quarta-feira, agosto 4
O Econo-clasta
Há muitos anos que gosto de Álvaro Barreto. No meio da 'aparada e bis Ti Teresa' que se vive no rectângulo, ele é um senhor. É claro que é uma vergonha para o país que um homem de 68 anos, com um razoável handicap no golf, tenha que ter aceite ser a segunda figura do Governo. Mas como os outros aos costumes não disseram, este príncipe disse sim, mesmo se mais lhe apetece resmungar com a mulher (que fuma, ele já deixou) e fazer tudo o que um príncipe da idade dele tem direito.
Mas fez bem em aceitar. Tanto mais que o presidente do Conselho de Ministros (vejam só) se chama Pedro el Cucaracha. O dito (também conhecido por pichas-em-alerta-de-tierra, e amigo del pichas-en-el-mar-de-popa) precisa de um homem sóbrio para lhe atinar o momento. Tudo visto, Álvaro Barreto parece-me bem. Vou ao que interessa.
Ontem, na casa de alterne que dá pelo nome de Ministério das Actividades Económicas - um prédio de apartamentos nas avenidas novas, para onde se deslocalizou o outrora Ministério da Economia, que tinha sede num palácio do Chiado -, Álvaro Barreto deu lição de política. É mais ou menos assim.
Para quem não saiba, o consórcio que ganhou a Galp (à venda pela quinta vez, nos últimos 14 anos), tem em pouca conta um negócio sonhado pela anterior administração, o qual é comprar as bombas da Shell em Espanha. Dizem que é caro e o caraças. Sem fastidiar muito os leitores, comprar as bombas da Shell em Espanha é uma oportunidade única, que aparece de trinta em trinta anos, e que permitirá à Galp crescer no 'país ibérico' como nunca sonhou. É um bom negócio e é daqueles que se ganha e pronto, custe o que custar. Os bonzões do consórcio (de nome Petrocer, com pronúncia do Norte) têm dúvidas.
Álvaro Barreto é ministro. Assinou o negócio. Tem que ter calma. E então agora vejam lá o que ele disse.
Que a compra da Shell em Espanha é essencial, que as empresas portuguesas têm que começar a pensar 'grande'. Disse mesmo que a única coisa com que não concordou, daquilo que estava definido pelo Governo anterior, era a pouca força com que a Petrocer se amandava ao plausível negócio. E que por isso pediu (exigiu) que o contrato fosse reformulado.
Se eu bem conheço Álvaro Barreto, ele está-se bem cagando se é a Petroer que fica com a Galp ou se é a Igreja do Reino de Deus. O que é preciso é que, quem quer que seja, compre a Shell em Espanha sem tibiezas.
Daqui lhe digo: que não lhe doa a mão, compre a Shell a qualquer preço, e se os rapazes da Petrocer amuarem tanto faz: vá buscar os outros (havia outros), que alegadamente perderam. E ganhará duas coisas: fica com um negócio em Espanha que põe a Galp nos píncaros; e poderá dizer, politicamente falando, que este Governo põe sempre acima de tudo o interesse nacional.
Temos homem?
3 Comments:
Sempre que vejo o Álvaro Barreto a sua pose faz-me lembrar um Patrício Romano. Coisa que o Santana Lopes nunca terá, apesar de almejar ser o Cícero de Portugal
By Luís Bonifácio, at agosto 04, 2004
BOm, pelo menos deixa-me-me sempre a sensação de "Salvador da Honra do Convento"...veremos...
By CotadaEmBolsa, at agosto 05, 2004
Eco não basta (n seria mais apropriado?)
da chanfrada da.. baby, claro
By , at agosto 07, 2004
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Sempre que vejo o Álvaro Barreto a sua pose faz-me lembrar um Patrício Romano. Coisa que o Santana Lopes nunca terá, apesar de almejar ser o Cícero de Portugal
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