quarta-feira, junho 30

Desta vez não!

Sinto-o no ar...

Não passámos pela vergonha (ficar na primeira fase).
Cunprimos os serviços mínimos (chegar às meias-finais).

E agora está tudo bem...

TUDO BEM? Que raça de gente é esta? Ganhámos o quê, digam-me lá?
Eu quero tudo a sofrer como se fosse Espanha!
Eu quero tudo a puxar como se fosse Inglaterra!

Que alguns basbaques se tenham esquecido de focalizar o instinto.
Que a pequenez lusitana se afague de finais meias.
Que a falta de tusa se fique pelo espreitar da frincha

ISSO É LÁ COM ELES!!

Este português aqui ainda não ganhou nada! E quer, e pode, ganhar!

QUEM É QUE ESTÁ COMIGO??




Esta terra linda, pernambucana, fala português porque alguém não desistiu de expulsar as hienas alaranjadas. Quem vai desistir agora?



Disto eu tenho realmente medo

Agentes infiltrados na Academia de Alcochete, relatavam-me ontem, ao fim do dia, a seguinte conversa:

Costinha - Eu francamente não estou a ver o Santana Lopes a primeiro-ministro...

Simão - Não vai haver problema, eu tenho fé que o Jorge Sampaio vai convocar eleições antecipadas.

Ric. Carvalho - Mas vocês não acham que, apesar de tudo, há vantagens em pôr o Durão em Bruxelas?

Rui Costa - Olha, mal por mal, sempre vai mandar lá para fora, que cá dentro não fez grande coisa.

Costinha - Pois, mas é uma merda, vai criar uma crise política...

Simão - Ó pá, 'tá bem, mas pelo menos assim o País respira de alívio!

Ric. Carvalho - Não sei, não. Acho que isto vai ficar ainda mais negro.

Rui Costa - O meu maior problema é que a Manuela Ferreira Leite dava credibilidade ao Governo e agora está de saída.

Fernando Couto (entrando na sala) - É isso, ela era a garantia do défice, agora se calhar nem sequer têm dinheiro para nos pagar os prémios...

Figo (que estava a olhar para a TV) - O quê? O Durão vai-se embora e não deixa dinheiro para os prémios?

Cristiano Ronaldo (que estava a dormir no sofá da sala) - Isto é caso para vocês, os capitães, irem falar com o Madaíl, assim não faço fintas.

Costinha - Isto da política é uma merda...

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Moral da história: se estes cabrões não ganham à Holanda, já sei de quem é a culpa.

Lugares baixos

And yet, the more he ascertained with his own eyes the perfection of the flower, the more wretched and miserable he felt.
Alexandre Dumas, 'La Tulipe Noire'

Revês-te aonde, ó vaca? Na utopia ou na escravatura? Nas tipas sem regra ou na tulipa negra? Nas freiras missionárias ou nas áreas de fumo? No discurso do método ou nas montras de putas?

Não te entendo. Fazes de Ann Frank escondida enquanto te ocupam a praça com charrados mil vindos sei lá de onde.

Que mais te interessa? A fama? Não tens! A cama? Fica com ela! As socas? Moem-me os pés!

Sabes quando foste grande? Foi quando andávamos a combater espanhóis e te aproveitaste de nós para roubares o que era nosso. Tens a pinta dos segundos, cheiram sempre a cama que outros já usaram. Eu sou Salvador Correia de Sá para te ensinar a tratar bem os pretos, osga laranja que te aproveitas do mal alheio.

Eu sou Serafim de Freitas, que tendo razão ou não meteu o teu Grócio em ócio a tocar punhetas.
Eu sou um belga católico que te enfia as sete províncias pardas pelo cu acima.

Canalha de boers, já limpámos quem te limpou o sebo, teremos medo de ti porquê?

Se tivesse de preferir moinhos, tinha os de D.Quixote, que é mais homem e mais história que todos os poetas que não tens. Tu és boa é a comer batatas de Van Gogh. Engasga-te!

País melhor que o teu para estabelecer um tribunal de malucos não conheço. Jurisprudência mundial? Que é isso? E a revolta que cada um traz em si, não importa? Apresentaste curriculum para Haia do imperialismo, fica-te com a bata de criada. É mesmo teu, voyeur gaja da vida que não tiveste.

E tu, paladina da liberdade da treta, lembras-te de Timor-Leste? Perdeste! Nem sequer conseguiste dar à 'Concha' - que tua já não é sequer - a rapinice dos mares de Suharto! Valeu-te de quê o crime, ó Beatriz tonta?

E lembras-te da DAF? Foi papada por um sueco (que vergonha, os suecos não papam ninguém, nem sequer as suecas) e agora arrancas de empurrão por via de umas aspas francesas.

Hás-de sempre ser corrupta com cara de santa. Hás-de percorrer o mundo e não saber de onde és. Hás-de construir um dique para morrer na praia que não tens, empanturrada de uma bebida burra.

Fica lá com a bicicleta. Nós levamos a Taça!

terça-feira, junho 29

Uummmmhhh!

Eu a esta hora do campeonato não tenho certezas. Nem que o Santana vai ser primeiro-ministro nem que o Costinha joga de início.
Qual é a mais preocupante?

A rir

Recebi dois SMS que poderão ser usados, e seguidos, de forma justaposta ou alternativa.

A saber:

'Amanhã, manifestação de apoio a Santana Lopes, às 4 da manhã, em frente ao Elefante Branco. Senhoras: obrigatório uso de fio dental'.

'Amanhã, todos de laranja no Alvalade XXI para apoiar Santana Lopes'.

PS - Afastado do trabalho e da realidade durante 48 horas, digo agora que gostei da manif de domingo frente ao Palácio de Belém. E eu, que não sei o número de telemóvel do Miguel Portas, da Helena Roseta e da Isabel do Carmo, poderia lá ter ido para lhos pedir. Realmente, não tenho a noção do momento...

segunda-feira, junho 28

É preciso avisar toda a gente!

Cerca de zero vírgula um por cento da população portuguesa está a tentar desviar a atenção dos seus concidadãos daquilo que é absolutamente essencial. Que uma senhora que vive na América do Norte o faça, ainda vá que não vá (penso que a temporada de hóquei no gelo já acabou). Que um camarada, vocacionado para a matéria política, e momentaneamente (espera-se) embrenhado profissionalmente nas bombas do Iraque, o diga, até se compreende. Que este fulano esteja a testar a ressureição em vida (na outra ele não acredita), quase se aceita. Agora que os meus caros companheiros bloguísticos com cara de seres humanos normais não façam outra coisa senão falar do Barroso, e do Santana, e do Sampaio, e até do Mendes, quando está a decorrer o Campeonato da Europa de Futebol, que por acaso se realiza no nosso País, no qual por acaso já alcançámos o direito de estar nas meias-finais - isso é que não!!

É preciso denunciar isto. Trata-se da velha atitude demagógica da direita, que quer focalizar o povo em questões menores, fazendo-o esquecer daquilo que é mais importante no seu dia-a-dia!

É em alturas como estas que um português dasatomizado deve dizer: 'Força Portugal!'
E, já agora, avisar a direita: 'Não passarão!'

Ainda vos lanço uma mão cheia de kriptonite!

domingo, junho 27

Porque não vou lá estar hoje à tarde



Durão Barroso, sondado por vários pares seus para a presidência da União Europeia, hesitou em aceitar a proposta, até que Chirac e Schroder lhe garantiram apoio. Vai daí, pede para falar com Jorge Sampaio para lhe comunicar que está de saída.

Sampaio gosta da ideia de ter um português à frente da Comissão, mas lembra a Durão que o seu abandono da chefia do Governo, mais a mais pouco depois de ter levado um «banho»* eleitoral, é motivo suficiente para convocar eleições antecipadas.

Durão lança o ultimato (e, como se sabe, os chefes de Estado portugueses são bastante permeáveis a ultimatos): "Se você convoca eleições antecipadas, eu não vou para Bruxelas. E digo-lhe mais: ou aceita o nome que eu propuser para me substituir ou nada feito". Sampaio engole em seco e diz que sim.

Por isso não vale a pena ir «pressionar» o Jorge para nada. Ele já sabe o que vai fazer: vai comer sossegadamente a comida que lhe puseram no prato, como é costume dele. Está apenas à espera de embrulhar a coisa o melhor possível para não ficar mal na fotografia.

É este, e só este, o filme dos acontecimentos políticos que, nos últimos dias, ensombraram um país saudavelmente embrenhado nas coisas do futebol. Paremos lá com este interregno malfadado, e vamos lá ver o República Checa-Dinamarca.

Às 19h45. Não faltes!

* banho, e não banhada, é a expressão popular para designar quem perdeu por muitos. 'Levar uma banhada' é ser enganado.

sábado, junho 26

Carta a uma pessoa minha/Letter to a person of mine

Os leitores que me perdoem, mas esta hoje vai em inglês (mais coisa menos coisa)

My dear Helena:

This is the first time in my life (our lives) that I write to you in public. Do you remember the time when writing a letter was the only way to talk to eachother? I have many of you, as you probably keep many of mine. Then came the mobil phone, the SMS, the e-mail... And now the blogs.

This one today it’s only for telling you (surely for the last time in this championship...) that I hope your guys ‘make the job’. Tomorrow, against Nederland, I’ll be thinking in you, and in Jann, Ulrika and in your children, and in all the other persons you love. And, again, in all the fantastic things your people did in history, mainly the human conquerors of your 20th century. I know it’s not in your blood (I mean swedish blood, because I also know that you, Helena, are different) to be proud and tell it to the world. But is not for nothing that the ‘eleven guys’ go to the field in blue and yellow. It’s because they are THE nation for 90 minutes.

So, I hope you win... for the last time in this Euro/2004. Because the next game will be against Portugal. But there is one other (selfish) reason I want you to win: it’s because I will be a little less sad if I loose with Sweden in the semi-finals.

Love

Clark59 (you know my name)

Eu quero ver outra vez!

Mais de 24 horas depois do jogo Portugal-Inglaterra, ainda não consegui ver a repetição daquele remate de um jogador português que deu a sensação de ser golo. Rapaz do século XXI, habituado a altas tecnologias, por que razão me furtam a possibilidade de analisar ao pormenor a dita jogada? Só para ter um ponto de comparação, eu que não liguei muito ao Grécia-França, já vi a bola que entra-não-entra na baliza do Barthez para aí umas dez vezes.
Querem ver que é desleixo? Querem ver que é censura? Querem ver que este árbitro está predestinado para a final e, se por acaso se concluísse que errou, já não teria a mínima hipótese?

Ó p'ra mim preocupado!


Este homem pode vir a ser o próximo primeiro-ministro de Portugal. Toda a gente lhe está a fazer a cama para que aceite. Eu pessoalmente gosto de dar o benefício da dúvida. Lá virá o tempo de dizer mal. Só estou preocupado com a malta do 24 horas. Quem é que eles vão pôr hoje na capa? A Cinha Jardim? A Teresa Arriaga? A Catarina Flores?

sexta-feira, junho 25

Extra Extra - Governo

Ainda não é oficial: Durão Barroso deixa a chefia do Governo e vai presidir à Comissão Europeia.
Jorge Sampaio está a receber os partidos (Ferro Rodrigues às 19h30) para decidir se dissolve a A.R. ou se nomeia outro militante do PSD.


extra extra - Governo - extra extra

Ainda não é oficial: Durão Barroso deixa a chefia do Governo e vai para presidente da Comissão Europeia
Jorge Sampaio está a receber os partidos (Ferro Rodrigues às 19h30) para decidir se dissolve a A.R. ou se nomeia outro militante do PSD (Marques Mendes, Ferreira Leite e Santana Lopes bem colocados.

Comentário: seja como for é mais uma vitória para Portugal.

Heróis do Mar



Este português está feliz.
Mesmo que amanhã tenha que levar com os mesmos chefes da treta, medrosos, videirinhos e incompetentes.
Mesmo que amanhã os portugueses analfabetos do Luxemburgo ajudem a pôr esse pequeno pais nos píncaros, enquanto nós por cá temos que aturar os possidentes da merda que nada produzem senão merda.
Mesmo que amanhã o Governo da Nação não consiga cumprir os serviços mínimos, quais sejam cobrar impostos, fazer justiça e dar-nos cuidados de saúde.
Mesmo que amanhã os bimbos e os ariscos continuem a achar que cheirar mal dos pés é coisa de homem.
Mesmo que as portuguesas continuem a desconhecer as virtudes da Gillete e do sorriso.
Mesmo que o Eurico de Barros continue a ter medo do sucesso, coisa a que ele chama 'pessimismo antropológico'.

Mesmo assim, este português está feliz.

quinta-feira, junho 24

O INE mais perto dos desejos dos portugueses

O presidente do INE pede aos portugueses, em documento editado ontem, que digam-ao-ine-ponto-pt quais as necessidades não satisfeitas que sobraçam (ou sodedam, ou solinguam, ou sobrocham, ou supiçam, ou soconam).

Pouco amor por Albion

This even-handed justice
commends the ingredients of our poison'd chalice
to our own lips

Macbeth, Acto I, cena 7

The day is ours, the bloody dog is dead
Ricardo III, Acto V, cena 5

Eu Canuto, rei dos dinamarqueses,
te esconjuro Pedro II pelo teu Tratado de Methween
Eu Anthony Eden te escorraço Chamberlain, pela tua miopia
da realidade germonga
Eu Brito Capelo me meço com qualquer Livingstone da treta
a ver quem mais desbravou África
Eu bala de Trafalgar sou mais que tu
Nelson esquecido pelos teus irmãos
Eu Guinevere sou desde sempre quem te mete os cornos,
ó rei ou príncipe de Inglaterra
Eu Ramos Pinto sou mais vintage
que qualquer Grahamm's ladrão que seja
Eu Clara Ferreira Alves lavo-me mais por baixo
que a jornalista mais senior do Birmingham Morning Star
Eu cozido à portuguesa nem te cuspo em cima
porcaria óbvia de fish and chips
Eu, Salazar que seja, mato menos num século
que Maggie mãe deixa morrer à fome patriotas
Eu Chelsea de um russo que o parta
não valho um Estádio das Antas

E tu, pátria gorducha e lassa do pink power
nem te aproximes sequer do meu mapa cor-de-rosa. Da próxima tenho um'A Portuguesa' que te dá na tromba

Amanhã não te amo
nem que sejas Filipa de Lencastre
Amanhã és podre como maçã ao meio-dia-menos-um-quarto no mercado de Notting Hill
Amanhã dou-te chá que nem ginjas
Amanhã, puta velha liverpooliana, é bem feito que os teus sapatos verdes te apertem os joanetes


Porque a fábula não tem inglês por perto
Porque a saudade não te tem no dicionário
Porque o surro de seres tu te serra a hipótese de seres gente

Olha bem para mim, operário, eu sou o BMW que te fodo
Fixa-te em mim, João sem Terra, eu sou o teu Zé do Telhado
Lembra-te de mim, donzela escrava, que eu sou dos 12 Bravos de Inglaterra

Quando amiúde te apetecer baixar as cuecas, não esperes por mim. Não estou!
Quando mostrares as mamas siliconianas no Rossio, não esperes por mim. Não gosto!
Quando caíres de bêbado ao sábado, vens atrasado. Eu embebedei-me na quinta-feira!

E quando olhares para mim, arruaceiro de Albufeira que de GNR tens prova, vê Figo, vê Rui Costa, vê Pauleta, ou mesmo o Ricardo do Carvalho que te foda. E treme, loira!





terça-feira, junho 22

Um pouco por toda a blogosfera

Digam lá que o futebol não faz milagres

Uma emoção verde-tinto



Tenho 45 anos de vida, quase trinta de ‘má-vida’. Mas nunca vi nada assim. Devo-o ao futebol. Nos estádios, já vi coisas de pasmar, hinos, golos, fraudes, urros. Mas isto foi fora deles.

No Bairro Alto, domingo à noite, não sei se consigo explicar. Eram milhares e milhares, a maior parte garotos de eu ter andado com eles pela mão. Vestiam o que se veste por estes dias, como sempre foi óbvio que se poderia ter vestido, mas nunca, nunca se vestiu. De verde e rubro. Cantavam o hino, cantavam-no bem. Eram aos milhares.

Tinham honra na bandeira, em forma de cachecóis, de bandeira, ou até mesmo de saia. As raparigas ajeitavam-na em torno das ancas, há sempre um toque a lhe dar para ficar melhor, dar-lhe vista e ela vista nos dar. E punham-na no cabelo, e no peito o cachecol substituía por vezes esse outro nome francês que mais se usa em recato. A minha saia é vermelha e o meu cabelo é verde! A modernidade saiu esta noite à rua a vitoriar uma tarde de glória no Estádio da Luz. Não há contradição na alegria.

Os rapazes agitavam-na, eu estou aqui, sou eu por debaixo dela, agito-a e mostro-a, tenho orgulho nela. E quero berrar ‘Portugal, Portugal’, porque hoje (não sei se o sei, mas sei que o sinto) ‘sou mais do que eu’. Já não a juro faz anos, porque a tal me impediram, mas juro que me sinto maior, aqui por debaixo dela.
E voltavam raparigas. A esfera armilar fica bem de mamilar. Elas descobriram-no. Na esquerda ou na da direita? Tanto importa. Fica bem em tudo o que é redondo, perfeito. Como a Terra que representa.

Ao ‘salta Nuno, olé, olé’ vêm logo mais abraços. Sobe-se a rua. Não há polícia. Não há azar. Há pernas bonitas, corações inchados.
Eu quero este Portugal todos os dias.

Desta marca. Verde-tinto!

segunda-feira, junho 21

Tem mais!

Depois da guerra ganha, até posso dizer: eu gosto de espanhóis! (e então de espanholas... mas a solteirice acabou-se há anos)

Há um amigo meu, muito tímido, que foi comemorar hoje comigo, e que escreveu uma coisa que, diz ele, não era para publicar. Como sou um ladrão nato, roubei-lha:

'Quatro nações de 'Manolos'
lavados a pedra-pomes.
Quatro Pátrias! Onze tolos
que sucumbiram sem golos
aos pés do meu Nuno Gomes'

E eu digo:

'Quem berrou ao Felipão
mete no saco a viola.
O gaúcho tem na mão
tudo o que é uma nação
que ele quer a jogar à bola'

Ora bem!

domingo, junho 20

E o cabo de forcados é...



Nuno Gomes!!!

O gajo já tem 60 anos



Vai passar nessa avenida
um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
que aqui passaram
sambas imortais
Que aqui sangraram pelos
nossos pés
Que aqui sambaram
nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal,
Tinham direito a uma
alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval
(Vai passar)

Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões
retintos
E os pigmeus do bulevar
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório
geral vai passar
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório
geral
Vai passar


Na porta de 'Las Ventas', quem vai saír em ombros é um moço de forcados


Finalmente a Selecção!!



Pensei, pensei, pensei. Cheguei a esta conclusão. Portugal deve alinhar com:

Serrano; Cruz, Elias, Aparício e Furtado: Marisângela, Mingas, Marques e Guimarães; Alberto e Bastos.


As perguntas a tempo



O Inhaca Soez vai jogar com dois médios defensivos, dois extremos clássicos e dois avançados de raíz? Foi o que ele disse ontem. É para acreditar?
Façamos de conta que sim. Mas não deixa de ser estranho que o gajo deixe o Costinha, o Maniche e o Deco tomar conta do meio-campo (o Xabi Alonso vai quadrar o Maniche? Vai dar merda da grossa...)
Valia a pena, neste momento, saber em que forma está o Tiago, ou se o Petit não será mais útil do que o Costinha em jogo rápido pelo chão.
Na defesa, acredito que o Paulo Ferreira volta à titularidade.
Alguém sabe se o Pauleta já está curado?
Será que o Cristiano Ronaldo entra de início?
Petit, Paulo Ferreira, Cristiano Ronaldo... e alguém para substituir Pauleta? Como se vê, muitas dúvidas, poucas ou nenhumas certezas.

PS- Os laterais espanhóis são pouco lestos no um-contra-um. Isto diz-vos alguma coisa?

sábado, junho 19

Carta aberta a um parolo aqui ao lado

Iñaki Saéz (o Don era só o que faltava):

(Me escusa, pero te escribo en portugués, se no lo entiendes lo problema es tuyo)

Terás a táctica que tens. Terás o País que te deram, ou que roubaste, ou aquele com que te violaram. Não interessa. Espanha, ela própria, é um pecado mortal de violência, atitude marginal, falta de coerência, punheta digital de hombres cum hombres. Terás até os homens maus que não me interessam e as mulheres boas que talvez. Terás o Cesar na defesa e o Pompeu no ataque. Terás tudo. Mas tudo isso não me importa un Ebro.

Se leste a história, saberás que estás mais habituado a ganhar que a perder com nós outros. Tudo bem, não vais a lado nenhum com isso. Porque uma coisa eu sei: desta vez és tu ou eu. E eu pertenço à classe de portugueses que não tem inveja da estocada no touro.

Sabes porquê? Porque tenho a pega de caras. Não há nada de mais português que isso. Não matamos, enfrentamos.

Sabes o que é isso, ó franquista do 'arriba españa'? Sabes o que é isso, ó republicano do 'no pasarán'? Sabes o que é isso, ó totó da expo-sevilha onde não vive ninguém? Sabes o que é isso, ó bilbaíno, terra feia sem igual, onde as putas só medram onde os etarras destroçam? Sabes o que é isso, ó valenciano, onde as laranjas são merda feita de estrume industrial? Sabes o que é isso, ó galego, com as praias fodidas pelas costas que só são costas porque vizinho és de nós? Sabes o que é isso, andaluz desempregado, que tomaras ser português e ganhar o salário mínimo? Sabes o que é isso, murciano-cigano, que nem os pés lavas e a areia não conheces? Sabes o que é isso, manchego, que sanchos tens melhor que moinhos, e terra tens pior que nada? Sabes o que é isso, riojano, que tens um vinho que ao pé do nosso 'alentejo' parece uma coisa para damas meterem um anúncio a pedir namoro? Sabes o que é isso, catalão armado em intelectual, que levas no cu há 400 anos, e que aspiras a dormir com tomates de D.Antão de Almada para te tornares gente?

E sabes, madrileno, porque não obedecemos à morte? Porque tu és centro e nós somos a parte à qual se vai p'la sorte. Na porta de 'Las Ventas' quem vai sair em ombros é um moço de forcados.

Olé!


Teu inimigo

Clark59

quinta-feira, junho 17

Carta aberta a Felipão

Mau caro Scolari:

Ao contrário do que fiz da outra vez, desta agora não tenho 'onze' para te dar (trato-te por tu, como sei que os gaúchos gostam, ao contrário da maior parte dos restantes brasileiros). Mas tenho ideias sobre a táctica. Sabes que a Espanha é a única selecção que joga com um extremo-esquerdo de raíz? Sabes que vão precisar de fazer adaptações na defesa (Marchena não joga)? Imaginas que o Valeron entra de início?
E agora? Só há uma maneira de ganhar. O Simão, desta, não entra a titular. O Costinha, tenho dúvidas. A defesa é para manter, a não ser que o Paulo Ferreira já esteja recuperado (acho que ele põe o Raúl Bravo em sentido, faz favor de lhe dar força, ele necessita).
Contra a Rússia foi uma questão táctica. Agora é mais psicológica.

Vou-te contar uma história, que talvez desconheças, tu e os teus jogadores com o 9º ano incompleto. Portugal existe apesar da Espanha. Se dependesse deles, nós andávamos a receber os mesmos subsídios que a Andaluzia, ou a meter as mesmas bombas que o País Basco, ou a reivindicar autonomia como a Catalunha. Não foi isso que escolhemos. Em dez jogos (não tenho dúvidas), Portugal só tem equipa para ganhar um ou dois à Espanha. Este tem que ser um deles. Sabes porquê? Porque tem de ser. Eu sei que não é fácil, mas tem que ser.
Não te esqueças de uma coisa: os espanhóis são quadrados, não têm espírito inventivo. É fácil enervá-los (daí que o Petit não esteja fora das opções). E há mais: tens que inventar uma maneira de criar apoios nos últimos 30 metros, para quando algum dos nossos perder a bola.
Ouvi-te dizer uma vez: 'O Rui Costa e o Deco podem jogar ao mesmo tempo'. É verdade?

Não te esqueças: só tens 90 minutos para mudar a história. Vê se não falhas.

Já não há batalhas se não esta. A Torre e Espada espera por ti.

A Luz que nos ilumina



Portugal tem um estádio lindíssimo, chamado Estádio Nacional, que deve ser o activo menos produtivo da conta pública anual. Só se lá joga uma vez por ano (final da Taça), e aquilo tem que ser mantido dia após dia. E, apesar da beleza, é mal dimensionado para o futebol moderno, de multidões.

Por isso, o verdadeiro ‘estádio nacional’ é o do Glorioso Sport Lisboa e Benfica, única agremiação portuguesa com estatuto para ter um recinto desportivo com dimensão e classe mundiais.

Sendo isto uma verdade absoluta, que nem os cânones ancestrais do JSarto poderão pôr em causa, porque razão a Selecção Nacional tem que jogar encontros oficiais em outras paragens de menos brio? No Estádio das Antas (ou do Dragão, raio de nome, viva S.Jorge), só sofremos dissabores. Nem é por mal. É que ali, como dizia um amigo meu, só ganham equipas 'azuis e brancas' (equipamento da Grécia, por exemplo). Não percebo a lógica.

Agora vamos disputar o jogo mais importante dos últimos anos (contra a Espanha), no penico taveiriano de Alvalade ‘vinte-e-um’*. Porquê? É para dar vantagem ao adversário?

De uma vez por todas. Estádio da Luz (não mudámos de nome, para quê?) é a casa correcta de Portugal. O resto são apóstrofes e apófises de uma Pátria com nome.

* 'vinte-e-um': nome de jogo de taberna

Ele há gajos, pá! Cum carago, pá!

A vaidade é um pecado menor quando comparada com a inveja
(in ‘Estatuto Editorial’, Claque Quente, ed. 26.03.04)

A todos quantos interesse, vão ver aí o meu post de 14.06.04, intitulado ‘Objectivo Rússia’. Lá se enumeravam quatro certezas sobre o ‘onze’ inicial de Portugal no segundo jogo do Euro 2004. Joga Deco, não joga Rui Costa. Joga Nuno Valente, não joga Rui Jorge. Joga Miguel, não joga Paulo Ferreira. Joga Ricardo Carvalho, não joga Fernando Couto.

A todos os que aqui, e fora daqui (entre os quais alguns ‘especialistas’ da bola) se riram de mim, o meu muito obrigado!!

PS – Não vi o Portugal-Rússia com a atenção devida. Estúpido como sou, resolvi ser um dos quatro anormais que estavam a trabalhar a essa hora, numa empresa com mais de 100 pessoas. Estou à espera de uma repetição num canal qualquer da inefável TV Cabo para logo depois vos poder elucidar, a vós ignaros, qual o team correcto contra a Espanha.

PS 2 - Fontes geralmente bem informadas revelaram que o Scolari já anda de olho neste modesto blog...

PS 3 – O povoléu resolveu sair à rua a apitar e a festejar, quando ainda não ganhámos nada. Raça de gente que me saiu em sorte, que não tem a noção das proporções!



quarta-feira, junho 16

Simone (ídolos XV)



Quando eu soltar a minha voz,
por favor entenda

(e ainda um dia se faz tarde)

terça-feira, junho 15

O Governo

Neste dias de ressaca pós-eleitoral, anda meio mundo a tentar perceber a razão da derrota governamental. Dito por outras palavras, trata-se de descobrir em que é que o Governo errou para merecer tal desconsideração por parte dos eleitores, que aplicaram às forças políticas que o compõem a maior derrota de sempre.
Não conheço o povo, por isso não vou falar por ele. Mas, por mim, penso que o país melhorava (e, por tal, o Governo seria mais popular) se pensasse nisto:

- Em primeiro lugar, a máquina pública vive de impostos. Que têm de ser cobrados. Por isso, o investimento na fiscalização é primordial, e não está, minimamente, feito. Para obter justiça fiscal (pôr toda a gente a pagar com equidade) é preciso fiscalizar, coisa que não existe, de todo, em Portugal. Pedir ao povo que aperte o cinto quando o mesmo povo vê, todos os dias, o vizinho a prosperar e a não pagar, não só é evidentemenete injusto como não ‘cola’. Enquanto isto não estiver resolvido, Portugal não passa de um País do terceiro mundo.

- Em segundo lugar, a justiça. Tudo em Portugal mudou um pouco, nos últimos anos (às vezes, calculem, para melhor!...), menos a justiça. Continua arbitrária e errática, lenta e autoritária. Não presta absolutamente para nada. Governo que não consiga dar uma vassourada naquilo não vai a lado nenhum. Uma nota: convém lembrar que a justiça não foi inventada para servir advogados e juízes, mas que estes, bem pelo contrário, foram inventados para a servir.

- Em terceiro lugar, a educação. Estamos mais massificados mas mais burros que há trinta anos. Assim não vale. O professor deixou de ter autoridade. Os alunos estudam o dobro do que se estudava no meu tempo e sabem (quando muito) metade. As empresas pedem pessoas x para trabalhar e as universidades formam pessoas y.

- Em quarto lugar, a saúde. Não há nada que mais acalme o povo que saber que, se tiver um ataque cardíaco, existe uma máquina de ressurreição e outra de desfibrilhação num raio de 10 quilómetros. O fatalismo lusitano mudaria muito se as pessoas não andassem ansiosas com cuidados de saúde precários.

- Em quinto lugar, a política de emprego. É aberrante o número de desempregados que existe em Portugal, Um adulto com emprego, não só paga impostos como anda contente. No entanto, a única polítca que se vê neste sector é o ataque ao subsídio de desemprego. Talvez não exista nada mais demonstrativo da ideia negativa que a direita tem dos homens do que a política seguida por Bagão Félix.

- Em sexto lugar, os transportes. O tempo que as grandes massas passam a ir do emprego para casa e de casa para o emprego é outras das aberrações nacionais. Investiu-se demasiado em auto-estradas e o comboio foi esquecido. Os parques de estacionamento e os inter-faces parecem coisa esdrúxula, só ao alcance de serem planeados por génios. Não é verdade. E o metro de Lisboa continua a inexistência que sempre foi. Ora aqui está um investimento público reprodutivo a todos os níveis.

- Em sétimo lugar, a lei de arrendamento urbano. É inadmissível que existam em Lisboa (não tenho números para outras cidades) quase 100 mil casas devolutas. Ou seja, dá para meter na capital, sem grande esforço, mais 300 ou 400 mil pessoas. O impacto económico que isso teria é enorme. Só dois exemplos: a indústria de reconstrução teria um impulso enorme, e a factura do petróleo diminuiria consideravelmente, dado o menor nível de deslocações das pessoas.

- Em oitavo lugar, a agricultura. Não percebo qual a razão porque uma vaca alentejana, criada por um holandês, dá lucro, enquanto se for propriedade de um português, dá prejuízo. Tudo isto tem muito a ver com educação e com políticas activas de rotação de propriedade. Ou seja, dar oportundiades de negócio a quem tem unhas para tocar guitarra. Não há nada de mais social-democrata.

E por aqui me fico.

PS - Não acham engraçado que o Governo tenha anunciado que vai proibir o consumo de tabaco em todos os locais públicos e que a seguir se engasque com a maior derrota eleitoral de sempre? Eu cá acho...

Ajuda à mulher que manda

Minhas (ou mesmo não minhas) senhoras:

Diz-me o cardápio do INE (Instituto Nacional de Estatística, que Deus tenha) que vocemessês estão a ultrapassar os homens em numerus clausus para entrar na Universidade. Conformemente, terão no futuro (ou já no presente) mais licenciaturas que os machos que vos acompanham no passaporte e na certidão de casamento. Como tal, esperam-vos responsabilidades acrescidas nos cargos mais acima, como seja o Governo da Nação, ou até mais abaixo, como poderão ser o governo de tudo quanto governado tem que ser, desde as empresas às universidades, passando pelo crime de colarinho branco às casas de alterne, ou mesmo à defesa da Pátria.

Outras responsabilidades - também nobres e ancestrais - decrescerão na vossa capacidade de as abraçar, como sejam as de se dedicarem a pontear meias ou a cozinhar Bacalhau à Brás. Mas isso agora não vem ao caso. Quero, tão só, convocar-vos para a iminência de serdes vós a levar por diante a Pátria, nos tempos que aí nos vêm. Como penso que, tão mau bocado (ainda agora iniciado) necessitará de algum treino, aqui me tendes à mão para ajudar (e assim ajudar o meu País), no que for preciso.

Carreando o macho fardo (que ora termina) de 10 mil anos a mandar nisto, tomem lá alguns conselhos:

a) Nunca acrediteis na amiga mais boa de cu e de mamas que vos incita a subir na vida, e que vos jura que nunca viu chefa mais lesta. Muitas vezes já vi isso. A não ser que tenhais a arte de Durão, a quem Santana arranjou mulher e fama, mas que depois se quedou por uma Câmara, enquanto o outro goza o País inteiro, mesmo com a mulher inválida. Muito mais normal é que sejais como Mariano, a quem José Maria fez subir, para o estatelar logo em seguida. É isto que normalmente acontece, quando se sucede a quem orgasmou povo e homem.

b) Se uma amiga, que muito vos diga, começar a aparecer menos nos chás que afanosamente organizais, desconfiai sempre: ou é de inveja que se trata, porque tendes scones mais fofos que os dela, ou então (pior ainda) é sindroma Pina Moura, o qual se nota por andar a idolatrar o partido, até ter mais que razões para o mandar à merda; ou seja, sendo ela mais boa que as da Costa, às miúdas do Bairro Azul (ou da rosa) se junta, esquecendo as amigas de escola.

c) Cuidado com cabelo e maneira de vestir. Já vi muito candidato a chefe perder por isso. Tailleur fúcsia é evidente que está out, mas o mesmo de outra cor sempre é possível (sou do beije admirador). Se nova, um wonderbra por conseguinte. Se velha, por não conseguinte fica como está. A modos que por semelhança, lembrem-se da barba de um Coelho, e da Bárbara de um Carrilho, e vejam a diferença de estilos.

d) O consorte é igualmente importante. Nem demasiado escroque nem demasiado belo, é o meu conselho. Tipo o homem da Margaret. Se arranjam um Monteiro é um sarilho, porque se caga olhando o espelho. Um Carvalhas também não, é evidente, porque cicia no minete. Talvez o melhor seja um Soares - cornos não será coisa que vos falte, mas pelo menos sabe comer à mesa (e debaixo dela).

e) Convém não esquecer o método de escolha dos colaboradores mais próximos. Nem muito burros nem muito espérmicos. Assim entre a Manuela Aguiar e o Gorbatchov. Uma não salta fora nem dentro, o outro vira o cu quando o chefe manda. Não há melhor.

f) Há depois o problema das crianças, se decidirdes de as ter. Uma chefa com crianças fica bem, mas só se o ranho não lhes tiver de limpar. Podem pô-las numa ama ou num colégio de fama. Mas cuidado: entre as filhas de uma Cinha e os crominhos do Sampaio vai uma régua de esquadro. É preciso saber escolher para não ficar com os fedelhos à nora. É que, depois, no segundo mandato, podem fazer como as Bush, que protestam a destempo e dão azo a algum caralho.

g) As casas de alterne são importantes areópagos de bonança. Não as menosprezeis. Mas é evidente que não podeis passar do balcão de perna aberta para a caixa sem algum treino e mudança. As brasileiras, os gajos que se apaixonam pelas putas, o preço dos copos, os seguranças à porta, são coisas que exigem estafa. Proponho-vos, por isso, um bigode e umas calças, para perceberem do que se trata quando se trata das ditas. Perceber de putas, eis uma arte Boavista.

h) As mulheres, por comodismo, têm a mania de pagar impostos. Nada mais tonto. Há que saber resistir à moralidade. O que seria de nós se todos entesourassem o Estado? Olha a Manuela entesourada por dois milhões de mulheres! Não há buraco que resista. E a gente, por tradição, precisa do buraco.

i) Por fim a tropa. Já lá estais. Há por isso que não esperar mais pelo vosso toque nesta arte que, erradamente, tão machista se mostrou pelos séculos atrás. ‘Soltem os prisioneiros’, por exemplo: toda a gente sabe que isso é uma canção dos Delfins. Ora, quem vai à tropa não vai ao Coconuts, a não ser uma vez na vida, que é aquando da despedida de solteira. Façam por isso de conta que não leram a Convenção de Genebra. No fim de contas, é pior que um album dos Mão Morta.

E com isto penso que contribuí para que amamentéis a Pátria sem ficardes com a consciência em leite e o peito mirrado de ética. Não é fácil. Mas eu acredito que vocês podem dominar a espécie, o mundo, as lojas maçónicas e os campos de golf. Como vosso criado me ofereço para o que for preciso. Por exemplo, tomar conta do vosso corpo. De intervenção!

Mui grato pela atenção, e que Deus vos tenha em eterno destempo!

Clark59

segunda-feira, junho 14

Objectivo Rússia

A menos de 48 horas do jogo com a Rússia, este treinador de bancada tem dúvidas e tem certezas. E arrisca uma linha. E manda um aviso.

1ª certeza - Paulo Ferreira, um dos melhores defesas direitos da actualidade, não pode jogar. Ele foi afectado por aquela asneira (que ninguém, em boa verdade, colmatou) que foi causa próxima do primeiro golo grego. Não tem condições para entrar. Felizmente temos o Miguel para o substituir, um lutador nato, melhor a atacar que o jogador do FCP.

2ª certeza - Deco é melhor, nos dias de hoje, que Rui Costa. Só não joga de início se Scolari for tin-tin.

3ª certeza - Fernando Couto encontrou um sucessor à altura. Chama-se Ricardo Carvalho e está na hora de passar o testemunho. Um grande capitão, e um grande espinhense, sabe sempre quando é que é hora de arrumar as botas.

4ª certeza - Toda a gente viu o esforço que o Rui Jorge fez para parar as bolas bombeadas pelos gregos para um matulão que estava à sua frente. Penso que o treinador russo também viu. Por isso, do lado esquerdo, vai jogar o Nuno Valente.

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1ª dúvida - Joga Petit ou Costinha? Ou jogam os dois? Para mim, que vi a maneira como os russos se mexem no meio-campo, joga Petit, com o apoio de Maniche. É a dupla mais forte.

2ª dúvida - Vale a pena tirar o Simão (e perdê-lo psicologicamente para o resto do campeonato), e meter o puto Cristiano Ronado de início? Penso que não.

3ª dúvida - Se calhar o Deco pode fazer o flanco e o meio, desde que o Miguel e o Nuno Valente tenham disponibilidade fisíca para aguentar a primeira meia-hora a subir e descer (com a ajuda do Maniche quando estivermos na posse da bola). Por isso, se calhar, nem é preciso meter o Simão nem o Cristiano. Mas se o Simão for substituido pelo Deco, é uma coisa. Se for preterido pelo Cristiano, não há mais Simão para ninguém.

4ª dúvida - Na lógica de jogar com Deco, sem Simão e sem C.Ronaldo, porque não arriscar em Nuno Gomes e Pauleta ao mesmo tempo? Põe de certeza os russos à nora.

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Então a minha linha é esta:

Moreira, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Petit, Maniche, Figo, Deco, Nuno Gomes e Pauleta.

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Aviso: já repararam que a maior parte dos jogos (excepção feira ao Suécia-Bulgária) se ganham mais com os erros dos adversários que à custa das próprias virtudes?




Suécia 5 - Bulgária 0


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Então, já aprenderam como é que se joga à bola?

Os pequenos partidos

'- Ó Pai, porque é que há treze partidos?
- São treze? Não sei, não os contei...
- São, são!! E a maior parte deles eu não conheço. Por exemplo, este POUS, o que é?
- Acho que é um partido trotskista pequeno, duma facção que eles têm, com alguma expressão na América Latina...
- Trotskista? O que é isso?
- É uma questão antiga entre os comunistas, eu depois dou-te um livro que fala disso.
- 'Tá bem. E este, o PCTP/MRPP?
- Esse tem alguma implantação em Portugal. Descende do maoísmo, que era aquela malta que apoiava a revolução chinesa.
- Não é o daquele advogado que às vezes aparece na televisão?
- É esse mesmo.
- E o que é o maoísmo?
- Olha, é a mesma coisa do anterior, eu depois dou-te um livro que fala disso.
- 'Tá bem. E há aqui outro que eu conheço o cabeça-de-lista, que é o PND. Ele era do CDS, não era? Porque é que saíu?
- Zangou-se com o Paulo Portas. Já foram amigos, mas depois o Portas sacaneou-o e ele teve de se ir embora.
- E ele agora defende o quê?
- Não sei, depois dou-te um livro que fala disso.
- 'Tá bem. E este aqui com uma chama, o PNR?
- São da extrema direita, embora eles gostem mais que lhes chamem nacionalistas.
- Ó Pai, o que é um nacionalista?
- É um bocado complicado. Gostam do país mas não gostam das pessoas. Há para aí vários livros que falam disso.
- 'Tá bem.... Mas olha, porque é que as pessoas votam tão pouco neles?
- Sei lá, preferem jogar pelo seguro, faz parte da natureza humana. Quando cresceres vais perceber isso.
- 'Tá bem.... (silêncio) Achas que vamos ganhar à Rússia?
- Espero bem que sim, temos equipa para isso, apesar de sermos muito mais pequenos que eles. Por falar nisso, sabias que a Rússia é o maior país do mundo?
- Sim, sim, vem naquele Atlas que o avô me deu nos anos!!
- Trazes uma cerveja ao papá?
- 'Tá bem.'

domingo, junho 13

Alguém elucida este pobre eleitor?



Estou preocupadíssimo: não faço ideia de como ficaram as eleições europeias na Eslovénia, na Eslováquia e na Estónia. E, sobre a Suécia, nem um comentário nas diversas televisões que a TV Cabo me disponibiliza (Canal Panda, Disney, Lusomundo Action, etc.). Será que não houve eleições no meu país de eleição? Confesso que ando um bocado arredado disto, mas sempre confiava nos Órgãos de Comunicação Social para me esclarecerem. Sei que o PS obteve a maioria absoluta em Castelo Branco, sei que o Movimento do Doente teve 0,4%, mas não faço ideia se a direita ganhou, ou perdeu, as eleições na UE, o que me deixa muito pequenino a pensar nas hipóteses do Vitorino para chefe da Comissão de Festas de Bruxelas.
A única coisa que consegui aprender hoje (ontem) foi na Sky News, que acaba de criar uma coligação portuguesa entre 'Os Verdes' e os 'Christian Democratics', de seu nome CDU.

PS- No site da BBC tem umas coisas sobre as eleições, mas como eu não conheço uma boa parte dos nomes dos partidos (o 'Eesti Kerkerakond' ficou em segundo na Estónia... e depois?), estou na mesma.

A única coisa engraçada é que foi a primeira vez



É a primeira vez na história que o PS ganha umas eleições contra os dois principais partidos de direita coligados. Imaginem só o que aconteceria se os 'chuchas' tivessem um líder!...

É óbvio que há que tirar ilações disto. E Durão Barroso, se bem o conheço, vai começar a minar o CDS/PP, para conseguir governar sozinho. Vai haver dinheiro para tudo menos para a Segurança Social (do sinistro Bagão, o pior ministro da SS desde que me conheço), a Justiça (que se vai estatelar ao comprido não tarda nada, e que é representada pela coitada da Cardona) e a Defesa (do Portas himself, bem feito por não ter aceite a Administração Interna).

Para o PS, uma pergunta: que fazer com esta vitória? O facto triste é que, mais uma vez, se percebe que raramente se ganham eleições na Oposição (as excepções terão sido Cavaco em 87 e Guterres em 95), perdem-se no Governo.

É evidente que vai haver uma remodelação, que chamará ao poleiro segundas figuras de ambos os partidos no poder. Vai ficar pior. Não aguenta até ao fim da legislatura.

E depois virá o Ferro. Estamos fritos.

PS. - A abstenção, a creditar nas projecções, não foi pior que o costume. Façam lá eleições que não calhem a uma 'ponte' (a única deste ano abjecto) e párem de chorar com a falta de empenhamento dos cidadãos.

Romance da Estrada da Luz

«- Não tenho pachorra, a sério, ligo lá alguma coisa a isso do futebol!»
E pronto, estava difícil convencer a Paula M. a ir à Luz.
A Paula M. é uma jornalista da área de cultura e artes, de um diário de expansão nacional. Tem telemóveis de escritores premiados e já os entrevistou a todos. Sabe de cor os nomes dos grupos musicais que tocam alguma coisa de jeito. Vai a exposições, gosta de teatro. Como se não bastasse, é boa todos os dias.
Afecta ao facto de ter homens por perto a toda a hora, a Paula M. de vez em quando fica com as orelhas cheias de futebol. Pior ainda: quando se começou a dar com a minha F., apercebeu-se de que havia mulheres cuidadas que também iam à bola com a coisa. O namorado, o Nuno S., nem dizia nada. «- Pois é, eu já vos tinha dito, ela de cultura está bem, mas de futebol não se avia». «- Há-de-se aviar», dizia-lhe eu.
Vai senão quando, resolveu o grupo (os meus rapazes do costume mais a minha F.) ir fechar a antiga 'Catedral' - aquela grande com três naves, rústica e bela - num jogo da Selecção, contra uns patos amigos de um país báltico, que fizeram a fineza de levar cinco 'secos' (assim os gregos de ontem fossem maneirinhos). O problema era levar a Paula. O Nuno S. ainda andava a fazer-lhe o ninho e, se a miúda não fosse, ele era rapaz de se abster. O que era só o que faltava.
Com a ajuda prestimosa da F. («- Porque raio é que esta gaja gosta de futebol, será que tem defeito?», lia-se nos olhos da Paula M.), lá conseguimos arrastar a miúda para 'O' ESTÁDIO.
O resto é lindo. Vi-a olhar em volta (ficou mesmo ao meu lado). Admirou-se da enchente. Chorou com o hino, balbuciando a letra que mal conhece (os seus tenros anos não lhe permitem ter aprendido as estrofes na escola, ai se o Portas fosse ministro na altura, essa é que é essa...). Depois foi perguntando, como quem é inteligente sempre faz.
«- O que foi agora?». «- É fora-de-jogo do número 9 dos gajos!». «- Fora-de-jogo porquê?». «- É uma lei do futebol, não se pode estar à frente do último defesa quando nos passam a bola no ataque». «- Como é que é???». «- Se um atacante não tem pelo menos dois contrários entre ele e a baliza, quando o passe que ele recebe é feito, é fora-de-jogo, não vale». «- Não percebi nada!». «- Não ligues, quase nenhuma mulher percebe, e há mesmo homens que também não...». «- Mas isto é giro, as pessoas todas alegres...». «- Claro que é, por causa disto, também, é que gente gosta de vir ao futebol». «- Quando é que é o próximo jogo?».

Ganhámos. E ganhámos a Paula M.

sábado, junho 12

Calma! Ainda ninguém perdeu ou ganhou nada!



Euforia e desânimo. Dois sentimentos dispensáveis.
Alguém por aí já desistiu? Por aqui ainda não!
Continua na próxima quarta-feira. Vamos a eles!

PS - Afinal parece que o Scolari dá ouvidos à opinião púlguica (não é gralha). O Rui Costa a caír de podre está melhor que o Deco? Eu acho que não. O Ricardo Carvalho não tem lugar? Não me parece. O Miguel e o Moreira não merecem uma oportunidade?

PS 2 - O treinador grego trazia a lição bem estudada.

Ele ainda há coisas boas depois da morte

O Abrupto andou em tempos à porrada com o Lino de Carvalho. Levou e não deu. Ah, ganda Lino, paz à tua alma!

PS. Porque é que os comunistas de que eu mais gosto morrem todos prematuramente? (Luís Sá, João Amaral, Lino de Carvalho...)
Que se cuide o... não digo, é capaz de dar azar.

Europa



Na hora de votar pela Europa, inventei um motivo de reflexão

Europa

inflamem-te de Ásias desnutram-te de Áfricas
publicitem-te de Américas escoem-te de céus
expulsem-te de sonhos soquem-te de medos
espirrem-te de chefes privem-te de sagas
salguem-te de choupos suguem-te de fiordes
soprem-te de areias musguem-te de merda
brumam-te de bombas purguem-te de fadas
amem-te de 'tennis' valsem-te de tangos
lavem-te de rosto mirrem-te de risos
suavizem-te de loucos roubem-te de séculos
decentem-te de cios dissolvam-te de mares
repartam-te de loas despeçam-te de amantes
desanquem-te de fardas raptem-te de prados
cerquem-te de párias e pátrias e pan-cruzadas
e pan-palermadas e
stressifiquem-te
manhatem-te
saloiem-te
snobem-te
e tentem dar-te cu em vez de loopings..............

Europa, europa, que eu teimo em cantar-te versos!
Quem vai exorcizar-te a morte?...
Eu andarei repartindo ao mar fados e rosários de mel;
prescruto as sereias que por ti virão assomar de amor
ao Cabo da Roca.

Deixar vir a mim os turistinhas!


Roubei esta foto deste blog. É fortíssima candidata ao estatuto de melhor imagem saloia do ano.

Amor nunca esquece


Nunca fui muito de escrever poemas ao amor. Ou melhor, quase sempre evitei aquela coisa dengosa de escrever poemas de amor com alvo reconhecido. Normalmente, quando escrevo um poema de amor, o mesmo não tem destinatário. É amor e pronto, é poema e basta. Quem quiser, ou estiver mais à mão do cumprimento, que se lá meta dentro.

Mas uma vez ou outra não cheguei para tanto, e a musa em causa estava lá bem declinada. Aconteceu-me, por exemplo, fez ontem 21 anos. Portanto, e como é costume deste escriba dizer, 'este é meu':


Percorri do mar ardente a fama e a treva
e aqui cheguei sem perder o canto de raíz;
a lauda fácil me arrefece mas de ti
recebo o espanto dos regressos.
Quero-te colar no meu pescoço de circum-navegante

Atravesso o rio...
Cheiras a cais de desembarque
e eu trago lutas vãs para te encantar de mim.
Que tens no gesto que me faça esquecer as caravelas?
Cumpriu-se a gesta? Fiz-me?

Este é o derradeiro barco das paixões,
que hoje parto em busca da trégua que me baste.
A glória és tu!
E por ti eu largo o ser eu que me atormenta
e sonho, amor, a esperança de chegar diferente.

Abre-me a porta; porque eu voltei
e quero entrar em nós; o meu navio
pede velas de cruzeiro...

E o mar é nosso!


Comandante José Francisco de Almeida Rodrigues



Está tudo a dormir, ó meus compadres?
Então o homem é demitido por causa de uma nota interna e ninguém diz nada? A questão nada vos diz?

Ok, eu explico: o comandante da Polícia Municipal de Lisboa, José Francisco de Almeida Rodrigues, foi ontem demitido depois de ter emitido uma nota sobre o Intendente (zona de Lisboa, para quem não saiba), na qual desaconselhava a concretização de festejos de Santo António nesse local, por alegadamente este ser (cito de cor, não se encontra porra de informação nenhuma sobre o assunto) «local de prostituição e venda de droga, onde bandos étnicos, nomeadamente de tez negra, dão azo às suas tradições que não se adequam às festas populares de Lisboa».

Vamos por partes: um polícia deve descrever com a exactidão possível, e em linguagem corrente, aquilo que observa. Se um cão que mordeu a D.Amélia, que mora na Penha de França, é amarelo e tem a orelha direita descaída, presumindo-se que pertença ao Sr. Joaquim, que é vizinho da dita, o agente policial que se inteirou da ocorrência deve escrever, no auto, que o cão que mordeu a D.Amélia, que mora na Penha de França, é amarelo e tem a orelha direita descaída, presumindo-se que pertença ao Sr. Joaquim, que é vizinho da dita. Não pode, como seria jornalisticamente correcto (para falar apenas de uma outra profissão que também tem por missão relatar factos), dizer qualquer coisa como isto: "Um cão mordeu ontem uma cidadã em Lisboa, a qual apresentou queixa na polícia". Isto serve perfeitamente para a população leitora dos 'Casos do Dia', mas em termos de prova em Tribunal não vale nada.

É por isso que um jornalista, quando descreve a situação que se vive diariamente no Intendente, versus tentativa de lá fazer desfilar marchas populares, pode escrever assim: "O pedido de alguns populares, que pretendiam comemorar o dia de Santo António na zona do Intendente, foi ontem rejeitado pela polícia municipal, que considerou não poder assegurar condições de segurança no local, devido à alta taxa de marginalidade ali existente". 'Tá feito! O jornalista informou. Mas o polícia tem que ser mais específico. Tem que dizer que é de droga e de prostituição que se trata, porque esses crimes ou atitudes desviantes não são plausíveis de ferir a segurança pública de modo igual ao de outros, como sejam roubos de automóveis, assaltos a residências, etc.. É preciso, na óptica de um polícia, descrever de modo diferente aquilo que é diverso. E, como qualquer polícia bem formado sabe, não se atacam da mesma forma os problemas provocados por skin-heads ou por pretos, por meninos da Linha de Cascais ou por operários da Lisnave. Até as claques do Sporting e do Benfica são diferentes (aliás, era só o que faltava que não fossem, mas adiante). Um polícia bem formado tem que saber isto. E quando vai a um bairro, tem de saber se há lá pretos, ou se há lá putas, ou se há lá drogados, ou se há lá chulos, ou se há lá pinta-paredes, ou o raio que o parta. Não pode confundir coisas diferentes.

É disto tão somente que se trata. Demitir um comandante da polícia porque o homem disse que no Intendente havia indivíduos de «tez negra« que não eram de confiança, é como prender o João Pinto por ter afirmado que «previsões só no fim do jogo».

Mas digam lá, há pachorra para isto?

sexta-feira, junho 11

Uma questão de justiça

Acabo de escrever o seguinte texto ao sr. Provedor de Justiça:

'Exmo. Senhor
Provedor de Justiça

Dirijo-me a Va. Excia sem qualquer esperança de que o meu problema encontre nos serviços que Va. Excia superiormente dirige qualquer eco. Não acredito na defesa da cidadania que Va. Excia deveria representar, não porque a personalidade de Va. Excia me cause algum engulho (nem sequer sei como é que Va. Excia se chama), mas apenas porque se trata concerteza de um português médio dirigindo uma instituição de fachada, e como tal indivíduo sem ferramentas nem muletas para manter a espinha direita e ao serviço da Pátria e de quem por cá vive (talvez um preto ou outro, quando muito).
Serve, portanto, a missiva essencialmente como desabafo.
Acabo de ser esportulado, por um consórcio a que pertencem a TMN, os tribunais cíveis de Lisboa e o Banco Totta, em 1.000 euros. Não entendi totalmente o porquê do roubo (não me estou a ver a ler dezenas de páginas de um processo judicial de que fui alvo, nem mesmo a levantar a desoras um papel qualquer que o citado banco me mandou, mas a que eu não tive acesso, porque a merda dos correios nunca estão abertos à hora a que eu posso lá ir, ou seja, entre as 11 da noite e as 5 da manhã), mas suponho que se trate de uma coisa velha, em que a citada TMN me acusava de ter ficado a dever uma quantia pr'á aí de 60 contos dos antigos. Não faço a mínima ideia de como poderia ter eu ficado a dever a essa agremiação telefónica fosse o que fosse, já que nunca fui associado dela. Os telemóveis que tive, e tenho, são de carregamento por multibanco, genial invenção portuguesa (que também as há), cuja vantagem é de só se poder efectuar telefonemas se houver dinheiro na conta. Ou seja, nunca se fica a dever um pintelho.
Com o esgar que me é típico, abri hoje um folheto execrável que o citado banco me manda de vez em quando, e vi lá o saque de 1000 euros da conta. Coincidia com outro papel que a TMN mandou para a minha antiga morada (e a que eu tive acesso tardio), em que me condenava ao pagamento dos referidos 1000 euros. Eu pergunto: cum caralho de autoridade é que o banco deixou que uns palermas quaisquer da maior agremiação de bandidos existente neste País (leia-se, aparelho judicial) levantassem 1000 euros da minha conta, sem eu nunca ter sido julgado, nem apresentado contestação, nem saber a que horas, que dias, que sítio me estavam a fazer a folha? Como posso ser condenado sem ter defesa e advogado bastante? E agora, presumindo eu que Va. Excia vai mandar esta carta pr'ó lixo, dirijo-me a quem? Ao Jesse James? Ao Don Corleone? E por que raio uma inexistente, nunca provada, dívida de 300 euros dá lugar ao pagamento de 1000? Será o suprimento da multa maior que a hipopatética dívida?
Gostaria, finalmente, que Va. Excia me aconselhasse numa coisa: como devo defender os meus direitos? Um Colt 45 ou uma Smith & Wesson 38? Ou uma G3?
Eu tinha, concerteza, outra hipótese. Devia ter contestado a TMN, o que equivaleria a passar horas em tribunal (faltando ao trabalho, por causa de sessões que seriam adiadas vezes sem fim), pagado a um advogado (o que se calhar me sairia mais caro que a sentença) e, com um bocado de sorte, dez anos depois, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) dar-me-ia razão, ou não, sobre tão delicado assunto essencial à Nação, como seja o pagamento de uma conta de telemóvel.
Sem respeito nenhum

(Assinatura)

PS. Sem o saber, o dito consórcio acaba de me resolver um problema: os 1000 euros estavam destinados a comprar um móvel pr'á sala, que eu hesitava em escolher. Agora está decidido.'

PS. só entre mim e um homem que eu admirei muitíssimo, mas que cometeu um erro grave: 'Pai, porque é que me convenceste, aos 17 anos, a ficar por cá em vez de emigrar para um sítio decente?'

quinta-feira, junho 10

Comentários 'in'

Já podem comentar. E, indo ao encontro do protesto de várias famílias, principalmente desta mãe de família, agora já não são cinco, não são dez, não são quinze, são os que os meus compadres e comadres muito bem entenderem. Há males que vêm por bem.

Eleitoral IV

Os alienígenas do costume dividiam-se ontem entre oráculos e cínicos, desta maneira que ouvi:

"A morte de Sousa Franco vai mobilizar ainda mais o eleitorado socialista tradicional que estava a ponderar não ir votar. Isto é gente que, quando toca a rebate, aparece sempre, ouve o que eu te digo".

"Agora é que o António Costa está bem. Passou de nº2 a nº1, ninguém o agarra. Cá para mim ele sabia do problema das coronárias do Sousa Franco, e arranjou aquela peixeirada em Matosinhos para enervar o homem".

Nunca fui de dar vivas a Franco, também não vai ser hoje. Dos mortos diz bem ou nada. Paz à sua alma.

Eleitoral III

De Lisboa para Espinho, não vou sozinho. Para lá também se dirige o BOS, que apesar de pai de filhos e testa a crescer para a nuca, ainda é meio neófito nesta coisa de votar. Tendências tardias, que se aplaudem, levaram-no a dar este passo. Para além das consabidas diferenças que com ele partilho (não, não é mau português, é mesmo assim) temos agora uma outra: é que ele já sabe que não vai eleger o Paulo Rodrigues, enquanto eu ainda não sei que deputado não vou eleger.

Eleitoral II

Eu por mim, lá vou a Espinho. De caminho resolvo dois deveres cívicos. Esse que algumas (não muitas) centenas de milhar de portugueses se preparam para cumprir no Domingo, mais outro que é ir visitar a minha Mãe.

Eleitoral I

A bicha* ontem ao final da tarde, em direcção ao sul de Lisboa, era de tal ordem, que não me restam dúvidas: grande parte dos eleitores da capital e arredores estão recenseados no Algarve.

* bicha = fila (eu sou do Norte)

quarta-feira, junho 9

Isto ainda não está em condições

Não escrevam comentários até eu dizer, please

terça-feira, junho 8

Olá, cá estou eu!

Como alguns devem ter ouvido dizer, e outros aperceber-se por si próprios, fui atacado de virose blogosférica. Os resultados práticos traduziram-se em dois dias sem escrever népias, dois dias em que as visitas que, amavelmente, os meus compadres e comadres se preparavam para me fazer, esbarravam numa página em branco, onde só a publicidade do blogger era visível. Já na fase de convalescença, era possível aceder a isto, mas com muito 'hieróglifo' à mistura (pareciam os comentários do Buiça...).
A pouco e pouco, a ordem vai sendo restabelecida. Para já, não há 'faz favor de dizer' para ninguém (mas vai voltar a haver). Os comentários que durante dois meses me alindaram a casa, foram literalmente à vida. E os 'links', na sua maior parte, também saltaram. Irei repô-los pouco a pouco. No entretanto (e sempre, como é óbvio), se tiverem o impulso urgente de falar comigo (!), usem o e-mail aí à direita do écrã.
Quero ainda a agradecer ao Dr. BOS o empenho medicinal em tratar desta casa. O homem, além de saber escrever, ainda percebe destas coisas. Como já o vi mascar chiclet e andar ao mesmo tempo, não tenho dúvidas em afirmar: é um génio!!
Resta-me agradecer as manifestações carinhosas de apoio que recebi. Uma, em especial, tocou-me bastante. Mas fica entre mim e ela...

domingo, junho 6

Eu sempre desconfiei...

Fiz este teste (link aí abaixo) e deu-me isto





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia



Vão e leiam

Eu há tempos falei do hino da Suécia. Este blog fez muito mais do que isso. Muito obrigado. E olhe que a tradução até nem me parece nada má, pelo que sei.
Os suecos só costumam cantar as duas primeiras estrofes.

Even if the vice-president was not Jerry Lewis

Morreu Ronald Reagan. Que dizer do passamento de um homem de quem nunca se gostou? Delator? Mau actor? Impostor?
Não! Só 'Paz à sua Alma'.

O Dia

Por esta hora, há 60 anos, milhares de homens esplêndidos interpuseram os corpos entre o pesadelo evidente de um pintor austríaco medíocre e a hipótese remota de um dia claro. Só de pensar nisso, já não me apetece dizer mal do Mundo em que vivo.


Super heróis



Prémios de excelência Clark59 para o que por cá se faz em 2004


Melhor blog 'eu tenho ideias que não prestam mas sei defendê-las':

Nova Frente

Melhor blog 'flagelo-me se não tiver ideias fixas':

JSarto

Melhor blog 'I have stupid ideas but very often I know how to defend them':

SG Buíça

Melhor blog 'a minha ideia de como fazer jornalismo militante, político e desportivo':

Último Reduto

Melhor blog 'tenho ideias vivas mas fotografo naturezas mortas':

Juaninha-com-Pinta

Melhor blog 'eu sou uma gaja com ideias e com níbel' (atribuído ex-eaquo):

Passo a Passo
Cotada em Bolsa

Melhor blog 'a ideia é que pensem que eu sou um grande mentiroso' (atribuido ex-aequo):

Do Portugal Profundo
Grande Loja do Queijo Limiano
Comprometido Espectador

Melhor blog 'a minha ideia é fazer de conta que não sou deste mundo':

Fata Morgana

Melhor blog 'ninguém me visita, que ideia...':

À Espera do tal Godot, ou Isso

Melhor blog 'eu tinha uma ideia mas esqueci-me, sou alentejano':

Sexo dos Anjos

Melhor blog 'era uma boa ideia se me chamassem cabeleireiro':

Pintelho

Melhor blog 'ninguém, bom dia, tem ideias como eu':

Abrupto

Melhor blog 'a malta tem ideias de esquerda mas isto há-de passar':

Barnabé

Melhor blog 'eo sô prufeçor de purtuguêz, e tanho ideias':

Blasfémias

Melhor blog 'à falta de melhor ideia, sou um dicionário'

Bomba Inteligente

Melhor blog 'a ideia da malta é escrever de maneira que só os amigos entendam'

Glória Fácil

Melhor blog 'a minha melhor ideia foi constituir família'

Pre-datado

Melhor blog 'como me faltam ideias, instituí o digam ao vital ponto pt,'

Causa Nossa


O Anexo

Recebi este panfleto de mãos amigas. Dizem-me que é sítio de anarquistas, poetas, cantores. Fica perto da Doca de Alcântara. Vou lá hoje.

No ANEXO


CICLO DE INTERVENÇÕES-DEBATE
Próxima intervenção: Domingo, 6 de Junho, às 21h00

O "Parque Mayer" e o Teatro de Revista: cenários, percursos, histórias...

Com uma introdução de António Branquinho Pequeno

Mas sobretudo
com a presença incontornável e a colaboração de


MÁRIO ALBERTO

(a memória biológica de 60 anos de Parque Mayer)

Ao que se seguirá uma CEIA pelas 22h30
para a qual se pede confirmação

Ementa: Ibneid tre ortoni abder stroeght e tisif, acompanhado com arroz de grelos. Os vinhos são franceses.

No pós-prandial: Ao piano, a voz instrumental de Manuel Guimarães, que acaba de regressar de Rihad, na Arábia Saudita.
Na percussão, Ngafa, "Globo de Ouro" do Transvaal, presidente honorário dos "Acústicos Dimensionistas".

Intervenções poéticas: De Manuel Laranjeira a Unamuno. Participação de Elsa Noronha.

sábado, junho 5

Elle Mc Pherson (as mamas)




Há duas coisas que eu gostava de dizer acerca disto. A primeira é trivial (mas mesmo assim faz comichão nas consciências), e é esta: trata-se aqui da prova viva da existência de Deus. A segunda é mais complexa:

Em teu seio nibelungo
eu canto a entrada de um acorde
rutilante
No teu passo além do amor eu sei
da hipótese fêmea e clara
que te cante. A vitória
nem sempre é Samotrácia

Porque às vezes a demora é tesão puro
Tu, Australásia e aventura,
estás para além do wonderbra e da memória

Eu tenho um Volkswagen


É verdade. Já vou no terceiro.

Ao princípio era um Golf II, 1.400cc, 70 cv. de potência. Era pesado, gastava muito, mas tinha vantagens. Tecto de abrir manual (magnífico), quatro colunas de som, vidros facilmente quebráveis, como aconteceu um dia em Cádiz, terra bonita com gente mais porca que algarvios, onde os autóctones resolveram partir-mos, a mim e a uns alemães de coche alugado em Madrid (dos pequeninos), só para demonstrar que são bestas nacionalistas e que na Andaluzia da fome e do desemprego (não na da arte, da história e dos cavaleiros) quem manda são eles. O resto da história fica para depois. Durou sete anos.

Depois tive sorte. Um director do Deutsche Bank passou a posto mais alto, e deram-lhe um carro, acho que um Honda estilo 'se-te-apanho-fodo-te', como todos os Hondas que não são motas de baixa cilindrada. Vai daí, o rapazote, resolveu vender o quase novo Golf III 1.6 GT por um preço de amigo. O nabo! O otário! O incompetente! O grande amigo! É que este automóvel é uma das coisas mais lindas, fiáveis e devastadoramente confortáveis que já se fabricou por menos dinheiro que um Rolls Royce. E vai daí ofereceu-mo. O que é que eu fiz? Comprei-o. Tinha 101 cv, gastava um pouco mais que a conta, e hoje está nas mãos de uma miúda que nunca mais na vida vai ter um carro como este.

Com a mania de que já era gente grande, comprei depois uma Passat Variant 1.9 TDi, 130 cv. Tenho o animal há quatro meses e ainda não sei que vos diga. Lá confortável é ele. Lá que é frugal também. Mas... é um bocado carro de 'cota', enfim, não sei se já tenho idade p'ráquilo.

Falta dizer que eu não tenho carta de condução. Quem conduz é a minha mulher.

sexta-feira, junho 4

Ali para os lados do Campo Grande

Estou no hipódromo do Campo Grande. Uma coisa ao mesmo tempo pobrezinha e elitista, para a qual fui convidado por um amigo meu. Já lá vou. Agora quero olhar em volta.

Ali, por detrás da Alameda da Universidade, há um espaço onde os cavalos saltam com homens em cima. É uma das agremiações mais antigas de Lisboa. Para se entrar, é preciso convite (a não ser que se seja afiliado, o que não sou). Para se lá chegar é preciso poderes de adivinhação. O sítio em causa não tem indicações de rumo. Deduzo que se calhar não é preciso: ou se sabe onde fica ou não se sabe. É (i)nato. Quem não sabe, não entra. Exceptuando os convidados, é claro, mas isso deve ser uma excepção.

Depois do enrascanço total para encontrar o sítio, vai-se dar a um restaurante de nome 'Jockey'. Primeira surpresa: não é um restaurante. É assim um telheiro com plástico por cima, posto de lado vesgo para a pista de obstáculos. Não se vêem os cavalos, mas tem-se uma boa vista para todos os que estão ali na óptica da ração. Até aqui, qualquer coisa no Bairro Alto ou na Graça tem mais pinta. Mas não tem a clientela que por lá pára.

Olhando, dizia eu, em volta, lá estão os 'petit-noms' com apelido graúdo aposto, daqueles que se vêem nas revistas e - créme de la créme - daqueles que nem sequer nas revistas vêm. O seu-triângulo-das-Bermudas-deles tem ali bem perto um dos fortes eixos, o qual explico são os cativos do Estádio de Alvalade, que esta gente quando não vê verde, seja debaixo das patas dos cavalos, seja ao redor da juba do lagarto, não se sente bem. Talvez lhes tenha ficado a ideia da jóia de jade da madrinha aposta ao pescoço velho quando ainda eram crianças. Freud não explica, porque não tinha clientes destes.

Do probrezinho acolhimento, entreposto pela visão rica dos prandiáticos, ressalta o meu amigo. É diferente. Nasceu com alma nobre e julgou, erradamente, que ela se salvava no convívio com os possidentes. Deu-se mal mais que uma vez, mas ficou-lhe o vício. Sempre que pode, e agora pode, convida uns devassos puros que ele ama para com ele trajarem de gente boa ao pé da gente da broa. O meu amigo é imenso, mesmo naquilo que nele menos gosto, que é o convívio com o Aramis quando o que está a dar é l'Eau d'Issey. Mas perdoo-lhe. Ele gosta de Alfa-Romeos, quando já todos os pascácios em volta têm BMW a Audi-quatro.

O que é triste é que ninguém olha para os cavalos.

quarta-feira, junho 2

Emanuel Ungaro (ídolos XIV)


Um bom estilista deve ser escultor de formas, pintor de cores, músico de harmonias.

Este é meu

E nos confins confins da implenitude me acho só,
À tua espera,
Cientificamente sentado no único lugar a mais
(Que em teu regaço não havia)
Onde o olhar ainda alcança o olhar teu.
Proscrito de teu ventre, nunca!
Apenas afastado por uma espera que me dói.
Mas que pensas?
Que eu de ti desisto antes da morte?

Eu por ti invento um outro tempo depois dela.

O vício de fumar e o vício de proibir


Como diria um amigo meu, ‘vamos supor uma verdade’: ‘O tabaco faz mal à saúde’. É o que eu acho, embora conheça alguns ( e até mesmo ex-fumadores, calculem) que negam a pés-juntos isto que aqui se assevera.
Portanto, disto aqui não mais se fala. Eu acho que faz mal, outros não acham, ponto final.

Fala-se aqui, isso sim, das causas que levam milhares de bípedes (de entre os quais é possível identificar alguns que até pertencem ao género humano) a encarreirar numa cruzada anti-tabaco. O espírito guerrilheiro (que sempre tive) escusa-me a nomear as razões pacíficas. Só trato aqui das outras.

1 – Proibir de fumar nos aviões: É óptimo para as companhias aéreas, mas é um perigo para a saúde pública. Ao proibir de fumar nos aviões, as companhias aéreas podem renovar o ar dentro dos aparelhos apenas de meia em meia-hora, quando dantes tinham que o fazer de nove em nove minutos. Poupam imenso combustível, e de caminho obrigam os passageiros a, em vez de inalarem algum fumozito que lhes passasse por perto (coisa duvidosa, porque os lugares de fumadores estavam sempre rigorosamente situados num local determinado do avião, normalmente à retaguarda do mesmo), introduzirem no sistema imunitário qualquer viruzito de ébola, pneumonia atípica ou coisa que o valha, que um dos constrictos ao mesmo espaço transporte consigo.

2 – As campanhas anti-tabaco são lideradas, como já foi amplamente provado, pelos lobis dos fármacos. É sabido estatisticamente que uma boa parte dos ex-fumadores se torna dependentes de biodiazepinas, beta-bloqueantes e anti-depressivos. Abaixo a Philip Morris, viva a Merck, Sharp & Dome...

3 – A proibição total de fumar no trabalho levanta uma questão de direitos fundamentais e de rentabilidade.. Eu, por exemplo, raramente fumo nas férias. É quando estou a trabalhar no duro que o vício mais aperta. Se me impedem de fumar quando trabalho, qual vai ser a minha produtividade? Temo que baixa.

4 – A cruzada anti-tabaco – que tem nos fascistóides americanos os seus maiores expoentes – chegou ao ponto de os súbditos de Bush (iaarq!) terem proibido a Air France de sobrevoar o espaço aéreo daquele país (que é o mesmo que ia acabando com os bisontes e com os índios), se a companhia dos ‘enfants de la patrie’ não estabelecesse a proibição de fumar a bordo. Isto passa-se num dos países do mundo (a par de Cuba e da Coreia do Norte) onde a gasolina é mais poluente, e que se recusa a assinar o Tratado de Quioto para a diminuição de emissão de gases.

5 – A recente aposta do Governo português em fazer a vida difícil aos fumadores (quero ver como é que o Marques Mendes reage, coitado) só faz sentido numa óptica de ‘tapar o sol com a peneira’, ou seja, desviar a atenção dos verdadeiros problemas da Nação.

Por isso, daqui me levanto (eu que acho que o tabaco faz mal) e digo: DESOBEDIÊNCIA CIVIL IMEDIATA A ESTE TIPO DE DECRETOS PROIBITIVOS.

É que, qualquer dia, como acontece em variados ‘States’, o broche e o minete ainda passam a ser crime. Ou seja, já não se pode meter nada na boca!!


Portugal, lugar para todos

A uma senhora que não conheço, lida no BOS, de nome Fernanda Leitão:

Minha Senhora:

Se era, e é, mais velha do que o Rodrigo Emílio de Melo, que Deus o tenha, tem portanto pelo menos idade para ser minha mãe. Vou tentar – sendo certo que eu desajusto um tanto do que me revela ser o seu pensamento - tratá-la como tal.
Não é a saudade que nos mata. O que nos mata é sermos humanos, demasiado humanos. E, como tal, imperfeitos. Todos caminhamos para o mesmo. Mas uns esgaçam e partem. Outros aguentam e calam. Outros ainda sentem-se adiados. E há, todavia, os que nunca fogem do combate.
Sou, como todos os que me conhecem sabem, um crítico (às vezes feroz) das coisas que se passam no meu País. Mas nunca disse que não era Pátria a terra que me viu nascer. Nunca disse que, por causa do momento histórico, se tornasse menor o Estado por via da diferente geografia que foi tomando. Porque português ele era, e ainda é. E isso me basta.
Diz a senhora que pediu asilo político no Canadá (bom país, gosto do pouco que conheço) e que nunca mais voltou, ou, se volta, é para ver se por aqui «ainda há ponta por onde se lhe pegue». Garanto-lhe que há. Digo-lhe que há gente que luta nas empresas e que canta «A Portuguesa» (o hino do seu País). Digo-lhe que há quem escreva na língua de Camões e que não admite, por um ano sabático que seja, ficar sem nela se exprimir. Digo-lhe que há quem pegue toiros e não se rebaixe a nenhum ‘olé’ de Castela. Digo-lhe, por exemplo, que nunca como nesta República as mulheres tiveram o seu quinhão de forro e cidadania. Digo-lhe que fazemos coisas, os dias todos, das estradas que já temos ao caminho que ainda falta, da ciência que conquistámos à que ainda não anuímos a conhecer. Digo-lhe por fim que não há pinta de ressentimento por quem não perfilha a cartilha da República.
Mas não lhe minto. Há tanta coisa por fazer! Pior do que hoje, contudo, estávamos no tempo em que, adivinho, nos deixou. Em Portugal, hoje por hoje, há lugar para quem tem força. Eu diria: há lugar/necessidade para esses. Porque não volta?
E escreva, e proteste, e diga mal. Qual é o mal? Garanto-lhe que não vai presa, coisa que noutros tempos era imprometível.
E, se um dia lhe aprouver, diga bem.

Melhores cumprimentos

Clark59

terça-feira, junho 1

Não percebo nada de economia

Não percebo nada de economia. Confesso. Então o preço das coisas faz-me uma enorme confusão.

A electricidade e o gás, por exemplo. Há anos que ouço dizer que as duas utilities (esta é fácil, aprendi com um amigo meu que me disse que este género de produtos se chama assim) estão cada vez mais baratas, o que se deveria à boa gestão das empresas que disponibilizam estes serviços, mais ao apuro técnico a que chegou a captação/produção e respectiva distribuição, etc.. Juram-me até que, no caso do gás, a introdução da versão natural (natural?.. natural porquê?, não vêm todos da natureza?) embareteceu o produto. Mas então porque é que eu pago cada vez mais? A família não cresceu, os invernos não estão mais rigorosos, a minha mulher não é lá muito de ligar o forno e tomamos banho tantas vezes como no tempo em que o gás era «caro». Não percebo.

E as casas, por exemplo? No tempo dos juros a 24%, eu pagava uma casa com o meu salário, que era a modos que pouco mais de metade do que é hoje. Agora, com o preço do dinheiro a 4% (um recorde histórico em baixa, diz o tal meu amigo), pago quase duas vezes mais do que nesses tempos inflacionistas. Confesso que não percebo.

A inflação é mesmo uma coisa que eu não entendo. Eu explico: o arroz de pato, lá no restaurante onde eu vou mais vezes, subiu 40% em três anos. O Sogrape tinto do Douro, subiu 30%. Os chiclets de que me ficou o vício, quando tive a má onda de deixar de fumar (agora voltei a fumar e não me safo dos chiclets), aumentaram 70%. As laranjas aumentaram 80%. Os sapatos estão mais caros 30%/40%. A diferença entre o meu primeiro VW Golf e o que agora está no mercado (em cerca de nove anos) é de 100%. E eu vou ao INE ver as séries históricas (diz-se assim quando se quer consultar um período longo de uma qualquer estatística, que é como os economistas fazem comparações), e a inflação nunca subiu mais de 4% ao ano na última década, e às vezes foi só de 2,5%. O que aliás, é confirmado pela subida dos salários, que como se sabe, na maioria dos casos, são indexados à inflação. Então como é que eu pago o pato, o tinto, os chiclets, as laranjas, os sapatos e o carro muito mais caros? Não percebo.

Há uma coisa que deve ser verdade: os cuidados médicos privados são agora muito melhores do que há alguns anos atrás. Por exemplo: eu lembro-me de há poucos anos pagar 3 contos no dentista (são agora, mais ou menos, 15 euros). Agora não saio de lá por menos de 60 euros (seriam dantes mais ou menos 12 contos). Outro exemplo: eu tenho um problemazito nas costas que, volta não volta, lá me apaerce. Fui ver os recibos do fisioterapeuta: um aumento de 50% em sete anos (a inflação, no mesmo período, subiu metade ou nem isso). Isto para não falar num deteminado especialista, que no princípio da década de 90 me levava 8 contos, e que agora me sacou 120 euros (24 contos). Só pode estar melhor. Se não, não entendo por que se paga mais.

Há ainda outra coisa. Os impostos. Os impostos já baixaram para aí dez vezes desde que eu trabalho. Todos os Governos baixam os impostos. Mas, feitas as contas, eu pago sempre a mesma coisa (ou até mais, mas isso deve-se ao aumento do ordenado, desta eles não têm culpa). Como é que é possível? Ou então a Segurança Social. Como sabem, toda a gente paga 11% sobre o salário-base (o salário-base é uma coisa que a gente nunca viu e que quase ninguém sabe quanto é, mas é sobre isso que se fazem descontos). Mas eu estive doente três dias e descontaram-me tudo no vencimento. Dizem-me que a medida é para combater as baixas fraudulentas. Mas eu estive mesmo doente, porque é que hei-de ser tratado como se estivesse a fazer ronha?! Então para que é que desconto 11%? Não percebo.

(Há um amigo meu que diz que da próxima vez que estiver com gripe, toma uns ben-urons e apresenta-se no trabalho mesmo assim. Como o sítio onde trabalho é mal ventilado, o primeiro que tiver a ideia de não ficar de baixa vai pegar a infecção aos colegas todos. Mas como nenhum quer ir para casa, para não perder dinheiro, vamos andar assim o Inverno todo. Isto vai ser lindo)

Miss Portugal 2004 - ou um 'Pesadelo de mulher' e de televisão

Esta fulana talvez pudesse ter sido seleccionada para modelo de um anúncio do tradicional sabonete 'Feno de Portugal'. Talvez mesmo para divulgar a miraculosa 'Água de Rosas' (contra as impigens), ou até para vender cigarros 'Ritz Light'. Mas não. Foi escolhida pela estimada audiência televisiva para Miss Portugal 2004.

Apetecia-me dizer: 'Faltam-me as palavras'. Mas palavra é coisa que nunca pode faltar a quem faz disto ofício, devoção, alegria e divertimento.

Primeiro a fulana: A fulana em causa é boçal até às lágrimas. É gorda. Tem uma cara vulgar. Como prova de talento, assassinou o 'New York, New York', na versão Lisa Minelli. Das dez finalistas, emparceirava à vontade entre as duas com menos pinta para a função.

A escolha: Rejeitada pelo júri (demora aqui muito mais tempo do que o que me apetece gastar a explicar como é que funciona a coisa), a fulana foi repescada pelos simpáticos telespectadores para a final. Acabou por ganhar. É democrático. É indecente.

O programa: Agora é que é giro. O programa tinha defeitos vários. Primeiro, meteu 1.500 (!) moçoilas da nossa praça a concorrer ao certame, que tem este formato pela primeira vez na história. Depois, as miúdas (quase todas de Casal de Cambra, Amadora, Massamá e Vila Nova de Famalicão) foram sendo expulsas pelo júri (uma ex-miss, uma fufa, um gajo ligado à moda que já viu melhores anos, e um manuel serrão). Finalmente, o público votava na que queria que representasse Portugal. EU REPITO: QUE REPRESENTASSE PORTUGAL!!
Em termos de formato comunicacional, o programa era abaixo de cão, dando indicação clara, pela imagem e tempos escolhidos, de quem é que eles queriam que ganhasse (acertaram, o gado vacuum que votou escolheu a que eles queriam). Sob a capa de democracia, estabelecem-se neste mundo os maiores arbítrios possíveis. A fulana é uma vaca? Isso ainda é o menos, perderemos no concurso mundial como sempre perdemos. Mas o programa era, no mínimo, fascista.

Bons tempos, quando a Vera Lagoa organizava o certame, em que bastava à Miss saber dizer 'Sim' e 'Não', e meter-se debaixo do vice-presidente do júri (o presidente, geralmente, era a própria Vera).

Carta aberta ao Último Reduto

A propósito de uma polémica sobre uma entrevista publicada no Último Reduto (25/05/04), a qual provocou variadíssimos comentários, e que motivou, além do mais, um pedido de desculpas meu (28/05/04), aqui vai a missiva que há pouco enviei ao dono do citado (e distinto) blog.

Caro Pedro:

Já deve ter reparado que, para o bem e para o mal, sou um pouco impulsivo. Por impulso, confundi Paulo Fernando Gonçalves Rodrigues (adiante identificado por nº2), com José Luís Paulo Henriques (adiante identificado como nº1). Já pedi desculpa pública do facto. Mas a asneira, apercebi-me depois, tinha alguma razão de ser. E daí que, de impulsividade em impulsividade, deveria ter tido mais tino (também) no tal pedido de desculpas. É que o mesmo não estava completo. Eu deveria ter escrito que o que me levou a confundir os dois citados cidadãos era a sua aposição conjunta no Acórdão do Tribunal Constitucional 17/94 (publicado em Diário da República de 31/03/94), que a páginas 59 identifica o nº1 como sendo o presidente do Movimento de Acção Nacional (MAN), responsável pelo sector financeiro, elaboração de propaganda, etc., enquanto que o nº2 pertencia igualmente à direcção do citado movimento, mas com a pasta da orientação política e propaganda. E, a páginas 64 da mesma publicação, refere que o nº1 e o nº2 foram os únicos reclamantes do processo então em curso, o qual se debruçava sobre a anti-constitucionalidade do MAN, por alegada defesa da ideologia fascista e outras coisas que a mim bem pouco me interessam.
Por isso, agradecia que, se acaso conhecer os seus comentadores Mendo Ramires e Zé-do-Manguito, lhes fizesse chegar este meu pedido de desculpas adicional. Mais a mais, confundir um cabeça-de-lista (o nº2) com o 12º da lista (o nº1) não é coisa de que um oficial do meu ofício se possa gabar.
Com os melhores cumprimentos, e esperando continuar a lê-lo com a vivacidade (esqueça o jornalismo...) e a inteligência a que quase sempre me habituou,

Clark59

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