sábado, junho 5
Eu tenho um Volkswagen
É verdade. Já vou no terceiro.
Ao princípio era um Golf II, 1.400cc, 70 cv. de potência. Era pesado, gastava muito, mas tinha vantagens. Tecto de abrir manual (magnífico), quatro colunas de som, vidros facilmente quebráveis, como aconteceu um dia em Cádiz, terra bonita com gente mais porca que algarvios, onde os autóctones resolveram partir-mos, a mim e a uns alemães de coche alugado em Madrid (dos pequeninos), só para demonstrar que são bestas nacionalistas e que na Andaluzia da fome e do desemprego (não na da arte, da história e dos cavaleiros) quem manda são eles. O resto da história fica para depois. Durou sete anos.
Depois tive sorte. Um director do Deutsche Bank passou a posto mais alto, e deram-lhe um carro, acho que um Honda estilo 'se-te-apanho-fodo-te', como todos os Hondas que não são motas de baixa cilindrada. Vai daí, o rapazote, resolveu vender o quase novo Golf III 1.6 GT por um preço de amigo. O nabo! O otário! O incompetente! O grande amigo! É que este automóvel é uma das coisas mais lindas, fiáveis e devastadoramente confortáveis que já se fabricou por menos dinheiro que um Rolls Royce. E vai daí ofereceu-mo. O que é que eu fiz? Comprei-o. Tinha 101 cv, gastava um pouco mais que a conta, e hoje está nas mãos de uma miúda que nunca mais na vida vai ter um carro como este.
Com a mania de que já era gente grande, comprei depois uma Passat Variant 1.9 TDi, 130 cv. Tenho o animal há quatro meses e ainda não sei que vos diga. Lá confortável é ele. Lá que é frugal também. Mas... é um bocado carro de 'cota', enfim, não sei se já tenho idade p'ráquilo.
Falta dizer que eu não tenho carta de condução. Quem conduz é a minha mulher.