segunda-feira, agosto 9
A fome
Não vou falar do Sudão nem de Angola. Não vou escrever sobre o espezinhamento de uma nação nobre, como é a Rússia, às mãos das máfias que substituíram o comunismo. Não vou sequer falar dos pobres que há neste mundo.
Vou falar daqueles que passam fome aqui, ao pé de nós. Vestidos e bem lavados, com discurso fluente e curso superior completo, ou quase. Vou falar das vítimas da recessão e dos desvios da educação formal, que forma pessoas que não são precisas. Vou falar daqueles que querem mas não podem, porque os lugares escassos estão tomados por filhos de senhoras putas.
Conheço, graças a Deus, muita gente inteligente e esforçada. Gente que, se o país quisesse, puxava por ele. Mas não quer. Prefere deixar nas mãos dos possidentes do costume os arreios da Nação, mesmo se esta, nessas patas, não sai do estábulo onde há muito se encontra.
A maior parte dessa gente boa anda a passar fome. Não morre disso. Tem mil calorias por dia, dadas por um Compal light e uma torrada sem manteiga de manhã, mais um café pela tarde e uma sandes de fiambre. No dia seguinte, mostram a cara sorridente, porque só assim o cliente (que não paga) acredita estar perante um verdadeiro profissional. E esperam, e continuam a lutar.
O país não lhes pertence (a estes), mas deve-lhes o continuar a rodar. Até à morte.
Vou falar daqueles que passam fome aqui, ao pé de nós. Vestidos e bem lavados, com discurso fluente e curso superior completo, ou quase. Vou falar das vítimas da recessão e dos desvios da educação formal, que forma pessoas que não são precisas. Vou falar daqueles que querem mas não podem, porque os lugares escassos estão tomados por filhos de senhoras putas.
Conheço, graças a Deus, muita gente inteligente e esforçada. Gente que, se o país quisesse, puxava por ele. Mas não quer. Prefere deixar nas mãos dos possidentes do costume os arreios da Nação, mesmo se esta, nessas patas, não sai do estábulo onde há muito se encontra.
A maior parte dessa gente boa anda a passar fome. Não morre disso. Tem mil calorias por dia, dadas por um Compal light e uma torrada sem manteiga de manhã, mais um café pela tarde e uma sandes de fiambre. No dia seguinte, mostram a cara sorridente, porque só assim o cliente (que não paga) acredita estar perante um verdadeiro profissional. E esperam, e continuam a lutar.
O país não lhes pertence (a estes), mas deve-lhes o continuar a rodar. Até à morte.