quinta-feira, julho 29

Alerta está!

A todos (?) os interessados, acho que as fotos do 'alerta' já se vêem.
Alea jacta est!

Os meus amigos (IV)

Da casta do B. já há poucos. Ou será que deveria ter dito ‘ainda há poucos’?

Depende da perspectiva. Quantificando as referências, o B. vive no passado. Não acredita em quase nada, ele próprio assume que é pessimista. Mas como luta, este homem aparentemente derrotado pela História! E luta porquê? Para que no futuro haja muitos como ele? Não necessariamente. Luta mais para que o futuro pertença aos que como ele são. Se tiverem que ser muitos, tanto pior, que sejam! Que seja mandado ser como ele quiser! É quase uma religião...

Falar de uma personalidade complexa, e pouco encaixotada em estereótipos como a do B, é fácil: só conta a minha opinião. Conheci-o rapaz, que ele segue-me na idade a pouco menos de uma década de distância. Empenhado desde sempre em fazer qualquer coisa, na altura não fazia nada. Mas, como diz um amigo dele, embrenhava-se então na perversão do prazer do espanto que era ser detective do seu próprio acaso. Ele não fazia nada mas sabia desse tempo o pouco a que sabia. «Um destes dias vou trabalhar, e depois é pró resto da vida, por isso agora aproveito», dizia ele.

Nascido nas mãos da indústria, uma das coisas que mais lhe custou foi deixá-la. Ainda me lembro dos olhos cintilantes com que me mostrou, explicando-a, a obra de pais e avós. No papel não ficou, mas é no papel (mesmo que virtual) que deixa obra. E das grandes, assim não lhe doa a mão nunca.

Em termos culturais, o B. é daqueles que era capaz de se distanciar, por pura diletância estética, se lhe encomendassem a revisão estilística e gráfica da sua biografia não autorizada. O prazer que sente na Língua é completo, vai da leitura à produção literária, da exegese ao panfleto, do convívio com os mestres até à retórica e à polémica verbal onde ela se apresente. Se querem ver o B. contente dêem-lhe um livro para ler, que ele é incapaz de não o fazer.

Quando está fora das artes e da política (acontece, juro), o B. é possantemente doce. É vê-lo a falar com mulheres. Não abjura de nada e mesmo assim dá-lhes a volta. Ou ouve-as. Ou até – eu já vi – é carinhoso. Mas sempre numa perspectiva máscula. É assim um D. Quixote que se preza de não deixar Dulcineia nas mãos dos salteadores, mas que não perde tempo com moinhos de vento. Quando me dá para lhe adivinhar a índole, nunca sei se anda de mão dada com Hemingway ou na orla de Primo de Rivera.

Neste dia em que comemora um aniversário que eu não digo, quero dar ao B. um daqueles presentes ambíguos: ‘El camino se hace andando’.

E a discussão, amigo, fica para mais logo.

Os custos do fogo

Isto é verdadeiro serviço público!

quarta-feira, julho 28

O messenger


O artolas do Libelinha aprendeu há pouco a usar o messenger, que é aquela coisa algo infantil que serve para falar com pessoas on-line. Do que me conta o referido, aquele serviço informático é utilizado maioritariamente para fins sexuais e afins namorativos. Outro dia apanhei-o na conversa que segue, com uma sua subtil amiga, que assina 'Cueca'.

Cueca says:
sabes que eu decoro almas
Cueca says:
decorava a tua.....
Libelinha says:
és a flor do meu hipotálamo
Cueca says:
eheheheh
Libelinha says:
o pechibeque do meu cerebelo
Cueca says:
eheheh
Cueca says:
malvado! e o piercing da tua glande, não?
Libelinha says:
o cortinado do meu córtex
Cueca says:
ahahahahah
Libelinha says:
sem piercing, sff
Cueca says:
só dois dentinhos... ?! não?
Libelinha says:
que é feito das línguas abandonadas?
Cueca says:
(aqui aparece um daqueles sorrisos em cara de queijo que existem lá no messenger)
Libelinha says:
que é feito da moral abocanhada?
Cueca says:
são consideradas 'mortas'... já só se estudam (N.R. aqui a Cueca responde atrasada, o que é suposto acontecer por vezes no messenger, por isso acho que se está a referir às línguas)
Libelinha says:
que é feito da sucção leve e continuada?
Cueca says:
Pleeeeeeaaase!!!

E pronto, era este o extracto que queria partilhar convosco. Há anos que vejo as minhas sobrinhas andarem nisto, não faço ideia se os pais delas sabem.

terça-feira, julho 27

É fácil!

Pode ler-se aqui, assinado por Pedro Carvalho e Pedro Viana: 'Férias reduzem em 30% liquidez na bolsa nacional'.
Está bem de ver qual é a medida a tomar: acabar com as férias!!

Comunicado interno

1 - As queixas sobre a dificuldade de comentar este blogue são mais que muitas. Aqui fica o meu e-mail, para que façam o favor de dizer qual é o problema, a ver se eu o consigo identificar e resolver.
claquequente@hotmail.com

2 - Por razões alheias à minha vontade, as duas fotos do 'alerta' não aparecem. Se calhar ocorreu aquilo que a MJM disse, em comentário. Se calhar é asneira minha. Prometo que vou verificar.

Fogo que lavras no Estio

Eu ontem inventei uma das frases mais estupendas do século. Ninguém comentou. Está tudo a dormir, ou são os comentários que são difíceis?
Não admito semelhante ausência.
Fecho o blogue, se não me chegarem comentários que me alimentem. Eu sou as sete pragas do Egipto, lápides serenas, anónimos da destemperança!

Ah, quem me dera ser analfabeto!!

Quando eu me esquecer, dêem-me o comprimido

O Libelinha acaba de receber esta, de um dos muitos correspondentes internacionais que cultiva:

'Nos últimos três anos, o Mundo gastou cinco vezes mais em implantes mamários e em Viagra do que em investigação da doença de Alzheimer. É de prever que, daqui a 20 anos, haverá um grande número de pessoas idosas com seios enormes e erecções extraordinárias, mas incapazes de se lembrarem para que é que isso serve'.

 


Alerta vermelho

E isto, sim, é um alerta vermelho. Quem se aguenta, aguenta-se, quem não.... joga carolo!


Alerta laranja



Alerta azul



segunda-feira, julho 26

Alerta cinzento

Um dos mais respeitáveis blogues linkados aí à esquerda (não é à esquerda, é à direita, desculpem o lapsus linguae), e de que são cultores algumas pessoas que estimo e outras que não conheço, resolveu, pela mão de LFB, brincar com os diversos níveis de alerta a que a Protecção Civil dá cor, conforme as condições climatéricas o vão exigindo. Tudo bem, a ideia é fresca.

Então temos que, ao alerta azul (uma coisa sem importância), corresponde um close-up de uma senhora que, ao que parece, se chama Kate Beckinsale, e que à primeira vista não reconheci. O alerta laranja (coisa mais séria) resume-se a uma Selma Hayek de vestido inteiro e meio corpo. Ao alerta vermelho (Deus nos livre, ambientalmente falando)  equipararam a Angelina Jolie, com os pezinhos na água e uma vestimenta chique, mas a qual, na situação balnear a que foi exposta, se mostra excessivamente têxtil.

Eu não conheço LFB, mas compreendo o pudor (nas fotos postadas) e o excesso (na imagética ambiental). É que por lá milita, de quando em vez, a senhora dona Ana Gomes. Menos pudor nas fotos tornaria a comparação crudelíssima; menos excesso na imagética não estaria à altura da militante em causa(s).

Como as boas ideias são para seguir, eu logo à noite prometo que vou dar um toque. E nem sequer peço ajuda ao Buíça!


Sobre política

1 - Eu gosto do António Lobo Xavier. Por coisas cá minhas e por outras.
Das primeiras, é porque o fulano é dos poucos (pouquíssimos) do meu tempo que sobrevoou a nossa idade e se instalou na política com mérito e pachorra para tal. Na minha geração, a maior de nós aos vinte e cinco anos já estava farto e desiludido com aquilo.
Mas gosto também dele porque lhe reconheço alguma cultura, ponderação, garra e obra feita na profissão que escolheu.
Dito isto, delirei com a sua última prestação no agora chamado Quadratura do Círculo (antigo Flash-Back). A forma subliminar como levava os seus companheiros de tertúlia a eliminar Paulo Portas foi digna de príncipe florentino. Repare-se: ele nunca atacou Paulo Portas. Mas deixou caminho aberto a que os outros o fizessem. Aplico-lhe a ele, Lobo Xavier, a fórmula que magnanimamente repetiu para dizer que apoiava o Governo: «dêem-lhe tempo...» 

2 - O PS sempre foi o sítio mais giro para se estar, ou frequentar, nos meios da política portuguesa. É perigoso vezes sem conta, hilariante de quando em vez, arejado uma vez por outra, estimulante vezes quanto baste. Agora é quase tudo isso.
À distância, percebe-se agora melhor porque Sampaio não guardou na gaveta o seu cartão de militante. Maior intervenção que a que ele teve na vida do partido é difícil. Com uma decisão sua, conseguiu afastar o secretário-geral que duas semanas antes apelava à maioria absoluta. Pôs também no poder um Governo que, pelo andar da carruagem, não aguenta o resto da legislatura. E abre caminho ao regresso dos seus ao Palácio de S.Bento. 

domingo, julho 25

Fogo que lavras no Estio


O fogo faz parte da vida, e às vezes é bom. Sem o fogo a civilização seria uma outra coisa bem diferente e bem pior. É até provável que o género humano nem sequer tivesse sobrevivido. Mas quando é que raio no meu País acaba a indigência de não limpar matas, de não abrir estradas florestais, de abandonar terrenos? O que é isto, é sina?

Hoje deram-nos mais uma razão para 'sorrir'. A Direcção-Geral das Florestas, ou lá quem tem por missão cuidar destas coisas, está equipada com Renaults Clio a gasolina, que como toda gente sabe é o automóvel ideal para subir montes e andar no meio do mato...

Vou contar uma pequena história. Há tempos, por razões profissionais, andei pela Europa e pela América a visitar fábricas de papel e de pasta. Visitei, seguramente, algumas das melhores instalações do Mundo neste sector. E sabem o que ouvi por toda a parte? Mais ou menos isto: "Nós podemos esforçar-nos o que pudermos, e o que não pudermos, mas nunca conseguiremos fazer um papel tão bom como o vosso. É que nós não temos o vosso solo e os vossos eucaliptos".
De cada vez que virem Portugal a arder lembrem-se disto.

(Está quase a começar o Benfica, vou ver)

Amigos sem data

Vocês sabem lá o que é viver de perto com certos amigos!
Ontem, a meio da tarde, telefona-me alarmado (alarmado será exagero, que eu nunca o vejo alarmado) um sujeito muito cá de casa, a alertar-me para o pormenor: "Olha que Os Maias não foram publicados há 117 anos, mas sim há 116, a primeira edição é de 1888". O gajo tinha visto o meu post aí de baixo, e a ressalva notarial marchava célere, resoluta e solidária.
É do caraças, mas ele tem razão. O Eça escreveu ao editor a falar na obra em 1887, mas esta só foi efectivamente publicada um ano depois.
Vocês sabem lá o que eu aturo...

Óculos de ver ao perto - episódios da vida real



Uso óculos desde os 10 anos. Ou melhor, usava. Já explico.

Recordo-me bem do início. Um dia, estava a brincar com a minha irmã (um ano e meio mais nova) e com uma amiga dela. O desafio, nesse dia, era piscar os olhos à vez, ora o direito ora o esquerdo. Nunca me tinha lembrado de semelhante, penso que foi a amiga da N. (a minha irmã) que teve a ideia. Ora então lá vai.

Acontece que, quando após algumas tentativas, consegui fechar o direito (o esquerdo era mais fácil, não me perguntem porquê), o mundo ficou diferente. Eu reconhecia a N. e a M. (a amiga da minha irmã), mas dava a impressão de que isso ocorria tão só porque eu sabia que elas estavam ali, mais nada. Eram baças, turvas até, não as conseguia enxergar direito (ou melhor, esquerdo). Vai na volta, resolvi ir ler um livro, um qualquer, já não me lembro. Abro a página e nada, não lia nem uma letra. Que esquisito... O meu olho esquerdo, sem o direito, não valia um tostão furado.

A minha Mãe estava a pôr um creme, preparando-se para saír para a missa. Era domingo. O roupeiro grande do quarto dela (e do meu Pai, que estava fora), tinha um espelho a toda a altura, que permitia que aquele ser gigante se visse da cabeça aos pés. Eu cheguei-me ao pé e contei-lhe a façanha.

- Ó Mãe, é verdade que a gente vê melhor de um olho do que doutro?
- Em princípio não, porque é que perguntas?
- É que eu, quando pisco o olho direito, não vejo igual como quando o tenho aberto.
- Ó filho, olha que já estou atrasada, não comeces com brincadeiras.
- 'Tou-lhe a dizer, já experimentei com um livro e não leio nada.
A minha Mãe parou de pôr o creme.
- Olha lá bem para mim, estás a ver aqui esta etiqueta? [do creme] Lê lá com o olho que dizes que vê mal aberto, e o outro fechado.
-.....
- Então?
- Não sei, acho que é a primeira letra é um M [e era, o creme era da Max Factor]. As outras não consigo ler.
- Como não consegues? Abre lá então o outro.
- .... Agora já leio tudo.
- Quando é que descobriste isso?
- Foi ontem a brincar com a N e a M., a aprender a piscar os olhos.
- Vou telefonar ao teu Pai.

O resto é uma história longa e pouco interessante. Calhava que o meu pai tinha um amigo dos tempos de escola que era oftalmologista, um tipo um ano à frente dele no Colégio dos Carvalhos, que o safava das praxes e etecetera. O sujeito, com um ar paternal e optimista, pertencia aos quadros do Exército e tinha consultório privado ali na Cancela Velha, no Porto. Já morreu. Do diagnóstico não teve dúvidas. "- O miúdo tem astigmatismo [eu durante uns anos pensava que era estigmatismo] e hipermetria, precisa de usar óculos, senão o olho esquerdo fica preguiçoso, e ainda corre o risco de ficar estrábico".

Não sem que antes o meu Pai tivesse ainda pago uma pipa de massa num outro médico, de renome ibérico, só para ter a certeza diagnostical, lá comecei a usar óculos. Usei óculos durante 34 anos.

Se querem que lhes diga, nunca notei diferença nenhuma. Dizem-me, e acredito, que aquilo (os óculos) me evitou a tal estrabia, mais alguns problemas de equilíbrio - o que me estaria fadado pela enorme discrepância entre a visão de um e outro olho - e mais não sei quê. Soube depois que tenho a agradecer a esse olho malandro o facto de o outro ser de primeira classe. Os olhos, ao que parece, são de uma solidariedade extrema, tipo proto-comunista, e quando um não presta o outro dá o litro. Na tropa, foi engraçadíssimo. Diz-me o médico da Junta: "- O meu caro amigo tem um olho de atirador especial e outro de varredor de parada; mas como para atirar tem de fechar o que vê mal, está apurado". Como no meu tempo, e no meu meio, não ficar 'apurado' para a tropa era desonra, disse bem dos olhos que tantas chatices me deram na adolescência.

(continua)


sábado, julho 24

A Feia Instrução Pública

A propósito de uma polémica destes com estes, mão amiga lembrou-me do essencial. Aqui vai, com 117 anos de atraso *:

'- Ó Ega, quem é aquele homem, aquele Sousa Neto, que quis saber se em Inglaterra havia também literatura?
Ega olhou-o com espanto:
- Pois não adivinhaste? Não deduziste logo? Não viste imediatamente quem neste país é capaz de fazer essa pergunta?
- Não sei.... Há tanta gente capaz....
E o Ega radiante:
- Oficial superior de uma repartição do Estado!
- De qual?
- Ora, de qual! De qual há-de ser?... Da Instrução Pública!'

(À laia do The Old Man, para ouvir com o 'De profundis')

* Os Maias, Eça de Queiroz

Às Paredes confesso



A assobiar todo o dia os 'Verdes Anos' e as 'Variações em Ré Menor', tive tempo todavia para me recordar do encontro com o mestre, vai para vinte anos. Na Universidade tínhamos aquelas coisas de convidar artistas para concertos na Aula Magna. Um dia calhou ao Carlos Paredes.

Algum burocrata da treta resolveu pôr a guitarra mágica a fazer a primeira parte do espectáculo, guardando a segunda para um coro amador (nem era mau não senhor, mas francamente). Eu, quando vi o programa (tinha algumas responsabilidades na coisa), disse que 'nem pensar'. Onde é que já se tinha visto?

Vai daí, fui falar com o mestre, que desculpasse, era tão só um mal-entendio, é óbvio que quem ia fazer a segunda parte era ele.

Ele teve dificuldade em compreender o que eu lhe ia dizendo. Estava assim programado, era assim que se fazia. Mais tarde, a Luísa Amaro explicou-me: 'Não ligue, ele é mesmo assim'.

De tudo o que se disse de Carlos Paredes, faltava, se calhar, dizer isto.

 

quinta-feira, julho 22

Alegre

O Libelinha, para além de contar anedotas, é um brejeiro e um iconoclasta. Vejam lá o que ele fez a este grande poema da história literária portuguesa do século XX, a propósito da candidatura de Manuel Alegre a secretário-geral do PS.

Pergunto ao vento que sopra
Notícias do meu partido
O vento não se desboca
O que me deixa fodido
 
Pergunto aos rios se Sócrates
É bicha de confissão
E os rios não me sossegam
Não dizem nem sim nem não
 
Levam-me os sonhos da esquerda
Deixam-me mágoas ao centro
É a hora: vou de avanço
Contra o caralho do vento
 
É que há sempre uma candeia
Que no peito a esquerda tem
Mesmo na noite mais feia
Tenho a Maria de Belém
 
Para afrontar a desgraça
Há sempre alguém que resiste
O Coelho dá-me a massa
E o Sócrates desiste
 
Mesmo na noite mais feia
Podem contar com o Alegre
Nesta festança saloia
Sou o senhor que se segue

Felicidades

Como sou de esquerda (o BOS farta-se de o afirmar, e eu não gosto de desautorizar os amigos...), conheço pouca gente no actual Governo. O único destaque vai para Graça Proença de Carvalho, indigitada para secretária de Estado da Indústria, Comércio e Serviços. Tenho-a  em muito boa conta. Financeira de raro rasgo, privei com ela nos bons tempos da Totta Dealer, quando a bolsa fazia sentido. Mas aqui lembro essencialmente o dia (que foi mais do que um) em que lhe disse que via nela capacidade para se dedicar à coisa pública. Respondeu-me sempre com um 'não sei' de olhos brilhantes, que em mim firmou a certeza de que mais cedo ou mais tarde chegaria a hora. A pasta é complicada, cheia de cascas de banana e lobbies à mistura.
Felicidades.

Ecletismo, parte II

O Claque Quente inicia hoje uma colaboração com um amigo de longa data. Chama-se Libelinha, e a sua função no Mundo é contar anedotas. Hoje contou-me esta:

'O Paulo Portas disse que a Teresa Caeiro tinha jeito para ser secretária da Defesa porque era filha e neta de militares. Ok, também não está mal nas Artes e Espectáculos. Então ela não é namorada do Piet-Hein da Endemol?'

Só pode ser galo...

Às vezes, escrever em cima da hora não dá bom resultado. Eu sei do que falo.

Pronto, tinha que ser!

Não é preciso ser bruxo para adivinhar estas coisas. Quando há dias alertei para a possibilidade de se criarem conflitos, por via da convocatória para a selecção nacional de futebol que vai estar presente nos Jogos Olímpicos, parecia que um tal sr. Reinaldo me tinha aparecido em sonhos (neste caso pesadelos).

Enquadremos a coisa: o FC Porto, clube de que é servente o sr. Reinaldo, tem seis jogadores convocados para a dita selecção. O SL Benfica, por exemplo, parece que só tem um. Como benfiquista fico triste. Como português rezo para que o seleccionador nacional tenha convocado os melhores.

Mas será que à minha tristeza corresponde, por simetria, a alegria do sr. Reinaldo? Lemos e constatamos que não. Ele acha mesmo que é uma vergonha.

Mas poderia ser diferente, o sr. Reinaldo. Poderia - por exemplo - incentivar os seus jogadores, e desejar-lhes boa sorte. Poderia - outro exemplo - ficar contente porque tem uma série de jovens numa montra importante do futebol mundial, o que poderá vir a valorizar as respectivas carreiras e dar, futuramente, dinheiro a ganhar à prestimável agremiação das Antas. Mas não. Em vez disso, o sr. Reinaldo diz que se trata de um tiro certeiro rumo às tripas do Dragão.

O sr. Reinaldo, alter ego 'série X' do sr. Pinto da Costa, é homem de poucas palavras. Mas quando fala é isto, o que só vem confirmar que o ditado que afirma que 'quem muito fala pouco acerta', acerta tanto como quem - neste caso - fala pouco.

O sr. Reinald0, fruto do ventre de uma ideologia de bairro, ainda não percebeu que o horizonte está para além das torres das Antas. No mínimo, é entre Minho e Guadiana, com mar à volta. O sr. Reinaldo, cremos nós (os optimistas), é um mostruário de português em vias de extinção. Faz parte de um catálogo em saldo e de uma feira de contrafacção.

Nós preferimos uma outra ideia: 'Viva a selecção!' 



quarta-feira, julho 21

Flic-flac

15.57. Teresa Caeiro consta da lista oficial dos novos secretários de Estado, editada pela Lusa, como integrando o Ministério da Defesa.

18.17. Já depois de declarações avulsas sobre o assunto, e de o presidente do partido a que pertence a referida governante (Paulo Portas, CDS/PP) ter aparecido nas televisões a justificar o novo cargo da senhora (que tinha sido secretária de Estado da Segurança Social no anterior Executivo), a nova lista oficial de secretários de Estado, editada pela Lusa, dá Teresa Caeiro como responsável pelas Artes e Espectáculos.

Este Governo é eclético. Este Governo é uma anedota pegada. 


Os meus amigos (III)

Para a MJ:
 
Olha amiga, os amores nem foram assim muitos. Se queres que te diga, já vi pior num outro momento. Ainda ontem – é engraçado – apareceu uma a querer assunto. E eu, que fiz? Falei-lhe de ti, e das que aparecem por defeito.  E das outras outro tanto.

Tu és fogo ardente de um dia de Junho, adereçado de uma praia que sem ti não faz sentido
 
Tu és oliveira que semeio, e planto, no espanto do deserto de Jaen
 
Tu foste o começo, antes da hora, amiga como nunca, nunca  tive
 
Tu ficas oráculo à espera da despedida do herói
 
Como me poderei apartar de ti? Lembras-te do primeiro assunto? O de nós dois? E o instinto?
 
O meu fogo por ti está intacto. Tu que singela me adornaste de teu corpo, alma e canto de outros, que eu de ti detive.
 
 E tens na barca um outro tanto – Eu -  porque pressinto a tua voz e o canto
 
A vida não me dói quando a estou contigo.
 
E deveria dizer-te: Eu amo-te! 



terça-feira, julho 20

Os meus amigos (II)

Quando é que eu conheci o M. ? Acho que ele estava na tropa, ou assim, e vinha a casa aos fins-de-semana. Tinha uma namorada (já me lembro) que era amiga de uma outra miúda do grupo…. pois foi, e ela trouxe-os a ambos para o meio de nós.
 
O M. era aquilo a que nós chamávamos um barraqueiro. Piadas, gags a fio, isso é que era com ele. Tinha um incontornável jeito para o palco de rua - dança, drama e percussão. E nós a ver o palhaço. Bem bom que ele era.
 
Agarotado por natureza, o M. também gostava de falar a sério. Ou melhor, de início achava fantástico partilhar o nosso falar a sério. Da política, do teatro e de tudo o que ele percebia mas pouco. Que daquilo que ele percebia mas muito, quase pedia para falar, e parecia que não se importava quando a gente não o deixava. Mas era mentira, importava-se. Às vezes a gente é que demorava a entender. Um dia pedi-lhe desculpa, e ele retribuiu com uma revolução. 
 
O M. cresceu da forma mais engraçada e demorada que conheço. Até os pêlos lhe rareavam na cara. Tudo o que não lhe foi fácil aguentou firme, mostrando ser o homem que não semblava de caras. Foi à luta uma vez e outra. Ganhava guerras onde era peão e travava-as atrasado quando era general. Até parecia que lhe era difícil o mais simples que a vida lhe deu, que era o deslumbrar miúdas de quarto em quarto de hora.
 
 O M. é o macho mais fêmea que eu conheço. Tem tudo de ambos. Força, sensibilidade, utopia e aparência. Por isso é difícil de entender. Mas quando se lhe chega perto, quer-se ficar lá por perto. Para amigo, estou longe dele há demasiado tempo.

segunda-feira, julho 19

Rumo a Patras

No próximo dia 12 de Agosto, um dia antes (!) da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, a selecção nacional de futebol inicia a sua carreira naquele evento, para o qual tão gloriosamente se qualificou. Na próxima quarta-feira, três semanas antes do primeiro jogo (contra o Iraque, em Patras), o seleccionador nacional, José Romão, vai nomear os 18 (creio que são 18) convocados. O estágio decorre de 1 a 7 de Agosto, com um jogo a meio. Esperemos que tudo seja conduzido de um modo sério, e que a selecção seja integrada pelos melhores. Que não seja, por exemplo, fruto dos voluntarismos anunciados, ou que não venha a padecer da doença "3 deste empresário mais 3 daquele", ou que não se forme na base "não pode ter mais do Porto do que do Benfica", etc..
Uns Jogos Olímpicos são uma coisa séria. Quero sorrir e aplaudir quando José Romão fizer a convocatória.

Um regresso

Saúda-se o regresso de um pioneiro da blogosfera em Portugal, arredado deste convívio há já algum (demasiado) tempo.

Carta aberta a Jorge Jardim Gonçalves

Senhor engenheiro:
 
As nossas histórias, aquelas que o meu círculo restrito de mim conhece, e aquelas que de si são públicas, davam para encher um livro -  a bem dizer, três quartos seriam seus e eu ficaria com uma assoalhada. Não vou começar por essas, mas sim por uma pessoal, que são duas.
 
Conhecemo-nos pessoalmente em 1994, por alturas da compra do BPA. Lembra-se? Foi uma das mais notáveis sagas da iniciativa privada das últimas décadas. Coitado do BPA, que por tanto já passou, mas adiante.
 
Por essa época, andava o senhor em plena actividade de marketing, convidando jornalistas por tudo e por nada, tentando fazer esquecer as campanhas (algumas maldosas, outras na mouche) que o davam como esclavagista-mor do ‘Reino’, misógeno inultrapassável e sei lá que mais.
 
Na Madeira, terra que o viu nascer, lembro-me do seu approach: - ‘E o M. (meu nome), está com que idade? – 34, senhor engenheiro. – E é casado? – Não, senhor engenheiro’. (fim da conversa).
 
Passados três anos, com algumas conferências impessoais pelo meio, voltámos a ficar cara-a-cara. ‘E o M. (meu nome), está com que idade? – 37, senhor engenheiro. – E é casado? – Sim, senhor engenheiro. – E tem filhos? – Não, senhor engenheiro. (fim da conversa).
 
Foram estas as duas únicas vezes que referiu o meu nome em privado. As outras vezes que nos vimos, estava muita gente em volta.
 
O senhor teve um sonho; eu diria, imaginou uma missão. Daquelas de acordo com a sua ideossincrasia e os seus medos, com essa coisa inenarrável a que pertence, que nem eu, que tudo ouço, consigo compreender. O senhor imaginou-se fazedor do maior banco português. Para isso não olhou a nada. Pediu dedicação para além do que é humano a todos os seus colaboradores, pediu-lhes coisas que o seu juízo final não perdoaria (talvez Ele perdoe), sentou-os a vender o invendável, indicou-lhes o caminho do pecado. Queria mais alto e Balaguer estava de olho em si.
 
A certa altura, pareceu que conseguiu. A Forbes dizia, a Fortune reiterava: o seu banco era o maior de Portugal.
 
Depois começaram a aparecer aquelas coisas chatas da contabilidade, os auditores que não vêem, os accionistas que saem, a solvabilidade assim, a cotação assado…
 
O grande grupo tinha, finalmente, os pés de fora. Fora depressa demais, fora ao arrepio da conjuntura. Cresceu como Hidra. Refém da sua lógica, teve que vender. O quê primeiro? O grupo segurador. Porquê? Para obter rácios mais consentâneos com os de um grande grupo. E o que é isso? Não sei, ninguém sabe, mas o senhor engenheiro obedece. São as leis de mercado. Não foi para elas que sempre viveu? Aguente-se.
 
Um homem  da sua idade,  que nada usufruiu da vida, não devia andar a fazer reuniões até altas horas de sexta-feira. Até porque os seus colaboradores têm que ir para casa, para as famílias deles, ou beber um copo, para descontrair, ou ir ao cinema e ao teatro, que é lá que se ganham ideias e coragem para um novo dia. Mas não. Era meia-noite e nada. Deixou para segunda-feira.
 
Nos últimos anos, pensava a gente, o homem (o senhor) andava mais calmo, até já pensava em dar a sucessão. Até achavam que você tinha a dimensão de um Santos Silva. Engano. Às portas de um problema grave (?), Jardim Gonçalves é igual a si próprio. E convoca uma conferência de Imprensa para as 7h45 da manhã, para poder revelar ao mercado coisas miúdas que a ele o atormentam. Antes da Bolsa abrir, que é para a CMVM não lhe interromper a cotação. É ridículo. É verdade.
 
Como a minha colega que lhe segue os passos (coitada) está de férias (esperta), calhou-me a mim ir ouvir-lhe as dissonâncias. Inicialmente convocou-nos para as 16h30. Depois, a um domingo à tarde, manda dizer a nova hora.
 
Manda? Manda em sua casa, se mandar, o meu amigo. Eu não vou estar lá. A essa hora estou a dormir, como qualquer pessoa sensata.
 
Na esperança de que ainda um dia ouça a voz da razão, sou de Va. Excia, atenciosamente

 
Clark 59 (o M.) 


domingo, julho 18

Links

'Publishing is in progress'
 
Meus caros, finalmente arranjei tempo para repor as ligações de estimação, que a última tormenta informática tinha arredado aqui da página. Mas dá-me um sabor amargo. É como nos agradecimentos dos óscares: será que me estou a esquecer de alguém? Por isso, se alguém estava habituado a ver o seu blog estampado aí à direita,  e amanhã ainda lá não estiver, não considero que esteja a pôr-se em bicos dos pés (antes tomo a coisa como um  favor que me fazem) se me escrever para o e-mail a lembrar-me do endereço.
 
PS. - Por falar nisso, como ainda não coloquei o e-mail, aqui vai: claquequente@hotmail.com
 
Obrigado

A Retoma (II)


Quando este homem fala de política, desconfio. Quando fala de empresas não tenho a mínima dúvida de que sabe o que está a dizer. Ontem, Ludgero Marques disse-me que a retoma já se sente na empresa dele, que opera na área de fundição e cerâmica aplicadas ao lar.
Para que conste, já que não foi publicado.

sábado, julho 17

Censura sem sentido

Vou pensar, diz o João. É por causa disso (também) que o meu blogue não traz o meu nome. E - confesso - quem quer saber já sabe, quem não quer que se foda! Estás de acordo?

Os meus amigos (I)

Não estou com o Z. há imenso tempo. Primeiro foi ele que emigrou para um doutoramento inglês, mais a mulher. Depois fui eu que desci para Lisboa. Do costume de nos vermos amiúde sobrou esta felicidade brevíssima de cruzamentos avulsos, em festas de amigos uma vez por ano. A culpa é mais minha que dele.
 
O Z. é talvez a minha referência mais antiga. Conhecemo-nos no liceu, primeiro ano, e começámos aí o percurso. Ou os percursos, direi melhor, porque a partilha ia da aula às miúdas, da música ao futebol, das férias ao campo nunca neutro das ideias. O Z., para que conste, era uma artilharia de cérebro num corpo de três arrobas. Não mudou muito.
 
Depois do 25 (que a bem ou a mal nos marcou a todos, embora de modos diferentes), o Z., intelectual, não foi dos primeiros a tomar partido. Andou a estudar a coisa, não foi de maoísmos, nem de parte incerta. Tentou a via do pai, que era socialista, mas tal não lhe acrescentou nada à essência e desistiu depressa.
 
O Z., no final da adolescência, ainda franzino mas afirmativo, se nunca foi líder tornou-se necessário. A gente da terra conhece-o melhor se eu falar dele como xadrezista. Dos bons, dos muito bons. Para mim não é só. É também o artolas que ficava a ouvir-me pela noite dentro, como se eu fosse melhor do que ele, só porque a verve nunca me faltou e ele era mais de medir palavras. Vai daí foi para psicólogo.
 
Não pensem que o conheci santo. Longe de ser George Clooney, é um cabrão a engatar miúdas. Desenvolveu uma técnica simples: quando as quer, diz-lhes que as ama. A fêmea lusitana por norma aceita. E ele não se faz rogado.
 
A páginas tantas casou bem e tem dois miúdos. Sofreu há pouco uma perda irreparável.
 
O Z. faz-me falta. Não é de conselhos, é de nos pôr a pensar. Não mete medo a ninguém e isso impõe respeito. É meu amigo.

No comments

Digam isto ao meu director. Ou melhor, não digam, ele não ia perceber

sexta-feira, julho 16

Senhoras e senhores, eis a retoma!


 
Ao longo destes anos que já levo, vi muitas festas. Umas da treta, outras com sentido. Às vezes por uma causa, outras por causa de nada, e ainda outras por causa da festa. Não é destas que vos falo.
 
Ontem fui assistir à apresentação da retoma. Não foi de propósito, acho que ‘ela’ nem sequer tinha sido convidada.
 
Era uma festa que reunia à mesa convidados empresários, mais jornalistas (muitos), e antigos, novos e futuros membros do Governo. 262 pessoas me disseram que lá estavam. O propósito da festa, já agora, era um aniversário qualquer que não conta para a história.
 
É gente que não engana. Quando a coisa anda torta, eles tortos estão. Ontem, por uma vez em anos, pareceram-me animados. Falavam uns com os outros, brincavam com a situação. Irradiavam. É preciso conhecê-los para saber que, de costume, não são assim.
 
Os empresários não tinham medo do Governo, fosse qual fosse. Preferiam pôr a agenda no futuro. E não pediam subsídios. E não deliravam sobre sindicatos.
 
Os políticos andavam ao telemóvel. Como há muito tempo não os via: cordatos, sem-timentos, provocadores sem tempo a perder.
 
Os jornalistas faziam o de sempre, perguntas. E obtinham respostas. Mesmo que em tom de talvez. Mas o ânimo exalava.
 
Ninguém se queixou do salmão, coisa execrável. Ninguém se baldou ao discurso. E no fim do jogo ficaram a falar uns com os outros e a combinar ‘da próxima vez’.
 
Eu, que vou a festas, não via isto há anos.
 
Ontem, no Carlton Palace, recomeçou a retoma.
 
PS. – Parece que o Sócrates vai ficar com o PS. Coitado. Mas cuidado: com o Santana - parceiro de tantas lutas encenadas na TV -, a novela promete.


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Há bocado escrevi isto:

'Ao fim de quatro meses de blogue continuam a acontecer-me coisas estranhas, tais como posts que desaparecem, fotografias que não saem, caixa de comentários de que ninguém gosta. Ainda agora escrevi um texto querido e não faço a mínima ideia onde foi parar. Estou farto disto. Acabou. Eu ao princípio pensava que era azelhice minha. Agora já não pode ser.
Bem hajam os que por aqui andaram.
Tenho mais que fazer. Continuarei como comentador'.

Mas não consigo, vou tentar outra vez.


quarta-feira, julho 14

Isto está bonito!



1. O partido mais votado nas últimas eleições legislativas - razão única pela qual ainda está no poder, mesmo depois de ter mudado de líder - não tem, nas suas fleiras ou entre os seus simpatizantes, um único indivíduo que queira, ou pelo menos não se importe, de tomar conta da Pasta das Finanças. Não me recordo de um Governo de um País ocidental ter à frente do Ministério das Finanças alguém indicado por um secundaríssimo parceiro de coligação. Tal é o estado a que chegou o PSD, dois dias depois de Santana Lopes ter chegado à liderança.

2. É conhecida a trajectória de Bagão Félix à frente do Ministério do Trabalho e da Segurança Social. Tentou destruir o que encontrou, que é a razão de ser de uma ideia de regime que atravessou o século XX na Europa. E não conseguiu, que se saiba, implementar uma única medida daquelas que trazia na cabeça, nem a mais aberrante (por graça), nem alguma que sentido fizesse. Não conseguiu dar caça à baixa fraudulenta, antes preferindo tornar a vida mais difícil a quem está doente. Não incrementou políticas de emprego, antes tentou escamotear a direito dos desempregados ao subsídio. Não pôs em prática uma política de seguro e plafonamento com pés e cabeça. Não diminuiu o esforço do patronato para a segurança social. Não capitalizou as contribuições recebidas. Não pôs os portugueses a passar férias ao nível dos europeus. E não conseguiu investir os subsídios ao seu dispôr para a formação profissional. Não fez nada de jeito.
Agora vai para as Finanças.

terça-feira, julho 13

Cidade

Saía já de noite Clark Kent do Daily Planet.
Metropolis serena como ele gostava.
Ao virar da esquina da cidade em pleno Verão
Uma velha grasnava qualquer coisa
E uma miúda nova dava a mão
A um rapaz quase da mesma idade.
O imigrante vendia hot-dogs na esquina do costume
E quatro polícias não estavam a fazer nada, a não ser
Falar das tricas da Central e da nova advogada
Um tipo media o Céu com telescópio de brincar
E outro oferecia rosas a quem passava.
Cindy estava apenas a ler a mão da amiga
Que precisava de saber se ia sozinha nessa noite para casa
Um cão levava o dono pela certa ao poste da Rua 42
E logo depois, a dez metros de distância, um freak
ganhava trocos a tocar guitarra
Era a hora em que Mr.Smith fechava a tabacaria

Um senão: nesta cidade há sempre um parvo
Que passa à frente da mãe de família atrasada
Para apanhar um táxi para casa, do outro lado do rio
‘Desculpe, amigo, penso que a senhora estava primeiro’
O desafio não fica bem ao cobarde, que cheet e se vai embora
Ainda bem
Às vezes basta ser Clark Kent
Para resolver uma situação delicada

segunda-feira, julho 12

Última hora

Farto da habitual dança das cadeiras, que se efectiva a cada remodelação governamental, Sua Excelência o novo chefe do Governo teve a magistral ideia de inventar a dança dos edifícios ministeriais no seu conjunto. Concordo. A pequenez das ideias, espelhada pela mudança de um tão singelo objecto (a cadeira), deve ser abandonada. Portugal deve pensar grande. Assim, e não querendo deixar de dar o meu contributo à Nação nesta hora histórica, proponho as seguintes deslocalizações:

Ministério da Administração Interna transfere-se para o Bairro 6 de Maio.

Ministério da Segurança Social passa a ter sede na Rua de S.Domingos à Lapa, com filial na Av. do Brasil, no Porto

Ministério do Ambiente vai para Cacia.

Ministério do Trabalho e do Emprego aluga um monte no Baixo Alentejo.

Ministério da Justiça ocupa instalações da Universidade Moderna.

Ministério da Cultura vai para Marco de Canaveses.

Ministério da Defesa desloca-se para Olivença

Secretaria de Estado da Juventude muda-se para Sortelha.

Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais instala-se na Quinta da Marinha.

Secretaria de Estado do Urbanismo vai para Armação de Pêra.

Secretaria de Estado do Investimento Estrangeiro aproveita as instalações da Bombardier.

Secretaria de Estado da Administração Regional fica no Terreiro do Paço.

sexta-feira, julho 9

Isto é tudo por causa dos gregos, não é?

Se vocês soubessem como a mim me custa falar de política...

Então lá vai:

A decisão tomada hoje (a demissão de Ferro Rodirgues) é positiva para o País. Deixa espaço (para quem quiser dirigir o PS) de fazer uma oposição que, mal ou bem, nunca esteve ao alcance do demissionário secretário-geral. De quem eu, aliás, não gosto.

A decisão tomada há mais de uma semana, e explicada hoje aos portugueses (a não convocação de eleições e a manutenção da confiança nos partidos da maioria), é patética e demonstra bem porque as pessoas de esquerda nunca deveriam ter votado em Jorge Sampaio. Eu não votei.

A decisão tomada por Durão Barroso de deixar o Governo em testamento a Santana Lopes (pagando assim favores antigos, alguns dos quais difíceis de explicar, mesmo num blogue livre) teve sucesso. A juventude, e a sua circunstância, nunca se esquecem.

A decisão anunciada hoje pelo ruivinho de Belém de manter no poder uma gente que não tem nada que ver com os portugueses (uma cabeça delirante de cima, mais uma cabeça delirante de baixo) fica à sua inteira responsabilidade, sendo que a responsabilidade que tem, ao contrário do que pomposamente disse, não corresponde à capacidade de os pôr na ordem, se necessário for.

A decisão de invectivar o novo Governo a manter políticas, quando o anterior primeiro-
-ministro já tinha dito que ia mudar de política, demonstra bem o nível de um dirigente nacional de nome 'cenoura'.

Consensos? Consensos não são possíveis, ó Jorge!

Apetece-me falar de futebol...

PS (salvo seja, como muito bem diz o Buíça) - Será que os ricos vão passar a pagar impostos? Penso que não.

O País não presta, toda a gente sabe disso, vamos falar de outra coisa.

É a vida...

A vaidade é um pecado menor quando comparado com a inveja
in Claque Quente, Estatuto Editorial (publ.26.03.04)


Post de 27/06

'Durão Barroso, sondado por vários pares seus para a presidência da União Europeia, hesitou em aceitar a proposta, até que Chirac e Schroder lhe garantiram apoio. Vai daí, pede para falar com Jorge Sampaio para lhe comunicar que está de saída.

Sampaio gosta da ideia de ter um português à frente da Comissão, mas lembra a Durão que o seu abandono da chefia do Governo, mais a mais pouco depois de ter levado um «banho» eleitoral, é motivo suficiente para convocar eleições antecipadas.

Durão lança o ultimato (e, como se sabe, os chefes de Estado portugueses são bastante permeáveis a ultimatos): "Se você convoca eleições antecipadas, eu não vou para Bruxelas. E digo-lhe mais: ou aceita o nome que eu propuser para me substituir ou nada feito". Sampaio engole em seco e diz que sim.

Por isso não vale a pena ir «pressionar» o Jorge para nada. Ele já sabe o que vai fazer: vai comer sossegadamente a comida que lhe puseram no prato, como é costume dele. Está apenas à espera de embrulhar a coisa o melhor possível para não ficar mal na fotografia.

É este, e só este, o filme dos acontecimentos políticos que, nos últimos dias, ensombraram um país saudavelmente embrenhado nas coisas do futebol. Paremos lá com este interregno malfadado, e vamos lá ver o República Checa-Dinamarca'.

Muito obrigado, podem parar de aplaudir...

Como diz uma bloguista muito cá de casa, finalmente o Sampaio falou: 'Habemos caca!'

quinta-feira, julho 8

Devo dizê-lo com frontalidade

Uma vez sem exemplo este escreveu uma coisa de jeito.
Ainda estou a aplaudir.

Epístola aos meus contemporâneos

Irmãos:

Sei que andais um pouco atarantados. E não é para menos: nem o Pauleta mete nem o Jorge tira.

Mas quero-vos deixar aqui um discurso de conforto. Um povo que há oito séculos faz ‘coiso’ e não sai de cima, não era agora que, por via de um campeonato interruptus ou de um preservativo PR, ia deixar de se vir a tempo.

Tenhamos fé. Se os gregos nos mandaram para canto, que é como quem manda por trás, nada nos tira a ilusão de um dia, mais lá para diante (diante diferente de trás) lhes metermos, a eles ou a outros, a farpa (por assim dizer) onde lhes dói mais. A cada um a dor que lhe assiste, que eu sou demossádico.

Tenhamos esperança. Se o Jorge felacia há dias um Senado prostativo inteiro, que nada augurou de novo, é porque ele precisa de imensos preliminares. Afastemo-nos – é o meu conselho - destes casais de swingers.

Tenhamos caridade. A Pedro o que não é de Paulo e a Paulo o que não é de Pedro. É do mais elementar decoro não entrar de frincheiro num casal de longa data. Ele é por mata. ‘Ela’ é por esfola. Que cozam em paz.

Terei, também, de me dirigir a vós, irmãos que quereis o divórcio. O divórcio é sempre de evitar. Mas há situações em que mais vale romper hímens que ir parar rasgado à urgência do Santa Maria. Assim se ilumine (eu às escuras não gosto) a cabeça dos que têm de p(r)ensar. Que a nós – erectos – ninguém nos tira o mastro da bandeira.

Verdes estais! Vermelho vos digo!

Vosso

Clark59

terça-feira, julho 6

Discurso de Sua Excelência, um dia destes, quando ele achar que já não fica mal na fotografia


Bom dia:

Considerando que:

1 – O Dr. Durão Barroso foi a quarta escolha, mas decisiva, para presidente da Comissão Europeia;

2 – Deste modo o País perde um primeiro-ministro que nada fez por Portugal, mas que mesmo assim é melhor que as hipóteses que se perfilam no horizonte para lhe suceder;

3 – O maior partido da Oposição é liderado por uma pessoa que respeito, acima de qualquer suspeita de querer comer o genro;

4 – O intelectual residente do PSD (ML) é a favor de qualquer coisa que eu não consigo perceber ao certo;

5 – O jornal El Mundo tece elogios à capacidade sexual do novo presidente do PPD/PSD (o mesmo partido invocado em 4, embora não pareça);

6 – Ouvidas 7.435 personalidades da Nação tive tempo para fazer crer ao País que estava a ponderar uma solução;

7 – A Selecção Nacional acaba de perder para uns barrascos de merda o título de Campeão Europeu de futebol;

8 – Eu estou a meio do último mandato como Presidente da República, por isso tanto se me dá como se me deu;

9 – E ainda porque as virtudes democráticas e republicanas não dependem das ideossincrassias pessoais de um momento-chave, mas adiável, ainda que solene e redistributivo da mudança que nele se insere.

Determino....

(....determino o quê?)

Assinado


segunda-feira, julho 5

Ilumina-se a terra........................... eu grito

Neste momento em que Portugal não vive um dos seus melhores dias, dou-vos, irmãos, aquele que eu considero o meu poema mais inflamado. Para que nunca perdais o sonho e a força.

As cadências envolvem os hábitos
em fracassos
e o terror arrasta fronteiras incausais.
A sorte enlouqueceu.
Mordem-se os moribundos
e o peixe salta nas entre-mágoas.
Luz eterna, Lusitânia!

O futebol está de luto

Portugal perdeu. E daí? Tantas vezes já perdemos, tantas vezes já ganhámos. Às vezes por causa de um árbitro, às vezes apesar de um árbitro. Às vezes a bola na trave, outras um golpe de sorte. Não interessa. Jogámos bem.

O que importa é que o futebol está de luto. Podíamos ter perdido com a República Checa, com a Holanda, com a Inglaterra ou com a Dinamarca. Não haveria problema. Tudo equipas que cantam hinos ao futebol. Mas não. Perdemos com os piores, com aqueles que sabem que não prestam e inventam tácticas de não jogar. Perdemos com os mais faltosos, com aqueles que jogam na retranca. Perdemos com um futebol feio, menor, medíocre.

De vez em quando aparece gente assim. Não duram muito. Os artistas hão-de sempre arranjar maneira de vencer este tipo de desmancha-prazeres. Já aconteceu. Vai acontecer outra vez. Até lá, o futebol está de luto.

domingo, julho 4

Mais alto, mais forte

Vocês sabem que a Serra da Estrela é MUITO mais alta que o Olimpo?

Canto último

Tu que fechas o Mar Mediterrâneo
Treme! Treme! que vais experimentar
Rio infernal que Tejo ora se clama
Te vais pelas mãos de Tétis afogar
Tu, que as águas outrora deram chama
A força já tiveste, agora a perdes
Atenta: verás Páris elegante
Ter vitória que rude não consegues


sábado, julho 3

Sophia de Mello Breyner Andresen

'Como página em branco
onde o poema emerge'


Ela tinha umas asas brancas, asas que um anjo lhe deu. Ontem cansou-se da terra, bateu-
-as e voou ao Céu

Marlon Brando

Eu sei que ele fez filmes grandes. Toda a gente sabe. Que ele recusou prémios. Toda a gente sabe. Mas a imagem, entre muitas, que eu retenho dele, é quando morre em 'Duelo no Missouri' (The Missouri Breaks, 1976), às mãos de Jack Nicholson. A câmara de Arthur Penn fixa-lhe os olhos no estertor. Juro que é a coisa mais parecida com a morte (como a antevejo) que alguém já me serviu ao perto.
Morreu ontem. Paz ao seu génio.

sexta-feira, julho 2

Mia



Neste tempo em que as mulheres se identificam com o futebol (o BOS está noutro mundo, ainda não percebeu que isto é uma vitória da masculinidade), aqui fica uma foto daquela que é, eventualmente, a melhor jogadora de soccer de todos os tempos

Que vergonha, mas enfim....



Lá vamos com os barrascos, como diz o meu amigo Alfredo F.. Para glória do Euro/2004 preferia os checos. Mas dá vontade de cortar as goelas a estes morcas, não dá?
Eles não merecem ser campeões europeus, são umas nódoas campestres. Está nas nossas mãos. Vamos pôr os tonhos no lugar deles( vice-campeões e já gozam)

PS. Sem antecipar demasiado o que será o meu post de amanhã, os gregos são a gente mais feia da Europa.

quinta-feira, julho 1

A Guida

Coitada da Guida Maria. Vi-a ainda agora numa novela da TVI. Esplêndida, como sempre. Coitada, então, porquê? É que contracenava a pobre com uma coisa fêmea, boa todos os dias, que falava assim: - E na pos ir pa cas, tá la´o chic cum nor de cusp e to preoc. E respondia a Guida: - Ó mulher, tem aqui um perfume francês, leve, faz bem à saúde e à alma! (E ria, e virava o corpo e mostrava os olhos). E a pantufa cor-de-rosa replicava: -Ach qu periss nã que falta a su virag mostr process, cois maniq. Compreeensiva, a Guida falava: - Olhe, também já me aconteceu a mim. Mas deite para trás das costas, são coisas passadas. E você ainda é tão nova. (E sofria, com os olhos, por aquela parva que lhe calhou em sorte, e depois mexia o cabelo e enrugava a boca; enfim, actriz).

A Guida Maria, é, do meu ponto de vista, uma das grandes actrizes portuguesas dos últimos 30 anos. Anda a fazer novelas da TVI (ou da TVE, ou da TVK, tanto faz) porquê? Olha, porque se calhar dá dinheiro. Êxitos de teatro como os ´Monólogos da Vagina' (superiormente encenado por um gajo que eu gosto, o Celso Cleto, esse mesmo que agora truca na Sofia Alvs, enfim...) não acontecem todos os dias. Vai daí, TVI nas novelas.
A Guida Maria é daquelas mulheres que supera e adjectiva o instinto de qualquer macho. Do carregador de piano ao Eduardo Prado Coelho, passando por este escriba, ninguém lhe fica indiferente. Cinco réis de gente, a mulher e a actriz são maiores que o País que representa, tecnicamente falando.
Da próxima vez que puderem, vão ver.

PS - Um dia, estava eu casado e bem casado, fui ali ao Snob comer um bife... tá bem depois conto. Aliás, não aconteceu nada, e o bife estava melhor que nunca.

Uma final, um cão e uma mulher

1. Mais uma festa. Mais bandeiras como grinaldas nas cabeças das miúdas. Um cão com uma coleira fluorescente verde rubra. Até os homo inventaram uma maneira de aderir -
- têm colares de flores à havaiana em volta do pescoço, cores as mesmas das miúdas e do cão.
O pessoal faz derivados das campanhas sobre o Euro. ‘Imperiais, imperiais, imperiais/Queremos muitas mais!’ e ‘Portugal, Portugal, Portugal/Estamos na final!’

2. Depois de décadas em que o futebol era um feudo de homens, a coisa virou. Recordo-me perfeitamente de festejar a passagem de Portugal às meias-finais do Campeonato da Europa de 1984 com mais 70 mil homens e 10 mulheres. A minha namorada da altura, que agora anda com o coração das mãos sempre que a bola vai à baliza do Ricardo e que salta de alegria quando um dos nossos atira certeiro, nessa época ia ouvir um disco ou apanhar sol durante os jogos. A coisa mudou e ainda bem. Festa sem mulheres só despedidas de solteiro, só fiz uma e nem achei grande graça.
Ontem, no Bairro Alto onde me congrego para estas coisas, a meninada era como sempre nestes tempos bons: companheira. Faltava-nos esta vitória, a de levar as mulheres connosco nesta alegria que é o futebol.
É a maior vitória deste Euro/2004. Que dure para sempre.

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