domingo, junho 13
Romance da Estrada da Luz
«- Não tenho pachorra, a sério, ligo lá alguma coisa a isso do futebol!»
E pronto, estava difícil convencer a Paula M. a ir à Luz.
A Paula M. é uma jornalista da área de cultura e artes, de um diário de expansão nacional. Tem telemóveis de escritores premiados e já os entrevistou a todos. Sabe de cor os nomes dos grupos musicais que tocam alguma coisa de jeito. Vai a exposições, gosta de teatro. Como se não bastasse, é boa todos os dias.
Afecta ao facto de ter homens por perto a toda a hora, a Paula M. de vez em quando fica com as orelhas cheias de futebol. Pior ainda: quando se começou a dar com a minha F., apercebeu-se de que havia mulheres cuidadas que também iam à bola com a coisa. O namorado, o Nuno S., nem dizia nada. «- Pois é, eu já vos tinha dito, ela de cultura está bem, mas de futebol não se avia». «- Há-de-se aviar», dizia-lhe eu.
Vai senão quando, resolveu o grupo (os meus rapazes do costume mais a minha F.) ir fechar a antiga 'Catedral' - aquela grande com três naves, rústica e bela - num jogo da Selecção, contra uns patos amigos de um país báltico, que fizeram a fineza de levar cinco 'secos' (assim os gregos de ontem fossem maneirinhos). O problema era levar a Paula. O Nuno S. ainda andava a fazer-lhe o ninho e, se a miúda não fosse, ele era rapaz de se abster. O que era só o que faltava.
Com a ajuda prestimosa da F. («- Porque raio é que esta gaja gosta de futebol, será que tem defeito?», lia-se nos olhos da Paula M.), lá conseguimos arrastar a miúda para 'O' ESTÁDIO.
O resto é lindo. Vi-a olhar em volta (ficou mesmo ao meu lado). Admirou-se da enchente. Chorou com o hino, balbuciando a letra que mal conhece (os seus tenros anos não lhe permitem ter aprendido as estrofes na escola, ai se o Portas fosse ministro na altura, essa é que é essa...). Depois foi perguntando, como quem é inteligente sempre faz.
«- O que foi agora?». «- É fora-de-jogo do número 9 dos gajos!». «- Fora-de-jogo porquê?». «- É uma lei do futebol, não se pode estar à frente do último defesa quando nos passam a bola no ataque». «- Como é que é???». «- Se um atacante não tem pelo menos dois contrários entre ele e a baliza, quando o passe que ele recebe é feito, é fora-de-jogo, não vale». «- Não percebi nada!». «- Não ligues, quase nenhuma mulher percebe, e há mesmo homens que também não...». «- Mas isto é giro, as pessoas todas alegres...». «- Claro que é, por causa disto, também, é que gente gosta de vir ao futebol». «- Quando é que é o próximo jogo?».
Ganhámos. E ganhámos a Paula M.
E pronto, estava difícil convencer a Paula M. a ir à Luz.
A Paula M. é uma jornalista da área de cultura e artes, de um diário de expansão nacional. Tem telemóveis de escritores premiados e já os entrevistou a todos. Sabe de cor os nomes dos grupos musicais que tocam alguma coisa de jeito. Vai a exposições, gosta de teatro. Como se não bastasse, é boa todos os dias.
Afecta ao facto de ter homens por perto a toda a hora, a Paula M. de vez em quando fica com as orelhas cheias de futebol. Pior ainda: quando se começou a dar com a minha F., apercebeu-se de que havia mulheres cuidadas que também iam à bola com a coisa. O namorado, o Nuno S., nem dizia nada. «- Pois é, eu já vos tinha dito, ela de cultura está bem, mas de futebol não se avia». «- Há-de-se aviar», dizia-lhe eu.
Vai senão quando, resolveu o grupo (os meus rapazes do costume mais a minha F.) ir fechar a antiga 'Catedral' - aquela grande com três naves, rústica e bela - num jogo da Selecção, contra uns patos amigos de um país báltico, que fizeram a fineza de levar cinco 'secos' (assim os gregos de ontem fossem maneirinhos). O problema era levar a Paula. O Nuno S. ainda andava a fazer-lhe o ninho e, se a miúda não fosse, ele era rapaz de se abster. O que era só o que faltava.
Com a ajuda prestimosa da F. («- Porque raio é que esta gaja gosta de futebol, será que tem defeito?», lia-se nos olhos da Paula M.), lá conseguimos arrastar a miúda para 'O' ESTÁDIO.
O resto é lindo. Vi-a olhar em volta (ficou mesmo ao meu lado). Admirou-se da enchente. Chorou com o hino, balbuciando a letra que mal conhece (os seus tenros anos não lhe permitem ter aprendido as estrofes na escola, ai se o Portas fosse ministro na altura, essa é que é essa...). Depois foi perguntando, como quem é inteligente sempre faz.
«- O que foi agora?». «- É fora-de-jogo do número 9 dos gajos!». «- Fora-de-jogo porquê?». «- É uma lei do futebol, não se pode estar à frente do último defesa quando nos passam a bola no ataque». «- Como é que é???». «- Se um atacante não tem pelo menos dois contrários entre ele e a baliza, quando o passe que ele recebe é feito, é fora-de-jogo, não vale». «- Não percebi nada!». «- Não ligues, quase nenhuma mulher percebe, e há mesmo homens que também não...». «- Mas isto é giro, as pessoas todas alegres...». «- Claro que é, por causa disto, também, é que gente gosta de vir ao futebol». «- Quando é que é o próximo jogo?».
Ganhámos. E ganhámos a Paula M.
2 Comments:
Nada como a prática!!!!
Já vi muito boa gente insultar o arbrito ao primeiro jogo, e nem o português vernáculo sabiam antes!!!!
Como o aprenderam tão depressa, isso é mistério!
By Manuela Vaz, at junho 13, 2004
Nada como a prática!!!!
Já vi muito boa gente insultar o arbrito ao primeiro jogo, e nem o português vernáculo sabiam antes!!!!
Como o aprenderam tão depressa, isso é mistério!
By Manuela Vaz, at junho 13, 2004
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Nada como a prática!!!!
Já vi muito boa gente insultar o arbrito ao primeiro jogo, e nem o português vernáculo sabiam antes!!!!
Como o aprenderam tão depressa, isso é mistério!
Já vi muito boa gente insultar o arbrito ao primeiro jogo, e nem o português vernáculo sabiam antes!!!!
Como o aprenderam tão depressa, isso é mistério!
Nada como a prática!!!!
Já vi muito boa gente insultar o arbrito ao primeiro jogo, e nem o português vernáculo sabiam antes!!!!
Como o aprenderam tão depressa, isso é mistério!
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Já vi muito boa gente insultar o arbrito ao primeiro jogo, e nem o português vernáculo sabiam antes!!!!
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