sábado, junho 12
Comandante José Francisco de Almeida Rodrigues
Está tudo a dormir, ó meus compadres?
Então o homem é demitido por causa de uma nota interna e ninguém diz nada? A questão nada vos diz?
Ok, eu explico: o comandante da Polícia Municipal de Lisboa, José Francisco de Almeida Rodrigues, foi ontem demitido depois de ter emitido uma nota sobre o Intendente (zona de Lisboa, para quem não saiba), na qual desaconselhava a concretização de festejos de Santo António nesse local, por alegadamente este ser (cito de cor, não se encontra porra de informação nenhuma sobre o assunto) «local de prostituição e venda de droga, onde bandos étnicos, nomeadamente de tez negra, dão azo às suas tradições que não se adequam às festas populares de Lisboa».
Vamos por partes: um polícia deve descrever com a exactidão possível, e em linguagem corrente, aquilo que observa. Se um cão que mordeu a D.Amélia, que mora na Penha de França, é amarelo e tem a orelha direita descaída, presumindo-se que pertença ao Sr. Joaquim, que é vizinho da dita, o agente policial que se inteirou da ocorrência deve escrever, no auto, que o cão que mordeu a D.Amélia, que mora na Penha de França, é amarelo e tem a orelha direita descaída, presumindo-se que pertença ao Sr. Joaquim, que é vizinho da dita. Não pode, como seria jornalisticamente correcto (para falar apenas de uma outra profissão que também tem por missão relatar factos), dizer qualquer coisa como isto: "Um cão mordeu ontem uma cidadã em Lisboa, a qual apresentou queixa na polícia". Isto serve perfeitamente para a população leitora dos 'Casos do Dia', mas em termos de prova em Tribunal não vale nada.
É por isso que um jornalista, quando descreve a situação que se vive diariamente no Intendente, versus tentativa de lá fazer desfilar marchas populares, pode escrever assim: "O pedido de alguns populares, que pretendiam comemorar o dia de Santo António na zona do Intendente, foi ontem rejeitado pela polícia municipal, que considerou não poder assegurar condições de segurança no local, devido à alta taxa de marginalidade ali existente". 'Tá feito! O jornalista informou. Mas o polícia tem que ser mais específico. Tem que dizer que é de droga e de prostituição que se trata, porque esses crimes ou atitudes desviantes não são plausíveis de ferir a segurança pública de modo igual ao de outros, como sejam roubos de automóveis, assaltos a residências, etc.. É preciso, na óptica de um polícia, descrever de modo diferente aquilo que é diverso. E, como qualquer polícia bem formado sabe, não se atacam da mesma forma os problemas provocados por skin-heads ou por pretos, por meninos da Linha de Cascais ou por operários da Lisnave. Até as claques do Sporting e do Benfica são diferentes (aliás, era só o que faltava que não fossem, mas adiante). Um polícia bem formado tem que saber isto. E quando vai a um bairro, tem de saber se há lá pretos, ou se há lá putas, ou se há lá drogados, ou se há lá chulos, ou se há lá pinta-paredes, ou o raio que o parta. Não pode confundir coisas diferentes.
É disto tão somente que se trata. Demitir um comandante da polícia porque o homem disse que no Intendente havia indivíduos de «tez negra« que não eram de confiança, é como prender o João Pinto por ter afirmado que «previsões só no fim do jogo».
Mas digam lá, há pachorra para isto?
1 Comments:
A cor preta está obviamente a mais na descrição. Não acrescenta nada. O comandante da Polícia Municipal precisava obviamente do aconselhamento de um especialista em comunicação. Se tivesse escrito "grupos de cidadãos de origem africana" em vez de "bandos étnicos de tez preta" já era totalmente diferente e os espíritos politicamente correctos não se teriam inquietado.
Ou seja, questão de forma, certamente não de conteúdo...
By PluribusUnum, at junho 12, 2004
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A cor preta está obviamente a mais na descrição. Não acrescenta nada. O comandante da Polícia Municipal precisava obviamente do aconselhamento de um especialista em comunicação. Se tivesse escrito "grupos de cidadãos de origem africana" em vez de "bandos étnicos de tez preta" já era totalmente diferente e os espíritos politicamente correctos não se teriam inquietado.
Ou seja, questão de forma, certamente não de conteúdo...
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