terça-feira, junho 1
Não percebo nada de economia
Não percebo nada de economia. Confesso. Então o preço das coisas faz-me uma enorme confusão.
A electricidade e o gás, por exemplo. Há anos que ouço dizer que as duas utilities (esta é fácil, aprendi com um amigo meu que me disse que este género de produtos se chama assim) estão cada vez mais baratas, o que se deveria à boa gestão das empresas que disponibilizam estes serviços, mais ao apuro técnico a que chegou a captação/produção e respectiva distribuição, etc.. Juram-me até que, no caso do gás, a introdução da versão natural (natural?.. natural porquê?, não vêm todos da natureza?) embareteceu o produto. Mas então porque é que eu pago cada vez mais? A família não cresceu, os invernos não estão mais rigorosos, a minha mulher não é lá muito de ligar o forno e tomamos banho tantas vezes como no tempo em que o gás era «caro». Não percebo.
E as casas, por exemplo? No tempo dos juros a 24%, eu pagava uma casa com o meu salário, que era a modos que pouco mais de metade do que é hoje. Agora, com o preço do dinheiro a 4% (um recorde histórico em baixa, diz o tal meu amigo), pago quase duas vezes mais do que nesses tempos inflacionistas. Confesso que não percebo.
A inflação é mesmo uma coisa que eu não entendo. Eu explico: o arroz de pato, lá no restaurante onde eu vou mais vezes, subiu 40% em três anos. O Sogrape tinto do Douro, subiu 30%. Os chiclets de que me ficou o vício, quando tive a má onda de deixar de fumar (agora voltei a fumar e não me safo dos chiclets), aumentaram 70%. As laranjas aumentaram 80%. Os sapatos estão mais caros 30%/40%. A diferença entre o meu primeiro VW Golf e o que agora está no mercado (em cerca de nove anos) é de 100%. E eu vou ao INE ver as séries históricas (diz-se assim quando se quer consultar um período longo de uma qualquer estatística, que é como os economistas fazem comparações), e a inflação nunca subiu mais de 4% ao ano na última década, e às vezes foi só de 2,5%. O que aliás, é confirmado pela subida dos salários, que como se sabe, na maioria dos casos, são indexados à inflação. Então como é que eu pago o pato, o tinto, os chiclets, as laranjas, os sapatos e o carro muito mais caros? Não percebo.
Há uma coisa que deve ser verdade: os cuidados médicos privados são agora muito melhores do que há alguns anos atrás. Por exemplo: eu lembro-me de há poucos anos pagar 3 contos no dentista (são agora, mais ou menos, 15 euros). Agora não saio de lá por menos de 60 euros (seriam dantes mais ou menos 12 contos). Outro exemplo: eu tenho um problemazito nas costas que, volta não volta, lá me apaerce. Fui ver os recibos do fisioterapeuta: um aumento de 50% em sete anos (a inflação, no mesmo período, subiu metade ou nem isso). Isto para não falar num deteminado especialista, que no princípio da década de 90 me levava 8 contos, e que agora me sacou 120 euros (24 contos). Só pode estar melhor. Se não, não entendo por que se paga mais.
Há ainda outra coisa. Os impostos. Os impostos já baixaram para aí dez vezes desde que eu trabalho. Todos os Governos baixam os impostos. Mas, feitas as contas, eu pago sempre a mesma coisa (ou até mais, mas isso deve-se ao aumento do ordenado, desta eles não têm culpa). Como é que é possível? Ou então a Segurança Social. Como sabem, toda a gente paga 11% sobre o salário-base (o salário-base é uma coisa que a gente nunca viu e que quase ninguém sabe quanto é, mas é sobre isso que se fazem descontos). Mas eu estive doente três dias e descontaram-me tudo no vencimento. Dizem-me que a medida é para combater as baixas fraudulentas. Mas eu estive mesmo doente, porque é que hei-de ser tratado como se estivesse a fazer ronha?! Então para que é que desconto 11%? Não percebo.
(Há um amigo meu que diz que da próxima vez que estiver com gripe, toma uns ben-urons e apresenta-se no trabalho mesmo assim. Como o sítio onde trabalho é mal ventilado, o primeiro que tiver a ideia de não ficar de baixa vai pegar a infecção aos colegas todos. Mas como nenhum quer ir para casa, para não perder dinheiro, vamos andar assim o Inverno todo. Isto vai ser lindo)
A electricidade e o gás, por exemplo. Há anos que ouço dizer que as duas utilities (esta é fácil, aprendi com um amigo meu que me disse que este género de produtos se chama assim) estão cada vez mais baratas, o que se deveria à boa gestão das empresas que disponibilizam estes serviços, mais ao apuro técnico a que chegou a captação/produção e respectiva distribuição, etc.. Juram-me até que, no caso do gás, a introdução da versão natural (natural?.. natural porquê?, não vêm todos da natureza?) embareteceu o produto. Mas então porque é que eu pago cada vez mais? A família não cresceu, os invernos não estão mais rigorosos, a minha mulher não é lá muito de ligar o forno e tomamos banho tantas vezes como no tempo em que o gás era «caro». Não percebo.
E as casas, por exemplo? No tempo dos juros a 24%, eu pagava uma casa com o meu salário, que era a modos que pouco mais de metade do que é hoje. Agora, com o preço do dinheiro a 4% (um recorde histórico em baixa, diz o tal meu amigo), pago quase duas vezes mais do que nesses tempos inflacionistas. Confesso que não percebo.
A inflação é mesmo uma coisa que eu não entendo. Eu explico: o arroz de pato, lá no restaurante onde eu vou mais vezes, subiu 40% em três anos. O Sogrape tinto do Douro, subiu 30%. Os chiclets de que me ficou o vício, quando tive a má onda de deixar de fumar (agora voltei a fumar e não me safo dos chiclets), aumentaram 70%. As laranjas aumentaram 80%. Os sapatos estão mais caros 30%/40%. A diferença entre o meu primeiro VW Golf e o que agora está no mercado (em cerca de nove anos) é de 100%. E eu vou ao INE ver as séries históricas (diz-se assim quando se quer consultar um período longo de uma qualquer estatística, que é como os economistas fazem comparações), e a inflação nunca subiu mais de 4% ao ano na última década, e às vezes foi só de 2,5%. O que aliás, é confirmado pela subida dos salários, que como se sabe, na maioria dos casos, são indexados à inflação. Então como é que eu pago o pato, o tinto, os chiclets, as laranjas, os sapatos e o carro muito mais caros? Não percebo.
Há uma coisa que deve ser verdade: os cuidados médicos privados são agora muito melhores do que há alguns anos atrás. Por exemplo: eu lembro-me de há poucos anos pagar 3 contos no dentista (são agora, mais ou menos, 15 euros). Agora não saio de lá por menos de 60 euros (seriam dantes mais ou menos 12 contos). Outro exemplo: eu tenho um problemazito nas costas que, volta não volta, lá me apaerce. Fui ver os recibos do fisioterapeuta: um aumento de 50% em sete anos (a inflação, no mesmo período, subiu metade ou nem isso). Isto para não falar num deteminado especialista, que no princípio da década de 90 me levava 8 contos, e que agora me sacou 120 euros (24 contos). Só pode estar melhor. Se não, não entendo por que se paga mais.
Há ainda outra coisa. Os impostos. Os impostos já baixaram para aí dez vezes desde que eu trabalho. Todos os Governos baixam os impostos. Mas, feitas as contas, eu pago sempre a mesma coisa (ou até mais, mas isso deve-se ao aumento do ordenado, desta eles não têm culpa). Como é que é possível? Ou então a Segurança Social. Como sabem, toda a gente paga 11% sobre o salário-base (o salário-base é uma coisa que a gente nunca viu e que quase ninguém sabe quanto é, mas é sobre isso que se fazem descontos). Mas eu estive doente três dias e descontaram-me tudo no vencimento. Dizem-me que a medida é para combater as baixas fraudulentas. Mas eu estive mesmo doente, porque é que hei-de ser tratado como se estivesse a fazer ronha?! Então para que é que desconto 11%? Não percebo.
(Há um amigo meu que diz que da próxima vez que estiver com gripe, toma uns ben-urons e apresenta-se no trabalho mesmo assim. Como o sítio onde trabalho é mal ventilado, o primeiro que tiver a ideia de não ficar de baixa vai pegar a infecção aos colegas todos. Mas como nenhum quer ir para casa, para não perder dinheiro, vamos andar assim o Inverno todo. Isto vai ser lindo)