sábado, junho 12

Amor nunca esquece


Nunca fui muito de escrever poemas ao amor. Ou melhor, quase sempre evitei aquela coisa dengosa de escrever poemas de amor com alvo reconhecido. Normalmente, quando escrevo um poema de amor, o mesmo não tem destinatário. É amor e pronto, é poema e basta. Quem quiser, ou estiver mais à mão do cumprimento, que se lá meta dentro.

Mas uma vez ou outra não cheguei para tanto, e a musa em causa estava lá bem declinada. Aconteceu-me, por exemplo, fez ontem 21 anos. Portanto, e como é costume deste escriba dizer, 'este é meu':


Percorri do mar ardente a fama e a treva
e aqui cheguei sem perder o canto de raíz;
a lauda fácil me arrefece mas de ti
recebo o espanto dos regressos.
Quero-te colar no meu pescoço de circum-navegante

Atravesso o rio...
Cheiras a cais de desembarque
e eu trago lutas vãs para te encantar de mim.
Que tens no gesto que me faça esquecer as caravelas?
Cumpriu-se a gesta? Fiz-me?

Este é o derradeiro barco das paixões,
que hoje parto em busca da trégua que me baste.
A glória és tu!
E por ti eu largo o ser eu que me atormenta
e sonho, amor, a esperança de chegar diferente.

Abre-me a porta; porque eu voltei
e quero entrar em nós; o meu navio
pede velas de cruzeiro...

E o mar é nosso!


1 Comments:

Fomos fogo.
Kisses da baby

By Anonymous Anónimo, at junho 12, 2004  

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Fomos fogo.
Kisses da baby
 
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