram tratar de um simples papel numa repartição pública italiana? Garanto que ficam logo a adorar as nossas.

Para ser bem educado, puta que os pariu (a eles, aos italianos, nunca por nunca às minhas lindas).

O BOS é mais cínico mas não deixa de ter razão. Mas aposto que lá no fundo está tão vairado como eu por ver o nosso belo Benfica a jogar aquela porcaria do catenaccio (é assim que se escreve?).
A verdade é que há uma coisa que na Itália funciona de forma razoável. Falo da iniciativa privada. Nisso eles são melhores que nós. Mas também era difícil ter uma classe dominante pior que a portuguesa. No Paraguai, talvez...

segunda-feira, outubro 4

Zodíaco

http://quizme.stvlive.com/zodiacpersonality/quiz.php

Naahhh! Não acredito.

O Benfica do italiano



Antes de dizer ao que venho, é preciso que se saiba que eu detesto italianos. Mas detesto mesmo. Gente mais desorganizada, com maiores vícios sociais, ladrões como nunca tal vi. Detesto italianos, sebosos, dengosos, paneleiros, machistas. Basicamente, se eu fosse obrigado a deitar uma bomba atómica em algum lado do mundo, e pudesse escolher o sítio, quase de certeza escolheria Itália (a Coreia do Norte é demasiado óbvio e no Sudão há uma tribo de mulheres lindíssimas).

Com Giovanni Trapattoni à frente do Benfica vamos ter um campeonato fantástico. Os resultados possíveis são: Benfica ganha por 1-0, Benfica empata 0-0 e Benfica perde por 0-1. Um score como o de ontem, em que o Benfica ganhou por 2-1 (três golos de bola parada, com alguma invenção do árbitro à mistura) é perfeitamte surreal.

Não sei se o Benfica vai ser campeão (o mais provável é que não seja), mas aposto que vamos bater mais um recorde negativo: o do nível de assistência aos jogos em casa. É que o futebol praticado é tão sensaborão, tão previsível, tão medroso que até mete dó. É muito mais excitante apostar no resultado de um confronto entre José Castelo Branco e Paula Coelho, ou Avelino Ferreira Torres e Ana Maria Lucas.

sábado, outubro 2

Política, blow jobs e ketchup

Para grande pena minha, vou ter que falar de política.

1 - Segundo foi revelado há pouco na SIC Notícias, a manchete de hoje (sábado) do Expresso (uma espécie de Daily Planet local, mas de menor fiabilidade) ocupa-se de um 'Pacto Secreto' entre Portas-Paulo e Santana Lopes. Em termos gerais, o referido pacto teria como denotação fundacional a ida separada a votos dos dois partidos da coligação que nos governa, por ocasião das próximas eleições legislativas.
O que é que isto quer dizer? Em termos políticos puros, nada de relevante (e muito menos de definitivo). Mas contém uma mensagem para militante do PSD ver, e inicia uma estratégia de ataque do 'laranjal' à táctica que o PP andava a urdir para não desaparecer. Concretizando, Santana Lopes descansa a malta mais avessa a engolir o Portas-Paulo e, por outro lado, avisa o PP de que não dá boleias de longa distância a quem na sombra lhe anda a tentar fazer a folha - vidé recentes polémicas entre membros do Governo. Na verdade, o PP só pode ter a ganhar com uma estratégia de curto prazo, dado que, se o Governo durar mais dois anos, é bem provável que a retoma económica já seja então sentida pela maioria da população, o que inegavelmente trará frutos políticos ao lider do Governo e ao partido que ele encabeça. Ou seja, o PP voltará a usar o táxi como meio de transporte preferencial do seu grupo parlamentar.
Outra coisa, porém, é o 'trabalho' (job, em calão norte-americano) que o Expresso faz com esta manchete. Mas isso fica para outra ocasião.

2 - Numa sondagem que sai hoje (sábado), já não me lembro bem aonde, o PS surge pela primeira vez, em muitos meses, atrás do conjunto PSD-CDS/PP, perdendo claramente a maioria absoluta que, sob a lidernaça de Ferro Rodrigues, várias vezes 'arranhou'. A sondagem foi efectuada ainda antes de José Sócrates ser plebiscitado como futuro secretário-geral do PS, mas quando já era medianamente claro que ia dar uma abada na concorrência alegre e soarista.
Pergunta claramente iconoclasta: será que o bom povo de esquerda se sentia mais seguro sob a liderança de Ferro do que sob a alçada de Sócrates? Era giro, não era? Imaginem, por um momento, que o único lider do PS capaz de gerar uma maioria absoluta para o seu partido era um que fosse bem à esquerda!? Isso estragaria a noção de 'centrão' que há tanto tempo andam a querer vender ao povo.
Para (re)ver nos próximos meses.

3 - O único homem que conheço que gostava de ter visto à frente do Governo dos Estados Unidos da América nem sequer concorreu ao cargo. Trata-se, como leitores mais atentos deste blog saberão, de Al Gore, o mui digno vice-presidente de Bill Clinton, que perdeu (ganhando) as eleições para o rapaz que lá está agora. Ontem, tive a dimensão da minha derrota pessoal, ao constatar mais uma vez a diferença abismal de estrutura política e intelectual entre John Kerry e Al Gore.
Desculpa lá, Teresa, mas é verdade!

sexta-feira, outubro 1

De regresso aos assuntos, já agora a Lusitânia

Eu, um dia destes, quando andava para além da outra margem, invectivei os meus plausíveis leitores a perorarem sobre meia dúzia de temas (ver aí em baixo). Todos, com excepção da jovem (não tão jovem como isso, mas ao pé de mim é jovem) Código de Santiago, que bem haja, estiveram-se borrifando para o assunto. O indefectível Alfredo F. disse até algo como isto: ‘trabalha malandro, se queres opiniões dá-as tu’. Tem razão: quem tem um blog é para falar, não para mandar falar.

Acontece que eu tenho opinião sobre os assuntos. A Código de Santiago já deu mui douta ideia sobre o assunto número 2 (sobre que mais poderia ter sido?), tendo também alinhavado saliva sobre outros (sem senso mas com graça). Por isso, aqui me cabe dizer ao que vinha (vou).

1 – O Serviço Militar Obrigatório (SMO)

Peço desculpa aos incautos, que são quase todos, mas o SMO é das mais democráticas e imprescindíveis instituições da República onde vivemos.
Lembremos a história. Por razões diversas, entre as quais avulta a (ainda recente) guerra colonial, a maior parte dos cidadãos, fêmeas ou machos, invectiva o SMO. Não vou por aí.

O que me interessa é saber a quem cabe a defesa da Pátria: se aos sargentários profissionais da guarda pretoriana, ou se aos cidadãos civis armados que prestam serviço temporário pela mesma. A mim interessa-me saber se a tropa vive na entropia da sua própria essência corporativa ou se aceita ser tocada pelos ventos da sociedade civil que é suposto servir. A mim interessa-me saber se os melhores espíritos de cada tempo têm, ou não, o direito de influenciar os homens cuja missão, nobre e soberana, é a defesa da independência, da liberdade e da segurança. A mim interessa-me saber se, em vez disso, deixamos essas funções constitucionais nas mãos de um rancho de soldados a soldo.

Falo do que sei. Sei como é chato estar à beira da vida real e ter de amouchar 18 meses no Exército, à sombra e ao sol, à chuva e às ordens de quem faz a guerra. Mas conheço um monte de vice-presidentes de conselhos de administração (gente do meu tempo) que passou pelo mesmo. Perguntem-lhes (em privado) se gostaram desse tempo; vão dizer que não. Perguntem-lhes se o deram por perdido; vão dizer que não. Por duas razões, que às vezes se sobrepõem: primeiro, foi a oportunidade que tiveram aos vinte e poucos anos de dar de caras com um punhado de homens bem mais rudes que eles, a quem tiveram que conhecer e estimular – nada de que a vida posterior os tenha preservado. Depois, esse tempo deu-lhes a ideia de como funciona um dos poderes fáticos com que eles, se ascenderem aos mais altos postos da Nação, um dia se terão de confrontar: os homens armados.

Com desculpa às senhoras, a tropa ensinou-me ainda uma arte bem distante do meu tempo, a qual seja matar o inimigo com recurso a instrumentos básicos; por exemplo os dedos da mão, folhas de pinheiro ou uns óculos de sol. Estou grato também por isso.

No SMO passei alguns dos piores, e também dos melhores, momentos da minha vida. Não fui à guerra (graças a Deus) e por isso tenho pudor de falar das marcas que tenho no corpo para o resto da vida, e que lá ganhei. Podia ter feito como tantos outros, que no meu tempo usaram um truque chamado ‘Objecção de Consciência’ para escaparem ao dever. Podia-o ter feito com a maior das facilidades. Mas não. Quem quiser que (me) julgue.

O fim do SMO é só mais um passo para o relaxe social a que por cá chegámos. Ao que parece, ninguém estuda história. Estamos cada vez mais à mercê da mesma sorte dos ‘impérios’ quando desistem de o ser: ser invadidos pelos Hunos.

E, se Deus não vai ter piedade de nós, os partidos do(s) Governo(s) vão concerteza ganhar votos nas camadas jovens.
Ainda bem que nem tudo é negativo...

In nomine lei

Hoje abri as portas do tribunal geral e recebi em audiência. Pela ordem indicada ao oficial de diligências, apareceram perante mim:

1 – Um senhorio com mais de 65 anos, que apostou tudo o que poupou em França, para onde emigrou vai para 40 anos, numas casas que arrendou antes de 1990. Não recebe nada de jeito e ainda paga a autárquica. Agora, ainda vai ter de pagar obras para reabilitar os apartamentos.

2 – Um inquilino com 59 anos, com três filhos todos ainda a cargo, que ganha mais de três salários mínimos nacionais. O senhorio já disse que lhe vai subir a renda, mas como dois dos miúdos têm mais de 25 anos, não contam para efeitos fiscais mas pesam no orçamento. Conta ser despejado, mais dia menos dia.

Decidi:

1 – Multar o senhorio em todo o seu pequeno pecúlio, que reverterá para obras de reabilitação urbana. A infracção penal consiste em ter acreditado que era possível investir com segurança neste País, posteriormente a este o ter expulsado sem lhe ter dado hipóteses de sobrevivência condigna.

2 – Multar o inquilino por ter tido filhos burros, que aos 25 anos ainda andam na Universidade, ou então que escolheram cursos com numerus clausus altos, o que não se compreende em miúdos da classe média-baixa. Assegurar-lhe que, se for despejado, tem direito a uma casa reabilitada. Mas não aos filhos.


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