sábado, agosto 7

Os meus amigos (V)

A L. chegou-me por herança – eu ia a dizer por dote. Conheci-a num barco no Tejo, numa noite de Verão apaixonada, em que ela era a amiga daquela que na noite me fez dia. A L. podia passar despercebida, tal era a dimensão da minha focalização na outra. Mas não. Apeteceu-me ficar também com ela, de outro modo.

Da L. retenho tudo ou quase. As frases que enobrecem a palavra, a palavra que coça por dentro ideias várias, que são muitas, umas dela, outras roubadas com critério à realidade e à memória. O riso sempre atento. O choro quase nunca lacrimal de quem pouco tem que não seja seu. O meneio natural de quem não força a menina que já é.

A vida à L. tem-lhe corrido mais de estar do que em viver com quem. Chegou a uma fase em que transforma quase tudo em bom, e quando não pode não mexe. Não sei se é boa ideia. Como também bem me irrita a sua dúvida se o Mundo a tem como merece. É claro que a não merece! Nem sempre o caminho é suave para quem não tem o koshi adequado.

Sei, e mantenho, que poucas conheci que por mais perto estar de Atena não tema ir no barco de Afrodite. Nem é que a L. tenha com isso um problema. Mas a raiva de deixar de ser primeira deusa não lhe deixa às vezes espelho – que os olhos de outros são – para a Ilha dos Amores.

De mim, dou-lhe o lugar à direita de Deus-Mãe.

1 Comments:

Ai Clark o menino hoje tá tão kischt... ou será quente.. e kischt escreve-se assim? Eu não percebo nada de sueco juro.

E numa de compeltamente normal: e não é bom ter amigas e amigos assim? A Deus-Mãe que o diga.

By Blogger PreDatado, at agosto 07, 2004  

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Comments:
Ai Clark o menino hoje tá tão kischt... ou será quente.. e kischt escreve-se assim? Eu não percebo nada de sueco juro.

E numa de compeltamente normal: e não é bom ter amigas e amigos assim? A Deus-Mãe que o diga.
 
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